Sexta-feira, 24 de Setembro de 2010

Diálogo de surdos

 

Já tínhamos um crescimento modesto, um desemprego funesto e uma dívida explosiva. E ainda ninguém sabe como vamos descalçar a bota do orçamento. Chegou a vez dos salários, que também teremos de gerir com pinças. Tese dos sindicatos: se atendermos a inflações e produtividades, mais uns pozinhos de melhoria na distribuição, há condições para "exigir" uma melhoria do poder de compra. É uma tese bonita. E como reage a economia?

Comecemos com o óbvio. Se pegarmos nos países da zona euro e medirmos o seu rendimento ‘per capita', já corrigido da paridade de poder de compra, concluímos que o nosso (72% da média) é dos mais baixos do grupo. Mas se, em vez disso, medirmos o peso dos salários no PIB, a parte que nos toca (52%) sobe para o topo da lista, logo atrás da França e da Eslovénia. Estes números, de cariz antagónico, fazem das negociações salariais um problema sem solução.

Nenhum mal viria ao mundo se as dotações para investimento e consumo fossem as mais adequadas e não excedessem o valor do produto. Não é o caso. No nosso modelo, investimos de menos e consumimos de mais e, por cada 100 unidades produzidas, habituámo-nos a gastar 110: os 10 a mais traduzem a diferença entre importações e exportações, estão expressos em dívida externa e ameaçam levar-nos à asfixia. Sempre foi assim.

Para entender que o modelo é insustentável basta-nos um mínimo de bom-senso. A ruptura é inevitável e só pode ocorrer de uma de duas maneiras: a bem ou a mal. A bem significa que seremos nós a escolher o caminho, por mais doloroso que ele seja. A mal significa que deixaremos tudo nas mãos dos credores, para que sejam eles a decidir o momento em que a festa acabou. Ponto em comum: o ajustamento vai fazer-se a um nível salarial mais baixo.

Como economista sensível ao problema, gostaria que fossem os negociadores envolvidos a procurar o equilíbrio. Como cidadão que sabe o país em que vive, há muito que deixei de ter ilusões. Este é um diálogo de surdos, que só pode terminar como terminaram todos os outros: os trabalhadores com mais salários, o país com mais dívidas. Todos fingimos não perceber que uma coisa é aquilo de que necessitamos e outra é aquilo que a economia nos pode dar.

A luta continua.

 

O ESTADO DA NAÇÃO

 Salários excessivos...

 

(Salários/PIB (%))

 ...endividamento louco

 

(Balança corrente, % do PIB)

   

 

A nossa parcela do PIB afecta a salários é das mais altas da zona euro, sendo superada apenas pela França e pela Eslovénia. As consequências são duas, ambas más: dificultam as exportações e facilitam as importações. Os reflexos são notórios na balança com o exterior, cujos défices, da ordem dos 10% do PIB, estão a minar a nossa credibilidade e a tornar o país ingerível. Ou arrepiamos caminho ou alguém o fará por nós...

 

Fontes: Eurostat, Banco de Portugal.
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Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt


 

Comentários


SG , | 24/09/10 12:29
Sou a favor dos salários baixarem ,nomeadamente os dos gestores publicos, politicos e daqueles q nada produzem e os acima de 5.000,00, ja´viram os valores dos vencimentos dos empregados da RTP, e sempre a acumular prejuizos, isso no provado era falência e desemprego com esses gajos .... PRIVATIZAR JÁ A RTP, ela n é mt diferente dos particulares a n ser a dar protagonismo ao governo e a pedofilios......

