Sexta-feira, 26 de Novembro de 2010

O euro está em risco

 Bruxelas, 01 de Janeiro de 1999. Um grupo seleccionado de onze países assume o enorme desafio de criar o euro, que viria a entrar em circulação três anos depois. Portugal é um deles. Para trás tinham ficado os chamados "critérios de convergência", associados a indicadores os mais diversos que foi preciso respeitar: finanças públicas, flutuações cambiais, taxas de juro e estabilidade de preços. Passaram quase 12 anos. Que balanço é possível fazer?

Vou ser selectivo. A nossa produtividade era da ordem dos 50% da média e não melhorou. E o nosso rendimento ‘per capita', corrigido da paridade de poder de compra, era de 72% da média e assim se mantém. Mas, na zona euro, o peso dos salários no PIB estabilizou e o nosso subiu. E o seu comércio externo está equilibrado e o nosso com défices de enlouquecer. Não se pense que o euro falhou. Fomos nós que não o soubemos aproveitar.

Ao endividamento louco veio juntar-se a maior crise dos últimos 80 anos. E o Governo perdeu o controlo das finanças públicas, ao mesmo tempo que as oposições se entretinham a dar tiros nos pés. Masoquismo puro. Hoje estamos num beco sem saída: os mercados já não confiam em nós; as taxas de juro dispararam; e eu não vejo alternativa que não seja seguir os exemplos da Grécia e da Irlanda para evitar a bancarrota. Aqui entra o FMI.

Agora respirem fundo. Em países com problemas iguais aos nossos, a principal medida a adoptar pelo FMI é a desvalorização da moeda. Mas ele não pode desvalorizar o euro, nem isso resolveria o que quer que fosse. E Portugal não pode ser expulso, porque os tratados o não permitem. Que fazer? Só vejo uma saída. O FMI, que é muito nosso amigo, vai fazer-nos uma proposta que nós não podemos recusar: seremos nós a pedir a exclusão.
Quer isto dizer que a saída é inevitável? Não. Apenas que o risco existe. E, a concretizar-se, seria o pior que nos poderia acontecer. Já nem falo do descrédito para a classe política. Falo sobretudo da economia e das pessoas: desvalorizações impiedosas, cortes abruptos nos salários, uma dívida externa arrepiante. As contas são fáceis de fazer: se a dívida for de 100 e a desvalorização de 30%, a dívida dispara para 100/0,7=143. Como vamos pagar?

Coitados dos nossos netos.

 

MEDIOCRIDADES

Baixa produtividade...

(Produtividade/hora, UE=100)

 ...baixo rendimento

(PIB ‘per capita', UE=100*)

 

 

A produtividade do trabalho em Portugal é igual a 56% da média da Zona euro e a 47% da dos Estados Unidos: as diferenças são abissais e sem indícios de melhoria. Quando se passa aos rendimentos ‘per capita', e uma vez queo nosso nível de preços é mais baixo, o confronto melhora um pouco, mas ainda assim ficamos a 73% e 54% dos outros, respectivamente. Em matéria de desempenho somos um país de medíocres.

Fonte: Eurostat.
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Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt


Comentários

Uma nova moeda ibérica? , | 26/11/10 17:12
População: Portugal: 11.317.192 hab.; Espanha: 46.661.950; União Ibérica:57.979.142 (ranking UE: 5º - Alemanha, França, Reino Unido, UIbérica - 2009)

Falantes Português Espanhol: 608 Milhões (Inglês: 508 Milhões)

PIB UIbérica: 1.606.371 Milhões USD (FMI 2009 - ranking global: 8º)

Trocas comerciais Portugal - Espanha (%) (2005)
Portugal - exporatações para Espanha: 25.9% do total (ranking: 1º).
Portugal - importações oriundas de Epanha: 29% do total (ranking: 1º)
Espanha - exportações para Portugal: 9.4% do total (ranking: 3º)
Espanha - importações oriundas de Portugal: 3.3% do total (ranking: 8º)

Fonte: pt.wikipedia.org/wiki/Iberismo

Em vez da UE, eles preferiam o renascimento do Bloco de Leste , | 26/11/10 11:32
Entretanto, os comunistas não páram de reivindicar, na Assembleia da República por mais distribuição disto, daquilo e daqueloutro, assim como aumento do que já existe distribuido, de que são exemplos subsídios das mais variadas espécies.
Fazem-no movidos exclusivamente por motivos demagógicos e populistas, visto que é muito simples e politicamente correcto, como agora se diz, fazer de Pai Natal e oferecer o que não se tem e muito menos se sabe aonde o ir buscar.

Foi com gestão ruinosa igualmente que todos os Estados comunistas da defunta Europa de Leste implodiram.
Não ficaria mal a estes deputados comunas da AR um pouco mais de contenção e vergonha nas propostas despesistas que apresentam.

ALGUMA DÚVIDA ? , | 26/11/10 11:14
" O EURO ESTÁ EM RISCO " diz a notícia.
Não foi sem motivo que as Agências de "Rating" andaram todo este tempo a deitar mais achas para uma fogueira que já era grande.
Têm-no feito, claro está, a expensas dos interesses dos EUA, o seu País.

Alguma dúvida ?

Xxx , | 26/11/10 09:59
De facto não temos nada a ver com a Irlanda. Eles têm rendimentos e uma produtividade muito mas muito superior à nossa.

