Sexta-feira, 30 de Julho de 2010

A "solução"

 

Há dez milhões de portugueses que têm uma solução para a crise em que vivemos e, de entre eles, umas tantas dezenas dizem-no e escrevem-no todos os dias: a solução está no crescimento económico. Houvesse crescimento económico e tudo estaria bem - os salários e o emprego, os subsídios e as pensões, os défices e as dívidas, a educação e a justiça, a saúde e o bem-estar. Se sabemos isso tudo, por que não fazemos nada?

Observemos os gráficos abaixo, começando pelo da esquerda. No período 2004-09, a Europa do euro cresceu 4% (0,8% ao ano) e Portugal apenas um terço disto; e, para o período 2009-11, prevê-se que a Europa cresça 2,4% (1,2% por ano) e Portugal apenas metade. Comparemos estes números com os dos Estados Unidos, da América Latina e dos países asiáticos: a diferença é abissal. A Europa bloqueou e Portugal é o seu elo mais fraco.

Vejamos agora o gráfico da direita, que reflecte o crescimento português e os motores que lhe servem de suporte. No período 2004-09, o impulso foi dado pela procura interna. Quando esta caiu a pique, o PIB caiu a pique. Mas, ao projectarmos o período 2009-11, e o seu crescimento paupérrimo, o único impulso visível é o da procura externa. Moral da história: dos dois motores que suportam a economia, um está parado e o outro ferrugento.

É este o nosso mundo. Um mundo de paradoxos. O endividamento louco a que chegáramos, e que os credores nos obrigaram a travar, não nos deixava alternativa: precisávamos de um plano de austeridade duríssimo, em que os sacrificados só poderiam ser o consumo e o investimento. Até aqui, tudo bem. Mas sucede que são estes cortes no consumo e no investimento que, ao travarem a procura interna, hoje nos impedem de crescer. Como é que se sai disto?

Muitos dos dez milhões de que falei acima também têm a resposta pronta: é preciso aumentar as exportações. Nada a opor. Vejamos então a melhor forma de o conseguir. No plano interno, precisamos de melhorar a organização e de baixar os custos de fabrico, ou seja, optimizar a oferta. No plano externo, precisamos de seleccionar os destinos e de convencer os clientes, ou seja, optimizar a procura. Se fizermos tudo isto, o mundo voltará a sorrir.

Fica só uma dúvida: como é que isso se faz?

 

O ESTADO DA ECONOMIA

Parceiros instáveis...(PIB, 2004=100)  Motores ferrugentos (Economia portuguesa*)
   

 

Por comparação à escala mundial, o crescimento do PIB na Zona Euro e no quinquénio 2004-09 foi uma lástima; e o crescimento português não foi além de um terço da média europeia. Mas as perspectivas para 2009-11 não são melhores: o PIB na Europa do Euro não deverá ir além de 1,2% ao ano; Portugal talvez chegue a metade disso. Os nossos motores deixaram de funcionar...

 

Fontes: Eurostat, Banco de Portugal.
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Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt


Comentários

mrrm , | 30/07/10 18:15
Os gráficos não estabelecem se é PPP ou sem paridade cambial. Não estabelecem correlações com o crescimento ou decrescimento populacional (não estabelecem se é PIB real ou nominal) e não levam em conta as últimas revisões do PIB dos EUA que vincou muito mais esta última recessão.
São fundamentos pouco claros e considerados muito superficiais em Ciência Económica. Para comentário de politica servem, mas tão somente neste nível superficial.
Sai-se "disto", toda a gente que vê um pouco mais fundo sabe-o, quando as exportações forem 40% do nosso PIB.
MMartins-Sintra

RosaPratas , | 30/07/10 11:29
Já sabemos tudo isso e há muito tempo, mas o autor nunca diz, pelo menos de forma directa, que o problema de de falta de liderança política e empresarial.É a única solução para o crescimento económico, para a credebilidade internacional e educação e qualificação do povo português.

alberto , | 30/07/10 11:16
Crescimento económico, sem dúvida. O problema é saber à pala de quê? Do consumo não será certamente, como o foi na 1ª década, investimento privado não me parece, investimento público estamos conversados, só pelas exportações, mas aí a competitividade e a produtividade falam mais alto e não estamos nada bem. Julgo que sem alterações estruturais na organização da Europa e sem a Alemanha assumir que não pode ter excedentes brutais à custa do resto da UE, em especial dos países do sul, não há nada feito. Vamos empobrecer e bastante e a coisa vai demorar mais de uma década a compôr-se.

