Sexta-feira, 31 de Dezembro de 2010

Angustiante

 

Primeiro, os factos. A julgar pelas projecções conhecidas, a economia mundial em 2011deverá voltar a crescer acima dos 4%, sintoma de que no essencial a crise está ultrapassada. Mas este crescimento está longe de ser uniforme: os países emergentes apontam para mais de 6%, os EUA para menos de 3% e a Europa do euro para cerca de metade dos americanos. Dentro da Europa, Portugal é dos elos mais fracos.

Depois, as dúvidas. Com um endividamento público de cortar a respiração, e uma boa parte a vencer-se já no próximo ano, ninguém sabe ao certo como vamos amortizá-lo, e muito menos a que preço. E o problema repete-se com as famílias: endividaram-se nos bancos, que se endividaram no exterior, onde agora nos exigem o que não temos para lhes dar. Com um ambiente destes, como vamos descalçar a bota?

A seguir, os riscos. Excepção feita ao Governo, as opiniões são unânimes: há um risco enorme de entrarmos em recessão. Se esta recessão se confirmar, aumentamos o risco de incumprir o défice. E o incumprimento deste tem uma consequência praticamente inevitável: o recurso ao FMI, para que ele nos "ajude". Provavelmente sairemos do euro. E não é de afastar um cenário de perturbações sociais muito graves.

Significa isto que não há nada a fazer? Não. Significa apenas que, para vencermos esta crise, precisamos de nos superar a nós próprios. Os primeiros passos estão dados e são positivos: as 50 medidas do Governo, viradas para o crescimento e a produtividade, sugerem uma vontade férrea de segurar o barco; e a remodelação do Executivo, hoje incontornável, vai ser o passo seguinte. Haja esperança.

O resto são pontos de interrogação. O PR reeleito vai dissolver o Parlamento? O PSD e o PP optam por uma moção de censura? Uma economia em fanicos resiste a todas estas trapalhadas? E, num outro plano, que vai nas cabecinhas iluminadas da dupla Merkel-Sarkozy? Tudo isto aponta para que o ano de 2011 venha a ser decisivo. Vamos vivê-lo intensamente. E a simples vivência vai torná-lo angustiante.
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Daniel Amaral, Economista


Comentários

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C.Vieira , Boston, USA | 31/12/10 14:35
Estou desapontado por este tom de impotente fatalidade dum comentador normalmente lucido. Haja esperanca...

MR , | 31/12/10 12:48
O melhor é prender a dupla "Trocaste/Teixeira dos Bancos", a vida deles vai correr perigo!

Realista , Porto | 31/12/10 11:26
Pois para mim sabem o que é verdadeiramente angustiante? É ler estes comentarios que tudo reduzem ao governo de Sócrates. Se Sócrates não tivesse sido eleito não teria havido a crise do sub-prime, a Irlanda continuaria a ser o tigre celta. a Espanha na maior, etc. Soluções simples para grandes problemas. Que Deus abençoe estes comentadores.

antioxidante , | 31/12/10 11:20
O ano que aí vem vai ser de uma complexidade tal que é tempo perdido tentarmos fazer previsões. Estamos perante a mudança de vários paradigmas e isso é suficiente para nos deixar expectantes. Quem tem a responsabilidade de governar tem de estar precavido contra os efeitos dessas mudanças e, simultaneamente, definir caminhos. Por isso será difícil que este governo caia e que haja novas eleições legislativas. A oposição, neste momento, é composta por dirigentes pouco carismáticos e com pouca coragem política para enfrentarem uma situação como a que se avizinha. Possivelmente preferem fazer a vida negra ao governo, tratam da sua vidinha e o país que espere...

Para o : lucklucky , | 31/12/10 04:09 , | 31/12/10 11:19
"Os primeiros passos estão dados e são positivos: as 50 medidas do Governo, viradas para o crescimento e a produtividade, sugerem uma vontade férrea de segurar o barco; e a remodelação do Executivo, hoje incontornável, vai ser o passo seguinte. Haja esperança."

