Sexta-feira, 29 de Outubro de 2010

No fio da navalha


Com o devido respeito a Teixeira dos Santos e a Eduardo Catroga, não creio que o Governo e o PSD se tenham sentado à mesa para viabilizar o orçamento. Fizeram-no para salvar a face de Passos Coelho. Não sei se o conseguiram. Mas insisto em defender que o orçamento NÃO PODE ser chumbado: seria trágico de mais para um país que não sobrevive sozinho. Afinal, o que está por trás de tudo isto? Quem são os culpados? Como chegámos aqui?

 

Consultei estatísticas de uma década, mas o problema vinha lá muito de trás. Atribuindo ao PIB, a riqueza produzida num ano, o valor de 100, há muito que nos habituámos a gastar 110: os 10 a mais são dívida externa, correspondem à diferença entre importações e exportações e, no final deste ano, já descontados os créditos do país sobre o exterior, o seu valor acumulado deverá atingir 120. E vai continuar a subir. Não há país que aguente.

 

Na origem deste delírio consumista estão três entidades. O Estado perdulário, que gastou o que tinha e o que não tinha numa voragem de desperdício sem limites. A Banca gananciosa, que jogou com a estabilidade do euro para entrar num facilitismo despudorado que apenas visava maximizar os lucros. E as famílias sem cabeça, que foram nesta onda tresloucada e hoje estão afogadas em dívidas que não conseguem pagar. A culpa é de todos.

 

Acresce que há muita coisa escondida. Dos reportes que os governos fazem a Bruxelas apenas constam os défices e as dívidas da administração pública. Ficam de fora mais dois monstros sagrados do desperdício: o sector empresarial do Estado e as parcerias público-privadas. Voltemos à dívida de 120: se lhe juntarmos mais uns 40-50 pontos não andaremos longe da verdade. As culpas serão iguais, mas algumas são mais iguais do que outras.

 

A tudo isto veio juntar-se a crise. Não uma crise qualquer, mas a maior crise dos últimos 80 anos. Uma crise, de resto, singular: só incide sobre os ricos, afecta particularmente a Europa e Portugal é o elo mais fraco. E o inevitável aconteceu: os credores chamaram a si o controlo da situação. Quando eles nos dizem que o défice não pode exceder 4,6% do PIB, a nossa opção não é entre este número ou outro qualquer. É mesmo este - a bem ou a mal.

 

Estamos no fio da navalha. E agora?

  

 

SITUAÇÃO EXPLOSIVA

 

Dos défices externos...

 

(% do PIB)

 

 ...às dívidas globais

 

 (% do PIB)

 

   

 

 

*Valores estimados.

As nossas relações com o exterior revelam défices crónicos e incomportáveis. A diferença entre exportações e importações, sempre negativa, é mesmo das mais elevadas da Europa. E a estes défices juntam-se os das contas públicas, com nítidos sinais de descontrolo. É uma situação explosiva. Ou travamos este ritmo ou a dívida pública (interna e externa) e a dívida externa (pública e privada) vão tornar-se ingeríveis.

 

Fontes: Governo, Banco de Portugal.
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Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt

 

Comentários

JoseGuitarreiro , Estoril | 29/10/10 14:59
1 - O Min.Finan. é o pior que já vi em 65 anos, de contrário tinha sabido elucidar e convencer o Sócrates e os restantes ministros da trágica situação financeira do País, impondo-se um corte substancial na despesas e nos investimentos faraónicos. Desde o Governo de Ant. Guterres, que o PS adoptou uma politica, identica à da Grécia, de despesismo e de investimentos sem retorno, ou seja, o que era preciso era lançar dinheiro às pazadas para cima das Pessoas/professores, etc., sem a preocupação de haver contrapartidas na produção de bens e serviços, gerando fortes desequilibrios, ou seja, défices crónicos, sendo também esta a orientação do meramente Politico Teixeira Santos e C.ia.
2 - Do Danial Amaral (DA) tenho saudades do seu pendor técnico e imparcial de quando começou a escrever para o jornal "O Jornal". É pena que ele não tenha sabido esclarecer o Sócrates dos perigos da Politica de despesismo que estava a prosseguir, provocando um galopante endividamento do País, sem querer saber quem vai pagar, como e quando. Mas estou convencido que para além da ignorância em matéria de equilibri financeiro o PM pretendia, acima de tudo, era resolver a vidinha de todos quanto são próximos e do Partido, para isso os Construtores e Sucateiros são o ideal, daí sermos um País de betão, alcatrão... , sem rumo e sem destino, devido à incompetência e à falta de ética e seriedade.
O DA mais parece uma guarda avançada do BE, PCP e do PS, que são os arautos do despesismo e dos principais responsáveis pela situação do País.
3 - O PIB tem um valor em torno dos 167 Bi e a divida do Estado é de 143 Bi (85,6%), DA, diga-me quem vai pagar esta dívida e os juros.
4 - O Estado deveria ser uma Entidade de bem, com grande respeito pelos dinheioros dos contribuintes, gastar o estritamente necessário de forma rigorosa, a fim do País ter um OE, com impostos moderados, e com um saldo positivo (superavit) e assim amortizar a dívida.
Os Politicos e Jornalistas não têm formação suficiente para governar e para informar o País, uma base sólida em matéria financeira, económica, matemática, ética e humanista é indispensável.
JG