Domador da Fera Morta , PORTO | 30/07/10 09:36
Infelizmente, tenho uma opinião bastante pessimista! Não sou péssimista, a realidade é que o é!
Sucintamente, devo dizer que sou grande fã dos chamados "Rácios". E tendo em conta o rácio do valor da percentagem de dívida pública em função do crescimento (aplicável a qualquer país), verifica-se que quando a dívida pública atinge patamares próximos ou superiores a 90%, o crescimento dificilmente cresce acima de 1.5%. Nesta relação, quanto maior, for a % de dívida em relação ao PIB, menor é o crescimento!
Isto acontece, porque o Estado, para fazer face, à cada vez maior despesa com os juros da dívida, tem de aumentar impostos (e cortar despesa), retirando desse modo, liquidez necessária para o crescimento económico.
Este "filme de terror", só poderá ter um epílogo - Incumprimento do Estado, FMI, e corte BRUTAL numa porrada de serviços e regalias do Estdo numa só assentada.
Mas parece que ninguém quer acreditar! Sonhemos então........

Realista , Porto | 30/07/10 08:56
Concordo com o autor em que o problema básico é o crescimento ou a falta dele. Mas para mim ha uma causa do fraco crescimento da Europa e de Portugal e de que ninguem fala. Posso escrever em maiúsculas outra vez? A CULPA É DO MALDITO CAMBIO EURO- DOLAR OU, SE PREFERIREM, DA MALDITA POLÍTICA MOMETARIA DO BCE (DA ALEMANHA). O EURO NASCEU HA 8 ANOS SALVO ERRO COM UMA RELAÇÃO 1 EURO = 0,9 DOLARES. EM 8 ANOS PASSOU PARA 1 EURO = 1,45 DOLARES. FOI BRUTAL. ISTO NÃO FAZ MAL À ALEMANHA (QUE, TAL COMO O JAPAo, SERÁ SEMPRE EXCEDENTARIA.) MAS MATA-NOS A NÓS E À RESTANTE EUROPA. O CAMBIO COM O DOLAR NÃO AFECTA SÓ AS EXPORTAÇÕES PARA OS EUA. AFECTA TODAS AS EXPORTAÇÕES, INCLUINDO AS EXPORTAÇÕES PARA A PROPRIA UE. ESTANDO O EURO SOBREVALORIZADO É EVIDENTE QUE OS PRODUTOS DE TERCEIROS (CHINESES E EUROPEUS DE LESTE) RESULTAM MAIS BARATOS. ISTO JÁ VEM DE MUITO ANTES DA CRISE. LEMBRAM-SE DOS JUROS BAIXOS DOS EUA E ALTÍSSIMOS AQUI NA EUROPA DEVIDO AO BCE? EU SÓ VEJO UMA SAÍDA: OU A ALEMANHA SAI DO EURO OU A SRA MERKEL SAI DA ALEMANHA E É SUBSTITUIDA POR ALGUM QUE PENSE EM TERMOS DE EUROPA.

LOPES CARLOS , Bélgica | 30/07/10 07:38
1. Gosto das 6as Feiras de manhã por diversos motivos . Mas, um deles é poder ler os excelentes e FUNDAMENTADOS artigos deste Autor ( já era assim nos tempos de O JORNAL ).
2. Nas minhas intervenções cito regularmente o nosso crescimento de 2000 a 2009 ( já comprovado) e de 2011 a 2017 ( previsões da OCDE) e chego às mesmas conclusões.
3. Aqueles que escamotearam o peso da DIVIDA EXTERNA e a gravidade do DEFICE CRONICO criaram um clima artificial neste País. Mas, os problemas de fundo são : produtividade, competitividade, excesso de importações de energia e de alimentos.
4. Como sair disto ? Desde 2/2/2006 que TODOS sabem um dos caminhos possiveis : dizer a Verdade ao País, Mudar de Vida ( Paradigma) , Apostar na Mudança através de Reformas Concretas ( como se fêz na Seg.Soc.), Apostar em 4 ou 5 Grandes Sectores ( Quem abraça muito abraça mal) e Informar o Pais regularmente com realismo e verdade sobre os progressos efectivos alcançados. Confiança sim ! Mas fundamentada e realista ! Basta de fantasias !
publicado por ooraculo às 18:20
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Sexta-feira, 23 de Julho de 2010

Pobres duas vezes

 

O conceito de limiar da pobreza é relativo e convencional: corresponde a 60% da mediana do rendimento por adulto e era em 2008 de 414 euros por mês. Abaixo deste limiar, e como tal em risco de pobreza, estavam 1,9 milhões de pessoas, 17,9% do total. Números que comparam com os 18,5% de 2007, a que correspondiam mais 62 mil pessoas. A variação foi positiva. Significa então que os portugueses passaram a viver melhor?