Realista , Porto | 26/11/10 09:29
Não, não, não! Desta vez o autor, com o qual concordo muitas vezes, acordou mal disposto. Ainda aceito, embora não aposte, que a entrada do FMI seja inevitavel, mas essa história de sair do euro...não! E atrevo-me a fazer uma sugestão. SE O FMI VIER, PORTUGAL DEVE ACEITAR AS "MALDADES" QUE ELE VAI RECOMENDAR MAS COM UMA CONTRAPARTIDA: QUE NOS APOIEM COM INVESTIMENTO. QUE NOS AJUDEM A FAZER A AEROPORTO, A FAZER O TGV, A DESENVOLVER SINES, ETC. Porque o nosso verdadeiro problema está aqui: parámos no tempo, nos últimos 10 anos, enquanto os outros paises andaram para a frente. Na vizinha Espanha, da qual tambem se diz que vai ter que recorrer ao FMI, os investimentos públicos abrandaram mas não pararam. Ainda este ano vão inaugurar a ligação AVE Madrid-Valencia. Mas lá o investimento público é uma questão pacífica entre todos os partidos.

joão , | 26/11/10 08:54
tenho uma ideia melhor, a alemanha que saia do euro e depois quero-os ver a exportar alegremente à custa de uma moeda subvalorizada pela manutenção dos países periféricos na união monetária.

LOPES CARLOS , Bruxelas | 26/11/10 07:24
1. O EURO sobreviverá. Há muitos Estados a nivel global que querem um EURO forte e independente face a um US DOLLAR declinante .
2. Apenas desejam o fim do EURO aqueles que são contra a integração monetária e económica europeia. Todavia, importa criar novos mecanismos financeiros e outros , com sanções severas para os prevaricadores. E, sobretudo, uma verdadeira coordenação rconomica, financeira e fiscal a nivel europeu. Basta de "meias-doses" !
3. Desde 2003 vários Professores Universitários , incluindo o Sr Prof Cavaco Silva ( U.C.P.), tinham alertado para os riscos dum comportamento inadequado de Portugal dentro da Zona do Euro e respectivas consequências economicas, financeiras e sociais. Data de 2/2/2006 o aviso solene do Prof. Olivier Blanchars ( FMI). Avisados estavam todos ! Mas eles todos escolheram outros caminhos. Eles lá sabem porquê .

LOPES CARLOS , Bruxelas | 26/11/10 07:05
1. Tenho a maior admiração pelo Autor, mas não concordo com a totalidade do Artigo de Hoje.
2. Separando águas : a Economia Global vai bem ( empurrada pela Parceria RP CHINA/U. INDIANA ; a Economia Europeia já está em muitos Sectores em fase de recuperação embora a um nivel baixo e com algumas fragilidades em certos mercados ; Portugal não soube aproveitar bem as oportunidades oferecidas pelos Fundos Europeus e pela própria Zona do Euro.
3. Concordo inteiramente com o Autor num ponto : coitados dos nossos netos !!!
4. Como vai ser o nosso futuro próximo ? Vai ser muito movimentado e sobretudo vai sofrer algumas acelerações . Lembrem-se do caso irlandês : ainda no dia 12 de Novembro de 2010, apesar de rumores "fiáveis" de que um pacote de 80 mil milhões de euros estava a ser negociado, toda a gente em Bruxelas e Dublim negava a necessidade de um bail-out. Viu-se no dia 19 à noite ( estas coisas são sempre ao fim de semana, já com os bancos encerrados).
5. Durante anos a fio, quem referisse a divida externa ou o défice era ridicularizado por analfabetos ou ignotantes.
6. A saida do Euro , seria uma regressão para Portugal. Em todos os campos . E faria aria a nossa vida quotidiana ( alimentação, combustiveis,etc) um caos.
publicado por ooraculo às 18:38
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Sexta-feira, 19 de Novembro de 2010

A outra dívida

Os episódios à volta da dívida soberana – os juros são ou não são comportáveis, vem ou não vem o FMI, saímos ou não saímos do euro – estoiraram com a resistência do país. Estamos em estado de choque. E com isso quase esquecemos a outra dívida, a externa: 510 mil milhões de euros, parcialmente compensados com 330 de créditos semelhantes, de que sobra uma dívida líquida de 180 mil milhões - 110% do PIB, uma loucura. Como sair disto?

Comecemos pelo princípio. A Zona euro no seu conjunto, nas suas relações com o exterior, tem uma balança praticamente equilibrada. Mas os países que a integram nem por isso: eles estão divididos em dois grandes grupos, os bons e os maus, incluindo nestes últimos os famosos PIIGS. Portugal é um dos maus, com défices da ordem dos 10% do PIB. E aqueles 180 mil milhões são o reflexo dos múltiplos desequilíbrios ao longo de várias décadas.

Chegados a este ponto, a tentação é procurar os culpados e "esfolá-los vivos", equilibrando as receitas com as despesas logo a seguir. Mas vamos ser razoáveis: o problema não é tão fácil assim e a própria dívida ainda vai ter de aumentar. A mensagem a passar é outra: precisamos de um plano eficaz, a não mais de cinco anos, para eliminar este défice. A dívida ficará para depois. Será o próprio crescimento económico a desembaraçar-se dessa missão.

Em teoria, este plano deveria ser fácil de gerir. Na área económica, é preciso aumentar a poupança para financiar o investimento, canalizar este investimento para os bens transaccionáveis e, no limite, aumentar a produtividade nacional. O destino dos produtos é indiferente: pode ser a exportação ou a substituição de importações. O problema está na área política: que fazer para sentar à mesa, e pôr de acordo, pelo menos o PS e o PSD?

Que a guerra comercial está ao rubro provou-o uma vez mais o G20, que no último fim-de-semana reuniu em Seul. Os EUA e a China acusaram-se mutuamente daquilo que ambos fazem: desvalorizações competitivas da moeda. E a Europa fez de mexilhão, apanhando por tabela dos dois lados.

Portugal ficou à margem desta guerra, sem deixar de estar em "guerra" com o mundo: a nossa balança externa tem de procurar o equilíbrio, ponto final.

A hora é de tudo ou nada.

 


NÓS E OS OUTROS

Equilíbrio instável...

