Sexta-feira, 28 de Maio de 2010

Contra a corrente

 

Pontos para reflexão. No último ano, o PIB baixou 2,7%, tendo como origem quase exclusiva o colapso do investimento, que caiu a pique (13,4%).

As últimas medidas adoptadas vão levar a uma contracção económica, talvez mesmo a uma recessão. O endividamento, quer público quer privado, vai continuar a subir. E o desemprego, hoje na casa dos 10,6%, só pode aumentar ainda mais. É um quadro explosivo. Como sair disto?

É consensual que o crescimento económico está associado ao investimento, de que depende o emprego. Mas o investimento privado está anémico. Não só tem vindo sistematicamente a descer, como nos últimos anos quase chegou à asfixia. Esqueçamos as razões: não funciona e isso nos basta. Pois bem, o que diz a teoria económica é que, em casos destes, devemos recorrer ao investimento público, que desse modo assume um carácter supletivo face ao anterior.

Claro que não pode ser um investimento qualquer. Tem de respeitar certos critérios associados a indicadores pré-definidos: o montante envolvido, a parcela nacional, a rentabilidade esperada, o emprego previsto, o que é e não é transaccionável, etc. Toda a gente sabe isso. Aliás, junto-lhe ainda outro critério de que se fala menos: ele deve ser comparado com outros investimentos alternativos.

Acresce que nem tudo é financiável, porque os recursos são escassos. E a dívida externa funciona aqui como travão. Mas esta dívida foi criada pelo Estado e pelos particulares, em partes sensivelmente iguais, e a responsabilidade deve ser igualmente repartida. Se eu e um organismo público importarmos dois carros idênticos, ambos financiados pelo exportador, estamos a criar duas dívidas também idênticas: a que título a minha é boa e a outra má?

Com isto chego ao TGV, versão Poceirão-Caia. Passo por cima do blá-blá-blá, que já não suporto, e cinjo-me apenas ao estudo feito pelo ISCTE, a pedido da RAVE: o investimento é de €1,4 mil milhões, a incorporação nacional é de 85% e a TIR de 5,9%; serão criados 100 mil empregos na fase de construção; e o financiamento está assegurado, tendo à cabeça 47% de fundos comunitários. É pouco? Talvez seja. Mas onde estão as alternativas melhores?

"É preferível abrir e tapar buracos a deixar recursos por utilizar" (Keynes).

 

A MARCHA DO INVESTIMENTO

Tendência crescente...

(Inv. total, % PIB)

 ...para a degradação

(Inv. público, % PIB)

   

Em apenas 10 anos, o investimento caíu 10 pontos para 19% do PIB: uma vergonha para os empresários. E, nos últimos 25 anos, a parcela pública caíu de 5-6% do PIB para menos de metade: uma tragédia para o país. Estiveram envolvidos Cavaco, Guterres, Durão, Santana, Sócrates. Sócrates foi, de longe, o que menos investiu. Como é que se passa a ideia de que ele é um "obcecado" pelas obras públicas?

Fonte: Eurostat.

____

Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt


Comentários

 
       Luís, | 28/05/10 17:23
"...Mas o investimento privado está anémico. Não só tem vindo sistematicamente a descer, como nos últimos anos quase chegou à asfixia. Esqueçamos as razões: não funciona e isso nos basta."
Eu até estou muito interessado nas razões, porque só assim podemos voltar a ter investimento empresarial neste país. Existem alguns textos económicos não-marxistas (ainda assim interessantes), que ajudam a explicar como aumentar o investimento privado na economia. Os números apresentados não são minimamente credíveis e a própria RAVE já admite que é um projecto para perder dinheiro. É um projecto político sem qualquer fundamentação económica.

