Sexta-feira, 27 de Agosto de 2010

Ao pé-coxinho

 

Os gurus da economia andam baralhados. Esta é uma recessão em U, com a retoma já de volta? É uma recessão em W, tipo sobe e desce para gozar connosco? Ou é uma recessão em L, onde sabemos que começou mas não quando irá acabar? Experimentem consultar os astros. Há respostas muito elaboradas, muito científicas, que convergem num mesmo ponto: eles não sabem! Eu também não, mas vou procurar responder.

Façamos a distinção entre países desenvolvidos e países emergentes. No primeiro caso, a recessão começou no segundo trimestre de 2008 e terminou no segundo trimestre de 2009. Mas a retoma é enfezadinha, benza-a Deus: assenta num L de perna curta, que tanto pode subir como afundar. Já os países emergentes acomodaram uma recessão em V, toca e foge. Projecções para 2010: o PIB europeu talvez cresça 1,2%; o da América Latina deverá crescer 6% e o da China 10%. Que acham destas "crises"?

Mas os ricos não gostam de lidar com os pobres. Preferem comparar-se entre si. Por exemplo, Zona euro versus Estados Unidos: no primeiro trimestre, os americanos foram melhores; no segundo, foram melhores os europeus; ficámos quites. Mas se a comparação for entre os EUA e a Alemanha, damos uma abada: neste primeiro semestre, a relação foi quase de 2 para 1, favorável aos alemães. Toma e embrulha, Barack Obama.

A Alemanha é um ‘case study'. A sua estrutura é saudável: para um PIB igual a 100, 74 vão para consumo, 20 para investimento e 6 para reservas, associadas a ganhos com o exterior. Voltou a ser assim este ano. A Alemanha prefere aforrar a distribuir. O que levou a este cenário caricato: a venda de carros alemães aumentou em todo o mundo - mas diminuiu na Alemanha! Os alemães aderiram ao modelo chinês...

Uma nota sobre Portugal. Dentro do espaço europeu, fomos dos países que caíram menos e dos que mais depressa recuperaram. O ego de Sócrates chegou o cume do Everest. Mas, depois disso, limitámo-nos a andar por aí: tristonhos, incrédulos e meditabundos. Neste último trimestre, crescemos apenas 0,2%: um quinto da Zona euro, um décimo da Alemanha. E, como a política vigente é de extrema contenção, não me surpreenderia que assim continuássemos até pelo menos 2013.

Esta retoma, no geral, é coxa. A nossa é ao pé-coxinho.

 

A MARCHA DA ECONOMIA

 Recessão profunda...

(PIB, variação (%)*

 ...retoma lenta

( PIB, variação (%)*

   

*Em relação ao trimestre imediatamente anterior.

 

Depois do fundo do poço, no início de 2009, a economia europeia tem vindo a recuperar um pouco. Realce para a Alemanha, a atingir uma taxa trimestral anualizada de 9% (!). Já a economia portuguesa não ata nem desata. No confronto entre a Zona euro, por um lado, e os EUA e o Japão, por outro, os americanos voltaram a recuar, enquanto os japoneses vivem uma das crises mais graves de sempre.

 

Fonte: Eurostat.

____

Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt


Comentários

 Navalhadas , | 27/08/10 16:23
Eu gostava de saber porque é que existem licenciaturas/mestrados em Economia???
Já repararam que qualquer professor Fofana, Karamba, Mamadu, consegue fazer exactamente as mesmas previsões... exactamente as mesmas, ah e levam menos dinheiro.

Bom, só têm um problema, não passam factura...

vg , | 27/08/10 16:15
Ó Geraldo ,com 30 anos e ainda aqui está?Este país é para velhos -de idade e mentais-e crentes do socratismo.Sem futuro...