JTS , | 29/10/10 12:48
Para ajudar tdo isto foi emitido um aviso de terrorismo...
Em Janeiro cuidado ao ver a conta bancária ou recibo do ordenado....
Alberto Original , | 29/10/10 11:11
Diagnóstico correcto mas incompleto. Um povo necessita de lideres esclarecidos e com Visão. A cultura de um povo para mudar precisa ou de situações traumáticas ou de lideres com Visão e Carisma. O ultimo lider com Visão que tivemos foi Mário Soares que nos levou à UE. Depois disso foi só Oportunismo e Carreirismo.
Temos agora uma situação traumática, precisamos de lideres com Visão para aproveitar esta oportunidade para mudar os hábitos culturais de despesismo e de exigir todos os direitos do mundo e esquecer deveres.
Já dizia Kennedy, pensa no que podes fazer pelo teu país e não o que ele pode fazer por ti.

LOPES CARLOS , Bruxelas | 29/10/10 10:14
1. Caro Senhor Realista, foi um crescimento anémico desde 2000 até 2009 ( já bem comprovado ! ) e , no futuro, será um fraco crescimento potencial de 2011 a 2017 ( previsões da OCDE) , que nos conduzem a balanças cronicamente desiquilibradas e a um endividamente externo bruto gigantesco !
Não resolve iludir isto com medidas extraodinarias irrepetiveis !
2. Neste momento falta TEMPO a Portugal e sobretudo há um muito perigoso DEFICE DE CONFIANçA.

LOPES CARLOS , Bruxelas | 29/10/10 10:07
1. Estimado Senhor Realista, é evidente que A solução ideal seria o aumento da produtividade e da competitividade relativa . Como essa não foi a via seguida, sobrava o reajustamento feito pela do via desemprego estrutural de longa duração. É evidente, Ca
2. É bom falar de mealheiros e de finanças, mas choca que diversas entidades tenham ido ao estrangeiro financiar-se furando diversos limites e tectos. Brevemente, vamos conhecer diversos casos dado o aperto de certos controles.

Realista , Porto | 29/10/10 09:43
Artigo correcto e claro, como é habitual. Queria só acrescentar 2 comentários. 1- A afirmação com que abre o artigo - "fizeram-no para salvar a face de Passos Coelho" - está correcta. Dadas as circunstancias, PPC devia logo no inicio ter declarado que se abstinha e nunca, mas nunca, deveria ter declarado no Pontal que não admitia aumento de impostos. 2- Para <Lopes Carlos> e outros "financeiros": a juntar centimos no porquinho mealheiro nem em 100 anos vamos lá, a solução, a única solução, só pode estar no crescimento económico.

APATRIDA , | 29/10/10 09:28
MAS O SECTOR EMPRASERIAL É NECESSARIO PARA LA METER OS BOYS7GIRLS DO PS E PSD. AS PARCERIAS PUBLICO PRIVADAS SÃO NECESSARIAS PARA SUSTENTAR OS MESMOS PARTIDOS. QUANTO A NÓS ESTAMOS FEITOS AO BIFE

Terra das perguntas , | 29/10/10 07:55

EXmo Sr. Zé do Boné,

Está enganado, porque o nosso presidente há anos que escreve livros sobre o que referiu, e fartou-se de avisar, ou não foi?

Cavaco é hora de ir embora!

Zé do Boné , | 29/10/10 07:26
Do artigo cito:

"Na origem deste delírio consumista estão três entidades. O Estado perdulário, que gastou o que tinha e o que não tinha numa voragem de desperdício sem limites. A Banca gananciosa, que jogou com a estabilidade do euro para entrar num facilitismo despudorado que apenas visava maximizar os lucros. E as famílias sem cabeça, que foram nesta onda tresloucada e hoje estão afogadas em dívidas que não conseguem pagar. A culpa é de todos!"

Se há culpa vamos julgar os culpados e deixar os inocentes de fora !!!

LOPES CARLOS , Bruxelas | 29/10/10 07:10
1. Excelente artigo ,como sempre, dum Autor sério e independente.
2. Como sou pessimista, considero que a real divida externa bruta é maior do que a prevista pelo Ilustre Autor. Dado o inevitavel aumento de rigor no acompanhamento da execução orçamental e da divida externa , aproxima-se o dis em que todos nós vamos assistir à descoberta do real montante das dividas de algumas entidades. Até vamos ficar a falar holandês.
3. As proximas duas legislaturas vão ser muito severas para todos. Todavia , alguns conseguiram garantir, através de contratos, já criticados pelo Venerando Tribunal de Contas , pagamentos de dezenas de milhares de milhões de euros durante três longas décadas. Como e quando vamos libertar meios para cumprir tais contratos ? Não hveria melhor alocação desses meios
para segurar algum emprego e garantir algum retorno efectivo ? Para onde vamos ?

publicado por ooraculo às 17:45
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Sexta-feira, 22 de Outubro de 2010

O pós-orçamento

 O ambiente de cortar à faca desanuviou-se um pouco com a proposta do OE-2011. O Governo propõe-se atingir o défice de 4,6% do PIB que Bruxelas exigia; o esforço maior vai ser feito à custa da despesa, como o PSD desejava; e Passos Coelho deixou de ter argumentos para aquela postura errática que já não convencia ninguém. É verdade que continua a manter o folclore de umas exigências tontas, mas isso passa-lhe. Vamos ter orçamento. E depois?