Eis a prova, comprovada, que a propaganda do Sócrates resulta, sempre e mais uma vez!
Cumprimentos e bom ano
jc , porto | 31/12/10 10:36
Caro Daniel Amaral, sou leitor assíduo dos seus artigos à mais de 20 anos, e angustiante é o teor do ser artigo, quando diz :"Os primeiros passos estão dados e são positivos: as 50 medidas do Governo, viradas para o crescimento e a produtividade, sugerem uma vontade férrea de segurar o barco; e a remodelação do Executivo, hoje incontornável, vai ser o passo seguinte. Haja esperança." porque com a sua idade e consequente experiencia já deveria saber à muito tempo, que numa empresa,ou Banco, ou País, quando se enunciam 50 medidas é para não cumprir nenhuma !!! Mais, ficou clarissimo para todos os portugueses que este "pacote" foi mais uma jogada de marketing político para Bruxelas...e foi tambem consequencia de uma viagem a Bruxelas...Caro Daniel não temos idade para ser ingénuos...
ef , | 31/12/10 09:59
As proporções a que estamos a chegar a todos os niveis, não augura nada de bom. Andaram a incentivar os "pobres" a viver como "ricos" a gastar num ano aquilo que leva anos a produzir. Aqueles que sustentaram estas mordomias se não lhes derem lucro, deixam de sustentar, ou seja deixam de emprestar. Quando não houver dinheiro sai tudo para a rua para começar a caçar as bruxas e a pendurá-las nos pelourinhos, e toda a gente sabe onde elas moram.

João , Porto | 31/12/10 04:30
Angustiante, diz Daniel Amaral... O que é angustiante a meu ver é a sabujice socrática deste Daniel Amaral, desta gente dos jornais, da banca, da maçonaria,da "academia"... Todos estes falhados que nos levaram ao buraco em que nos encontramos e que continuam a botar faladura, a dar palpites e a falar d'alto connosco.

Sócrates organizou o saque deste país , | 31/12/10 04:27


Daniel Amaral desilude ao tomar-nos a todos por imbecis. Por que é que esta gente xuxialista insiste no kor.rupto incompetente do Sócrates?

lucklucky , | 31/12/10 04:09
"Os primeiros passos estão dados e são positivos: as 50 medidas do Governo, viradas para o crescimento e a produtividade, sugerem uma vontade férrea de segurar o barco; e a remodelação do Executivo, hoje incontornável, vai ser o passo seguinte. Haja esperança."

Se Daniel Amaral acredita que os leitores são tão estúpidos ao ponto de aceitarem o incrível parágrafo acima então estamos ainda em piores lençóis...
Angustiante deversa, a sabujice socrática de Daniel Amaral... , | 02/01/11 04:54


Quem quer ele enganar?

João Alberto , | 01/01/11 19:07

NÃO ENTENDO FOI SÓ AGORA QUE DEU POR ISTO ?

CO , Lx | 01/01/11 18:11
Daniel Amaral, obrigado pelas palavras de um realismo encorajador. Esperemos que inspirem os cidadãos e demais agentes económicos a um pouco mais de racionalidade na altura de tomar decisões.

Já agora, ao ler alguns dos comentários até se poderia julgar que o defunto BPN era dirigido por Socrates e pelos militantes do PS. Desenganem-se, este "banco" era dirigido por Oliveira e Costa secretario de estado dos assuntos fiscais do Prof. Cavaco, acolitado pela nata do PSD incluindo alguns ministros de Santana Lopes. Os factos podem doer mas são indesmentíveis.

Com tais seguidores o melhor voto que se pode desejar a Passos Coelho para 2011 é que "Deus o livre destes ferverosos adeptos" - em nada se distinguem dos "boys" do PS.

Patriota , Porto | 01/01/11 00:31

O Realista das 11h26 escreve 24h/24, sete dias por semana, sempre, sempre a fazer propaganda do inacreditável incompetente "engenheiro" Sócrates que nos levou à falência.
publicado por ooraculo às 18:37
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Sexta-feira, 17 de Dezembro de 2010

Social hipocrisia

Janeiro de 2010. O Decreto-Lei nº 5/2010, de 15 deste mês, fixava a Retribuição Mínima Mensal Garantida, vulgo salário mínimo, em 475 euros, com efeitos a partir do dia 1. O diploma era omisso em relação a alterações futuras, mas sabia-se que os parceiros sociais tinham igualmente acordado numa retribuição de 500 euros a partir de 2011. Sabe-se agora que, afinal, não é bem assim. O acordo já não vale. Que vale então a palavra dada?