trucla, | 28/05/10 16:44
Esses números são da apresentação da ATKEarney e da UCP aquando da apresentação do projecto original (governo Durão), que está todo errado. Previa procura de 12 milhões de passageiros (!!!!) no Lisbao-Porto, números esses já significativamente diminuídos pela própria RAVE. O Estudo da UCP utilizou uma metodologia duvidosa (matrizes I-O) com base nos números estupidificantes da AT Kearney - consultores aldrabões. A incorporação nacional é 85%, porque 85% é balastro (pedra) e cimento. Cálculos efectuados por outros aldrabões da In-Out Global. A TIR é a designada TIR económica, que entra em conta com externalidades positivas, ou seja, ganhos não-financeiros. Do ponto de vista financeiro a TIR é altamente negativa. As rentabilidades da ATKearney não entravam em linha de conta com os custos de manutenção da infraestrutura (vinha em letrinhas pequeninas no fundo dos powerpoints psicadélicos. Se quiserem ter uma noção, custa mais ou menos 55-60.000 euros por ano por kilómetro a manutenção corrente (sem contar com depreciação e custos de reposição). Logo, este artigo parte de premissas erradas, aldrabadas e, logo, as suas conclusões são absolutamente erróneas. A culpa, claro está, só é do autor na medida da sua credulidade quanto aos "números" em circulação...
Fino, Lisboa | 28/05/10 16:07
Acho estranho que o principal problema e a causa da crise Ocidental nunca seja referida pelos politicos e por muito poucos economistas:
A CONCORRÊNCIA DESLEAL CHINESA!
Os interesses instalados são de tal ordem e tão importantes para as multinacionais, que agora estão a explorar a mão-de-obra quase escrava da China, que EXISTE UM SILÊNCIO extremo em relação a esse assunto. Até quando aguentamos? até andarmos todos a trabalhar por uma tigela de arroz ?

Ahah, | 28/05/10 15:10
1,4 mil milhões de custo? Boa conta!

Agora acrescente para aí uns bons 55% de derrapagem (que acontece SEMPRE nas obras públicas) financeira para essa "Obra" e aí talvez a conta esteja bem feita e certa!
Paulo Silva, Lisboa | 28/05/10 11:58
Caro Realista, já ouviste falar da produtividade marginal decrescente dos factores produtivos? Obviamente quando não tens auto-estradas, o impacto da primeira auto-estrada na economia é elevadíssimo. A segunda já terá menor impacto e a terceira será para esbanjar recursos. Ademais, no tempo do Guterres tiveste uma diminuição forte das taxas de juro, o que permitiu à economia endividar-se, ou seja, os agentes económicos pediam ao exterior para consumir e investir. Parte desses empréstimos iam para pagar as importações, outra parte fica na produção nacional, o que impulsiona a economia (Produto Interno). Agora está na hora de pagar a factura. Fala-se muito no PIB mas gostaria de saber como está o PNB, isto é, o que de facto fica na nossa economia depois de pagar os rendimentos (juros e dividendos) ao exterior.
Paulo SIlva, Lisboa | 28/05/10 11:50
Uma TIR de 5,9%? Já seria bom se este projecto tivesse resultados operacionais positivos, isto é, que a exploração não fosse deficitária que é o que sucede com as empresas de transporte públicas que temos em Portugal.

Gabriel Órfão Gonçalves, Lx | 28/05/10 10:21
Dr. Daniel Amaral, queira ter a amabilidade de nos explicar por que razão chama TGV a uma linha férrea... (Mais sobre isto em "bravosdopelotao blogspot")

Realista, Porto | 28/05/10 09:29
Eu não acredito! Eu não posso acreditar! Are you kiding me? Eu só tenho dúvidas num ponto. 100.000 empregos são demasiados empregos. Não ha aí um zero a mais? Mas este artigo da-me a oportunidade (se a sensura me deixar passar) de contestar as "teorias" de Medina Carreira. Os seus famosos gráficos com a evolução do PIB nos últimos 30 anos mostram dois períodos em que crescemos mais que a média europeia. no tempo de Cavaco e no tempo de Guterres. E qual é a explicação de MC? No período de Cavaco foram os subsidios da UE. Em parte é verdade. Recordo que na altura se dizia que 1% de crescimento vinha da UE. Mas ainda falta explicar o resto. No período de Guterres MC dá como explicação os baixos preços do petroleo. Mas então os preços não eram baixos para todos? Esta não pega. AGORA HA AQUI UMA COINCIDENCIA. SE CALHAR É SÓ UMA COINCIDENCIA. OS TEMPOS DE CAVACO E DE GUTERRES FORAM TEMPOS DE APOSTA NA EXPANSÃO E NAS OBRAS PÚBLICA. NAS ESTRADAS PRIMEIRO E DEPOIS NA PONTE VASCO DA GAMA, NA EXPO, NO EURO, ETC. SERÁ SÓ COINCIDENCIA?

LOPES CARLOS, Bruxelas | 28/05/10 07:16
O Senhor Jacques ATTALI no seu ultimo livro" TOUS RUINÉS DANS DIX ANS ?", ed. Fayard , 261 pag , França , Maio de 2010, apresenta uma verdadeira estratégia para a França, a Europa e o Mundo.
Claro que Portugal não tem a capacidade instalada nem os recursos humanos, técnicos e financeiros da França, mas algumas propostas de Attali podiam ser adaptadas ao dificil caso português, que TODOS conheciam desde 2006.
O problema é a evolução da divida externa bruta que é uma das maiores do Mundo ( face ao PIB) . Todos os cenários estão a partir de agora em aberto.