A resposta é não. Nada neste estudo nos permite ajuizar se o nível de vida ficou melhor ou pior. A única informação que nos é dada é que melhorou a distribuição dos rendimentos. O que de resto é confirmado por outros indicadores: o coeficiente de Gini, que mede a diferença entre ricos e pobres, caiu 0,4 pontos para 35,4%; e a relação entre os rendimentos dos 20% que ganham mais e os dos 20% que ganham menos caiu 0,1 pontos para 6 - ainda assim a mais alta da Zona Euro.

O tema merece uma explicação. Admitamos que os rendimentos de 2008, no valor de 100, tinham sido igualmente distribuídos por todos os adultos: o limiar da pobreza seria de 60% da mediana de 100 e o número de pobres igual a zero. Admitamos agora que o limiar da pobreza era 10 vezes mais alto ou 10 vezes mais baixo que o de 2008, mantendo-se a distribuição: o limiar da pobreza subia ou descia 10 vezes, mas o número de pobres seria rigorosamente o mesmo.

A dúvida persiste: as pessoas vivem melhor ou pior? O estudo não responde, mas eu fui à procura de resposta por outras vias. E os resultados são contraditórios: se usarmos o PIB ‘per capita' a preços constantes, há uma queda em 2008 e em 2009 - a situação piorou; se em vez do PIB usarmos o rendimento disponível, há uma subida em qualquer dos anos - a situação melhorou. Única certeza: o nosso nível de vida é uma lástima.

A razão por que trouxe aqui este assunto foi o último debate parlamentar sobre o estado da Nação. De um lado, cantavam-se hossanas, porque havia menos pobres em 2008. Do outro, atirava-se um "é preciso ter lata", a pensar nos imaginários pobres de 2010. Assisti a tudo, horrorizado: todos bramiam muitos números; ninguém fazia a menor ideia do que estavam a falar. Pobres duas vezes: pelas misérias da vida e pelas lacunas do saber.

É triste.

 

O ESTADO DA NAÇÃO

Baixos rendimentos...(2003=100, preços constantes) Distribuição injusta (Rácio S80/S20*)
   

 

* Os 20% de rendimentos mais altos ‘versus' os 20% de rendimentos mais baixos.

 

Olhe-se pelo lado da produção ou pelo lado dos rendimentos, os indicadores portugueses são sempre paupérrimos: não só os valores são baixos como praticamente não crescem. Para agravar a situação, o modelo distributivo, ainda que tenha vindo a melhorar um pouco, continua tremendamente injusto: é mesmo o mais injusto de todos os países da Zona Euro.

 

Fontes: Eurostat, Banco de Portugal.
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Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt


Comentários

anibal barca, | 23/07/10 17:15
E porque não dizer pobres três vezes, apreciando alguns comentários?!
JOÃO SEIXAL, seixal | 23/07/10 12:51
exmº sr. economista, dr, engº gestor ,etc etc etc .. está precocupado com a pobreza? a sua conta estará a baixar? vai como nós de férias prá costa? e anda de pedaleira' ? JÁ AJUDOU NALGUMA COISA? OU OS SEUS ARTIGOS SÃO À BORLA? O PESSOAL DA EDIFER TEM SUBSIDIOS COM ANOS DE ATRAZO NÉ? OS EMPRESÁRIOS ESTÃO EM ANGOLA, COITADOS FORAM A NADO?

Ricardo, | 23/07/10 12:14
Caro Daniel, o sr tá a precisar de passar uns dias de férias a apanhar um solinho bom e bem relaxado... sabe porque é que o Socrates ganhou pela segunda vez as eleições? não sabe eu digo-lhe: porque o povo portugues não é burro ao contrário do que alguns iluminados querem fazer crer.

vg, | 23/07/10 11:27
Ó Daniel,o "inginheiro" não vai gostar.Vivemos num país côr de rosa,que resiste às campanhas negras..

JJC, | 23/07/10 10:50
Um dos factores que ajudou a diminuir essas diferenças foi o aumento do salário mínimo, que nunca tinha sido tão grande em tão pouco tempo...e se este ano aumentar mais 25€, o diferencial entre os mais ricos e mais pobres voltará a diminuir...o argumento dos patrões só já convence os parolos...o mais triste num país como o nosso não é ter pobres...é ter trabalhadores que se esfolam todos os dias para ganhar um ordenado de miséria e esta foi a maior conquista do reinado de Sócrates, coisa que ele ainda não percebeu.

João Santos, | 23/07/10 10:17
Que coluna mais tendenciosa.

"o modelo distributivo, ainda que tenha vindo a melhorar um pouco, continua tremendamente injusto"

Isto é comentário de um economista?? Tem de aprender a ser mais imparcial.
Então no grafico não se nota uma clara tendencia de decrescimento no Indice?? Uma clara convergencia para o nivel europeu...