 

(Balança corrente, % do PIB)

 ... barco ao fundo

 

 (Balança corrente, % do PIB)

 

Encarada no seu conjunto, a Zona euro tem uma balança comercial praticamente equilibrada. Mas no seu interior estão dois grupos antagónicos: de um lado, os excedentários, com particular destaque para a Alemanha e para a Holanda; do outro, os deficitários, com destaque para os PIIGS, de onde sobressaem a Grécia e Portugal. Fosse a Europa do euro uma zona solidária e não seria difícil universalizar o equilíbrio...

 

Fontes: Eurostat, The Economist.

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Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt

 

 

Comentários

«Jangada de Pedra» - Portugal e Espanha ensaiam "União monetária ibérica" , | 19/11/10 11:06
«Jangada de Pedra» é aquela célebre obra (publicada em 1986 - ano da adesão de Portugal e Espanha à então CEE) em que o Nobel Saramago ficciona a desagregação da Península Ibérica do restante continente europeu.

Nos últimos dias várias manifestações de opinião ditam o fim da zona euro - ou, pelo menos, a sua reorganização geográfica, política e económica, na qual não cabem as economias periféricas. Neste quadro, pergunto:

- E se Portugal e Espanha - integrados na mesma penínsla e num mercado ibérico comum, partilhando afinidades históricas, sociais, cultural e económicas, e, com desafios e interesses geopolíticos idênticos no mundo (África, América Latina, Europa) procurassem - de forma mutuamente vantajosa e respeitosa para ambas partes - definir os moldes de uma «União Monetária Ibérica».

«A Península parou o seu movimento de rotação, desce agora a prumo, em direção ao sul, entre África e América Central..., E a sua forma, inesperada para quem ainda tiver nos olhos e no mapa a antiga posição, parece gêmea dos
continentes que a ladeiam.» [pag. 310]

Xxx , | 19/11/10 09:53
Portugal é o Trás-os-Montes da Europa. Trás-os-Montes também só subsiste com a solidariedade das regiões mais ricas de Portugal. O mesmo tem que acontecer na UE ou então cada vez iremos ficar mais pobres.

Realista , Porto | 19/11/10 09:48
Concordo com o artigo - o Dr Daniel Amaral tem a noção de que é necessario planear o crescimento, ao contrario dos neolibs - mas gostaria de apresentar algumas discordancias. 1- Acabem lá com essa historia (teoria?) dos bens transaccionaveis e exportaveis. Nós temos que começar por reduzir importações,de petroleo, por exemplo, (que representa perto de 40%), mas tambem de produtos agrícolas e de pescas. Temos condições para isso. 2- Depois temos que aproveitar melhor as nossas potencialidades independentemente de estarem ou não no sector transaccionavel. O turismo ainda tem muito para crescer. O porto de Sines, por exemplo. Porque ninguem fala nele? 3- O nosso problema não é bem o desacordo entre PS e PSD. O nosso problema, ao contrario dos espanhois, por exemplo, é que o pensamento neolib é predominante no nosso país. E assim não vamos lá. No nosso país tem que ser o Estado a planear e a promover o crescimento.

Zé do Boné. , | 19/11/10 08:52
Exmo Sr. Daniel Amaral.

Acha expectável que países que produzem, tem industrias, sabem fazer coisas,exportam para o Mundo inteiro, alimentem países que o não fazem?

Acha que os milhões que foram injectados pela Alemanha já não voltaram para lá, na margem de lucro dos Mercedes dos BMW's e dos Audis que os portugueses ávidamente compraram e compram a crédito a perder de vista?

O Pai Natal na Economia ainda está para ser inventado....
publicado por ooraculo às 18:31
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Sexta-feira, 12 de Novembro de 2010

O emprego solidário

O director-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, a propósito desta crise maldita que já destruiu 30 milhões de empregos em todo o mundo, definiu aquilo que considera serem as três prioridades do momento: criar emprego, criar emprego e criar emprego. Assino por baixo. A dimensão deste flagelo, sobretudo nas economias a que chamamos avançadas, é hoje o problema mais grave com que vamos ter de nos confrontar. Que fazer?

Imaginemos um país com 10 milhões de residentes e 6 milhões de população activa, dos quais 5,4 milhões estão empregados e os restantes 600 mil (10%) no desemprego. E admitamos que as partes se punham de acordo para cortar 10% nos salários e no tempo de trabalho, fazendo a compensação com mais emprego. A produção seria a mesma, com os mesmos custos, e os 600 mil desempregados seriam todos absorvidos.

Chamar-lhe-íamos emprego solidário.

Claro que estou a simplificar. As coisas não são tão fáceis assim. Mas isso não invalida que, no essencial, a tese seja defensável: em situações de crise grave no mercado de trabalho, como é esta em que vivemos, os que têm tudo deveriam sacrificar uma parte para oferecer àqueles que não têm nada. Esta seria, de resto, uma solução transitória: logo que a retoma voltasse, com mais procura, repor-se-iam os valores iniciais - agora com um emprego mais alto.

O país imaginário de que falei acima não se afasta muito da realidade portuguesa. E o modelo preconizado não se esgota na criação de emprego. Poderia actuar antes disso, quando a crise chegasse, obstando a que houvesse despedimentos. Condição prévia: a flexibilidade nas leis laborais - exactamente a condição que os nossos sindicatos sempre rejeitaram. Compreendo as razões, mas penso que o tema deveria ser debatido em sede de concertação social.

Uma última nota para situar os EUA e a Alemanha. Os americanos privilegiaram os apoios orçamentais à economia; os alemães preferiram controlar os défices e defender o emprego. Hoje comparam-se os números e o contraste é demolidor: o défice público na Alemanha é de 3% do PIB e nos EUA de 12,5%; e enquanto o desemprego alemão é idêntico ao que existia antes da crise (7,5%) o americano disparou para quase o dobro (10%).