Paulo Assunção, Lisboa | 28/05/10 02:51
Sócrates é um incompetente. Não queremos o TGV espanholito. É um investimento fraudulento assinado ao Sábado, já depois de termos entrado em pre-falência graças ao brilhante governo que temos. 100 000 empregos? Por favor, não brinque... Com esse dinheiro, podem ser relançadas milhares de PME's. Podem ser restaurados dezenas de milhares de prédios podres em Portugal inteiro. PORTUGAL ESTÁ ARRUINADO, SR. DANIEL AMARAL.

lucklucky, | 28/05/10 02:35
"Se eu e um organismo público importarmos dois carros idênticos, ambos financiados pelo exportador, estamos a criar duas dívidas também idênticas: a que título a minha é boa e a outra má?"

A minha dívida é responsabilidade minha, a do Eestado é de todos feita por um político em nosso nome, se não percebe a diferença é altura de voltar para escola.

"É preferível abrir e tapar buracos a deixar recursos por utilizar"

Então porque não parte umas janelas de sua casa e espatifa o seu carro?

Este texto é uma loucura pegada.

vg, | 28/05/10 00:39
Os números apresentados para o TGV são, no mínimo, estranhos.Incorporação nacional de 85%?.Empregos 100.000, são os desempregados"ociosos"?E o comboio pára no Poceirão? E quantos são os passageiros ,esse número misterioso?Com essa nova indústria do investimento.,o melhor será fazer o Lisboa -Porto e mais dois ou três TGVs...
publicado por ooraculo às 17:47
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Sexta-feira, 21 de Maio de 2010

E a bolha rebentou

 

Foi tudo muito rápido. Sócrates, com um ar cansado, apareceu-nos na televisão a defender o corte de mais um ponto no défice orçamental.

Logo a seguir, o PSD concordou, o Governo ratificou, o país adormeceu e a bomba explodiu: despesas escrutinadas à lupa, cortes nos salários e nas pensões, aumento generalizado de impostos, bloqueio à função pública, etc., etc., etc. Bruxelas assumia o controlo das operações.

O investimento já caíra sete pontos para 20% do PIB. E a parcela do sector público, que chegara a estabilizar nos 4%, já ia em metade disto. Mas havia quem exigisse mais: era preciso "parar tudo". E na onda entraram o Presidente da República, não sei quantos ex-ministros das Finanças, a generalidade dos analistas, candidatos a economistas, o CDS e o PSD. Presumo que estejam felizes. O investimento público morreu.

Agora é a vez do consumo, público e privado, que no final de 2009 representava 90% do PIB - o maior impulsionador do crescimento, a grande distância de qualquer outro. Com este novo aperto no défice, o Estado fica muito mais limitado. E, com salários mais baixos e impostos mais altos, as famílias ficam duplamente mais pobres. O resultado é um corte abrupto no consumo, que vem juntar-se à anemia existente. O sentimento é de frustração.

Resta-nos o comércio externo, onde o défice atinge 10% do PIB, que todos os anos acrescem ao endividamento. Mensagem do Governo: precisamos de aumentar as exportações. Mas a procura externa está de rastos, com a Europa envolta nos seus próprios problemas. E os ganhos de eficiência, indispensáveis à melhoria da oferta interna, dependem de investimentos que não existem. Com este quadro - exportamos o quê e para onde?

Façamos então a síntese. O crescimento económico, de que depende o emprego, é impulsionado por três motores: o investimento, o consumo e as exportações. Estão todos parados. A consequência é uma recessão, talvez com deflação a seguir. Poderia ser de outro modo? Não. Todos sabíamos que a bolha do endividamento acabaria por rebentar, só não sabíamos quando. Rebentou agora. Registemos a efeméride, para memória futura: "Hoje fazemos o que deve ser feito, mas o que deve ser feito devia ter sido evitado - Maio, 2010".

A festa acabou.

 

Medidas temporárias?

Processo recessivo...

 

(Dív. pública, % PIB)

 ...Sugere o oposto

 

(Div. externa, % PIB)

   

 

Para amortecer o impacto das medidas, o Governo disse que serão temporárias, acabando no final de 2011. Mas, até lá, e para um PIB igual a 100, a dívida pública vai subir 10 pontos para 87; e a dívida externa, porventura ainda mais grave, vai subir 13 pontos para 125. Como é que, com desequilíbrios maiores, vamos ter sacrifícios menores? Fica um milagre por esclarecer...