Como enquadramento macroeconómico, o Governo assume uma queda de 2,5% da procura interna, em consequência do comportamento negativo do consumo e do investimento. Mas a sua confiança nas exportações é de tal ordem que, ainda assim, ele admite que o PIB venha a crescer 0,2% em volume. Convenhamos que é uma aposta arriscada. A menos que o Governo disponha de informações que nós não temos, o cenário mais provável é de recessão.

Do confronto entre os números resulta que o défice cai 2,7 pontos para os 4,6% do PIB, como estava previsto. Mas só na despesa há um corte de 3,5 pontos, o que não se percebe. A explicação está nos detalhes: os submarinos e o fundo de pensões da PT, mais o ‘timing' em que foram assumidos, viraram estes números de pernas para o ar. Aceito a tese de que dois terços foram cortados à despesa e um terço acrescido à receita, o que parece razoável.

Embora acredite que o PIB venha a crescer 0,2% em 2011, o ministro das Finanças esclareceu que, como medida de precaução, calculou a receita fiscal no pressuposto de uma queda de 0,7%. Penso que foi uma boa opção. Mas pode não chegar. A generalidade dos analistas admite uma recessão maior. E, nesse caso, como reagirão os mercados? Teixeira dos Santos dá uma resposta arrepiante: "Não vejo por onde ir se os mercados exigirem mais".

É aqui que entra o pós-orçamento. A viabilização que se adivinha não assegura a estabilidade política, e o PSD há-de querer eleições já em 2011. Mas não é seguro que as ganhe. E muito menos que o faça com maioria absoluta. Numa altura de crise gravíssima, por um período indeterminado, seria excessivo pedir ao PS e ao PSD que se sentassem a uma mesa, identificassem os principais problemas e oferecessem ao país uma solução conjunta?

O país agradecia.

 

NO FIO DA NAVALHA

Défice tremido...

(% do PIB)

 ...dívida segura

(% do PIB)

   

 

O OE-2011 aponta para um défice de 4,6% do PIB, como toda a gente pretendia. Mas não é seguro que ele venha a ser atingido: há números polémicos, outros subavaliados e uma recessão no horizonte que o Governo preferiu não assumir. Seguro mesmo é que a dívida vai continuar a aumentar: serão 86,6% do PIB no final de 2011, uma loucura só em juros. Ou o PS e o PSD se entendem ou o problema não tem solução...

 

Fontes: Governo, Banco de Portugal.
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Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt


 

Comentários

 

LOPES CARLOS , Bruxelas | 22/10/10 13:20
1. Caro Senhor Realista : louvo a sua persistencia , ao acompanhar, com muita regularidade , os assuntos da nossa res publica.
2. Mas, os nossos problemas a partir de 2011 , num quadro muito mais severo a nivel europeu , serão sempre de financiamento : como financiar o serviço da divida, como financiar o pagamento parcial da nossa divida externa, como financiar as PPPs ( dezenas de milhares de milhões de euros), como responder a "imprevistos",etc.
3. O Senhor Realista já aqui reconheceu os problemas da produtividade e da competitividade relativa que vão criar os tais défices da balança.
4. Se o Senhor Realista analisar objectivamente as conclusões dos recentes estudos franceses e belgas no sector agro-alimentar compreenderá quais as actuais distorções à concorrencia no quadro do Mercado Interno.
5. O EURO é a nossa melhor defesa e obriga-nos a algum rigor.
6. Se Portugal voltar à moeda nacional , talvêz chamada o o PELINTRÃO, será a quebra do poder de compra dos Trabalhadores e será a destruição dos depositos e poupanças da classe média. Seria o fim do nosso País e a perda total da nossa soberania.

João Santos , | 22/10/10 12:16
Sr. Realista... o Euro é a melhor coisa que alguma vez nos aconteceu.

Se não estivesse no Euro, havia de ver como elas mordiam.

Realista , Porto | 22/10/10 11:45
Agora que o OE 2011 parece que vai ser acordado, é altura de começarmos a pensar e a discutir dois problemas mais importantes. 1- A falta de crescimento económico e o defice comercial (export - import). Estes é que são os problemas principais. Como resolvê.los? 2- A Europa está doente. Não é só Portugal. O autor diz que o nossa dívida vai atingir em 2011 86,6% e que isso é muito complicado. Mas... e a Italia e a Belgica, por exemplo, para alem da Grecia da Irlanda, da Espanha. O "PEC" que os ingleses se propoem implementar é terrivel. Só a anafada da Sra Merkel é que vai ter um crescimento acima dos 3%. Temos que começar a pensar no fim do Euro.

Prof. Pardal. , | 22/10/10 08:29

Ingredientes que tem faltado para viabilizar este país_

1- ÉTICA.

2- Sentido de Serviço Público, por todos aqueles que o deviam prestar á causa pública.

3- Justiça e equidade fiscal.