Um país vale o que valerem as suas opções.

 

AMÉRICA VS. ALEMANHA

Políticas diferentes...

 

(Saldo orçamental, % do PIB)

....diferentes resultados

 

(Desemprego, % da p. activa)

   

Os EUA privilegiaram os estímulos à economia e chegaram a um défice de 12,5% do PIB. A Alemanha seguiu o caminho inverso e ficou-se pelos 3%. Os reflexos no mundo laboral não poderiam ser mais antagónicos: a Alemanha tem o mesmo desemprego que tinha antes da crise; os EUA elevaram-no para quase o dobro. Méritos da Alemanha: reduziu os horários para aumentar o emprego e o PIB está a crescer mais de 3% ao ano.

 

Fonte: Eurostat

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Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt


 

Comentários

EU GAMADOR , | 12/11/10 14:51
Quero declarar que sou o maior Democrata do Mundo , desde que :

- isso me permita dar pon tapé na PEI DA a tudo o que possa achar que me está a impedir LIBERALMENTE de acumular Riqueza :

e também que a democracia se chame NAZI / Fascismo

S. Martinho, Daniel Amaral e a Economia , | 12/11/10 12:19
Finda a seara e a vindima - fervido o mosto, aberta a bica... apanha-se a "fagulha", atea-se o fogo, assam-se as castanhas, prova-se a pinga. É um recordar do calor do verão. É dia de extravagância e de folia!

Mas, quem foi S. Martinho? Conta a lenda que no norte da Gália um jovem soldado romano (337 d.c.) enquanto fazia a ronda viu um mendigo perdir-lhe esmola. Como não trazia dinheiro e o dia era de gélido inverno, o soldado desembainhou a espada e cortou a sua capa em duas, que partilhou com o mendigo. Ao partir, o sol radiou, e, do frio e chuvoso dia inverno se fez verão... o "verão de S. Martinho! (Conta-se ainda que este episódio foi sucedido de uma visão, que o fez santo).

O que Daniel Amaral vem propor nesta quadra é que sejamos como S. Martinho. e que partilhemos a nossa capa. Pois só dessa forma, para lá da generosidade do gesto, as nuvens dissipar-se-ão (e o sol de novo brilhará na nossa Economia).

Breve ensaio sobre Amor e Poder , | 12/11/10 11:31
Caro, Daniel Amaral, as suas palavras encerram o que há de mais libertador no universo: o AMOR!. Contudo, como o "reino" que apregoa "não é deste mundo", há entre o voto celestial do amor e o poder material das formas latentes, um conflito...

"Onde o amor impera, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro." - Carl Gustav Jung. Porque, "O amor é um conflito entre nossos reflexos e nossas reflexões." - Magnus Hirschfeld

E, no entanto, considerai... "Na raiz de quase todas as misérias materiais e, sobretudo, morais, está uma falta de amor, uma fome de afeição que não foi satisfeita. - Georges Arnold

- Desta forma, por incompreendido ou inconsequente que se afigure o seu artigo, não se resigne...

"O amor é a força mais subtil do mundo"- Mahatma Gandhi. " [...] É o nosso estado natural quando não optamos pela dor, pelo medo ou pela culpa" - Willis Harman e Howard Rheingold. Portanto, "Nunca lamente uma ilusão perdida, pois não haveria fruto se a flor não caísse ". - Thaysa M. Dutra. Pois, "O amor é uma flor delicada, mas é preciso ter a coragem de ir colhê-la à beira de um precipício aterrador." - Storm (João Teodoro Woldsen)

- Mas serão, em súmula, suas palavras vãs, deprovidas de propósito e carentes de acção?
Ora, que outro fim poderemos dar à nossa existência senão a incessante busca pela FELICIDADE? "Para fazer uma obra de arte não basta ter talento, não basta ter força, é preciso também viver um grande amor" - Mozart. E só "Um coração feliz é o resultado inevitável de um coração ardente de amor" - Madre Teresa

E, no limite, há a esperança: "Um sonho sonhado sozinho é um sonho. Um sonho sonhado junto é realidade." - Raul Seixas.
Para cumprir o sonho, um (o único) ensinamento: «Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei!» (Jo 13, 14)

Lito D'Almada , Almada | 12/11/10 11:26
Caro EN GANADOR, se ficou entusiasmado experimente ler o livro. Chama-se Galaxia 8 - O Planeta Espelho, e foi editado pela Verbo em 1980. Verá como gostaria de viver num mundo assim! Claro que nem tudo são rosas! Por exemplo não precisava de dinheiro no banco porque não tinha nada para comprar. As máquinas eram controladas por um aparelho Estatal Humano com um exército próprio que não deixava ninguem pôr o pé em ramo verde, etc. etc., Só lendo...! Mas não sei se num futuro, não iremos para qualquer coisa a tender para este género quando as máquinas se sobrepuserem aos humanos!

EN GANADOR , PORTO | 12/11/10 10:51
Caro Lito D,almada,

Esse tal "Planeta Espelho" era mesmo os que os portugueses sonham! Eh pá! Maravilha! As máquinas trabalharem por nós, e nós a vermos a conta bancária a subir - ESPETÁCULO!
Agora a sério.....partindo do princípio que as máquinas tudo faziam e que se distribuia correctamente as receitas, sobra aqui o tal velho problema - QUEM É QUE GERIA AS MÁQUINAS? E será que esses gestores não se iriam deslumbrar com tamanho poder dos Deuses? Finalmente, e recordando um velho filme conhecido "2001 Odisseia no espaço" - Será que as máquinas não se poderiam revoltar com tamanha escravidão ingrata?