Peguemos nos 475 euros de 2010. É verdade que os preços médios em Portugal são cerca de 16% mais baixos do que os da média da zona euro, pelo que uma comparação que considere a paridade do poder de compra deve "equiparar" aquele valor a 565 euros. Ainda assim, no entanto, o salário mínimo português é o segundo mais baixo daquela zona, tendo atrás de si apenas a Eslováquia. Se estavam a pensar ir por aqui, é melhor desistirem.

Mas há critérios melhores para medir as diferenças. Em Portugal, a relação entre os 20% de rendimentos mais altos e os 20% de rendimentos mais baixos não descola do valor 6, também ele o mais alto da Europa. A média europeia é de 4,8 e nos países nórdicos anda à volta de 3. É imperioso melhorar esta distribuição, e só temos duas formas de o fazer: a via fiscal ou a via salarial. O bom senso, neste caso, manda privilegiar os salários mais baixos.

Sucede que as empresas com assento no órgão que decide esta matéria são pouco sensíveis à razoabilidade destes argumentos. Pelo contrário: elas acham que o quadro se alterou, e que os 500 euros a partir de 2011 poderiam conduzir a situações de falência (!). Fico siderado. O impacto seria de 0,2%, números do Ministério do Trabalho. E estamos a falar de 25 euros por mês, 80 cêntimos por dia. Não haverá um mínimo de noção do ridículo?

O facto é que, a duas semanas do fim do ano, não se vê saída. As empresas fingem-se de mortas, vão dizendo que não há condições, e o novo salário mínimo ameaça ficar como está. O Governo assobia para o lado, como se o assunto não lhe dissesse respeito. E os trabalhadores são reduzidos à condição de fantoches: seres menores que podemos ignorar, criticar, humilhar ou destruir. Chamam a isto concertação social. Eu chamo-lhe social hipocrisia.

Que país é este?

 

SALÁRIO MÍNIMO

Do valor absoluto...

(Portugal)

 ...ao valor relativo

(Eurolândia, Euros)

   

*Estimativa.

No último quinquénio, o salário mínimo nacional cresceu a uma taxa média próxima dos 5%, o que é razoável.
Desse ponto de vista não há nada a opor. Sucede, no entanto, que se partiu de uma base anormalmente baixa,
o que ilude o problema. Fazendo a comparação na zona euro, o nosso salário mínimo é o segundo mais baixo,
logo a seguir à Eslováquia, e não chega a um terço do valor mais alto, que pertence ao Luxemburgo.

Fontes: Governo, Eurostat.

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Daniel Amaral, Economista


 

Comentários

Nuno , | 17/12/10 15:47
Caro Magno,

Nao concordo com a sua analise pois penso que tem pressupostos errados e tem por base a ideia generalizada que so os "trabalhadores" de fato de macaco e que sujam as maos merecem respeito. Acredite que almocos de negocios nao sao sempre ocasioes de festa. De qualquer forma a sua analise de numeros parte do pressuposto errado que o patrao trabalha os mesmos dias por mes (22 no seu exemplo) e as mesmas horas por dia (8 no seu exemplo) que os seus empregados. Acredite que na maior parte dos casos isso nao e verdade e se nao acredita nas minhas palavras incentivo-o a tentar ser patrao e depois falamos quando voce tiver tempo. Deploro o patrao que se passeia de Panamera (ate porque o carro e feio que se farta) enquanto paga miserias aos seus empregados mas deploro ainda mais um pais que tem tanta inercia social, laboral, legal e afim que permite que isso aconteca. E este e o problema que temos de resolver e na minha opniao nao se resolve por decreto mas apenas e so com tempo, muito trabalho, educacao, politicas e leis bem pensadas e bem implementadas. Repare que nao defendo um sistema liberal (so nos livros de economia os recursos se adaptam sem qualquer impacto social) mas legislar para que uns deixem de ser muito pobres e uns muitos ricos e passarem todos a ser mais ou menos pobres / ricos (copo meio cheio ou copo meio vazio a sua escolha) nao nos leva a lado nenhum.