Geraldo , | 27/08/10 15:43
Para o senhor Realista confirmar se isto também é subjectivo:
2002: 0,81% ; 2003: -0,85% ; 2004: 1,56% ; 2005: 0,94% ; 2006: 1,4% ; 2007: 1,87%; 2008: -0,02% ; 2009: -2,52%.
Estes são os valores do crescimento do PIB a preços constantes para Portugal. Fonte: Pordata
Que você se contente com estes números, não posso fazer nada. É por causa de pessoas egoístas, pequenas e economicamente iletradas que pessoas como eu (com 30 anos) vão ter de arcar com os crimes que andam a cometer em Portugal com esta actuação. E não é graças ao meu curso de Economia que consigo concluir isto, basta bom senso

antonio , Lisboa | 27/08/10 14:55
Tenho muitas duvidas sobre estas analises. Eu sei que o autor se baseia em estatisticas... mas as estatisticas não passam disso, estatisticas. Mas a maneira como os analistas, economistas e gestores e outros fazem as analises e justificam aumentos e perdas custa-me a aceitar. Pela manha quando da RTP 1 ligam a um jornal para analise da bolsa e custo do petroleo todos os dias ha uma desculpa,um dia desce porque o desemprego nos estados unidos subiu 1% no outro dia sobe porque o numero de pessoas que pediram subsidio de desemprego nos Estados Unidos baixou no outro o petroleo sobe porque a economia americana cresceu 0.0003% num trimestre no outro desce porque os stocks aumentaram nos Estados Unidos. Houve uma altura que a desculpa para o preço do petroleo era que estava a terminar dentro de poucos anos, nos ultimos anos descobriram reservas gigantescas mas não baixou o preço na mesma medida. Não seria mais facil dizer que o sobe e desce das bolsas e das materias primas tem a ver quase que exclusivamente com os especuladores.
Realista , Porto | 27/08/10 09:46
Gostei muito do artigo, que acho correcto. Srs <Geraldo> e <Norberto de Serpa>, o autor baseia-se nas estatísticas, vocês é que estão a ser subjectivos. Tambem gostei muito do comentario de <Leão da Estrela>. De facto os economistas têm-se fartado de atirar bolas fora ao ponto de a profissão precisar de ser reinventada. Mas deixe-me acrescentar uma coisa: sabe porquê? Porque muitos economistas são presa fàcil da sua ideologia (neoliberalismo ou keynesianismo). O artigo anterior, da Marta Rebelo, pôe o dedo na ferida. Faz algum sentido andarem a lutar pelos 3% em 2013, esquecendo-se o crescimento? Faz algum sentido estar todo o mundo com os olhos postos nos paises da zona euro quando os EUA e o UK estão bem pior? Faz algum sentido continuar-se com os off-shore, o short-selling, as agencias de rating, os CDS, etc? Para quê? Com que finalidade?
Geraldo , | 27/08/10 09:00
Se falar da economia usando expressões como "abada" ou "toma e embrulha" já é demasiado coloquial, pior é quando se usa falácias como a de que dentro do espaço europeu Portugal foi dos que caiu menos.
Se o país não cresce desde 2001, era de esperar que fosse Portugal o país com maior quebra de PIB (é que Irlanda e Espanha estavam a crescer a 3% ou mais)??? Claro que não. Mas pronto, muitos gostam de fazer análises estatísticas não longitudinais para cumprir os seus objectivos de enganar a maioria das pessoas
Norberto de Serpa , | 27/08/10 08:40
...fomos dos países que caíram menos e dos que mais depressa recuperaram...há tantas maneiras de ler os mesmos números, enfim!
Leão da Estrela , Pateo das cantigas. | 27/08/10 07:24

Entendo haver dois tipos de economistas:

- Os que "mandam uns palpites" para favorecer uma determinada estratégia de uma empresa, de um sector da economia, fazendo assim umas "favorzadas" para tentarem influenciar o "poker".

- Os restantes,são arqueólogos do passado, que com algumas "ossadas" da ultima crise, ou da grande depressão, esforçam-se por arranjar uma fórmula quase matemática para antecipar o futuro.

Quanto aos primeiros engrossam o "batalhão" de mercenários a soldo da especulação e da "Economia de Casino", em relação aos segundos presumo estarem mais perto da desilusão dos alquimistas.

Concluíndo:

- O "lugar ao sol" do economista está cada vÊz mais ensombrado....já nem precisam de protector solar, é preciso reinventar a profissão.

publicado por ooraculo às 18:19
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Sexta-feira, 20 de Agosto de 2010

Motores ferrugentos

 

Voltemos à vaca fria. O crescimento económico é suportado por três motores: o consumo, o investimento e o comércio externo. O consumo, devido às medidas de austeridade para combater o défice, está de rastos. E o investimento, à míngua de confiança empresarial e de financiadores disponíveis, desapareceu. Resta-nos, então, o comércio externo, e daí o slogan que já virou moda: é preciso exportar, exportar, exportar. Estamos a conseguir?