EN GANADOR , PORTO | 24/09/10 11:23
Só existe uma verba nos gastos do Estado, onde se pode "poupar" uns milhões de euros muito largos e onde não trás "grande mal ao mundo", que são as reformas acima de € 5.000!!! CORTE-SE JÁ COM ELAS!
Existem muitas outras coisas onde cortar, mas se se fizesse isto, já seria um enorme passo.

vg , | 24/09/10 10:38
A conveniencia "xuxa".Andaram centenas de milhares nas ruas de França,por causa da passagem da reforma de 60 par 62 anos,que parece lógica.Vêm estes economistas .ignorantes de História,pedir que os sindicatos resolvam os assuntos,que são competencia dos politicos.

kano , | 24/09/10 10:16
Se o espertalhaço do tuga cag@o armado em rico, em vez de torrar o dinheiro em parvoices para ver se aparece na fotografia melhor que o vizinho, poupasse mais... consumam menos lixo, em especial bens e serviços importados: mantenham o dinheiro dentro do pais o mais possível, mantenham abertas as fábricas e os negócios e os empregos que ainda temos, deixem-se de loucuras e mania das grandezas. Se não aprenderam a fazer contas na escola, nunca é tarde para o fazerem.

antonio , lisboa | 24/09/10 09:57
Grandes artistas, a culpa é sempre dos salarios dos trabalhadores e cada vez ganham menos. Mas as grandes importações não acontecem porque o que consomem os trabalhadores não lhes dá para comprar muitas coisas importadas. Quanto menos receberem menos podem gastar, quanto menos gastarem mais sofre a economia, mais desemprego, mais falencias, etc, etc. Sabem as teorias economicas e de gestão são mais faliveis que as de qualquer astrologo rasca.

Norberto de Serpa , | 24/09/10 09:14
O Senhor já anda há muitos anos pelo jornalismo e recorda-se que em 1985 a bandeira para a adesão à CEE era que ao fim de uma década teríamos vencimentos como os alemães. Passados 25 anos e da entrada de muito dinheiro, as mesmas pessoas, embora mais gordas, advogam que os mediocres salários portugueses têm que baixar. Por isso é que na capital do Reino, cada vez mais, não se ouve falar um português correcto, pois uma grande parte da nossa população já navegou para outros destinos mais honestos, pessoas que o país andou a investir em educação.
Realista , Porto | 24/09/10 09:07
O "fado" que o autor canta, o nosso fado, tambem tem solução. Tudo tem solução. A solução neste caso chama-se FMI. Para os comentadores <Zé do Boné> e <Jose Romeiro>. Ambos têm razão. E tambem tinham razão se apontassem como causa o clima, a nossa raiz latina, etc., etc. Mas agora não podemos fugir da verdade (e da solução): OS SALÁRIOS EXCEDEM O QUE PRODUZIMOS. E OU PRODUZIMOS MAIS (O QUE ME PARECE DIFICIL A CURTO PRAZO) OU ACEITAMOS GANHAR MENOS.

Zé do Boné , | 24/09/10 07:26

Exmo Sr Daniel Amaral (Peço desculpa por não o tratar por colega, mas não leve a mal)

E se o problema é dos salários, porque não analisar o peso dos "grandes salários" nas empresas públicas e privadas e começar por aí?

Ah! Esqueci-me pois se o fizerem os nossos "grandes cerebros vão todos para o estrangeiro"?

E já agora, e os beneficios extra ? Telefones pagos, cartões de crédito, automoveis (sem rede atrás, e a dizerm BMW's,Mercedes, etc, etc), estão a ser taxados?

Ah! Esqueci-me pois se o fizerem os nossos "grandes cerebros vão todos para o estrangeiro"?

Já percebi, o problema está no "ordenado minimo", pois concerteza...!

LOPES CARLOS , Bruxelas | 24/09/10 06:25
1. Como sempre , um bom artigo que suscita a reflexão .
2. Depois de uma década perdida com um crescimento médio anual de 0,7 do PIB JÁ COMPROVADO , Portugal vai enfrentar uma década com um crescimento médio anual potencial de 0,7 °/° PREVISTO. Acresce uma brutal DIVIDA EXTERNA BRUTA ( o dobro da divida externa grega) e aguardam-se os brutais impactos das PPPs nas nossas contas.
3. O ajustamento vai ser feito via DESEMPREGO, dado não haver condições para aumentos de produtividade e competitividade. Todos sabem isto desde Fevereiro de 2006 . Daqui a alguns anos ( 2017) ainda teremos um desemprego de cerca de 8°/° ( OCDE). É esse o caminho que queremos ?
4. O Pais está farto de tacticismos serôdios. Importa tomar as decisões que dêm alguma Esperança ao País . Basta de gastadeiras sem retorno ! Vejam a nossa NATALIDADE e percebem !