 

Fontes: Eurostat, Banco de Portugal.

 

 

Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt

 

Comentários

C.Vieira, Boston, USA | 21/05/10 15:23
Como de costume, elucidativo e concreto. Bom artigo!
emoN, | 21/05/10 11:17
Problema: falta de produção nacional; falta de formação e competitividade; ordenados elevados em cargos de topo; Justiça lenta e ineficaz; Crescente falta de competitividade; abertura do mercado; grande vulnerabilidade ás novas potencias produtoras como a china; endividamento crescente; politicas viradas para a receita(impostos), e para a aposta em obras; politicas nada direccionadas para o reforço da produtividade e competitividade; crise nacional crescente; Expeculação do mercado; crise internacional; crise nacional extrema; A culpa desta situação é dos politicos e tb de todos nós;

Pedro_Pereira, Lisboa | 21/05/10 11:01
O autor tem toda a razão ! Tudo isto poderia e deveria ter sido evitado... mas não foi. Por isso mesmo, agora, aumenta-se a tributação, corta-se despesa do Estado (e consumo das familias), assistir-se-à ao crescimento explosivo de desemprego e pouco mais ....
Pouco mais ? Dêem mas é condições para trabalhar e criar riqueza e ponham de lado ideologias muito bonitas no papel mas que depois n~sao produzem resultados sustentáveis.
Por exemplo: alterem a legislação de trabalho de forma a que contratar não seja um problema mas sim uma solução. Acabem com a penalização (insensata) dos contratos a prazo.
Ponham o mercado de arrendamento a funcionar, liberalizando os novos contratos e facilitando a sua resolução (e despejo) quando em incumprimento.
E moralizem, premiando quem é honesto e trabalhador e penalizando quem nada faz ou faz mal feito.
Os próximos tempos (3 anos) vão ser difíceis, certamente, mas o mais importante é sabermos que existe solução se quisermos. Ou seja, luz ao fim do túnel. De outro modo não faz sentido nem chegamos lá, ficando unicamente pelo maldizer .
vares, | 21/05/10 11:01
"Hoje fazemos o que deve ser feito, mas o que deve ser feito devia ter sido evitado "
SIM e há muito mais a fazer:
1 - Carris - Presidente ganha 60 mil - trabalahadores a lutares por dois e três euros.
2 - CTT - Presidente leva 200 mil por mês - carteiros não ganham 1000euros.
3 - TAP só prejuizos mas o brasileiro leva 400mil euros!
4 - A obscenidade da EDP (monopolio) sempre a aumentar as tarifas.
5 - Instituto dos Seguros de Portugal - 250 mil euros mês.
6 - RTP 250 mil /mês
7 - Metro do Porto 100 mil euros mês - Presidente
8- Metro de lisboa 60 mil euros mês - Presidente.
E ainda há muito mais
Não há harmonização de ordenados?
Uns presidentes ganham mais que outros?
Depois de todos este numeros é caso para dizer eles sentem A CRISE?

josé costa, casal do marco | 21/05/10 10:50
Jacques Delors sempre defendeu a Europa dos cidadãos não a Europa dos burocratas, dos partidos cleptomaníacos e da Maçonaria que está na base DESTE projecto europeu actual que para defender os interesses económicos e financeiros a ele associados, desde sempre calcaram os interesse maior de todas as nações, especialmente a nossa. Como pequeno empresário, já em 1997 fechei uma fábrica com 35 postos de trabalho, sem dívidas, porque considerei que qualquer empresário se arrisca o seu "pescoço" e o da sua família - especialmente se a construiu sem QUALQUER cêntimo de apoio estatal - para alimentar uma corja de ch.los da nação que só sabem alimentar-se e alimentar o seu partido com o dinheiro daqueles que efectivamente sempre contribuiram, com o seu trabalho, para o enriquecimento da nação. Desde que aqui comecei a comentar, sempre escrevi que o que nos espera é o CAOS, porque os actuais "gestores" do país - e eles nada mais são do que gestores que deveriam ser contratados para fazer um trabalho de gestão das nossas finanças e corridos desse lugar se não cumprissem com o seu dever - não mostram capacidades e competências necessárias para exercer a sua função. Porém venha o CAOS porque ele é sómente o começo de uma nova ORDEM!
jorge pinho, Aveiro | 21/05/10 10:28
Toda a gente está farta de saber que o governo está a gastar mais do que as capacidades financeiras do país, há muito tempo. Todavia, a muitos interessa esse investimeto público porque está aí o seu ganho. Enquanto ganham o país endivida-se e afunda-se. Toda a gente sabe disso, mas o povo fala muito mas quer é o seu interesse. Devem ser bem castigados com impostos para aprenderem. Eu também vou pagar, mas estou cá para isso.