Para terminar e não menos importante:

4 - Honestidade.
publicado por ooraculo às 18:51
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Sexta-feira, 15 de Outubro de 2010

O massacre

Peguei no OE-2010, juntei-lhe os PEC e submeti-me a uma tarefa arriscadíssima: tentar perceber o que está por trás destas publicações. Para reduzir um ponto e chegar ao défice de 7,3% do PIB em 2010, precisávamos de €1,7 mil milhões; com o PEC I, avalizado pelo PSD, o Governo propôs-se cortar 1,16 pontos, o que dá €1,9 mil milhões. Se já havia este excedente, por que raio tivemos de recorrer ao fundo de pensões da PT? Por causa dos submarinos? Ignorávamos que existiam?

O caso de 2011 é pior. Para reduzir dois pontos e atingir um défice de 4,6% do PIB, seriam necessários €3,4 mil milhões. Mas o PEC II, que o Governo publicou a 02 de Julho, refere uma poupança de 3,95 pontos. Descontada a presumível acumulação, ainda assim chegamos a €4,8 mil milhões, muito acima do necessário. Porquê? O que é que estavam a esconder-nos? E por que motivo o "pacotão" de 29 de Setembro ainda vai além deste valor?

Sejam quais forem as respostas, aquela opção altera tudo, porque as quedas brutais no consumo e no investimento vão provocar uma recessão em 2011. Foi então que eu percebi. A parte escondida era esta: os dois submarinos, o primeiro dos quais a senhora Merkel mandou afectar a 2010; a nova recessão, que o Governo preferiu não assumir; e as parcerias público-privadas, prestes a sair da incubadora. A folga é bem capaz de não chegar.

Mas o problema não acaba aqui. Admitamos que, em 2012 e 2013, o PIB vai decrescer em volume o que subir em preço, mantendo-se nominalmente idêntico ao de 2011. Para atingirmos os défices de 3% e 2% do PIB previstos, precisamos de mais €4,4 mil milhões. E o esforço de consolidação terá de ser ainda maior do que os anteriores. Que fazer? Vendemos os submarinos? Absorvemos mais fundos? Passamos a protectorado espanhol?

Até agora só falámos de défices. Mas há também uma dívida para gerir. No final de 2013, ela deverá rondar os 85% do PIB, €150 mil milhões, uma tragédia só em juros. Seria prudente ir alertando as pessoas para a inevitabilidade de mais PEC - os que forem necessários para trazer aquela dívida até aos 60%. O que nos espera tem um nome: massacre. Não me surpreenderia se, findo o processo, o país tivesse recuado 20 anos. Nos gastos e no resto...

Este modelo faliu.

 

A HORA DA VERDADE

 

 Controlo do défice...

 (% do PIB)

 ...provoca recessão

(PIB, 2007=100)

   

 

*Valores inscritos no PEC.

 

Com um esforço incomensurável dos Portugueses, o défice talvez venha a estar controlado no final de 2013. Mas não a dívida, que nessa altura representará cerca de 85% do PIB, €150 mil milhões, uma loucura. A austeridade vai ter de prosseguir. Acresce que, com o país em recessão em 2011, as projecções constantes do PEC deixaram de ser exequíveis, obrigando a um esforço ainda maior. Vêm aí anos muito difíceis...

 

Fontes: Governo, Banco de Portugal.

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Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt


Comentários

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JTPacheco , | 15/10/10 17:04
Inteiramente de acordo, mas nada disto é novo. Onde estavam todas estas vozes que, durante anos deixaram que o discurso oficial continuasse a prometer o céu, ocultando este inferno com sucessivas mentiras.
Porque é que nenhum se preocupou em fazer o levantamento do impacto das PPP ou em juntar a sua voz aos que, oportunamente, tentaram alertar o país para a trajectória que levávamos e para final inevitável que se seguiria.

EN GANADOR , PORTO | 15/10/10 15:13
Caro Daniel Amaral,
Quando uma idéia é repetida milhares de vezes, já ninguém questiona outro modo de pensar!
A chave da questão é extremamente simples e extremamente dolorosa! Chama-se SUPERAVIT!!!!
Só quando o Estado português DER LUCRO é que as coisa vão andar prá frente. Até lá, resta-nos esperar ou por uma morte lenta ou morte rápida!
Na minha ideia, se tivermos de morrer - que seja rápido! Ao menos a possível reencarnação também o será.
Agora, fazer o necessário para isto acontecer, vai ser preciso o EXÉRCITO NA RUA!

rui olival , lisboa | 15/10/10 15:07
A coisa esta mesmo preta! Estamos no fundo e qualquer que seja a receita vai mesmo doer.
Nao seria uma boa medida comparticipar anti-depressivos e analgesicos a 100% e descomparticipar todos os demais farmacos do SNS?