publicado por ooraculo às 18:11
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Sexta-feira, 17 de Setembro de 2010

As privatizações

 

O PEC 2010-13 é claro: no âmbito do processo de consolidação orçamental, o Governo tem prevista a alienação de várias participações do Estado, arrecadando com isso cerca de seis mil milhões de euros. E também já definiu o que admite privatizar este ano: a totalidade do BPN, até 7% da GALP e até 10% da EDP - qualquer coisa como 1.380 milhões de euros. Mas não nos iludamos com esta aparente normalidade. O tema será sempre polémico.

As receitas aqui previstas não passam pelo défice e vão directamente à amortização da dívida. Mas, ao reduzirem a dívida, reduzem os juros, donde o défice será indirectamente melhorado. E isto é bom ou mau? No plano estritamente financeiro, a resposta está no confronto entre duas parcelas: de um lado, aquilo que o Estado ganha, porque deixa de pagar juros; do outro, aquilo que o Estado perde, porque não há mais dividendos. E no plano político? Bom...

Para quem estudou análises de investimento, a avaliação de uma empresa é fácil de fazer: projectam-se os ‘cash-flows', calcula-se o valor residual e actualiza-se tudo à taxa considerada adequada para o mercado e o sector em causa. Isto no plano teórico. Na prática é tudo mais complexo, sobretudo tratando-se de um bem público. Para memória futura, deixo aqui um ‘feeling': no dia em que o Governo vender uma empresa, todas as oposições lhe caem em cima, acusando-o de que vendeu mal.

Com isto chegamos à luta partidária, que escapa ao senso comum. Em tese, uma empresa deveria ter sempre o mesmo valor, fosse pública ou privada - aquele que resultasse da hipotética riqueza a produzir. Mas os políticos sempre lhe introduzem nuances. Por exemplo: o PSD e o CDS defendem a gestão privada, porque gere melhor; o BE e o PCP falam do valor estratégico, a que só o Estado é sensível. Nunca conseguirão entender-se.

Confesso o meu distanciamento em relação a este assunto. Não contesto a alienação de património, em si uma operação banal, mas sim o facto de estarmos a iludir um problema sem de facto o resolver. Há aqui uma analogia entre governos despesistas que alienam as empresas e famílias desgovernadas que penhoram os anéis. O património só se vende uma vez; os défices tendem a prolongar-se indefinidamente.
Recado a todos: e se tomassem juízo?

 

CONTAS PÚBLICAS

Défices perigosos...

(Saldo orçamental, % do PIB)

...dívidas ingeríveis

 (Dívida pública, % do PIB)

   

 

A crise económica, e depois os estímulos orçamentais para a corrigir, arrastaram os países para défices perigosos, que é necessário controlar. Portugal chegou aos 9,4% do PIB, bem acima da média europeia, embora abaixo da Espanha. Os reflexos sobre as dívidas estão a ser brutais, e há mesmo quem receie que estas venham a tornar-se ingeríveis. A esta luz, compreende-se o recurso a privatizações.

 

Fontes: Governo, Eurostat.
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Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt


 

Comentários

Realista , Porto | 17/09/10 11:30
Eu tambem tenho dúvidas sobre as privatizações. Mas o problema é que a dívida pública pode atingir valores de não retorno. Mesmo com os "PECS" actuais prevê-se que ela possa ultrapassar os 90%. E depois com os juros actuais.... Em qq caso as oposições dirão sempre mal.