LOPES CARLOS, Bruxelas | 21/05/10 09:49
1. Caro Senhor Realista, o Senhor é uma Pessoa muito interessada por Economia e Finanças e contribue muito regularmente com os seus comentários sempre interessantes.
2. MAS, o Autor tem inteira razão. E podia ser até mais duro.
3. Por favor, leia a revista francesa MARIANNE n° 682 de 15 a 21 de Maio de 2010. Veja o desenho da pagina 51 ( rir !) e depois veja os gráficos da pagina 44 , onde perceberá o endividamento dos Estados e quem financia a grande parte dessas dividas( Alemanha e França). enfim, perceberá na pagina 49 qual a alternativa que se coloca à Europa. Pessoalmente, defendo mais Europa ! Mas, teremos SEMPRE rigor e crise !
anonimo , | 21/05/10 09:41
Pois não senhor , não tamos a fazer o q deve ser feito que o exemplo venha de cima; fim das mordomias, carro , casa, guarda-costas, chouffer,cartões de crédito, e etc, etc. DEMOCRACIA NORDICA É O QUE QUEREMOS.
 
Antonio Tavora, Recife-Brasil | 21/05/10 09:23
Acordem PORTUGUESES

Também o cabo HITLER ganhou democraticamente as eleiçoes e depois tivemos a guerra e o holocauto.

Um governo patriotico e de salvaçao nacional já.
 
 
Realista, Porto | 21/05/10 09:18
Com o devido respeito, tenho a impressão de que desta vez o autor "passou-se". Diz ele no final do artigo , em geito de tirada para a posteridade, que agora estamos a fazer o que deve ser feito mas que o podíamos ter evitado. Vamos lá a ver. Será que o autor ainda acredita em factos? Até 2008 a Espanha até tinha superavit e tinha (e ainda tem) uma dívida pública inferior aos 60% do PIB. Será que a Espanha (que está à rasca, como nós) tambem o poderia ter evitado? A Irlanda, que os neolibs apontavam como modelo, com a sua cagda fiscal muito baixa, tambem está à rasca. Será que tambem o poderia ter evitado? A Italia, etc, etc. SERÁ QUE OS NEOLIBS AINDA NÃO SE DERAM CONTA DE QUE ESTAMOS NO MEIO DE UMA CRISE MUNDIAL OU, NO MÍNIMO, EUROPEIA? AS BOLSAS ASIÁTICAS ESTÃO TREMIDAS, AS AMERICANAS TAMBEM. TUDO POR CULPA DE PORTUGAL?
LOPES CARLOS, Bruxelas | 21/05/10 07:00
1. Gerações sucessivas de formigas e cigarras estão a dar lugar à primeira geração de gafanhotos ( saltando permanentemente de formação em estagio , de estagio em emprego precario sempre a recibo verde com periodos de desemprego pelo meio).
2. O proximo Orçamento da Alemanha para 2011 vai traduzir-se em economias inteligentes ( ao menos não cortam na Educação) , porque as previsões do défice até 2013 são negativas.
3. A nossa brutal divida externa bruta ( 226 °/° do PIB), a necessidade de meter no perimetro orçamental certas despesas militares, as tais SCUTs que eram gratuitas, os custos reais das PPPs, o envelhecimento da População, o aumento do desemprego de longa duração, etc, vão criar uma situação muito complexa. É preciso dizer a verdade ao País e depois exigir os esforços suplementares adequados. A festa acabou mesmo. Quando perceberemos mesmo isto ???

Capitalista, | 21/05/10 01:39
1989, o fim das ideologias,
Viva o liberalismo.
Premio Nobel para Helmut Khrol.
Partidos socialistas e social democratas defendem, na Nova Ordem Mundial, coisas que os democratas cristãos italianos, alemães, ingleses e outros não aceitavem.
Jacques Delors ( alguém se lembra deste grande homem?) é "saneado" por defender a Europa dos cidadãos e não do capital.´~
Viva o liberalismo er os mercados selvagens, vamos todos ganhar muito.
Só se esqueceram de uma coisa (Friedman - a teoria monetária tem o seu lugar na economia) - Se o dinheiro financia o investimento e o consumo, o que financia os juros?
Pois é, ou há boa distribuição de rendimento e impostos justos, ou BUUUMMM
(já o dizia Keynes, e mais recentemente Krugman)
 