Consultei as estatísticas ao longo da última década. De um modo geral, as exportações têm crescido bem, se exceptuarmos o ano de 2009, em que caíram a pique, como de resto em todo o mundo. Mas há um fenómeno preocupante: apesar deste bom crescimento, perdemos cerca de 10% de quota de mercado, sintoma óbvio de que o comércio internacional cresceu muito mais do que nós. Tudo ponderado, a nossa performance desiludiu.

Acresce que não é correcto analisar as exportações isoladamente. Elas só fazem sentido quando comparadas com as importações. E o confronto entre ambas é trágico: o saldo tem sido sempre negativo e da ordem dos 10% do PIB em cada ano. Tivéssemos nós compensado o fenómeno com poupança interna e tudo estaria bem. Mas poupança é algo que detestamos. Daí o endividamento louco que fomos acumulando e hoje nos estiola o juízo.

Há várias razões para explicar o que aconteceu. Primeiro, razões externas: a crise de 2008-09 foi a mais dolorosa desde os anos trinta do século passado, e alguns países emergentes, com destaque para a China, surgiram nos mercados com preços de tal modo baixos que não deixavam margem a qualquer confronto. Depois, razões internas: por muito que nos custe, nunca tivemos, nem produtividade do trabalho, nem eficiência empresarial que nos habilitassem à compensação.

Com isto chegamos aos números de 2010, que tanto alegraram os nossos governantes. É verdade que, no primeiro semestre, as exportações cresceram benzinho (15,1%), mas estão comparadas com o grau zero de 2009, o que não é mérito nenhum; e as importações, embora crescendo menos (10,6%), continuaram de valor superior, devido a uma base mais alta. O défice continuou a agravar-se. Eis o estado dos nossos motores: estão os três ferrugentos.

Assim não vamos lá.

 

d.amaral@netcabo.pt


Comentários:

 

Realista , Porto | 20/08/10 11:39
Artigo claro, simples e correcto. Queria só acrescentar 2 notas. 1- Fala-se muito no aumento das exportações e esquece-se as importações. Eu creio que nas trocas com a UE até estamos equilibrados. O problema surge nas trocas com terceiros paises devido aos combustíveis. Esses "sabios" ex-ministros das finanças e da economia que agora andam atrás das saias de Cavaco esqueceram-se do problema energético e das barragens. A Espanha tem 6 centrais nucleares activas e, sendo um país relativamente plano, tem proporcionalmente mais barragens do que nós. Esses ex-ministros esqueceram-se tambem da agricultura e das pescas. Éste ano só vamos produzir 25% dos cereais que consumimos. Creio que em produtoa agriculas só somos suficientes em leite e carne de frango. Nas pescas nem é bom falar. Conhecem aqui a Galiza? Que diferença. 2- Quanto às exportações estamos muito dependentes da política cambial da....zona euro. O cambio Euro/Dolar é decisivo. De pouco adiantaria, por exemplo, reduzir os salários (como alguns sabios pretendem) se depois o cambio passasse (como se calhar vai passar) para 1 Euro > 1,5 dolares. No incremento das exportações no 1 semestre já se notou a recente queda do Euro. O que interessa à Alemanha não interessa nada a Portugal.

antioxidante , | 20/08/10 10:58
O sr orientou o seu artigo para as exportações e importações. No entanto não faz referência à qualidade dessas exportações e dessas importações. Seria interessante ver a evolução que se deu neste campo. Quando se fala de motores ( usando a sua metáfora) temos de atender à marca e à origem, que determinam a qualidade. Deve conhecer aquela frase " capéus há muitos..." , sem ofensa.

vg , | 20/08/10 10:42
Para rigor, faltou analisar as fontes de festejado crescimento do 1ºsemestre e que são de material de transporte,da Auto-Europa e refinados da Galp.Nada a ver com os incentivos deste incompetente e mentiroso governo,O coveiro do país..