EN GANADOR , PORTO | 17/09/10 10:53
Caro Daniel,
A minha opinião é simples:
Se o Estado vender uma empresa lucrativa, é muito difícil opinar se foi bem ou mal vendida. É uma questão de estratégia e de saber se o dinheiro obtido com esses activos activos, serão melhor empregues do que a manutenção dos mesmos.
Mas se uma empresa do Estado dá permanentemente prejuízos, então não tenho dúvidas - VENDA-AS!
Nota:
A única excepção que faço é com as águas, que entendo ser um sector de extrema importancia, do qual acho pouco sensato o Estado desfazer-se dele.

publicado por ooraculo às 08:31
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Sexta-feira, 10 de Setembro de 2010

O declínio da Europa


Atribuamos ao PIB mundial o valor de 100, números de 2009. Este produto divide-se em dois grandes grupos: o das economias avançadas, com 54, e o das economias emergentes, com 46. Mas as primeiras estão a crescer a um ritmo de 2-3% ao ano, ao passo que o ritmo anual das segundas é de 6-8%. Se esta tendência se mantiver, dentro de duas décadas a relação será de 33 para 67, favorável às emergentes. Já pensaram no que isto significa?

 

Recentemente, citando números do FMI, a Imprensa fez-se eco de que a China substituíra o Japão no ‘ranking' das maiores economias do mundo, ocupando o segundo lugar logo a seguir aos EUA. O que se passou foi de facto impressionante: em apenas 15 anos, com o Japão estagnado e a China a crescer em espiral, a relação entre ambos passou de 1:7 para 1:1. Mas atenção! O Japão tem 1/10 da população da China, pelo que o seu rendimento ‘per capita' é 10 vezes superior.

 

Sucede que o confronto foi feito usando as taxas de câmbio, o que não me parece bem. Teria sido mais correcto utilizar as paridades de poder de compra (PPC). Tome-se o caso português: numa comparação em euros, o nosso rendimento ‘per capita' é igual a 58% da média europeia; mas, se nos compararmos em PPC, este número sobe para 72%. Os preços dos nossos produtos são mais baixos. Pois bem, utilizando as PPC, a economia chinesa já hoje vale mais de duas vezes a do Japão.

 

No grupo das economias mais ricas sobressaem três blocos, que respondem por 78% do total: os EUA, a Zona euro e o Japão. Analisados em conjunto, e continuando a privilegiar as PPC, o que se passa não augura nada de bom: todos os blocos estão a perder terreno; o rendimento ‘per capita' da Zona euro vale apenas 74% do dos Estados Unidos; e, a julgar pelas actuais projecções, a Zona euro vai continuar a ficar para trás. A Europa é uma sociedade decadente. Convenhamos que é uma situação preocupante. As economias avançadas pararam no tempo e só as emergentes ainda conseguem progredir. Dentro das avançadas, a Europa é hoje o patinho feio. E o poderio económico está a desviar-se perigosamente para Leste. Receio o pior: mais década menos década, o mais provável é que a Europa venha a ser "comprada" pela China.

 

Que virá a seguir?

 


ECONOMIA MUNDIAL

 Retoma à vista...

 

(PIB, variação em %)

 

 ...mas diferenciada 

 

(PIB, variação em %)

 

 

 

Depois do colapso de 2009, a economia mundial parece encaminhar-se para uma velocidade de cruzeiro. Mas os contributos são muito diferenciados, com os países emergentes a confirmarem o predomínio que já vinha de trás. Dentro das economias mais avançadas, os Estados Unidos parecem ganhar terreno, enquanto o Japão marca passo e a Zona euro se afunda irremediavelmente. A Europa envelheceu...

 

Fonte: FMI, World Economic Outlook.
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d.amaral@netcabo.pt

 

Comentários

 

ef , | 10/09/10 22:09
Que virá a seguir? Armagedon..., não sabe o que é, consulte o ultimo capitulo da Biblia, Revelação, estão lá as promessas de Deus para a humanidade, e vão-nos ser oferecidas em jeito de pragas..ai...ai..ai....

Norberto de Serpa , | 10/09/10 16:12
Pois é Jorge Guimarães. Se os custos da Segurança Social passassem em parte da produção (trabalho) para o consumo, já as importações estariam a custear a Seg. Social equilibrando o custo da produção dos países como a China e a Índia e o Ocidente.