Lito D'Almada , Almada | 12/11/10 09:57
Uma vez li um livro que se chamava "O Planeta Espelho"! Nunca esqueci o seu conteudo! E cada vez penso mais naquele sistema quando tentam utilizar o desemprego como a causa principal do sistema! Pois, no Planeta Espelho, ninguem trabalhava, mas não faltava nada a ninguem. Tudo era feito por máquinas. Elas dominavam a situação e geravam o suficiente para todos sem precisarem do esforço humano! Claro que isto é surreal, e cheira a ficção. Mas se aprofundar bem a questão e olhar para as novas tecnologias cada vez mais avançadas, talvez não esteja a fugir assim tanto de uma possivel realidade! É preciso é que as máquinas desenvolvam e produzam bastante que chegue para todos, e principalmente que seja bem distribuido!

Realista , Porto | 12/11/10 09:44
Já é a segunda vez que o autor aborda este assunto e ele é de facto importante. Com a entrada em força da China, com os seus 1.300 milhoes, na prodição industrial global é evidente que se vão perder (já estão a desaparecer) muitos dos empregos do ocidente. Mesmo quando ultrapassarmos a crise actual muito do desemprego actual vai manter-se. E é por isso necessario começarmos a falar em redistribuição do trabalho, tal como antes falávamos em redistribuição da riquesa. E a solução já aí está, só que muito mal explicada e defendida: A FLEXIBILIDADE LABORAL. É preciso vencer o conservadorismo (para não dizer dictadura) dos sindicatos. E, pensando bem, porque é que toda a gente tem que trabalhar 8 horas por dia e 5 dias por semana? Se eu quiser trabalhar apenas 4 horas e ganhar 50% ha algum mal nisso? <Lopes Carlos> fala do caso da Holanda. Eu sempre estive convencido que o baixo desemprego holandês está relacionado com o trabalho a tempo parcial e com a flexibilização.
MAS DISCORDO TOTALMENTE DO ÚLTIMO PARÁGRAFO DO ARTIGO. NÃO SÃO AS POLÍTICAS DESSA SENHORA MAS SIM O ESPÍRITO E CULTURA DOS ALEMÃES QUE EXPLICAM O SUCESSO (ACTUAL) DA ALEMANHA.

EN GANADOR , PORTO | 12/11/10 09:42
Quando se fala de liberalizar os despedimentos, isto é logo apelidado de Nazis e Fascistas!
Com um povinho tão retrógrado e medroso, qualquer coisa que se tente fazer para alterar algo que está mal, torna-se quase impossível. Vêja-se os casos seguintes:

-Despejos imediatos por falta de pagamento das rendas
-Liberalização de despedimentos
-Prisão efectiva para gestores de cargos públicos por corrupção (e privados também)
-Pesadas penas por desprezar as regras de concorrência (telecomunicações, energia, combustíveis, banca, etc)
-Responsabilização CRIMINAL A "ENTIDADES REGULADORAS", que não exercem as suas competencias, quando evidente a sua inoperãncia (veja-se os casos dos combustíveis, dos arredondamentos da milésima por pate da banca, etc)
-Responsabilização CRIMINAL DOS MAGISTRADOS em casos aberrantes de atrasos processuais - UM PAÍS EM QUE OS TRIBUNAIS FUNCIONAM PÉSSIMAMENTE, COM ATRASOS CONSTANTES E "PRESCRIÇÕES DUVIDOSAS", NÃO PERMITE QUE SE VIVA EM DEMOCRACIA ABSOLUTA, POIS A IGUALDADE DE DIREITOS É VICIADA! Não é este o modelo de democracia e liberdade que se pretende! A democracia é o resultado prático de todos os mecanismos do Estado - Não se pode cingir a um enunciado de palavras na Constituição.

Xxx , | 12/11/10 09:30
Esta proposta iria diminuir bastante mais a já baixa produtividade em Portugal. Ora este senhor passa o tempo a pregar contra a baixa produtividade. Em que é que ficamos? Parece que ninguém sabe muito bem o que fazer.

O FIM DO TRABALHO . , | 12/11/10 08:10

Basta ler o livro de Jeremy Rifkin :

- "The End of the Work" (existe tradução em brasileiro),

Para ficarmos perplexos como com muitos anos de antecedencia este economista "mal-amado", previu com exactidão onde nos levaram as politicas socias e económicas que abraçamos.... E as soluções preconizadas pelo mesmo.

trucla , | 12/11/10 07:55
Ó Sr. Amaral... isso é tudo muito bonito... se funcionasse! Em primeiro lugar, a rigidez no mercado de trabalho nunca permitiria que isso acontecesse, uma vez que os empregadores dificilmente conseguiriam a flexibilidade para fazer as coisas dessa forma (vá lá convencer os políticos a adoptar medidas de flexibilização laboral, mesmo que temporárias!). Em segundo lugar, há um problema de produtividade - semelhante esquema poderia ter implicações muito negativas no output por trabalhador, uma vez que, por princípio, os novos entrantes teriam uma produtividade mais baixa do que os já empregados. Aliás, e é estranho que não se lembre, temos uma experiência recente e parecida bem perto de nós: foi na França. Tratou-se da semana de trabalho de 35 h, e foi um fracasso monumental!
Ah! E obviamente existe o problema de convencer os que já estão empregados a prescindir de 10% dos salários, mesmo com redução do tempo de trabalho! Enfim, com propostas irreais destas não vamos lá. O caso da Alemanha é especial e deve ser enquadrado num contexto que o autor omitiu, nomeadamente no que diz respeito ao peso do sector exportador na economia Alemã (vs. EUA, por exemplo). Eu sei que o espaço da coluna é pequeno, mas uma coisa é resumir, outra é sobresimplificar...