antonio , Lisboa | 15/10/10 14:59
Tem toda a razão, este modelo finou-se. Não tem a ver com o modelo neo-liberal, liberal ou social, foi a ganancia que este modelo sempre defendeu que levou a isto, em todo o lado. A entrada na UE veio ajudar á situação actual, mas se calhar na altura não tinhamos outras hipoteses. Quando foi para entrar na UE prometeram-nos que dentro de pouco tempo viveriamos como europeus...mentira. O que aconteceu foi que os paises fortes da UE para continuarem a manter as suas industrias enviaram para cá milhões e deram hipoteses de se comprar ceifeiras, tractores, bastava ter um quintal, e a seguir começaram a pagar para não se produzir. Mais, com as pescas pagaram para se abater os barcos e hoje temos de importar o peixe para podermos comer. Ou seja deram dinheiro para manter as suas industrias e torna-las donas dos mercados. Agora que o sistema se afundou resolveram multar os paises que ultrapassarem o defice, quer dizer quando o doente esta moribundo os amigos da CEE ajudam a matá-lo. Trocam submarinos por manter fabricas de carros, emprestam dinheiro para a compra dos submarinos, para manter os seus postos de trabalho e depois emprestam dinheiro a 6% para lhes pagar. Mais, a propria sociedade mudou e os paises europeus e os EUA transferiram para Oriente tudo o que é produção e agarraram o sector terciario como futuro (especulação, bolsa, papeis...), azar, foi por aí que a crise estoirou. E agora...agora, temos uns quantos economistas a tentar descobrir mas é melhor visitarem um astrologo (aconselho professor Mamadu) para saberem o futuro. Cada um puxa para seu lado e sou sincero, estava muito triste com o caminho que a economia levava, mas hoje não aceito a especulação nem o comportamento dos especuladores, banqueiros, politicos e outros, que são os grandes responsaveis pela situação actual.

Avervamos , | 15/10/10 14:09
Há sempre solução, por exemplo:
1- Vende-se a Madeira à Alemanha ou
2- Vende-se os Açores aos USA ou
3- Vende-se as Selvagens a ESpanha
4- Vende-se 100 milhas marítimas
5 - Vende-se o o ouro do BP

ou descobre-se petr´leo na Costa

Superavit em Portugal é uma Utopia. Nunca houve, excepto quando da descoberta do Brasil, e não vai ser agora. Ou temos perdão da divida ou tem de se abater por processos extraordinários. E não se fiem em crescimento, porque esse nem nos próximos 10 anos!!!

Vitor Mateus , Cacém | 15/10/10 12:18
Jovens de Portugal com formação e capacidade EMIGREM!

ppp , | 15/10/10 12:17
A verdade do País é aquela que é referida neste artigo, nua e crua.
Temos que atacar o défice, depois teremos que atacar a divida, o que implica superavit´s. Tudo isto enquanto a despesa do Estado "aguarda" a entrada em força das PPP´s, enquanto os juros da divida sobem. Os juros do BCE só poderão subir, enquanto o crescimento é nulo. Os portugueses vão ser esmifrados até ao tutano, durante gerações.
Quando se fizer a história deste período o Sócrates e companhia irão ficar muito mal no retrato. Mas pior ficam os portugueses na sua vida quotidiana.

C. Vieira , Boston, USA | 15/10/10 11:50
Obrigado por nos dar a realidade. Anos de excesso e ma gerencia deixaram o pais nesta situacao.

A. Cardoso , lisboa | 15/10/10 10:03
Obrigado Daniel Amara por este seu artigo. Não vem mais do que confirmar que as medidas tomadas por este (des) governo têm sido erradas. É fácil governar, aumentando os impostos e manter (e aumentar) as despesas. Na situação actual, a que José Sócrates e o PS nos colocou ao fim de cinco anos de governação, haverá que aumentar as receitas, mas fundamentalmente HÁ QUE DIMINUIR AS DESPESAS. O governo, qualquer que ele seja, tem que cortar mesmo as "pequenas" despesas porque "migalhas é pão". Carros, cartões de crédito, combustíveis, assessores, salários de 10 a 20 vezes o ordenado mínimo nacional, são imoralidades. Qual o perigo de o orçamento não passar? FMI? Pior não será. Com as actuais perspectivas de orçamento, o consumo vai diminuir acentuadamente, logo as empresas vendem menos, logo mais desemprego, logo menos contribuições e impostos cobrados. O PSD que seja firme na discussão do orçamento na AR e force e diminuição acentuada das despesas.

Realista , Porto | 15/10/10 09:59
Os meus comentarios aos artigos deste autor costumam ser censurados, não sei porquê. Desta vez (pelo sim pelo não) vou alongar-me um bocado mais. 1- O que justifica o PECIII? Os submarinos, as cedencias a professores, polícias, etc, o descontrole no SNS (ai os médicos!), etc. Mas a principal explicação reside na especulação dos tais mercados sobre a dívida e na pressão da Alemanha. 2- Como digo (tento dizer) noutro comentario a historia de Portugal é uma sucessão de crises financeiras e Portugal sempre sobreviveu. 3- O autor tem da economia uma ideia de quase ciencia exacta e não é. Os economistas têm falhado estrondosamente as suas previsões. A Irlanda e a Espanha eram ha 2 anos dois casos de sucesso. Hoje estão na fossa como nós. 4- Nós temos de facto crise (problemas estruturais) internos. Sempre tivemos, não é de agora. Mas o grande problema é a crise internacional. E quando se fala de crise internacional deve ter-se em conta em primeiro lugar o deslocamento de grande parte da actividade económica do Ocidente para o Oriente. Possivelmente o desemprego nunca mais vai voltar aos níveis de ha 10 anos atrás. 5- A solução dos nossos problemas não depende só de nós. A Europa tem cometido erros terríveis e está a perder terreno. Eu não compreendo, por exemplo, que o BCE empreste aos bancos a 1% e se recuse a emprestar aos estados, Com taxas de juro de mais de 6% como querem que os paises recuperem? Com um Euiro sobreavaliado (passou em poucos anos de 0,8 para 1,4 do dolar) como querem que os paises da zona euro recuperem? Os alemães querem libertar-se do Euro. Hoje estou convencido que restam poucos anos ao Euro.