Jorge Guimarães , Porto | 10/09/10 15:27
É diferente de proteccionismo. É repor justiça, é garantir que direitos que o Ocidente considera fundamentais são respeitados. Senão vejamos o Ocidente não permite que determinados produtos sejam produzidos em determinadas circunstâncias no seu território, mas permite (ao comprar) que se produzam esses mesmos produtos em condições deploráveis para seu próprio consumo noutros territórios. É incoerente, e essa incoerência, está e vai custar caro aos europeus e norte-americanos. Está a custar postos de trabalho, está a custar qualidade de vida, está a obrigá-los a trabalhar mais tempo para sustentar o sistema de SSocial, sim porque os subsídios de desemprego consomem recursos que poderiam ser utilizados de outra forma... Em suma, ou a Europa acorda, e faz como a Alemanha (sim eles não são os maus da fita - até parece se virmos as críticas de que são alvo-, eles têm excedentes comerciais, eles produzem muito lá e são mais poupados que os outros europeus), ou o futuro será, no mínimo, cinzento.
Jorge Guimarães , Porto | 10/09/10 15:05
Eu não defendo o proteccionismo. Acho extremamente positivo a liberalização do comércio mundial (permitiu aumentar a prosperidade de muitos países). O que eu acho é que tem de haver um equilíbrio, tem de haver regras iguais para todos. Que país pode competir com a China e com a Índia (este é um caso diferente, e será a Índia a potência do futuro, não a China), em termos de custo de mão-de-obra? A resposta é todos, desde que sejam aplicadas regras idênticas à escala mundial. Na Europa o Estado Social exige uma série de regalias para os trabalhadores, Segurança Social, medidas de segurança apertadas (em minas, por exemplo), salário mínimo, etc...A Oriente que regras há? Isto distorce o mercado. O Ocidente não pode exigir que eles alterem a sua política social, mas pode sim, introduzir mecanismos de ajustamento, taxas sobre as importações que permitiriam compensar em parte essa diferença ao nível dos custos do trabalho. (Continua)

Jorge Guimarães , Porto | 10/09/10 14:49
Bom artigo. Não apresenta nenhuma novidade, mas antes uma descrição e análise da realidade económica a nível mundial. Há muito tempo que acho não é possível ter uma economia saudável e próspera sem um forte e desenvolvido sector secundário (industrial). E é precisamente a uma desindustrialização das economias ocidentais que temos vindo a assistir nos últimos anos, através da transferência de produção para Oriente. É ilusório pensar que basta ter um sector terciário robusto para um país ser próspero. O Ocidente, muito por culpa dos seus líderes (alguns) acéfalos, tem estado a destruir a riqueza e o poder económico ocidental, a transferir a produção para "a fábrica do mundo": a China. (Continua)

JL , | 10/09/10 11:57
Comprar português! É o que eu tento fazer o mais possível, como forma de apoiar a produção nacional.

JJC , | 10/09/10 11:41
O problema é a desvalorização artificial do yuan, que impede a criação de um mercado interno chinês, continuando a existir um crescimento exclusivamente pelo lado da exportação. Quando a Europa e os EUA acordarem para a vida e disserem à China que o valor da moeda deve ser imposta pelo mercado e não pelo governo, ou então fecha-se a porta aos produtos chineses, isto levará à criação de um poderoso mercado para exportação por parte dos países desenvolvidos e a um equilíbrio da balança.
Até lá, continuarei a comprar português o mais que puder, de forma a minorar o enorme défice da balança comercial portuguesa.