LOPES CARLOS , Bruxelas | 12/11/10 07:39
1. Os dois unicos Estados europeus com menos de 4°/° de Trabalhadores desempregados são a HOLANDA e a AUSTRIA . O que têm eles em comum: Flexisegurança.
2. Refiro-me à Flexisegurança à séria, integral , que exige no primeiro ano um sério investimento. Na Holanda , a introdução da Flexisegurança custou um suplemento social de 100 milhões de euros. Mas valeu bem a pena. Perguntem aos Trabalhadores Holandeses !
3. Atenção, não me estou a referir a uma mini-flexisegurança baseada quase só na adaptabilidade.

LOPES CARLOS , Bruxelas | 12/11/10 06:49
1. Artigo muito bem elaborado e fundamentado.
2. O Trabalho " Abrigado" ou Emprego no "Terceiro Sector" pode ser uma resposta util em tempos de desemprego estrutural de longa duração.
3. Porém, algumas distorções do Mercado Interno ( grandes diferenças nos custos unitarios de cada hora trabalhada e encargos acessorios, regras ambientais, direito do trabalho, OGMs, custos logisticos, etc) podem contribuir e têm contribuido para "redistribuir" o trabalho no interior da UE-27. Uma analise mais fina , permite detectar "novas especializações nacionais " no interior mesmo de cadeias de valor acrescentado como, por exemplo, com Estados a criar animais e outros Estados a tratar de tudo o que é abate industrial e tratamento das carcassas de bovinos e porcinos e operações subsequentes.
4. Acresce que nos ultimos anos, temos assistido a nivel global à maior operação de redistribuição das horas trabalhadas de toda a Historia da Humanidade ( ascenso do Oriente e declineo dos EUA e do Japão)

publicado por ooraculo às 18:21
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Sexta-feira, 5 de Novembro de 2010

A travessia do deserto

 A maior crítica que se pode fazer ao orçamento está na ausência de uma estratégia que vise o crescimento económico e a criação de emprego. E não faltam vozes capazes de definir este modelo: acréscimo do investimento e da produtividade, melhoria da competitividade, aposta forte nas exportações. Palmas para os seus mentores. Sugiro apenas que, antes de todo este entusiasmo, coloquem a si próprios esta pergunta: e como é que isso se faz?

A execução deste OE-2011, já aprovado na generalidade, envolve três grandes riscos: o risco de uma entrada em recessão, que só o Governo não quer ver; o risco de incumprimento do défice, com esta recessão implícita e as "ajudas" do PSD; e o risco de colapso do Serviço Nacional de Saúde, devido aos cortes impiedosos a que foi sujeito. Os orçamentos seguintes garantem desde já uma certeza: os défices previstos vão implicar sacrifícios adicionais.

De facto, uma projecção para 2013 põe a nu o que é a vertigem das nossas dívidas, a pública e a externa, da ordem dos 85% e 140% do PIB, respectivamente. Ambas precisam de ser corrigidas e ninguém sabe como fazê-lo. No primeiro caso, temos de passar de défices a excedentes orçamentais. E, no segundo, temos de cortar ainda mais nos salários. Eis o cenário para uma década: recessão, estagnação ou, na melhor das hipóteses, crescimento lento.

Mas a política não pára. Em 2011 vamos ter eleições, presumivelmente ganhas pelo PSD. E entra em cena Passos Coelho, para quem estes problemas são meros reflexos de um Governo incompetente e autista. É bom que assim seja. Porque lhe permite aprender duas coisas: que afinal não era tão fácil como pensava; e que também ele não tem soluções. Admito que, lá para o final de 2011, já se procure substituto. Vai ser um ano perdido.

É aqui que entra o professor Cavaco, entretanto reeleito, a dar voz à sua famosa magistratura activa: um Governo monopartidário não funciona e vamos ter de o alargar. O PCP e o Bloco, pelas posições conhecidas, estão fora de causa. E o próprio CDS poderá vir a aderir ou não. Mas há dois partidos que o "interesse do país" vai obrigar a entender-se: o PS e o PSD. Vão ter de ser eles, de mãos dadas, a fazer esta travessia do deserto.

É isto ou o caos.

 

ECONOMIA MARCA PASSO

Baixo crescimento...

(Valores anuais)

 ...grandes dívidas

(% do PIB)

   

 

*Triénio 2011-13 com números assumidos pelo autor.

 

O défice orçamental vai ser corrigido, mas não chega. E o défice externo vai prosseguir a sua louca caminhada para o abismo. Isto significa que, ao chegarmos a 2013, vamos deparar-nos com dois monstros glutões: a dívida pública e a dívida externa. Os nossos credores não vão perdoar, impondo-nos novos processos de consolidação. E o crescimento só pode ser uma miragem. A economia vai marcar passo - e não há alternativa.

 

Fontes: Governo, Banco de Portugal.

____

Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt


Comentários

Manuela Arcanjo , (Semanário Sol, 5/11/2010) | 05/11/10 17:48

(Semanário Sol, 5/11/2010) "Manuela Arcanjo, ex-ministra de António Guterres, diz que no lugar de Teixeira dos Santos se demitia, pois o ministro das Finanças não deve avalizar políticas sabendo que levarão ao desastre. E acrescenta que «há muito que não temos política económica». A ex-secretária de Estado do Orçamento e antiga ministra da Saúde critica o OE - Orçamento do Estado para 2011, classificando-o de irrealista, exagerado em medidas e pouco rigoroso. E diz que jamais estaria na posição do ministro das Finanças: já se teria demitido. Em entrevista, Manuela Arcanjo fala de falta de autoridade financeira de Teixeira dos Santos e garante que a tentaram corromper quando era ministra."