J. Maia Alves , | 20/08/10 08:59
Bem exolicado, em termos compreensíveis. Só não concordo com o "performance". Que tal substituí-lo por "desempenho"?

Norberto de Serpa , | 20/08/10 08:57
Mas há soluções. Não estão na verdade ao alcance dos actuais políticos.
publicado por ooraculo às 17:58
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Sexta-feira, 13 de Agosto de 2010

A gestão do emprego

 

Números do Eurostat, Junho de 2010: por cada 100 indivíduos da população activa, havia 10 desempregados na zona euro, 20 em Espanha e 11 em Portugal; mas apenas sete na Alemanha. Fui à procura de explicações: a Alemanha exporta mais do que importa, não tem problemas graves de finanças públicas e, em termos gerais, o seu desempenho económico tem sido melhor do que o dos outros. Será esse o segredo?

Consideremos o exercício de 2009, no auge da crise. O PIB alemão caiu cerca de 5% e o PIB americano apenas metade disso. Mas, analisado o mercado laboral, o emprego estabilizou na Alemanha, ao mesmo tempo que caía 3,8% nos Estados Unidos. A explicação foi outra: as empresas alemãs reduziram os horários de trabalho e mantiveram as remunerações, sendo para o efeito subsidiadas pelo governo. O emprego foi sustentado pela comunidade.

Mas há outras soluções. Imaginemo-nos em Portugal, gerindo uma empresa com 100 pessoas, um horário de trabalho de 40 horas semanais e 2.000 euros de remuneração média por mês. A ocorrer uma crise que levasse a um corte de 10% na produção, despedíamos 10% das pessoas? Não necessariamente: poderíamos reajustar o horário para 36 horas e o salário para 1.800 euros. O emprego manter-se-ia, apoiado pela solidariedade dos trabalhadores.

Este exemplo conduz-nos uma experiência francesa, que correu mal. Em 1998, para salvar o emprego, Lionel Jospin reduziu os horários de trabalho para 35 horas semanais. Mas, dez anos passados, para evitar uma "catástrofe económica", Nicolas Sarkozy voltou à primeira forma. Moral da história: o modelo talvez funcione temporariamente, mas só isso. O emprego é um problema do mundo, que só terá solução se os países o encararem como tal.

Sem saber como, dei comigo a reflectir sobre um país que dispõe de um PIB fabuloso, com exportações fabulosas e reservas colossais - e salários de miséria: a China. Os americanos queixam-se de um yuan artificialmente baixo. Mas um simples aumento de 20% no consumo chinês levaria a um acréscimo de $25 mil milhões nas exportações americanas, que por sua vez criariam nos EUA mais de 200 mil novos empregos. E os reflexos na Europa seriam também positivos. ‘Voilà'!

A solução do emprego está na solidariedade universal.

 

d.amaral@netcabo.pt

 


Comentários

Rui Mendes , Lisboa | 13/08/10 14:46
Meu Caro Dr. Daniel Amaral, a isto se chama Globalização, os chineses trabalham muito por pouco(desvalorização do Yuan), mas é assim que eles são e que o mundo os vê.Cada por cada chines fora da china o governp chines paga-lhes por 5 anos um subsidio xpto.
A isto chama-se IDH? não chama-se indice de desenvolvimento da probreza.O nosso mal provem de vários factores, a adesão á globalização que os chineses adoraram, o competir com preços baratos e mão de obra barata, com produtos de má qualidade face á qualidade.
Meus caros, o mal de uns é a benesse de outros, ou regredimos na globalização e voltamos as tarifas aduaneiras, ou impomos quotas de importação, ou taxamos as importações para elevar a produção interna e exportações ou trabalhamos como os chineses, muito por tão pouco.
Em relação aos EUA, é pais que paga a divida com a sua propria moeda que se dão ao luxo de controlar as reservas colossais da china porque a valorização do Yuan diminuia os preços de vendas dos produtos chineses.Em relação aos alemaes, a desculpa da reunificação das duas alemanhas fez com que o Ocidente congelasse o preço do trabalho para dar ao Leste e assim se montou o Turbo do Mercedes(alemanha).
È facil assim!? Será que é licito pedir a um portugues que abdique de um estilo de vida que viu-se obrigado a pagar-lo?
Cps, Sr. Dr Daniela Amaral.