LOPES CARLOS, Bélgica | 23/07/10 10:06
1. Na ultima década ( dados comprovados) e na próxima década ( previsões de crescimento do PIB potencial da OCDE ) os nossos Politicos andam a discutir
ESCASSAS DÉCIMAS PARA CIMA E/OU ESCASSAS DÉCIMAS PARA BAIXO. Mas é um País inteiro a voar rasteirinho !
2. Com o nosso fraco crescimento médio anual, a falta de IDE, a desesperança da População ( fraca natalidade, emigração continua dos Portugueses , envelhecimento da População, desertificação de largas zonas do País,etc) o FUTURO não se afigura risonho. Não há discurso que disfarce estas realidades.

RosaPratas, | 23/07/10 09:30
Apreciei muito os últimos dois parágrafos do seu texto.
Efectivamente,os nossos dirigentes políticos, a maior parte, infelizmente, não é responsável, têm muita falta de maturidade e de cidadania, apenas preocupados com o show business da sua profissão.

publicado por ooraculo às 18:12
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Sexta-feira, 16 de Julho de 2010

Uma decisão estranha

 

Depois do descalabro das contas públicas em 2009, Bruxelas foi célere a impor as regras de jogo: o défice face ao PIB teria de baixar para 3% até 2013. Nada a opor. Logo a seguir, Bruxelas fez questão de intervir na forma: dois pontos teriam de ser cortados já em 2010. Também percebi. Mas há dias, sem aviso prévio, pela calada da ‘net', o Governo veio antecipar os 3% para 2012. Esta passou-me ao lado. Foi uma opção interna ou mais uma imposição do exterior?

A dúvida tem razão de ser, porque a decisão é estranha. As implicações são várias e nem todas boas. A mais óbvia está no travão do crescimento económico: ao baixarmos o rendimento disponível, estamos a diminuir a procura, que faz diminuir a oferta. O Governo, de resto, reconhece isso mesmo, ao corrigir a produção em baixa. Mas, como é normal nestes casos, fá-lo numa perspectiva optimista, porque o tempo está lindo e há estrelas no Céu.

Se há menos crescimento, haverá menos emprego: La Palisse não diria melhor. Acresce que, como várias vezes tenho referido nesta coluna, as nossas estruturas produtivas continuam sobredimensionadas, porque o ajustamento do emprego ainda não se fez. A marcha vai ser penosa.

Também neste caso, o Governo reconhece o problema, ao admitir que a taxa de desemprego ultrapasse os 10% já em 2011. E uma vez mais fica a ideia de que ele subavalia a situação.

Qual cereja no bolo, o Governo volta a atacar o investimento público, numa deriva arrepiante. Historicamente, ele representava 4-5% do PIB; já o reduzíramos para cerca de metade disto; e agora propomo-nos baixá-lo ainda mais até 2013. Admito que haja razões que a razão desconhece. Mas, quaisquer que elas sejam, só posso chamar-lhes suicidas. Na hierarquização destas medidas, o corte no investimento deveria ser a última a tomar.

Como já se percebeu, há aqui uma decisão que é um pau de dois bicos: por um lado, travamos a dívida externa e reduzimos as necessidades de financiamento, o que é óptimo; por outro lado, agudizamos a crise económica e cavamos ainda mais -desemprego, o que é péssimo. Não gosto da troca. Daí a pergunta que formulei lá atrás: foi Bruxelas que nos impôs a medida ou foi o Governo que se pôs em bicos de pés?

Este país é uma emoção.

 

AUSTERIDADE POLÉMICA

Menos endividamento...(Peso no PIB (%)
 Mais desemprego(Peso na pop. activa (%)
   

 

Esqueçamos quem decidiu o quê. Ao acelerarmos as medidas de austeridade, vamos atingir os 3% de défice já em 2012, ao mesmo tempo que invertemos nesse ano a tendência crescente da dívida. É óptimo. O problema é que, entretanto, travamos o crescimento económico e elevamos o desemprego a limites intoleráveis. É péssimo. Do meu ponto de vista, a opção foi má.

 

Fontes: Governo, Banco de Portugal.