Marianito , Lisboa | 10/09/10 11:30
Só faltou dizer porque é que isto está a acontecer:
1-Os salários baixissimos da China são um fortissimo incentivo à deslocalização das empresas Ocidentais,fenómeno gerador de desemprego no Ocidente e forte delocalização também dos capitais que acompanham as empresas;
2-A imensidão do mercado Chinês a crescer 10% ao ano (partiu de uma base muito baixa);
3-O peso enorme do Estado social Europeu a agravar-se rapidamente com o envelhecimento da população;
4-A consciencia ecológia no Ocidente é muito superior à dos paises emergentes.Aspessoas já pensam 2 vezes antes de consumir sem regra.Temos menor consumo,menor produção,logo mais desemprego;

Norberto de Serpa , | 10/09/10 10:43
É o comércio livre...principalmente entre estes dois grupos com regras (sociais) totalmente opostas.

jorge , | 10/09/10 10:31
Quem acredita em crescimento infinito (não sustentado) ou é tolo, ou economista!!!!

vg , | 10/09/10 10:15
Quem vem de trás tem de andar mais depressa,não?
EN GANADOR , PORTO | 10/09/10 09:21
O "Nacional Porreirismo Europeu" está a contribuir para a "Internacional Definhação Europeia"
Realista , Porto | 10/09/10 09:17
Nada que não se soubesse já. Queria apenas acrescentar duas notas. 1- A China tem problemas enormes pela frente (políticos e sociais, ambientais, etc). Nem tudo se resume à bondade do seu crescimento económico. 2- O que interessa tentar "adivinhar" para o futuro é como vai evoluir a questão ambiental (os limites ao crescimento estão aí ao virar da esquina) e a questão demográfica (fome, migrações, etc). O mundo não está parado e o futuro não é uma simples projecção (económica) do presente.

lucklucky , | 10/09/10 08:40
Curioso este texto... a Esquerda do Sr.Daniel Amaral destruiu a Europa.
-Ao favorecer preços falsos na maior parte da economia deu incentivos errados e informações erradas às pessoas e consequentemente ás suas decisões.
-Ao favorecer o facilitismo, fait divers e ignorância na Escola ao contrário da intolerância e discriminação e recusando a Liberdade na educação com a incompetência destruiu centenas de milhares de crianças com capacidade.

O sr.Bruno não percebeu que sem a Banca não há Estado Social. Só com o Mercado em alto aquecimento é possível pagar ao Estado que gasta cada vez mais.

Lapis Azul , | 10/09/10 07:49

É urgente a educação económica do consumidor europeu. A partir da escola.

É necessário que todos saibamos as implicações da compra de um produto que não seja produzido na União Europeia para os cidadãos que fazem parte da mesma.

Enquanto isso não acontecer estamos a caminhar alegremente para o matadouro.
publicado por ooraculo às 08:16
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Sexta-feira, 3 de Setembro de 2010

Passos em falso

 

Detesto comícios. Mas leio com gosto o que a seu respeito escrevem os jornais. No último comício do Pontal, Passos Coelho exigiu ao Governo duas condições para viabilizar o próximo orçamento: travar a despesa e não aumentar os impostos. E, à cautela, precisou a linguagem: cortar nas deduções fiscais é aumentar impostos. Achei pouco. Então o PSD aceita despedir funcionários, baixar salários e diminuir pensões? Se for assim...

Já fiz aqui as contas. Para que o défice de 7,3% do PIB em 2010 caia para 4,6% do PIB em 2011 são necessários cerca de três mil milhões de euros. E os salários, as prestações sociais e os juros da dívida "comem" só por si 75% das despesas totais. Manda o bom senso que sejamos realistas. O cumprimento daquele défice em 2011, hoje um imperativo nacional, tem de passar por uma de duas vias: aumento de impostos e/ou diminuição do Estado social.

Do estrito ponto de vista do orçamento, aumentar receitas ou diminuir despesas é indiferente. Mas não é indiferente a forma como cada uma dessas medidas afecta a vida das pessoas. Se os partidos políticos fossem responsáveis, e quisessem como dizem apenas o bem do país, teriam aqui uma excelente oportunidade para o demonstrar. Em vez de se porem aos gritos exigindo utopias, fariam cedências mútuas em busca de uma solução consensual.

A responsabilidade maior neste caso vai para o PSD. Não que ele seja diferente dos outros, mas porque é a única oposição que aspira a ser governo. Mas o PSD de Passos continua a dar passos em falso. Vai ao bornal da demagogia e atira para o ar as bocas de que os papalvos gostam: "exigimos cortar na despesa!". E que tal uma proposta concreta sobre as rubricas e os montantes onde aqueles três mil milhões devem ser cortados?