João, Porto | 21/05/10 01:30
SÓCRATES: DEMISSÃO IMEDIATA! CAVACO SILVA: ÉS UM CÚMPLICE OBJECTIVO DESTA BANDALHEIRA SOCRÁTICA, DOS TGV?s ESPANHOLITOS, DAS ENERGIAS DAS ONDAS, DOS CARRINHOS ELÉCTRICOS, DOS "MAGALHÃES" A 920 MILHÕES DE EUROS... SÓCRATES: DEMISSÃO IMEDIATA!

lucklucky, | 21/05/10 00:59
Os Portugueses têm o que merecem, não sabem nem querem saber fazer contas de somar e subtrair, não sabem pensar, seduzidos pelas palavras bonitas dos socialistas de esquerda e direita que lhes prometeram e prometem a riqueza ao virar da esquina se o Estado tiver todo o poder.

Pinto das Costas e dos Algarves, Mértola | 21/05/10 00:43
Parabéns pela análise.

Ligue por favor a dar a triste notícia aos nossos governantes dos últimos 30 anos, mas a todos, pois cada um deles devia contribuir com a totalidade das reformas que acumularam, com a totalidade dos salários que receberam e com a totalidade das luvas que receberam.

Relativamente aos cérebros desta bolha, diga-se em abono da verdade que, são os bancos, protegidos pelo estado, ao criarem artificios e formas de impingirem dinheiro ao povo. Desde os empréstimos a 50 anos, às hipotecas a 3 gerações !!! (Já acontece na Inglaterra).

Posto isto vou mas é tirar a carta de caçador e comprar uma quintinha alí para os lados da barragem, pois com a crise a caminho tenho que ir cavar e matar uns bichos para comer e já agora defender o que é meu.
publicado por ooraculo às 18:41
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Sexta-feira, 14 de Maio de 2010

A tragédia grega

A Grécia encostou. Não é só o colapso financeiro; é também a fragilidade política e a irresponsabilidade social. Não tenhamos medo das palavras: o país está à beira de uma tragédia. Quando vozes responsáveis se ergueram a sugerir que Portugal seria a presa seguinte, nós respondemos com sobranceria. Foi pena. Um bocadinho de humildade não teria feito mal a ninguém. Afinal, como é que os dois países se comparam entre si?

Tomemos como referência o exercício de 2009. O défice orçamental português foi de 9,4% do PIB, contra 6,3% da média europeia. Na Grécia foi de 13,6% - o segundo mais alto da zona, logo a seguir à Irlanda. Quanto à dívida acumulada, ela atingiu 77% do PIB entre nós e 115% na Grécia - o valor mais alto da Europa, de parceria com a Itália. A maturidade das dívidas é análoga, mas o risco grego é claramente superior. Vantagem para Portugal.

Mas uma coisa é a dívida pública, que pode ser interna ou externa, e outra coisa é a dívida externa, que pode ser pública ou privada. No final de 2009, a dívida externa portuguesa era de 183 mil milhões de euros, 112% do PIB desse ano, contra apenas 84% do equivalente grego. E as estruturas da despesa eram então semelhantes: para um PIB igual a 100, o consumo foi de 90 e o investimento de 20, deixando implícito um endividamento de 10. Vantagem para a Grécia.

Agora a economia, de que se fala menos. Nos últimos dez anos, a economia grega cresceu ao ritmo de 3,5% ao ano; o nosso ritmo não chegou a 1%. E, para uma União Europeia igual a 100, o rendimento ‘per capita' grego subiu 10 pontos para 94, enquanto o equivalente português baixou dois pontos para 76. A isto acresce o peso dos salários no PIB, decisivo para a competitividade externa, que é de 51% em Portugal e de apenas 31% na Grécia. Vantagem nítida para os gregos.

O contraponto está na imagem pública. Políticos gregos sem escrúpulos, apoiados por consultores "amigos", esconderam os números de que não gostavam e a sua credibilidade bateu no fundo. Exactamente o inverso do que sucedeu connosco, onde a credibilidade dos números não foi questionada por ninguém. Preservemos esta vantagem, mas não descuremos os problemas: eles são tantos e tão difíceis que precisam da máxima atenção.

A tragédia grega é contagiosa.