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Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt


Comentários

 

lucklucky, | 16/07/10 17:44
Não há razões nenhumas para haver investimento publico. Não passa de corrupção legal e Dívida. O investimento Publico só trouxe dívida nos últimos 10 anos e um País com a economia toda destorcida pela intervenção dos Governos.
Francisco, | 16/07/10 14:28
O mal é que a Merkel apenas impõe que se baixe o défice para X no ano Y. Não diz como é que isso deve ser feito. Assim, o (des)governo português fica com liberdade para o fazer aumentando a receita (nos próximos 2 anos os impostos vão ser sempre a subir) e cortando nas despesas virtuosas.
Seja como for, não se pode perder de vista, que a situação em que estamos se deve ao facto de termos (o país) andado a viver acima nas nossas possibilidades e agora, seja qual for o caminho, vai ser preciso sofrer. A intensidade e a partilha do sofrimento é que serão diferentes consuante a qualidade dos políticos que tivermos e que escolhermos.Não se pode esquecer que a responsabilidade do presente e do futuro também é do Zé Votante.

poisnaosei, | 16/07/10 12:40
Completamente de acordo com o artigo, mas lembrou-me outra questão: do confronto e injustica de gerações. O azar de se nascer em determinadas gerações por pagarmos a fava pelas asneiras que as anteriores fizeram. Os grande culpados parece-me serem a geração que chegou mercado de trabalho e a maturidade no anos 80, o verdadeiros yuppies. Lembro-me de haver tipos a acabar o curso do ISEG ( ou o equivalente da altura) e irem chefiar equipas com pessoas mais velhas e experientes. Foi essa geração que enterrou completamente portugal, alguns foram PM, outros Minsitros, que andam agora pelas empresas com grandes tachos e regalias e pensoes acumuladas.
Quem chegou ao mercado de trabalho nos ultimos 5 anos foi vitima dessa gente!.. as eles continuam a pavonear o seu saber pelos jornais e pelas televisões como se tivesse o seu sucesso fosse fruto do seu talento inato!..
Nisso dou razão aos jovens gregos, quando andam a pedrada na rua. tem toda a razão!.

RosaPratas, | 16/07/10 10:38
A decisão só pode ser de Bruxelas. O governo de Sócrates sempre mostrou, na prática, que gastaria o dinheiro que fosse necessário enquanto houvesse quem lho emprestasse, porque faz parte do ADN dos partidos socialistas. Como disse Sócrates, o mundo mudou, isto é, os investidores passaram a dar atenção à capacidade para os devedores pagarem e vai daí fecharam as torneiras com impacto na chamada crise da dívida soberana, com particular destaque para os países do euro.
Reclama-se um governo económico europeu.Já começou, com as decisões a serem tomadas em Bruxelas e comunicados, ao Sócrates, os objectivos a atingir e avaliar o seu desempenho de seguida.
A exemplo do que acontece com as empresas deficitárias, não se deve atirar dinheiro para cima dos problemas, como faz o IAPMEI, é preciso é resolver os problemas.

Realista, Porto | 16/07/10 09:00
Concordo inteiramente com o autor. Eu tambem fiquei baralhado com a passagem dos 3% de 2013 para 2012 e com o corte drástico no investimento público. Acho que é um erro tremendo. Acho que neste dilema de cortar nos défices ou continuar ainda com alguns estímulos o Sr Obama é que tem razão e a Sra Merkel não. Esta aceleração do Governo no corte do défice está errada do ponto de vista económico e está errada do ponto de vista social. Parece que ninguem tem verdadeira consciencia dos dramas que o desemprego está a gerar.

Rui Mendes, Lisboa | 16/07/10 08:22
Bom dia, o texto indica-nos que entre duas direcções de diminuição da divida e diminuição do emprego, foi utilizado a regra do costume, o corte do emprego.
A duvida que tenho é que quem explicará ao Povo Portugues que a soberania e a decisão de escolha de um pelo outro foi um Alemão, Belga etc e não um Português.
Será a mesma coisa dizer que um Portugues interviu nas politicas economicas de Espanha(passe o exemplo), toda a gente diz que a divida publica é inferior a privada, então a decisão do desemprego insere-se nisto? Então como o requilibrio orçamental contribui para o crescimento? Não há contribuição...o que estamos é gerir liquidez até a altura que aquela acabe, porque a unica forma de gerar ainda mais liquidez é produzir e se não há produção? Esta regra inibe a procura interna e "encanta" a procura externa, mas os outros países não estao com o mesmo problema? Terá Portugal uma economia virada para as exportações?Penso que não.Por isso a decisão é puramente financeira.
Os senhores de Bruxelas controlam as finanças e nós limitamos a vender, é uma optima ideia, quando há impasse.
Bom dia.

LOPES CARLOS, Bélgica | 16/07/10 07:32
1. Este texto tão claro e tão pedagógico devis ser analisado com a maior atenção por muitas Familias e Empresas Portuguesas.
2. A situação economica, financeira e social do País ( em Julho de 2010) é muito muito delicada. As verdadeiras opções agora serão todas muito dificeis e muito dolorosas.
3. Quem apoiará o OE 2011 e suportará os respectivos custos ? Agora é a doer ! TODOS sabem o que se terá mesmo de fazer, mas TODOS sabem o que acontecerá a quem o tente fazer. DE qualquer modo, o reajustamento será feito. Provavelmente como O. BLANCHARD escreveu em Fevereiro de 2006.
publicado por ooraculo às 17:47
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Sexta-feira, 9 de Julho de 2010

SCUT e trapalhadas

Não sei ao certo o que ia na cabeça de João Cravinho quando inventou as SCUT. Mas parecia interessante: as empresas construíam e financiavam, o país desenvolvia-se e as populações adoravam; como cereja no bolo, ainda aumentávamos o PIB e a receita fiscal. Também o PS subia. Mas não há almoços grátis e a conta chegou depois: 700 milhões de euros por ano, uma loucura. Quem paga?