O sr. Daniel Amaral nunca esboçou uma criticazinha ao "engenheiro" do seu coração nestes seis anos... , ficou caladinho que nem um rato de 2004 até hoje... | 05/11/10 17:04


... mas agora o sr. Daniel Maral permite-se afirmar que o Passos Coelho vai ser escorraçado até ao fim do ano. Curioso.. Ó sr Daniel Amaral, e que tal confiar que pode vir um governo competente que acabe com a manipulação e incompetência do seu queriso e tão brilhante "engenheiro" Sócrates? Que acabe com a bagunça e arbitrariedade criminosas na gestão dos dinheiros públicos, por exemplo?

antonio , Lisboa | 05/11/10 16:29
Concordo com algumas das afirmações do Dr., mas já não concordo com a questão de um ano perdido até a união dos dois maiores partidos, acho que já perdemos muitos por causa destes Senhores e vamos perder muitos mais. Nenhum deles me parece interessado seriamente em resolver o problema do país. Parece-me que continuam a olhar para o seu (deles) umbigo e muito pouco preocupados com os Portugueses. A prova é que medidas para suster o desemprego e o crescimento economico so se houve falar em palavras soltas sem projectos concretos, nem que fosse a 10, 20 ou 30 anos, mas havia um rumo.Como estão todos preocupados é com eleições, pois são politicos profissionais e precisam do tachito quer ganhem quer percam vai ser muito dificil fazerem projectos com pés e cabeça para serem realizados a mais de 4 anos. Quase todas as medidas tomadas são avulsas e sempre com uma intenção: quando ha eleições satisfazemos os votantes com medidas populares, quando passam as eleições satisfazemos os lobbys, e todos aqueles que lhes podem garantir um emprego. Quando a coisa aperta e vem de fora então temos que satisfazer os Companheiros Europeus, sempre sem discutir com nenhuns, a serio, o que se pretende para este pequeno país (temos menos habitantes que as maiores cidades europeias).

Sócrates = palhaço mafioso ao serviço de interesses políticos e empresariais espanhóis , MAFIOSO, RUA ! | 05/11/10 11:47


Alguns dos compinchas do Sócrates já começaram a ser inquietados pela Justiça. Finalmente. Ao fim de seis longos anos. Mas a procissão ainda vai no adro. Falta essa falsa empresa privada que é a EDP do sr. Mexia e o roubo sistemático a que procedeu e continua a proceder à custa de todos os Portugueses com as criminosas vantagens de que beneficia e que lhe foram concedidas pelo Sócrates e as suas ruinosas tarifas "feed-in" (em contrapartida, a EDP estoirou milhões e milhões de euros em propaganda pró-Sócrates, sobretudo no ano de 2009, ano de eleições). Falta também o BES. Falemos um pouco do BES: em todos os momentos de apuro do "engenheiro" Sócrates o sr. Ricardo Espírito Santo Salgado veio a terreiro defender a sua dama e manipular a imprensa. Ainda há dias veio todo sisudo reclamar austeridade. Depois de há dois anos o seu Banco (cuja sede se encontra no Luxemburgo...) ter sido salvo com o dinheiro e o aval de todos os contribuintes Portugueses...Também ele gastou milhões em publicidade institucional pró-Sócrates. Qual o retorno para o BES? Tudo… Ao BES nada é recusado. Mas vou dar apenas um exemplo: o BES gere ilegalmente (de forma não declarada, sem que ninguém pague impostos) os dinheiros da petrolífera venezuelana PVDSA, retirados da Venezuela clandestinamente a mando do Hugo Chavez e com a conivência de Sócrates. Não acreditam? Pois investiguem um pouco, "tuguinhas" ingénuos e acomodados...

Maria do Porto , PORTO | 05/11/10 10:07
(CONCLUSÃO do meu comentário anterior)


7. Imposição legal de fixar os Spreads máximos da Banca a 1,5 pontos percentuais, para investimentos ou apoio de tesouraria das empresas e empresários. Lançamento maciço de Dívida Pública Interna, que substitua a Dívida Publica Externa através de Dois mecanismos:
- Portugal paga actualmente, e com tendência para agravamento, taxas de juro da Dívida Publica a 6%.

- os Certificados de Aforro deveriam a ser remunerados a 4% brutos; dever-se-ia lançar Obrigações do Tesouro à mesma Taxa, impedindo a Banca de lhes aceder.

Estes dois mecanismos podem ser lançados pela Junta de Crédito Público e FICAR FORA DA ESPECULAÇÂO FINANCEIRA! Efeitos breves: maior poupança das famílias, maior liquidez do Estado, menores importações financeiras.

(Isto é, o Estado português passa a ser devedor dos Portugueses – e não de financiamento estrangeiro. Os Portugueses vêem as suas poupanças rentabilizadas.)


Estas propostas são de um grande ECONOMISTA, que podia salvar o país!

Mas o Dr. Mattos Chaves tem um defeito imperdoável, que o impede de ser ouvido: é um homem da DIREITA, próximo do CDS/PP...
E enquanto o país continuar a ostracizar este partido, as "soluções" velhas, gastas, estafadas, continuarão a vir do PSD...

Maria do Porto , PORTO | 05/11/10 10:04
Ora aqui vão sugestões objectivas do Dr. Mattos Chaves, para promover o crescimento económico, e financiar o país com menor recurso ao exterior. Não é simples, mas é realizável. Só não são levadas a termpo porque este grande senhor é próximo do CDS/P, e não dos tais 2 partidos que se alternam no Poder...
1. Re-Industrializar o país, em áreas de produção pouco passíveis de deslocalização: a Industria é criadora de emprego de cariz muito mais duradouro e estável do que no sector terciário;

2.Criar um Mecanismo REAL de apoio e financiamento a Novos Projectos, que analise os méritos do projecto e do seu Promotor, e os financie e acompanhe a 100%, evitando a sangria de novos empreendedores (que têm ido para o estrangeiro implementar as suas ideias por falta de apoio REAL na sua terra)

3. Corrigir Assimetrias do Território, pela dotação do eixo interior Vila Real de Sto António/Bragança com estruturas de Comunicação rodoviária e ferroviária, com ligação às vias transversais já construídas (resultado: maior mobilidade às população e aos empresários nas suas ligações ao litoral e aos mercados internacionais)

4. Exploração do Mar Territorial e o Mar Económico Exclusivo (juntos, são 3 Milhões de km2). Para isso: rearmar as Marinhas de Pesca, de Transporte de Mercadorias e a de Guerra! (Defender os nossos recursos económicos da exploração indevida de estranhos, e defender o território de várias ameaças, como a imigração ilegal, o tráfico de pessoas, de droga, e de armamento para destinos árabes,...)