Domador da Fera Morta , PORTO | 13/08/10 12:50
Caro Daniel Amaral,
Você é economista! E há certas frases que ficam "engasgadas" a meio...."...um simples aumento de 20% do consumo chinês, levaria a um aumento de 25 mil milhões das exportações americanas..." - SIMPLES? Um aumento de 20% do consumo, é um aumento BRUTAL meu amigo!!!!!!
E entre uma série de consequencias, há uma que pode "baralhar" o jogo totalmente; o aumento brutal da procura sobre as matérias-primas, veja-se, petróleo, metais, madeiras, inertes, etc. Perante esta situação nova, qual seria as consequencias para a economia mundial? Provávelmente irá acontecer, mais dia, menos dia, mas o que quero dizer, é que não é uma análize tão simplista como essa que está o segredo da "coisa".
E "VOILÀ"!

LOPES CARLOS , Bélgica | 13/08/10 11:57
1. Portugal na ultima década ( 2000/2009) teve um crescimento anual médio de 0,7 °/° ( dados comprovados) e na proxima década ( 2010/2019) terá um crescimento anual médio de 0,7 °/° ( previsões internacionais) .
2. Portugal com este crescimento médio anual anémico não criará EMPREGO.
Assim se explica a emigração da nossa Juventude, a quebra da natalidade , o abandono das nossas terras e aldeias ( solos degradados, incêndios impunes,etc ).
3. É preciso MESMO outro paradigma , outra ambição , outros desafios, baseados nas realidades nacionais e internacionais. O actual modelo está completamente ultrapassado.

JOÃO SEIXAL , seixal | 13/08/10 11:28
O Exmº Sr; Dr; Engº, comentarista e ao que parece bem instalado na vida, devia acabar com estas análises porque , ainda, mete tudo contra ele e quando o PSD for governo ; dizem-lhe logo... PORQUE NÃO TE CALAS?

vg , | 13/08/10 11:04
Já ouviu falar em capitalismo global.Mas, já ouviu "sindicalismo global"?Não há Marx que aguente...

Realista , Porto | 13/08/10 11:03
Esta é a segunda tentativa que faço para comentar este artigo. Discordo absolutamente de <Joana Dias>. O desemprego não é de modo nenhum um problema português. Basta olhar para Espanha, para a Europa, para os EUA. Esta crise tem acentuado o fosso entre empregados (que em alguns casos até viram a sua situação melhorada) e desempregados e entre pessoas de meia idade (em geral com emprego) e jóvens. Penso que sindicatos, partidos, a socierdade em geral têm que rever a situação. E a solução do autor - mais pessoas a trabalhar com menos horas de trabalho - parece-me ser a solução

Joana Dias , Lisboa | 13/08/10 10:29

Dizer que o desemprego é "um problema do mundo" é muito conveniente para alijar responsabilidades do actual governo português... É que entretanto, em Portugal, a taxa de desemprego jovem subiu 5,6 pontos percentuais entre o primeiro trimestre de 2008 e igual período de 2010. Ah! bem sei: é tudo "culpa da crise que nos vem lá de fora". Certo, dr. Daniel Amaral?

Cláudia , Lisboa | 13/08/10 09:55
Dizer que o desemprego é um problema do mundo é dizer a verdade. Infelizmente, mas é assim. O mesmo se podendo dizer do desemprego jovem. Os 7% de taxa de desemprego na Alemanha, parecem-nos pouco a nós mas não deixa de ser um nível elevado para a Alemanha.
Para resolver esta situação dramática há que ver a realidade, ponderar todos os factores e não achar que Portugal vive isolado do mundo e não é afectado por este. Só analisando todos os factores será possível fazer o diagnóstico certo e identificar soluções.

Norberto de Serpa , | 13/08/10 09:53
Já olhou para a balança comercial USA - China?
NapoLeão , | 13/08/10 09:38
O desemprego jovem atinge aqueles que não têm papás e madrinhas na esfera da governação ! Daí que o desprezo vá aumentando e os mais jovens e capazes vão emigrando ! E querem reduzir o desemprego com o Valter Lemos como secretário de Estado ?