A factura das SCUT está aí e não há como fugir dela. E o pagamento só pode ser feito de duas maneiras: ou por nós todos, via impostos, ou por aqueles que as utilizam. Podemos queimar os neurónios a discutir os prós e contras de qualquer delas. Eu tenho de há muito uma opinião formada: a solução mais justa é aquela em que o custo do serviço é suportado pelos seus utilizadores. E quanto mais tarde decidirmos mais agravamos a situação.

Mas o Governo só acordou para as SCUT em 2006, ao definir os critérios para a introdução de portagens: o PIB regional, o poder de compra concelhio e as alternativas possíveis. Li na altura estes estudos e fiquei com a impressão de que se decidira primeiro e se estudara depois. Por exemplo: a região do Algarve, a mais rica de todas, "nunca" teria portagens. Palavras de Jorge Coelho, que foi lá expressamente para o anunciar. Era o tempo da politiquice.

A seguir veio o amadorismo. O MOPTC inventou um ‘chip' que lia tudo, ignorou o melindre da protecção de dados e meteu-se numa alhada de que nunca mais saiu. O ‘chip' acabou ridicularizado e só não acabou de vez para evitar a humilhação daqueles que o conceberam. No fundo, ele nada acrescenta à Via Verde, que já existia antes e sempre funcionara bem. E nós andamos há quatro anos a ouvir a lengalenga de que tudo estará pronto "no próximo semestre".

Agora é a luta partidária. O PS cedeu a todas as exigências do PSD: a universalidade das portagens, o ‘timing' de execução, o ‘chip' à medida dos seus desejos. Ainda assim, o PSD votou contra o projecto, a pretexto de um argumento bizarro: havia acordo, mas não havia "preto no branco". E já se fala de novos adiamentos. Moral da história: o PSD quer as portagens, mas também quer que o odioso caia sobre o PS. E a corda vai esticando, esticando, esticando... Até partir?

Os políticos devem estar loucos.

 

d.amaral@netcabo.pt


Comentários

 anibal barca, | 09/07/10 17:36
Quando os romanos começaram a fazer as primeiras estradas deviam ter já aí cobrado portagens. Não havia alternativa? Então não havia pelo corta mato?
Isto para dizer que se as auto estradas servem para o aumento da economia do país devemos ser todos a pagar através dos impostos. Se se considerar que são um luxo, então sim, que pague quem as utiliza.

xpto, | 09/07/10 14:42
Por essa óptica porque é que os habitantes de Portalegre têm que pagar o Metro de Lisboa, a Carris, ou os transportes urbanos do Porto, ou até mesmo a Tap. Sim porque mesmo que nunca tenha andado em qualquer desses meios de ransporte, o orçamento de Estado financia todos os anos com milhões! Pensem bem no que dizem se não qualquer dia temos uma grande caldeirada

vaitecatar, | 09/07/10 14:06
Como sempre em Portugal nunca se pensa a longo prazo, sacode-se para baixo do tapete e que vier a seguir que resolva!..
Não creio que fosse por falta de etica essa decisão do João Cravinho, somente por incompetência como é habitual nos nosso politicos!..
A permissa de que as SCUT iriam gerar desenvolvimente que poderia reverter para o estado atraves dos Imposto que pudesse custear as SCUTs falhou. (como alias ja se esperava, e volta-se ao assunto da incompetência), como tal deve prevaler o utilizador pagador. para mim alem da Saúde, Educação e das Forças Armandas, o principio que deverá sempre imperar e o do utilizador pagador, quanto mais não seja para não colocar nunca em causa essas tres que nomeei.

paulo d, | 09/07/10 12:36
O princípio do utlizador pagador é válido dentro de certos limites. Exemplo: a educação é paga por todos nós, tenhamos ou não filhos na escola. Por este principio, a educaçao era paga à cabeça. Outro exemplo: saude: morria metade do País se se aplicar o princípio do utilizador pagador. Quanto às auto-estradas, pelo mesmo princípio, nunca haveria auto-estrada no distrito de Bragança, pois o número de utilizadores nunca chegarão a ser suficentes para a pagar. Os impostos que pagamos devem ser para o bem comum, sejam estradas, hospitais, escolas, etc. E as coisas devem ser feitas de forma a que o País se desemvolva harmoniosamente, para evitar que o interior acabe num deserto (já pouco falta). Vejamos o seguinte: qd estamos a por portgens o custo do transporte das mercadorias aumenta, logo esse custo vai fazer com que os produtos fiquem mais caros, logo não pagamos as auto-estradas directamente mas acabamos por paga-las no supermercado.