 

GRÉCIA VS. PORTUGAL

Melhor desempenho...(PIB, variação (%)  Melhores rendimentos (R ‘per capita', EUR27=100)
   

 

Nos últimos dez anos, a economia grega cresceu ao ritmo de 3,5% ao ano; o ritmo português não chegou a 1%. Não admira que, no mesmo período, e para uma EU=100, a Grécia tenha pulado 10 pontos para 94, enquanto Portugal caía dois pontos para 76. Junte-se a tudo isto os salários e teremos o quadro completo: a Grécia tem condições para recuperar melhor do que nós.

Fonte: Eurostat.

 

Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt


Comentários

Atento, | 14/05/10 01:56
Será que existe tal vantagem na imagem pública? E os números que após o período eleitoral todos surpreenderam? Engano, desconhecimento, porque só foram divulgados após o acto eleitoral? E aqueles negócios a que os mídia todos os dias se referem? Será que temos vantagem a preservar? Não será a aplicação dos fundos estruturais o melhor exemplo de como temos funcionado?


Realista, Porto | 14/05/10 08:49
Estes são dias felizes para os neoliberais. Medina Carreira, Cavaco Silva, Manuela Ferreira Leite devem ter aberto garrafas de champanhe. MFL, com aquela humildade e modestia que se lhe reconhecem, não se cansa de repetir que ela é que tinha razão (esquecendo-se do tal defice de 6%). Mas indo ao artigo....acabem lá com as comparações com a Grecia. Se são os organismos económicos internacionais e as "vossas" queridas agencias de rating a reconhecer que o caso português é diferente do grego, para quê insistir na comparação? E já agora....eu tambem consulto frequentemente as estatísticas do Eurostat e não vejo lá essa "coisa" do endividamento externo de que os neolibs tanto falam. Nem me consta que a UE tenha imposto algum limite a esse indicador.


trucla, | 14/05/10 09:49
É preciso ter cuidado quando incluímos na análise a dívida privada e, em particular quando o fazemos em comparação com a Grécia. Os dados da OCDE mostram que a posição das famílias portuguesas em activos financeiros é muito superior à Grega. Na realidade, o que importaria era ver a situação líquida (activos-passivos). Por exemplo, no caso português, enquanto que a dívida privada é de cerca de 96% do PIB, se considerarmos os activos financeiros essa posição é de 46% do PIB (situação passiva). E isto sem considerar os activos não-financeiros. Se considerarmos que a maior parte da dívida das famílias é em crédito hipotecário (em média coberta a mais de 100% pelos activos que garantem a dívida), então a análise só com base na posição passiva pode ser duplamente enganadora.


RosaPratas, | 14/05/10 09:56
Continua a confundir competitividade com o peso dos salários no PIB.Seria aconselhável que melhorasse a sua análise desta questão.


Luis, | 14/05/10 10:24
Muito pelo contrário caro Daniel, significa que os gregos ainda têm um longo caminho de ajustamento pela frente, para baixo claro, pois os actuais níveis de rendimento são claramente desajustados dos níveis de produtividade, minando a competividade da economia grega. Sinal disso é que no 1º T2010 o PIB homólogo de Portugal pulou 1,7% e o grego afundou 2,3%. Não sei onde está a vantagem grega...


alberto, | 14/05/10 14:05
Com vantagens aqui e desvantagens ali, a verdade é que a situação grega contém um elevadíssimo elemento de contágio, convém irmos pondo as barbas de molho...

publicado por ooraculo às 18:03
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Sexta-feira, 7 de Maio de 2010

No fio da navalha

 

Revisitemos o PEC 2010-13. Logo que o documento foi publicado, seleccionei o que era mais importante: o enquadramento macroeconómico, o modelo que o suportava e o resultado final. E foi nessa base que emiti a primeira opinião: o enquadramento pareceu-me bem, algumas opções eram controversas e os juros pecavam por optimistas. Enfim, não era claro que o PEC fosse exequível.

 

Mas ainda não passaram dois meses e tudo se alterou. O Banco de Portugal reviu o crescimento em baixa. O FMI baixou a fasquia ainda mais. E ambos corrigiram também em baixa a inflação implícita no produto. No entretanto, a Grécia afundou-se, os mercados agitaram-se e os juros subiram: as taxas que nos interessam aproximaram-se dos 6% ao ano, contra os 4,2% que o Governo previra para 2010. O PEC deu uma cambalhota e ficou de pernas para o ar.

 

As consequências são óbvias. A descida do PIB diminui as receitas, e a subida dos juros aumenta as despesas; logo, como diria o senhor de La Palisse, o défice vai ser mais alto. Sucede que o défice "não pode" ser mais alto, o que significa termos de pegar no programa e introduzir-lhe medidas adicionais. A senhora Merkel sugere que nos inspiremos na Grécia: cortes nos salários, eliminação de subsídios, aumento de impostos - o que por lá houver. É o país no fio da navalha. Que fazer?

