Sexta-feira, 29 de Abril de 2011

A gestão da crise

Este é um momento triste. O Governo desculpa-se com a crise e acha que só não fez melhor porque as oposições o não deixaram. As oposições consideram a crise irrelevante e atribuem a culpa dos problemas à incompetência do Governo. E o país horrorizado continua a sua marcha a caminho do abismo. Propus-me este desafio muito simples: pegar no triénio 2008-10, os anos da crise, e ver como evoluíram o crescimento, o emprego e o endividamento.

Um simples olhar sobre os números leva a concluir que, no conjunto dos três anos, 13 das economias do euro regrediram e 4 limitaram-se a um crescimento modesto. Para um PIB igual a 100 em 2007, a média em 2010 foi de apenas 98. Mas Portugal chegou aos 98,7, reflectindo um desempenho bem melhor do que a concorrência. E, no ‘ranking' dos 17 países, ficámos em 7º, colados à Alemanha e à frente de países como a Espanha, a Itália e a França.

Como seria de esperar deste quadro recessivo, a taxa de desemprego disparou em todos os países da Zona euro, com a única excepção da Alemanha. A média desta subida foi de 2,5 pontos para os 10% da população activa. Portugal, que à partida tinha uma das taxas mais altas do grupo, limitou-se a seguir a tendência, estabilizando nos 11% e no 12º lugar do conjunto, ainda assim bem melhor do que países como a Espanha, a Grécia e a Irlanda.

A análise da dívida pública é mais complexa, por ausência de valores definitivos em vários países. Vamos ter de recorrer a estimativas. Elementos a destacar: no triénio 2008-10, a dívida subiu em todos os países da Zona euro e o acréscimo médio foi de 18,1 pontos para os 84,1% do PIB. Mas o acréscimo português foi de 29,7 pontos para os 92,4%, um valor só superado pela Grécia e pela Irlanda. Aqui é que a nossa gestão foi um desastre.

Um indicador favorável, outro neutro e um terceiro negativo sugerem a ideia de um empate técnico. Nem o Governo tem razões para embandeirar em arco nem as oposições são razoáveis quando lhe imputam todas as responsabilidades pelo que aconteceu. A má notícia é que as medidas anti-crise vão ser agora mais dolorosas. E não deixa de ser frustrante ler o último ‘outlook' do FMI: numa projecção para 2012, envolvendo 52 países, apenas um vai continuar em recessão - adivinham qual?

É o fundo do poço.

 

EUROPA DO EURO

 

 Menos produção...

(PIB, variação (%))

 ...mais desemprego

 (Desemprego (% pa))

 

Nos três anos que já levamos de crise económica, que correspondem ao período 2008-10, o PIB da Zona euro caíu 2%. Mas, em Portugal, caíu apenas 1,3%, reflectindo um desempenho bem melhor (menos mau) do que o dos nossos parceiros europeus. Já no domínio do desemprego as evoluções foram semelhantes: partimos de uma taxa um pouco acima da média e assim nos mantivemos até 2010. Do mal o menos...

Fonte: Eurostat.

d.amaral@netcabo.pt

 

 

publicado por ooraculo às 18:45
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