EN GANADOR, PORTO | 09/07/10 10:55
ISTO AGORA TAMBÉM TEM CENSURA?

LOPES CARLOS, Bélgica | 09/07/10 06:42
1. Excelente artigo como sempre . Na verdade não há almoços grátis !
2. O principio do Utilizador Pagador é o mais justo. Fazer o Zé Peão ou o Zé Ciclista pagar a mobilidade do Simão Que Vai à Caça EM 4x4 é uma interpretação da "Solidariedade" que mostra bem as concepções de alguns.
3. Financeiramente as SCUTs falharam. E o ESTADO não aguenta . Mas do ponto de vista do DESENVOLVIMENTO também falhou : ao fim de tantos anos , as regiões beneficiadas continuam pobres , tanto que alguns reclamam isenções para os concelhos "pobres" ( onde há tantos possuidores de viaturas de alto luxo). Comparem o desenvolvimento das NUTs "beneficiadas" com o desenvolvimento das NUTs do resto da Europa( Espanha,Grécia,etc) , utilizando as estatisticas do EUROSTAT.
4. O Sr. Eng. Cravinho é um Cidadão Exemplar, Sério , com Ética , combatente tenaz contra a Corrupção, mas não foi feliz nesta opção de financiamento destas vias de comunicação.

Antonio Simao, | 09/07/10 06:23
Eatá soberbo o seu artigo e a arte de dizer tanto com tal economia de palavras. Se muito dos nossos governantes possuissem a sua capacidade de síntese este país não estava a vivermomentos tão difíceis.

publicado por ooraculo às 18:00
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Sexta-feira, 2 de Julho de 2010

Barco ao fundo

 

Projecções para o crescimento do PIB este ano: 10% na China, 6,3% no Brasil, 3,3% nos Estados Unidos e apenas 1,1% na Zona Euro. Já a forma como se tinha lidado com a crise, sobretudo em 2009, sugeria a mesma perplexidade: o crescimento chinês fora de 8,7%, o americano de -2,4% e o europeu de -4%! Sucede que a Zona Euro, enquanto tal, é um projecto novo, ainda não fez 12 anos e foi estudada ao milímetro. Que se passa com a Europa?

Peguemos na balança com o exterior. Encarada como um todo, esta balança está equilibrada. Mas há grandes excedentes na Alemanha, compensados com défices noutros países: em Portugal, em Espanha, em Itália, na Grécia. Houvesse um mínimo de solidariedade de grupo e teria sido fácil repor o equilíbrio: bastava que a Alemanha aumentasse as importações dos países deficitários. Na prática, os alemães consumiam mais e o PIB da zona crescia. A Alemanha não quis.

Há uma situação semelhante nas relações entre os Estados Unidos e a China. Ao manterem o ‘yuan' artificialmente baixo, os chineses estariam a provocar défices enormes na América, ao mesmo tempo que acumulavam reservas colossais. Mas há quem contrarie esta tese. É verdade que a China tem excedentes com os EUA, mas no confronto com os países do G20, EUA à parte, as contas estão equilibradas. Em vez de valorizar o ‘yuan' não seria então preferível desvalorizar o dólar?

Regressemos à Europa. No auge da crise (2009), o défice orçamental na Alemanha situou-se nos 3,3% do PIB, um número pacífico. Mas noutros países chegou-se aos 10%, às vezes mais. É claro que para estes não havia alternativa a planos de austeridade rigorosíssimos, sob pena de afundamento total. E estes planos são em si mesmos indutores de recessão. Cabia então à Alemanha contrariar a tendência, escolhendo políticas expansionistas. Ela optou pelo inverso.

As posições da Europa, dos EUA e da China seriam sempre decisivas na reunião do G20, que no último fim-de-semana se realizou em Toronto. E que posições assumiram eles? A América bateu-se pelo crescimento económico, a Europa privilegiou os cortes orçamentais e a China assobiou para o lado. Feita a síntese, a senhora Merkel ganhou, a China empatou e a América perdeu.

A Europa vai continuar a afundar-se.

 

OS TRÊS GRANDES

 Do crescimento...

