Sexta-feira, 12 de Fevereiro de 2010

A vertigem

Agora é a sério. A gestão das contas públicas vai impor sacrifícios de uma tal violência que não me recordo de nada igual. E é preciso que as pessoas tenham consciência disso. Neste artigo, onde nada é bom, vou procurar a solução menos má que possa colocar abaixo dos 3% do PIB o malfadado défice de 2013. O quadro macroeconómico de referência é do Banco de Portugal até 2011 mais um acréscimo nominal do PIB de 3,5% e 4% nos dois anos seguintes.

Cenário nº 1: congelamento das despesas. A minha primeira opção foi congelar todas as despesas - ordenados, pensões, subsídios, etc. - ao longo dos quatro anos da legislatura. Ficaram de fora, obviamente, os juros, que não são congeláveis, e para cujo cálculo usei a taxa, presumivelmente optimista, de 5% ao ano. Resultado: o défice cai para 5,5% e a dívida sobe para 97,3%, ambos em percentagem do PIB. É pouco.

Cenário nº 2: aumento de impostos. Aqui ensaiei três hipóteses, com impacto fiscal equivalente: 5% das receitas fiscais e contributivas, 7% só das receitas fiscais e 12% só dos impostos indirectos. Acabei por optar pela segunda, por me parecer a mais defensável em termos de aceitação global. Feitas as contas para 2013, sempre em termos de PIB, o défice é agora de 3,8% e a dívida de 90,7%. Ainda não chega.

Cenário nº 3: alienação de património. Entrar pela redução de salários e de pensões ou por aumentos maiores dos impostos pareceu-me ingerível. Preferi optar pela alienação de bens, por muito que me desagrade esta via. E, depois de alguns ensaios, inseri no modelo €1.500 milhões por ano, durante os quatro anos. A situação, em termos de PIB, passou a ser esta: o défice fica reduzido a 2,9%, o que satisfaz, mas a dívida ainda atinge 87,3%, o que é muito. Uf! A consolidação vai ter de prosseguir...

Compreendo a vertigem de quem me lê. Mas os números são o que são. E são tão válidos para este Governo como para qualquer outro que o substitua. O que significa que o ónus da decisão vai inteirinho para a classe política. Entendamo-nos: impor medidas que fazem aumentar a despesa é um comportamento de loucos; e as medidas que podem salvar o país são de uma tal gravidade que precisam de maioria no Parlamento.

A alternativa é o caos.

publicado por ooraculo às 00:30
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