JJC , | 15/10/10 09:55
Anos muito difíceis só para alguns...............

Para quem não sabe, o Marques Mendes informou na TVI24, que em 2009, os gestores das empresas públicas portuguesas foram aumentados de forma brutal...os aumentos rondaram os 30% e os 100%!!!Pessoas que recebiam 5000 euros passaram a receber 7000 euros mais 35% de despesas de representação. E para quem pensa que essas empresas foram melhor geridas posteriormente, desengane-se...os prejuízos em 2009 foram ainda maiores nessas empresas.
O senhor Marques Mendes, depois deu mais uma informação relevante que já todos sabiam...as empresas públicas foram inventadas para pagarem mais aos "boys" para fazerem o mesmo trabalho que faz a Administração do Estado...duplicação de serviços serve apenas para alimentar a máquina partidária e para encher o bolso dos amigos do peito do ZéZé.

Agora digam-me...qual é a motivação que tem o povo português de trabalhar mais e melhor, quando temos estes FDP a roubar-nos à força toda? Qual é a motivação para produzir mais e melhor, quando mais vale ter um cartão partidário e fazer amizades com bestas como os políticos que nos governam? Qual é a motivação de lutar pelo nosso país, se uns comem o miolo e os outros ficam com as côdeas?

Alguém que me informe, por favor, se o que se está a fazer a Portugal não é crime...

XXX.tvi24.iol.pt/politica/ultimas-tvi24-salarios-aumentos-marques-mendes/1199222-4072.html

Substituir o XXX por www.

gama , | 15/10/10 09:49
Para Joao
Meteram-vos no meio de montanhas de telemóveis, play stations, brinquedos chineses, carros topo de gama.
Voces não tem muita culpa
Vejo pelos meus netos e o panorama à volta não deve ser diferente

Mário Dias , | 15/10/10 09:17
O fundo de pensões da PT é para a judar a CGD no buraco BPN.
Ao <João>. Não tem que pedir responsabilidades à geração dos seus pais e muito menos dos avós, mas sim, à geração que anda por aí e que se encontra ao seu lado.

LOPES CARLOS , Bruxelas | 15/10/10 08:19
1. Mais um artigo honesto, rigoroso e lúcido dum Autor sério e independente.
2. Desde 2006 TODOS sabiam o que aí vinha. O modelo tinha atingido todos os seus limites.
3. Quando então alguns timidamente explicaram que era necessário proceder a uma mudança da nossa vida colectiva com redução do nosso artificial e excessivo nivel de vida, logo apareceram as criticas de "pessimistas", "Velhos do Restelo" ,etc, lançadas por aqueles que objectivamente beneficiavam com a situação.
4. Agora, apesar dos desmentidos dos do costume, vamos atravessar um longo periodo de redução dos rendimentos nacionais disponiveis com desemprego estrutural de longa duração. E, como se previa, lá virá a tal redução do nivel de vida acentuada do nivel de vida. Aqueles que sonharam implantar em Portugal um sistema dual à brasileira ganharam. Com que custos.
5. Os défices crónicos e a pesada divida externa bruta ( o dobro da grega) , que quase todos escamotearam ou desvalorizaram , vai estar uma ou duas Legislaturas na ordem do dia. Hoje, já se pode prever com algum rigor com se vai chegar a 2017 a nivel do PIB e do desemprego de longa duração. Os Portugueses mereciam isto ?

lucklucky , | 15/10/10 07:08
Portugal é um País corrompido pelo Social.
publicado por ooraculo às 17:54
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Sexta-feira, 8 de Outubro de 2010

Notas soltas

 

No auge da crise, as taxas de juro da nossa dívida soberana aproximaram-se dos 7%, um valor idêntico ao da Irlanda e mais de três vezes aquele que suporta a Alemanha. Num hipotético cenário de manutenção destas taxas, que acabasse por atingir toda a dívida, as despesas só em juros aproximar-se-iam dos dez mil milhões de euros por ano, o equivalente a toda a cobrança anual em sede de IRS. Já imaginaram o que isto significa?

Claro que o Governo falhou copiosamente na redução da despesa. Mas, para se atingir o défice de 4,6% do PIB em 2011, as alternativas não eram a redução da despesa ou o aumento da receita: precisávamos das duas. Apesar disso, Passos Coelho continua irredutível: a haver mais impostos não contem com ele para viabilizar o orçamento. Hoje tudo isto cheira a ‘bluff'. Mas pode não ser. Então por que não assume que prefere uma crise política?

Do pacote global, o Governo propõe-se cortar dois terços à despesa e acrescer um terço à receita, o que parece razoável. Mas a escolha do IVA, que sobe dois pontos para os 23%, revela uma insensibilidade arrepiante, ao tratar da mesma forma os milionários e os sem vintém. Já a eliminação dos benefícios fiscais e a aplicação de taxas progressivas á redução dos salários parecem-me bem. Escolheu-se o imposto mais injusto só porque era o mais fácil?