(PIB, variação (%))

  ...ao saldo exterior

(B. Corrente, % PIB)

   

 

Os Estados Unidos, a Zona Euro e a China representam 48% do PIB mundial. Mas os desempenhos actuais são muito díspares: 10% na China, um terço disto na América, quase nada na Europa. Também a dependência externa é diferente: a Europa está equilibrada, a América endivida-se e a China vai acumulando reservas colossais. O poder económico está a desviar-se para Leste...

 

Fontes: Eurostat, Banco de Portugal.
____

Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt


Comentários

 Mrrm, | 02/07/10 16:25
Que giro, embora aí brincar com os números.
então não é que o brutal e feroz crescimento do Brasil, em termos absolutos, de carcanhol, de dinheiro, é menos de um terço do que o anémico crescimento da UE?
E isté é só em termos absolutos, qual é o crescimento populacional do Brasil e o da UE?
Que giro que é atirar com números esperando que ninguém mais saiba que uma percentagem é uma incidência sobre um todo.
Péssimo artigo, desconjuntado, sem linha-mestre, sem explicar se há problema ou não, sem explicar nada de nada, outrossim confundindo e manipulando estatísticas pelo prazer de se ser mais um a atirar bocas. Do pior que tenho lido no DE, como é já hábito neste articulista.
MMartins-Sintra

Subsídios à subversão sindical na China comunista, | 02/07/10 11:33
Há dias, a Lusa noticiou que o aumento de conflitos laborais na China levariam a um aumento dos custos de produção e ao aumento do consumo interno, podendo aliviar a pressão sobre o preço das exportações portugueseas.

«"Mais do que o aumento dos custos de produção, importa o aumento da capacidade de consumo, o que faz com que a China passe a exportar muito menos e a um peço superior", afirmou à Lusa João Costa [presidente da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP)], comentando o aumento da agitação laboral na China.»

A IDEIA: Da mesma forma que os regimes comunistas apoiaram no passado partidos, movimentos e facções de inspiração comunista no Ocidente (e, no que a nós diz respeito, o apoio aos movimentos independentistas e anticolonialistas no mundo pós-colonial do pós-guerra ) considero que, de forma igaulamente legítima, na inversão dos tempos e dos papeis, o Ocidente patrocine movimentos, partidos e facções que lutem pelos DIREITOS HUMANOS, por mais DIREITOS LABORAIS, pela LIBERDADE DE EXPRESSÃO e por formas de REGIME DEMOCRÁTICO.
Por outro lado, se a consciência humana nos desperta para a defesa da Justiça social, do Ambiente, e da promoção da Igualdade e da Solidariedade entre as nações e os homens, o boicote a certos produtos oriundos de países que não respeitem dadas normas laborais, ambientais e humanas comummente aceites, deveriam ser uma "arma ecológica e humana" a apontar.

Marianito, Lisboa | 02/07/10 10:56
Há um aspecto nas trocas comerciais entre paises da zona euro que me parece estar a ser neglicenciado: Se calhar ján ão faz sentido falar em exportações quando as trocas são entre paises da UE. Penso que a Ue deveria adoptar uma politica de exportações apoiando os paises para venderem para fora do espaço comunitário. Por outro lado parece-me que a Europa é muito mais flexivel em relação ás importações da China do que a China em relação á Europa.

lucklucky, | 02/07/10 09:59
Que pobreza de pensamento, ainda se julga por aqui que a economia pode ser comandada, dirigida. O Comunismo ainda não saiu destas cabeças.
Os Alemães compravam o que o Governos lhes diria, se tivessem um Nazi ou Comunista no Poder. Assim os Alemães poderiam comprar parafusos caros inúteis feitos pelos Portugueses.
Azar estamos no Mercado Livre, onde o valor dos produtos é aquele que as pessoas dão.
Estranhamente não vejo os Governos dos outros países a forçarem a compra de produtos Alemães...mas as pessoas mesmo assim compram...porque será?

Realista, Porto | 02/07/10 09:04
Concordo com o artigo. Queria apenas acrescentar 3 notas. 1- Por vezes damos demasiada importancia às políticas económicas (e à política) internas. Mas não devemos esquecer que o problema (a crise) é global e não ha nenhuma saída só para nós. 2-Quanto ao crescimento da China e do Brasil só me surpreende que tenham demorado tanto. Sem dúvida que a fixidez do yuan tem ajudado ao crescimento chinês. Mas...e a valorização do euro em relação ao dolar não explica tambem muita coisa? Oxalá que vá para 1 euro = 1 dolar. 3- A Alemanha está a dar cabo da Europa, mais uma vez. É nítida a tentativa de separar a Espanha, Portugal e Grecia. A dívida da Espanha em 2009 era de 53,2%. A da Alemanha era de 73,2. A da França de 77,6%. Porquê esta perseguição a Espanha?

jorge, | 02/07/10 05:20
E o futuro do petróleo?
publicado por ooraculo às 17:42
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