Frei Tomás , | 13/08/10 09:24
Porque será que o mundo parece ser tão 'universal solidário' com os Alemães - onde caso não se tenha notado, o desemprego não só não aumenta, mas dá alguns sinais de (ainda ligeira) recuperação? Pode mencionar-se as "exportações", mas tal parece implicar estas como "causa" e não como "consequência" - consequência de rigor, boas contas e limitada demagogia, especialmente de alardes 'estatalistas' com borlas e benesses (prometidas por malta frequentemente improvável mas sempre pronta a apresenta-se 'apta' para 'governar' dinheiro que não é deles) e que se habituou a resolver problemas encharcando-os de dinheiro e, ao mesmo tempo, negligenciando ou mesmo abdicando de exigência e inteligência que é, simplesmente, o melhor modo de ser solidário - a melhor "paz social" que conheço é a das boas contas assentes em bom e sério trabalho, não o do circo que se alimenta das 'loas' encomendadas e trombeteadas pela propaganda e de faltas de 'universais solidariedades'.

Joana Dias , Lisboa | 13/08/10 03:52

Dizer que o desemprego é "um problema do mundo" é muito conveniente para alijar responsabilidades do actual governo português... É que entretanto, em Portugal, a taxa de desemprego jovem subiu 5,6 pontos percentuais entre o primeiro trimestre de 2008 e igual período de 2010. Ah! bem sei: é tudo "culpa da crise que nos vem lá de fora". Certo, dr. Daniel Amaral?...

João , Porto | 13/08/10 03:49

Daniel Amaral está a perder qualidades. Um artigo videirinho e incompreensível, este. É o que dá quando se hesita em criticar o partido do coração - que por acaso é o partido do "engenheiro" que tão bem nos governa vai para seis anos...

Granito , Lisboa | 13/08/10 01:00
Desemprego atinge muitos,mas é preciso afirmar que em Portugal existe algum desemprego porque a sua origem é fraudulenta.Veja-se o caso da Unimed do GpSaude,SLN;BPN.Uma vergonha.
publicado por ooraculo às 15:36
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Sexta-feira, 6 de Agosto de 2010

Os pirómanos

 

Admitamos que a execução orçamental em 2010 vai terminar com um défice de 7,3% do PIB, tal como previsto. Admitamos ainda que o enquadramento macroeconómico em 2011 será o do último boletim do Banco de Portugal e que as receitas evoluirão em linha com esta previsão. Para atingirmos o objectivo que nos propusemos, de um défice não superior a 4,6% do PIB, as despesas terão de cair cerca de três mil milhões de euros.

As despesas em 2010 vão ser da ordem dos 80 mil milhões de euros. Atribuindo-lhe um índice de 100, obtemos a seguinte distribuição: 23 para salários, 45 para prestações sociais, 7 para juros e 25 para diversos, incluindo o investimento. O que significa que 75% destas despesas são rígidas e tendencialmente crescentes. Sejamos intelectualmente honestos: para atingir aqueles 4,6% é necessário aumentar os impostos e/ou reduzir os salários e as pensões.

O busílis está aqui. O cenário, ainda que inevitável, é de uma enorme violência. E não é crível que as oposições ao Governo estejam dispostas a colaborar. Pelo contrário, o que se antecipa é o linchamento: o PCP e o Bloco, por razões políticas; o PSD e o CDS, por razões estratégicas - que importa o país, se o odioso cair sobre o PS? Enfim, o OE-2011 deverá ser chumbado. Espanta-me sobretudo o PSD, que aspira a ser governo: continua a dar tiros nos pés.

O chumbo do OE-2011 poderá ter várias implicações: a revisão do documento, a demissão do Governo, a aplicação de duodécimos, etc. Passo por cima de todas elas para me centrar na que é mais importante: o falhanço perante Bruxelas. A reacção só pode ser agressiva e eu receio o pior - a expulsão do euro. Claro que esta figura não está prevista. Mas, no dia em que os financiadores nos abandonarem, qual é a alternativa?