Primeiro, foi Manuela Ferreira Leite, em 2003. Depois, foi Bagão Félix, em 2005. Agora é Teixeira dos Santos, em 2010: sempre que o orçamento tem um buraco sem fundo, absorve-se um fundo de pensões. Desta vez é o da PT e vale €2.600 milhões: é isto que o Governo recebe e gasta já; os que vierem a seguir que se amanhem. Estes ilustres governantes terão noção da tragédia que poderá vir a desabar sobre o futuro dos pensionistas?

A consolidação orçamental que está em curso assenta em três pilares: o corte na despesa, o aumento da receita e o crescimento económico. Numa altura em que o esforço previsível era menor, o crescimento real que se admitiu para o PIB do triénio 2011-13 era da ordem dos 3%. Mas este cenário não é mais exequível. Pelo contrário, o que hoje se admite é que venha aí uma nova recessão. Os cálculos que o Governo fez tiveram isto em conta?

A UGT vai dar a mão à CGTP na greve geral?

 

FINANÇAS PÚBLICAS

Dos valores globais...

 

(% do PIB)

...ao Estado Social*

 

 (% do PIB)

   
 

*Despesas com salários, subsídios e acções sociais.

 

O défice orçamental, que no final de 2007 parecia controlado, disparou de repente e chegou a ultrapassar os 9% do PIB em 2009. A fase seguinte só poderia ser rigorosa, para recuperar os valores iniciais. Essa fase está em curso e vai prolongar-se até pelo menos 2013. Mas, com um Estado Social que absorve cerca de 85% da despesa corrente primária, seria impensável cortar tudo aqui. Chegou a hora de pôr a receita a ajudar.

 

Fontes: Governo, Banco de Portugal.

____

Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt


Comentários

LOPES CARLOS , Bruxelas | 08/10/10 11:04
1. Mais um excelente artigo do Sr. Dr. Daniel Amaral a convidar à reflexão.
2. Sou contra receitas extraordinárias ( dada a sua natureza e impactos) mas tenho de reconhecer que quase todos os Governos e quase todos os Estados a elas recorrem.
3. E sou particularmente contra a absorção de Fundos de Pensões. É verdade que é "bom" a curto prazo ( encaixe imediato), mas a médio/longo prazo significa o pagamento de pensões acima da média a um numero elevado de reformados. No caso recente do Fundo de Pensões da PT , registo as perguntas pertinentes colocadas pelo SINTTAV ( informação de Outubro 2010).
4. A evolução do mundo laboral e das realidades presentes obrigam a bem ouvir os Sindicatos. Os Sindicatos , as Empresas, as Universidades e os Centros de Formação e ainda as Autarquias são os parceiros naturais para uma boa governança nacional. Em areas chave como a QUALIFICAçÃO e a MODERNIZAçÃO DA SOCIEDADE os Sindicatos têm um papel de relevo a desempenhar. Sem o seu contributo e participação não haverá desenvolvimento economico e social.

EN GANADOR , PORTO | 08/10/10 10:00
É bom as pessoas estarem a contar com o fim das reformas superiores a € 3.000!

lucklucky , | 08/10/10 02:33
Chegou a hora de destruir mais economia livre não é sr.Daniel Amaral, parece que está de acordo com tal coisa.
Depois da "tecnica competente" Ferreira Leite e do "tecnico competente" Teixeira dos Santos que já bate o recorde de 4% de subida de IVA fazerem a sua destruição.
publicado por ooraculo às 18:32
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Sexta-feira, 1 de Outubro de 2010

O FMI encapotado

 

A 19 de Fevereiro deste ano, ao olhar para o buraco das contas públicas, suscitei nesta coluna a hipótese de uma eventual saída do euro: ser-nos-ia vantajosa? Levaria à intervenção do FMI? A situação piorou entretanto, abrindo um buraco ainda maior. E os holofotes desviaram-se para a possibilidade desta intervenção. As perguntas terão de ser reformuladas: precisamos mesmo do FMI? E isso implica abandonar o euro?

Admitamos a intervenção e o abandono. A receita do FMI é conhecida: desvalorização brutal da moeda, para corrigir o défice externo; subida generalizada dos preços, pelo encarecimento das importações; e recurso sistemático à ilusão monetária, ao admitir aumentos de salários que de facto significam degradação do poder de compra. Foi assim nas duas vezes que cá esteve; continua a ser assim nos locais por onde passa.

Num cenário de permanência no euro, o problema é mais complexo, porque desaparece a muleta da desvalorização. Precisamos de alternativas com efeitos equivalentes. Admito que, neste caso, os alvos privilegiados sejam as finanças públicas: redução de salários e de pensões; aumento de impostos; cortes impiedosos em tudo o que sejam acções sociais. A consolidação será um pouco mais longa, mas nem por isso deixará de ser eficaz.

Agora a questão de fundo: precisamos mesmo da intervenção do FMI? Claro que não. Eles não viriam ensinar-nos nada que nós já não soubéssemos. E, pressupondo que seremos rigorosos e determinados, podemos fazer exactamente o mesmo que eles fariam e com os mesmos resultados em termos de credibilidade internacional. Mas talvez a pergunta deva ser colocada noutros termos: há condições políticas para que isso aconteça?