5. Recuperar e Especializar os Portos Nacionais, nomeadamente: Viana do Castelo, Leixões, Lisboa, Setúbal e Sines, dotando-os dos sofisticados meios de movimentação de bens e manipulação de cargas (reduziria os custos de exploração, tornando-os mais atractivos para os operadores internacionais - podemos ser a maior plataforma logística e de transporte da Europa!)

6.Reorientar o Turismo para um "Turismo de Pessoas com Dinheiro" com as inerentes poupanças em desgastes, e os evidentes benefícios em receitas....

7. Imposição legal de fixar os Spreads máximos da Banca a 1,5 pontos percentuais, para investimentos ou apoio de tesouraria das empresas e empresários. Lançamento maciço de Dívida Pública Interna, que substitua a Dívida Publica Externa através de Dois mecanismos:
- Portugal paga actualmente, e com tendência para agravamento, taxas de juro da Dívida Publica a 6%.

- os Certificados de Aforro deveriam a ser remunerados a 4% brutos; dever-se-ia lançar Obrigações do Tesouro à mesma Taxa, impedindo a Banca de lhes aceder.

Estes dois mecanismos podem ser lançados pela Junta de Crédito Público e FICAR FORA DA ESPECULAÇÂO FINANCEIRA! Efeitos breves: maior poupança das famílias, ma

Carlos , Lisboa | 05/11/10 09:30
O diagnóstico que faz é claro embora repetido por todos nós economistas já com mais de 20 anos de experiência.
Neste país, já o disse várias vezes é que nós temos execlentes CEO's a cortar custos mas não temos tantos como seria desejável a angariar proveitos.
A mesma coisa relativamente aos comentaristas e o Dr. Daniel Amaral sofre do mesmo mal. Diagnostica bem mas o que sugere para melhorar a situação do País?
LOPES CARLOS , Bruxelas | 05/11/10 09:18
1. Mais uma vêz um excelente artigo !
2. Seja qual for o Governo, vai ser muito dificil governar Portugal até 2013. E depois de 2014 será uma tarefa quase "impossivel".
3. Na verdade , nos proximos 8 anos Portugal vai ter de ultrapassar uma série de obstáculos : identificação de inumeras dividas ocultadas , correcção de muitos tectos legais furados por inumeras Entidades de diversos niveis, pagamento de dezenas de milhares de milhões de euros em PPPs,etc. Tudo isto num quadro de fundo caracterizado por um desemprego estrutural maciço, uma quebra do rendimentos nacionais disponiveis e uma quebra do PIB.
4. As medidas previstas desde 2/2/2006 vão MESMO ser aplicadas ( as tais medidas "exóticas") e a unica escapatoria provisoria vai ser enormes reescalonamentos da divida externa ( publica e privada).
5. Não adianta misturar as dificuldades internacionais e europeias com os nossos erros e deficiencias estruturais bem nacionais. Não é sério .

Mandrake , | 05/11/10 09:03

Sr. Daniel Amaral.

Passo a citar da sua crónica:

" Mas há dois partidos que o "interesse do país" vai obrigar a entender-se: o PS e o PSD. Vão ter de ser eles, de mãos dadas, a fazer esta travessia do deserto".

Mas não foram estes dois partidos com a ajuda do CDS, que mandaram este país para a insolvência?

Realista , Porto | 05/11/10 09:00
Concordo mais uma vez com o artigo. Queria acrescentar duas notas. 1- Esquecemo-nos frequentemente, e o autor parace tambem ter esquecido, que estamos no meio de uma crise internacional e que os nossos problemas e possiveis soluções dependem mais de terceiros que de nós. Por exemplo, andamos todos aflitos a tentar relacionar o aumento dos juros da dívida com o orçamento. Ora a subida foi generalizada e tem explicações que não se relacionam co Portugal. A Espanha vendeu ontem dívida (creio que a 3 ou 5 anos) a juros quase no seu máximo. Começo a pensar que se aproxima o fim do euro ou, pelo menos, do euro actual. 2- Passos Coelho tem revelado uma impreparação aflitiva, reconhecida aliás, pelos seus camaradas mais velhos do PSD. Não basta querer-se ser PM e fazer umas declarações estudadas de vez em quando. Mesmo para o PSD o melhor seria esse tal governo do bloco central que desse mais estabilidade ao país e mais experiencia a PPP.

Lápis Azul , | 05/11/10 08:49

Exmo Sr. Daniel Amaral.

As suas crónicas valem pelo diagnóstico, mas e a terapeutica?

Crescimento económico como?

Com empresas de serviços?

Com Bancos e sucedaneos?

Equidade fiscal onde anda (veja-se o caso dos Bancos) ?

A industria em Portugal está moribunda lamentávelmente,porque neste país ganha mais um carteiro que um torneiro mecanico.

Porque neste país de corporaçõezinhas e de parolismos balofos um engravatado é um "Dr",

Porque neste país os noticiários enchem-se de de Bancos e sucedaneos, de "futebois" e companhia.

"Com papas e bolos continuam a engar-se os tolos".

Estou plenamente de acordo consigo, que isto só pode dar tragédia e talvêz bem maior que a grega...
publicado por ooraculo às 18:16
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