Imaginemos então o regresso ao escudo. O passo seguinte é a contratação de um FMI qualquer, que nos imporá a receita do costume: desvalorizações brutais, inflação galopante, salários decrescentes, endividamento louco. E como as taxas de juro também deverão subir, o crédito à habitação poderá tornar-se ingerível, transferindo para o sistema uma bolha de consequências inimagináveis. Vou medir bem as palavras: podemos estar à beira de uma tragédia.

Por favor, não brinquem com o fogo.

 

d.amaral@netcabo.pt

 


Comentários

A. Lopes , | 06/08/10 14:17
Daniel Amaral fala simples e claro, sem chavões. Se o PSD não aprovar o orçamento de 2011 e pensa que fará melhor, então deve fazer cair o governo e ir para eleições. O país não pode estar à mercê de calculismos estéreis.

trucla , | 06/08/10 13:34
E faltam aí umsa coisinhsa: toda a nossa dívida está denominada em euros. Com a (re)criação do escudo, é evidente que o seu valor não se manteria nos 200.482 da sua origem. Imediatamente o peso da dívida sobre o PIB aumentaria de forma brutal! (uma vez que a dívida se manteria em euros) Por seu turno, a desvalorização do PTE face ao euro teria um provável efeito inflacionista grave, mesmo em clima de recessão - ou seja, mais um imposto... no entanto, parece-me irreal considerar como verosímil qualquer cenário de saída/expulsão do euro... wishful thinking?...
Rosa seca , Aldeia do fio dental - Pântano | 06/08/10 12:02
Óh sr. dr. Daniel Amaral e que tal se aumentassem o irc à banca, isto é, passassem dos actuais 4,3% para 25%? É que os 5 maiores bancos têm lucros de 4 milhões de euros por dia, cerca de 1460 milhões/ano, pagam só 62 milhões de impostos, quando deveriam pagar 365 milhões/ano, resumindo e concluíndo o estado fica sem receber 303 milhões. Outa coisa porque não acaba o governo com os famigerados subsídios/privilégios de alojamento/residência atribuidos pelo actual ministro das finanças a vários: ministros, secretários de estado, chefes de gabinete, directores regionais e presidente do conselho social? Porque não reduzem as despesas com a assembleia da república, cujo orçamento/2010 prevê uma despesa total de 196 milhões de euros? Porque é que o governo aumentou em Maio deste ano os militares, gnr e psp em 1,5%?. Enfim se cortassem alguns nacosinhos nestas despesas e aumentassem a taxa de irc à banca altamente lucrativa (25%), tributassem as mais-valias da pt obtidas com a venda da vivo à telefónica e acabassem com os offshores incluindo o da Madeira, talvez o défice de compussesse/reduzisse mais facilmente! O que o sr. dr. Daniel Amaral acha destas humildes ideias? Não serão exiquíveis?

Norberto de Serpa , | 06/08/10 11:12
A irracionalidade portuguesa é um acto pirómano. No concreto, as vendas de veículos ligeiros de passageiros subiram 18,3% em VH no mês de Julho. na França e Reino Unido caíram 13,2% no mesmo período. Preocupa-me todos os tipos de comentários que têm como objectivo "lixar" o próximo, desde que não toque em mim.

Domador da Fera Morta , PORTO | 06/08/10 10:36
Caro Daniel Amaral,
Acredito que o Sr esteja pejado de razão! No entanto é pertinente colocar uma questão:
- Se na pior hipótese, Portugal tiver que sair do euro e vier o FMI, teremos então que tomar várias medidas "draconianas", e iremos concerteza tomá-las; desse modo, por que raio de razão, está-se a espera desse dia, em vez de fazermos já o que é imprescindível fazer?
É que se fizermos agora, concerteza que as medidas não precisavam de ser tão duras - até porque o prazo de execução seria maior.
A única explicação que encontro para isto, é por causa das Eleições. Sendo assim, sou obrigado a concordar com a Manuela Ferreira Leite - " suspenda-se a Democracia por (pelo menos) 6 meses".....

alberto , | 06/08/10 10:33
O que aí vem não vai ser bonito de ver. O governo encarniça-se em não reduzir a despesa geral, a ministro do trabalho tem um lapsus lingue sobre aumentos dos funcionários, a redução do poder de compra via aumento do IRS é recessiva e não contribui para a competitividade do país por via da redução do custo do factor trabalho, isto é uma embrulhada sem nome. O país não tem capacidade de sair sózinho deste atoleiro, venha a UE e o FMI, e rápido.