Em artigo anterior sobre o tema, pressupondo um mínimo de coerência política, admiti nesta coluna que o país poderia estar à beira de uma tragédia, já que o próximo orçamento iria ser chumbado. Mudei de ideias. Hoje admito que, na hora da verdade, o PSD vai fazer um discurso inflamado, vai dizer que este é o pior Governo que já tivemos, vai chamar a Sócrates todos os nomes feios de que se lembrar - e depois abstém-se, para que o orçamento passe.

Os fracos são assim.

 

DESPESA PÚBLICA

Difícil de gerir...

(% do PIB)

 ...d

ifícil de controlar

(% do PIB)

   

 

As despesas do Estado ultrapassaram os 50% do PIB em 2009, o que parece excessivo. Mas, na sua grande maioria, são despesas correntes, sintoma de que o investimento público já foi espremido até ao limite. Dentro das despesas correntes, cerca de 90% são despesas "intocáveis", por mexerem directamente com a vida das pessoas. Governo e Oposições têm de explicar tudo isto e ainda não o fizeram.

 

Fontes: Governo, Banco de Portugal.

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Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt

 
 
Comentários
quem sou eu ? , ALGURES | 03/09/10 17:33
Quando tinha trinta e seis anos, finalizou a sua licenciatura em Economia, pela Universidade Lusíada de Lisboa (2001). Foi consultor da Tecnoforma (2000-2004), consultor da LDN Consultores (2001-2004), director do Departamento de Formação e coordenador do Programa de Seminários da URBE - Núcleos Urbanos de Pesquisa e Intervenção (2003-2004), até ingressar como director financeiro no Grupo Fomentinvest (2004-2006), tornando-se num dos braços direitos de Ângelo Correia.

Pedro , Viseu | 03/09/10 14:45
Os que acharem que o País está mal defendem alternativa, os que acharem que o País está bem (ou têm medo de mudança) defendem o mais do mesmo...
Já agora Sr. Ricardo, acabei o curso com 34 anos e de certo sou muito mais competente que aquilo que o Sr. defende... Ao menos sabe qual o significado da palavra competência????

Eu nunca fiz nada na vida, tudo me foi dado , ALGURES | 03/09/10 13:13
Quando tinha trinta e seis anos, finalizou a sua licenciatura em Economia, pela Universidade Lusíada de Lisboa (2001). Foi consultor da Tecnoforma (2000-2004), consultor da LDN Consultores (2001-2004), director do Departamento de Formação e coordenador do Programa de Seminários da URBE - Núcleos Urbanos de Pesquisa e Intervenção (2003-2004), até ingressar como director financeiro no Grupo Fomentinvest (2004-2006), tornando-se num dos braços direitos de Ângelo Correia.

alberto , lisboa | 03/09/10 12:25
Caro articulista, respeito-o e admiro a sua capacidade de escrever e apresentar claramente os seus pontos de vista. Tem toda a razão, se não se cortar em 75% da despesa, não se corta nada de facto. O governo já decidiu cortar nos apoios sociais, aumentar os impostos para níveis inimagináveis tendo em conta o que os cidadãos recebem de volta, e esperaria que a massa salarial nominal do Estado crescesse zero , o que seria já uma benesse face à necessidade de cortes reais. O PS gere o país quase sem interrupção há muito tempo, não se livra da responsabilidade de ter ajudado a chegar onde hoje estamos. Portugal precisa de mudança e, se nada se fizer para resolver as coisas, vai precisar do FMI, mas há uma coisa já assegurada: níveis elevados de desemprego e empobrecimento gradual. E isto, de tão grave, justificaria uma mudança política a curto prazo, mal não faria, pelo menos...