Magno Neiva , Barcelos | 17/12/10 13:02
Façamos as contas simples e duras: salário de 475€ é igual a 21,6€/dia e 2,7€ hora. Qualquer pessoa que ganhe acima dos 1500€ cobre esse valor diário em 2 horas. Qualquer director/gestor/dono de uma PME(grande parte das empresas nacionais, com um salário acima dos 3500-400€) cobre esse valor enquanto vai à casa de banho durante o horário laboral. Por cada ida à casa de banho esse CEO(fiz a conta a 3750€) gasta cerca 5€(15minutos quando o almoço pago pela empresa é faustoso). Se fizesse as necessidades em casa, esses 15 minutos permitiam a 6 funcionários receberem o valor diário de 80cent. para no fim do mês ganharem os tais 5oo€. Agora volto a perguntar. Não é um acto, no mínimo de bom senso aumentar o salário mínimo? É que estou a falar de uma ida à casa de banho! Não estou a falar no almoço que foi coberto como "despesas de representação" e provocou a ida à mesma!! É um acto moralmente obrigatório! Não podemos querer comprar um Panamera para demonstrar ao nossos amigos na hora do almoço e dizermos aos nossos empregados que não dá para aumentar 80cent por dia os seus miseros ordenados! Isso é que é imoral. E como é óbvio, a premissa de que qualquer empresa que não possa pagar o salário minimo tem que fechar, então começavamos pela Sonae, passavamos pela JMartins e acabavamos em todas as outras empresas portuguesas que viram no sal´rio mínimo a solução para obterem lucros que redireccionam para gastos pessoais. Se o salário minimo subir bem, então deixa de haver justificação para não trabalhar, começa a haver justificação para produzir e começa a haver dinheiro para gastar e a economia cresce!

Nuno , | 17/12/10 12:23
Antes de mais, um prazer debater ideias de uma forma educada e infelizmente pouco caracteristica destes foruns onlines. Eu defendo o aumento de todos os salarios e uma distribuicao mais justa mas isso nao funciona por decreto e demora tempo. Tirar dos "ricos" para dar aos pobres nao funciona e fundamentalmente nao nos leva a lado nenhum. Concordo que a educacao nao e uma solucao magica (infelizmente nao existe nehuma solucao magica...) pois demora tempo a produzir resultados e depende muito de apoio e tradicao familiar (temos hoje taxas de alfabetizacao e acesso a niveis superiores de ensino que os paises nordicos tinham na decada de 60! Nao nos podemos comparar com eles). No entanto, impor apenas salarios mais altos para as pessoas com menos formacao (ou mais azares na vida) tambem nao e uma solucao magica para resolver os nossos probelmas. Acho que empresas que argumentam que nao podem pagar mais de 500 Euros nao tem direito ou necessidade de existir mas acredito que em parte dos casos isso seja de facto verdade: os nossos niveis de produtividade sao muito baixos e isso e o que tem de ser corrigido para assim permitir a existencia de salarios mais elevados (nao e por decreto que vamos la). Acho inqualificavel que tao elevada percentagem de pessoas veja o seu trabalho retribuido apenas com salario minimo mas acredito que em parte isso se deve a inercia do mercado de trabalho e de outros elementos da sociedade portuguesa: isso e que tem de ser corrigido e nao apostar numa solucao a la Robin Wood. Em relacao ao acesso a educacao defendo como solucao as medidas que estao a ser implementadas no Reino Unido. Todas as pessoas (incluindo trabalhadores em part time) podem ter acesso a educacao superior e, se tiverem sucesso na vida e conseguirem ter bons salarios deverao entao pagar de volta parte dos custos que a sociedade teve com a sua formacao. Nao podemos esperar que o Estado (ou os ricos) paguem tudo o que pensamos ter (ou temos mesmo) direito pois a estrutura social e demografica das nossas sociedades actuais ja nao o permitem. Finalmente temos tambem de apagar de vez da nossa mentalidade que apenas deve ser considerado um trabalhador aqueles que envolvem esforco fisico na sua actividade. Trabalhar 10 horas por dia em frente de um computador acrescenta valor para a sociedade e nao e nada facil. Precisamos tambem de mais empreendedores e de mais flexibilidade social e economica para puxar a economia para a frente.

Um abraco

João Guimarães , | 17/12/10 12:19

Daniel Amaral, embaraçado com a total falência da governação de seis anos do PS sucateiro de Sócrates, vem agora falar-nos do sexo dos anjos.