Cidadão , | 06/08/10 10:25
Também acho que não devemos brincar com o fogo. Então todos os portugueses devem ter direito a ADSE. Como deve ser o seu caso e isso não a incomoda porque vai ao estado receber e um dia até o lar de idosos o estado lhe paga. O sector privado paga tudo, mas isso só nos incomoda a nós que pagamos. De facto enquanto houver tanto fp e tanto subsidiodependente o resto dos portugueses continuam a pagar para vocêm usufruirem. Abdique da ADSE se está assim tão preocupada com o estado do País. Não votarei nunca em quem não reduzir os impostos. A média de descontos da fp é 30 anos, no sector privado tem que ser acima dos 40 anos para as pessoas terem uma reforma melhor. Quem dá tiros nos pés!?

Realista , Porto | 06/08/10 09:21
Concordo em que a aprovação do OE para 2011 vai ser muito importante (mas muito difícil) para a recuperação da situação financeira actual. O comentador <Curioso este Daniel Amaral> está a fugir à realidade. Que interessa agora que nos últimos 15 anos o PSD só tenha estado 3 no governo? Olhemos para a realidade. Não ha tempo a perder. Parece que a Grécia está a conseguir. Mas o caminho vai ser muito longo. Mas discordo do autor num ponto: a possivel saída de Portugal do euro. Sejamos honestos e digamos a verdade. PORTUGAL SÓ SAI SE A ESPANHA SAIR. E FICA SE A ESPANHA FICAR. A GUERRA DOS NEOLIBS E DA ALEMANHA EM ESPECIAL É CONTRA A ESPANHA. PORQUE SE A ESPANHA SAIR ELES SABEM QUE GRECIA, PORTUGAL, MALTA, ETC VÃO ATRÁS E ISSO JA REPRESENTA ALGO. PORTUGAL SOZINHO NÃO AQUECE NEM ARREFECE OS ALEMÃES. SÓ ASSIM SE JUSTIFICA O ATAQUE DOS ALEMÃES À ESPANHA.

Xxx , | 06/08/10 09:01
Mas ainda esta semana recebemos a notícia de que o governo se prepara para contratar mais 6000 FP. Assim não se consegue controlar a despesa.

LOPES CARLOS , Bélgica | 06/08/10 07:35
1. Como sempre, o Autor apresenta com clareza o dilema nacional : aumentar os impostos E/OU baixar os ( geralmente baixos/as) salários e pensões.
2. Desde 2/2/2006 todos sabiam clara e oficiosamente que assim seria . Invocar agora surpresa é de uma grande indigência intelectual .
3. Dada a taxa de esforço real a que os Portugueses vão ser submetidos nos próximos anos PARA EVITAR A TRAGÉDIA , não basta aprovar o OE 2011. É preciso mais : é preciso que as Forças Politicas com assento parlamentar, os Parceiros Sociais ,as Forças Espirituais , as Universidades,etc se reunam à volta de uma Mesa Nacional e firmem UM PACTO para 5 anos , escrito, formal e calendarizado. Se não se fizer isso , será a tragédia anunciada .
4. Que se calem as vuvuzelas dos optimistas /pessimistas e dos discursos tolos contra os Velhos do Restelo. Abram os olhos !

Curioso este Daniel Amaral , (os xuxialistas socráticos agarram-se ao poder com unhas e dentes) | 06/08/10 02:35
Curioso, este Daniel Amaral... Revela que o nosso pobre país (hoje em dia mero protectorado financeiro da Alemanha e cada vez mais uma colóniazita económica e cultural da Espanha) está à beira da bancarrota, do desastre, da tragédia, etc, mas depois as únicas palavras duras que encontram são para o... PSD - que governou dois anos e meio nos últimos 16 anos. Muito curioso... Democracia para esta gente é o maior partido da oposição viabilizar o orçamento de Estado ao fim de seis anos de governo socialista sucateiro irresponsável e incompetente socrático, faça chuva ou faça sol. Por causa desta alta concepção da democracia é que o nosso país é a risota da Europa...

publicado por ooraculo às 17:05
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