Uma primeira resposta chegou-nos na quarta-feira à noite, à hora dos telejornais. Aquela era a receita do FMI, que falava pela boca de Sócrates. Mas ainda há posições em aberto que não serão fáceis de gerir: nas mãos do PSD ficaram a sorte do orçamento e a queda ou não do Governo; dos sindicatos dependem as greves e um eventual caos social. Seja como for, não creio que haja espaço para muito mais discussões: o modelo deverá ser este, seja a bem ou a mal. Espero que seja a bem e que deixemos o FMI em paz.

O país está cansado.

 

d.amaral@netcabo.pt


Comentários

anibal barca , | 01/10/10 18:36
Não contemos com a redução dos empréstimos dos juros da dívida. Quem os mercados (dito de uma forma suave) estão a atacar é o euro porque sabem que receberão o dinheiro de volta. Assim como assim sempre é melhor receber 6 e tal por cento o ano. Estes são garantidos. Porquê não ganhar tanto, se o podem fazer?

EN GANADOR , PORTO | 01/10/10 15:53
Caro Daniel Amaral,
Diga-me por favor: Alguma vez, após o 25 de Abril, algum governo fez o que tinha de fazer sem uma pistola apontada à cabeça?
Nós, os espertos dos portugueses, temos uma regra: - Só nos levantamos após nos estatelarmos ao comprido antes. Primeiro gostamos de sentir as agruras do chão de pedra, para de seguida termos o prazer da subida - Mas custa vidas, suor e lágrimas; não é agradável.
Perante a repetida história portuguesa, só posso chegar a uma conclusão: O Povo português É MASOQUISTA!

Prestação de serviço , | 01/10/10 15:50
A prestação de serviços para o estado aumentou exponencialmente nos 2 últimos anos. Técnicos de empresas prestadoras de serviço que custam 4000 € por mês e nem percebem de administração pública. Contratos individuais de trabalho a 3000€ por mês ou mais. Aí está a despesa adicional que ninguém esperava...

Os institutos públicos são um absorvedor e de despesismo de recursos e não são controlados por ninguém.

Bastam umas quantas auditorias a uns quantos institutos públicos (alguns apelidados de agências) para descobrir o descalabro de gestão que é feita por aqueles lados.

O tribunal de contas não funciona....

joao maissete , | 01/10/10 12:13
Apos o orçameto lá iremos à famosa revisão constitucional, com o objectivo de continuar a reduzir despesa.
Poder-se-á começar com a redução do nº de deputados para 120

alberto , lisboa | 01/10/10 11:41
O caminho é este, mas a estrada ainda não está bem pavimentada. Nada se diz sobre o enorme desperdício sob a forma de empresas, fundações e institutos que consomem milhões de euros e para pouco ou nada servem, nem há medidas tendentes a melhorar a competitividade das nossas exportações ( baixar a taxa social única da parte patronal, p.ex. ). O governo não é transparente, logo não é democrático e julgo que o PM devia ter a honradez de sair e abrir lugar à sua substituição por outro nome do PS.

Guedes , Porto | 01/10/10 11:01
Concordo quando diz que o FMI não nos vem ensinar nada que nós já não sabemos e desse ponto de vista não precisamos que venha.
Contudo ressalvou o mais importante quando diz "...pressupondo que seremos rigorosos e determinados...". Este é que é o segredo e foi o que este governo não conseguiu fazer

Realista , Porto | 01/10/10 09:32
Estas medidas eram necessarias e já deviam ter sido tomadas ha mais tempo. Esperemos que o OE venha a ser aprovado e reduza o ritmo de endividamento e acalme os tais "mercados". Mas os grandes problemas da nossa economia continuam sem solução e não serão resolvidos (antes pelo contrario) com estas medidas. Refiro-me ao défice comercial (export-import) e à falta de crescimento económico. Por isso a mim parece-me que hoje é ainda mais necessario que no passado o investimento público. Não o investimento directo pelo Estado, o que agravaria ainda mais o défice e a dívida, mas através de ppp ou concessões a privados. A vizinha Espanha prepara um OE para 2011 onde prevê um corte nas despesas do estado de 8%, mas (ah grandes e sabios espanhois) com um corte de apenas 20% nos grandes projectos de investimento. Lá os TGV, as estradas e os portos vão continuar, embora a um ritmo mais lento. E ninguem contesta (ao contrario de cá) o investimento em infraestruturas.
O Corpo docente , | 01/10/10 08:58
Da sua cr nica passo a citar:

"Agora a questão de fundo: precisamos mesmo da intervenção do FMI? Claro que não. Eles não viriam ensinar-nos nada que nós já não soubéssemos."

É que amentavelmente as nossas faculdades ensinam muito a vantagem do corporativismo balofo, eesquecem-se de explicar mais vezes, o que è o longo prazo em economia, e como a ètica ainda nao è cadeira obrigatòria, o resultado è este.
Goncalo Veiga , | 01/10/10 08:18
Precisamos do FMI, sim! Precisamos não porque venham fazer nada que não saibamos, mas sim porque não o sabemos aplicar. Porque somos ingovernáveis.
Porque ou este governo vai recuar em algumas das medidas, com medo das eleições, ou o próximo vai retirar outras para dizer que ele é que são bons!
É tudo feito da mesma massa! Infelizmente a classe politica portuguesa está podre! O qe interessa não é o bem da Nação, mas o bem deles e dos que estão à sua volta...
Já dizia Julio César: "Há nos confins da Europa um povo que não se governa nem se deixa governar..."
publicado por ooraculo às 18:42
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