Parabéns, "engenheiro" Sócrates e sr. Teixeira "Errata" dos Santos , 700 000 desempregados e 700 000 Portugueses que tiveram de emigrar nos últimos anos | 17/12/10 12:18

"Construção: Queda de 6,6% na produção em Outubro em Portugal foi a maior
da UE -- Eurostat"

"314 000 jovens Portugueses não trabalham nem estudam -- INE"

etc, etc, etc
Anti-Malandro , Coimbra | 17/12/10 11:57
É impressionante a maneira populista de se apresentarem dados que ou são mal analisados ou então existe falta de informação. O salário mínimo aumentando para 500€ não representa um aumento em média de 0,2% para as empresas, a este aumento temos que juntar o efeito desse aumento nas contribuições para a segurança social que se situa à volta dos 24% pagos pelo empregador. Quer queiram quer não vai haver muitas empresas que não vão conseguir suportar este aumento, fora os outros muitos aumentos (principalmente o da conta de electricidade). E haja um pouco de bom senso, então quer dizer, o Estado pode reduzir salários, mas depois fala em aumentos do salário minimo. Eu partilho totalmente da opinião do senhor/a que escreveu o comentario "Mais justiça social e menos hipocrisia...".
Magno Neiva , Barcelos | 17/12/10 11:52
Para o Nuno: Caro Nuno, gostaria que me explicasse como, havendo uma desigualdade social tão grande como a que há em Portugal. Onde não existe verdadeiramente uma classe média-média (sim, podemos dividir em classe média-baixa, classe média-média ou simples classe média e uma classe média-alta). Onde o incentivo ao trabalho é baseado num salário de 475€. Queria que me disse-se como é possivel estudar e investir na formação? É muito bonito falar que a educação é a solução, mas para a educação ser a solução é complicado obtermos o apoio familiar quando o nosso pai recebe 475€. Mais dificil é nós trabalharmos para pagar os estudos com salários de part-time de 237,5€. É essencial o salário mínimo aumentar anualmente independentemente das situações que o país vive. Só assim existe impulso para o trabalho. Defendo o nivelamento dos salários. Defendo o aumento dos salários mais baixos, o congelamento dos salários intermédios e a redução dos salários altos. Só assim podemos evoluir para um mercado competitivo. Como é óbvio, por muito competente que seja alguém numa profissão, esta nunca poderá receber 10-15-20 vezes mais do que os seus inferiores hierárquicos pois o dia tem 24 horas e no fim do dia, por muito boa que seja a pessao não faz o trabalho de 20 pessoas, portanto precisa delas. Se precisa delas também tem que as motivar. Se pagar 80cent por dia para as motivar é muito, então a solução é voltar a comprar barcos de madeira para ir buscar mão de obra escrava. É imprescindivel não esquecer ainda, que os trabalhadores por todo o lado cederam bastante para que a crise não seja tão forte enquanto os patrões não conseguiram manter uma simples promessa, O que se trata aqui é simplesmente uma tentativa de mostrar quem tem a força. Infelizmente a força moral é dos trabalhadores que vão admitir não ganhar 500€ para salvaguardar as suas familias. A força económica e tiránica é dos patrões que poderão manter o mesmo nível de vida e "educar" os seus filhos à custa do trabalho dos outros. Talvez um dia, quem recebe 475€ decida-se por ficar em casa em conjunto uma semana. Certamente, na semana a seguir o patrão estará falido ou quase, e não se importará de pagar 500€ a um otsourching com esses mesmos trabalhadores! À que moralizar os salários para moralizar a economia!

Norberto de Serpa , Lisboa | 17/12/10 11:51
Passo a citar o que o Conselho da Europa concluiu hoje sobre o ordenado mínimo português, aliás, idêntico ao espanhol: "Le Comité conclut que la situation du Portugal n’est pas conforme à l’article 4§1 de la Charte révisée, au motif que le montant du salaire minimum est manifestement inéquitable."