Ricardo , Lisboa | 03/09/10 12:12
Caríssimo Joaquim Oliveira de Gondomar,

Falou de tirar este governo do poder e de colocar as pessoas mais competentes à frente do país. Está a defender colocar à frente do país o senhor Passos Coelho, que apenas acabou o curso aos 36 anos e numa escola privada? Que fez ele durante 18 anos a frequentar a licenciatura? duas disciplinas por ano? Isso é competência?

Emanuel , ALGURES | 03/09/10 11:14
Muito bem simples e realistas !!!

vg , | 03/09/10 10:57
Portanto ,para este plumitivo,o PSD não deve exigir corte nas despesas .Tal qual o fizeram o BCE e Comissão de Bruxelas.Nem devam ser atribuídas responsabilidades politicas a quem deixou o desastre prosseguir.Chamem o FMI que eles vão dar a receita..


bettencourt de lima , lisboa | 03/09/10 10:52
Com um torção violento.

É muito difícil fazer vingar um novo partido em Portugal. O espaço está, até certo ponto, preenchido e os votantes ou mudam de sentido de voto ou desistem. Raramente se fixam em novas formações. Por isso,
pessoas que «cresceram politicamente» à sombra do PSD, agora, firmada a respeitabilidade e carteira, pretendem, com um torção violento, de guinada em guinada remetê-lo para a direita do CDS, espaço que julgam mais conforme com o seu actual «estatuto». A forma como se esgueiram para a redoma dos «barões» e das «elites» faz prenunciar um total desrespeito por aqueles que neste partido têm votado.
A queda abrupta nas intenções de voto assustou-os e, vai daí, o discurso resvalou rapidamente para a incoerência, afirmando tudo e o seu contrário. Instalou-se, todavia, a desconfiança entre as bases e já se pensa em Rui Rio. A máquina trituradora de «líderes» destroçará os que ignorarem ou subverterem a matriz ideológica que o fez crescer?

EN GANADOR , PORTO | 03/09/10 10:39
Caro Daniel,
É evidente que o PSD tem responsabilidades perante o País, sendo um partido político! Mas é bom não esquecer que nos últimos 15 anos, aoenas foi governo durante 3 anos, e isso já foi à 5 anos!
Quem é Governo actualmente é o PS!!!!!!! E é a estes que se tem de pedir A RESPONSABILIDADE MAIOR!
Dá-me a ideia que você quer à viva força, atirar responsabilidades para os outros, quando a realidade aperta. Se e quando o PSD for Governo, então sim, pode e deve "largar os cães", até lá arranje outro a quem se atirar....

NapoLeão , | 03/09/10 10:10
Detesta comícios ? Mas detesta muito ou detesta pouco ? Acaso o meu caro Daniel sabe avaliar a "importância" dos comícios, das romarias, festivais, idas ao aeroporto "saudar" a selecção do Madaíl, das peregrinações a Fátima, do chavascal das claques da JuveLeo, SuperDragões ou NNBoys ? E as "conferências de imprensa" da saudosa Fátima de Felgueiras, do "prof." Queiroz, do casal McCann, das novelas Casa Pia, BPP e BPN, Face Oculta ? Como é que este "imenso Portugal" poderia sobreviver sem estes "espectáculos" nas aberturas dos telejornais, agora que os incêndios estão já de abalada para regressarem no verão de 2011 ? Discutir o OE ? Para quê ?

Joaquim Oliveira , Gondomar. | 03/09/10 10:00
Para alguns comentadores afectos ao PS,o Estado Social é a sua tábua de salvação. Será só este Estado que lapida os impostos dos contribuintes? Não. Quem contribui para isso são: Governos Cívis, Fundações aos molhos, Institutos desnecessários e toda a clientela política.
Este Estado gastador, carregado de Ministros, Secretários, Subsecretários, Acessores e outros que tais. Para que serve tanta gente...
Não se agarrem só ao Estado Social!!!
Tantos Deputados para quê? Não. Assim não vamos lá. Ponham este Desgoverno na rua e colocam em lugares cimeiros as pessoas mais competentes. O Senhor Presidente da República já devia ter cumprido esse desígnio nacional. Por muito menos, o seu antecessor demitiu um Governo.

publicado por ooraculo às 17:44
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