 

Estávamos nós neste dilema quando ocorreu um facto extraordinário. O novo líder do PSD, que ameaçara matar meio mundo, de repente virou cordeirinho e diz-se disposto a colaborar. Mais: foi mesmo ter com Sócrates para lhe segredar ao ouvido - ele só quer o bem do país. Não percebi se a ideia era genuína ou simples ‘marketing' político, mas para o caso tanto faz. A mensagem existe, foi publicamente assumida e a esperança renasceu. Aleluia!

 

Entremos então na onda, que não há tempo a perder. Ponto um: o défice tem de ser inferior a 3% do PIB no final de 2013. Ponto dois: é urgente proceder à publicação de um OE-2010 rectificativo e à revisão de todo o PEC 2010-13, ajustando-o à realidade actual. Ponto três: estes objectivos só serão exequíveis com uma cobertura política alargada, o que pressupõe um acordo com incidência parlamentar entre o PS e o PSD. Vamos a isso?

 

A alternativa é o caos.

 

 

PEC REVISITADO

 

 Menos crescimento... (PIB, variação (%) ...taxas mais altas   Taxas de juro (%)
   

Fonte: PEC 2010-13.

 

O PIB e a inflação foram objecto de revisão em baixa, o que a prazo vai traduzir-se por menos receitas. E as taxas de juro dispararam para valores muito acima daqueles que o Governo assumira, traduzindo-se por mais despesas. Tudo ponderado, o défice está em risco. Mas o défice é o elemento-chave de todo o programa. Conclusão: precisamos de sacrifícios adicionais...

____

 

Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt

 

 

Comentários

Realista, Porto | 07/05/10 09:25
Eu acredito que o defice no final de 2010 vai ficar abaixo dos 8,3%. Aliás este objectivo para 2010 sempre me pareceu pouco ambicioso. E depois Teixeira dos Santos já tem créditos nesta tarefa de descer os defices.Mas convinha que a descida fosse maior. A fase actual ainda não é a de rectificar o orçamento e o PEC, como o autor pretende. É de antecipar algumas das medidas previstas para mais tarde. MAS, APESAR DE TUDO (EU JÀ CA ANDO HA ALGUNS ANOS) NÃO É O DEFICE E A DÍVIDA QUE ME PREOCUPAM. É O CRESCIMENTO E O DEFICE NO COMÉRCIO EXTERNO. O GOVERNO ANUNCIOU PARA SÁBADO A ASSINATURA DO PRIMEIRO TROÇO DO TGV. FORÇA ENG. SÓCRATES. É NESTES MOMENTOS QUE É PRECISO CORAGEM.


alberto, lisboa | 07/05/10 11:21
Numa situação macroeconómica permanentemente em alteração, viu-se bem cedo que o PEC não era credível.O deficit tem de descer, mas descer sustentadamente, a longo prazo, e tendencialmente ser da ordem de 1% do PIB, no máximo. Ora do que se conhece dos compromissos financeiros pós-2013, a visão de médio prazo das finanças públicas é a de filme de terror. O que é fundamental é sair do estado de negação que estúpidamente o governo adoptou e mudar radicalmente de política quanto aos investimentos públicos e à gestão económica em geral.


Paulo, Sesimbra | 07/05/10 11:25
Os alemães são como são porque são práticos e fazem o que for necessário para atingir os objectivos.
Os portugueses são como são e fazem tudo para adiar o que for desagradável.
A realidade é como é e, mais tarde ou mais cedo, virá ao de cima.
A viver de dinheiro emprestado, não se vai a nenhum lado.
Bom artigo, aliás, como é seu hábito.


DMM, Lisboa | 07/05/10 12:08
O governo tem que arranjar receitas (taxação das mais valias bolsistas?) para compensar o eventual não atingimento do PIB previsto (0,7%), logo menos receita fiscal, e o que tem que pagar de juros da dívida para além do previsto.. Esta é uma realidade inquestionável. A redução do défice público tem que ser cumprido.
Outra hipótese é o não pagamento do chamado 13º mês aos funcionários públicos ou aumento do IVA. Isto tem que ser explicado aos portugueses.


José Silva, | 07/05/10 20:13
É necessário um programa sério de contenção de despesa. Podiam começar pelas situações mais injustas e modormias para dar um sentido de equidade e seriedade ao contribuinte português.


publicado por ooraculo às 17:28
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