Mais Justiça Social - e menos hipocrisis - significa acabar com o Salário Mínimo Nacional , | 17/12/10 11:36
- Faz sentido falar em Retribuição Mínima Mensal Garantida?
Não! O espaço económico "nacional" de referência não é homogéneo - há grandes assimetrias e disparidades na produção de riqueza e distribuição de rendimentos de região para região e entre diferentes sectores de actividade. Logo, fixar dado valor mínimo salarial terá sempre um impacto diferenciado, estejamos a falar de operários fabris de uma empresa têxtil no norte, assalariados de uma exploração agrícola no interior ou de balconista no comércio/serviços de uma cadeia multinacional de um centro comercial na cidade. Da igual forma, o nível salarial médio praticado em Lisboa não é comparável para a generalidade de actividades ao praticado no resto do país (p ex Portalegre).
- Ora, onde é que encontramos mais desemprego, menos oportunidades de trabalho e criação de riqueza, e menor capacidade em fixar população (em particular jovens e quadros qualificados)? É precisamente nas regiões - e sectores de actividade - onde o aumento da massa salarial terá maior repercussão no desemprego e na degradação do já debilitado tecido económico (e com taxas de desemprego tão elevadas há que proteger o capital e o trabalho e apoiar a criação - e manutenção - de riqueza, empresas e empregos)! Então, em nome da justiça social, da craição de riqueza e da coesão nacional, como proceder?

1. Acabar com a fixação obrigatória da Retribuição Mínima Mensal Garantida para a actividade económica (A publicação de dado valor mínimo de remuneração passaria a servir exclusivamente como valor de referência para as políticas de solidariedade e coesão social - nos apoios, transferências, compensações e estímulos a prestar aos trabalhadores, empresas e sectores de actividade mais desfavorecidos, mas geradores líquidos de riqueza e trabalho).

2. Reorganizar as relações laborais em função da ratio da distribuição de retribuições/massa salarial nas empresas (ex. legislar no sentido de haver maior liberdade - flexibilidade - na fixação dos salários/retribuições nas empresas, desde que a diferença (ratio) entre os salários/retribuições de quem mais ganha (incluíndo "ajudas de custo" e "prémios" individuais!) não exceda em x vezes a remuneração mínima praticada).

3. Estimular a poupança e reinvestimento de capitais. (i e, legislar no sentido de uma parte dos resultados líquidos das empresas serem obrigatoriamente reinvestido: p ex. na produção e/ou diversificação da actividade; internacionalização; investigação, formação e desenvolvimento; compra de activos e criação de fundos de investimento e poupança; etc - no espécie de «Reinvestimento Mínimo Empresarial Garantido»!

Realista , Porto | 17/12/10 11:11
Estou 100% de acordo com o autor. Às vezes dou comigo a pensar que nós não temos salários baixos porque somos um país pobre, somos um país pobre porque pagamos salários de miséria. Verdadeiramente o nosso mercado interno, em termos de consumidores, de aforradores, de investidores não vai além de 6 ou 7 milhoes de habitantes. É um ciclo vicioso que é necessario quebrar.

Nuno , | 17/12/10 09:37
Um mau artigo na minha perspectiva. A desigualdade na distribuicao de rendimentos e de facto chocante em Portugal mas nao concordo nem com o diagnostico ou com as comparacoes feitas (que me parecem incompletas) nem com as medidas apresentadas pelo cronista que me parecem um pouco ultrapassadas no tempo e que se resumem ao tipico os "ricos que paguem a crise" e "os patroes sao todos uns malandros". Nao e redistribuindo um valor pequeno que nos permite a todos ficar melhor mas sim criando condicoes para o desenvolvimento da economia e de um mercado de trabalho que funcione (que nao e o caso em Portugal). Fico siderado que um economista de formacao se foque em medidas popularistas que nao resolvem os nossos problemas de competitividade e que apenas se destinam a nivelar por baixo os niveis salariais (em termos de PIB per capita estamos ao nivel de Malta, Estonia e afins e em cerca de 60% do dos paises Nordicos e este o problema que temos de reolver). Quando e que nos vemos livres desta especie de psique nacional contra as pessoas que conseguem, por vezes por sorte mas muitas vezes tendo por base uma receita que geralmente funciona: estudar, estudar, estudar, trabalhar, trabalhar e trabalhar. Um mercado onde prolifera a desigualdade como e o caso do mercado de trabalho em Portugal reflecte fundamentalmente o facto de a formacao (academica ou outra) ser ela tambem desigual (o que nao acontece nos paises nordicos) e esse o problema que temos de atacar e nao a tontaria dos "ricos" e que sao maus...

LOPES CARLOS , Bruxelas | 17/12/10 07:18
1. Um bom Artigo como sempre . Parabens ao Autor.
2. Após uma década com um crescimento médio anual anémico e na expectativa duma nova década com um fraco crescimento anual potencial , é evidente que as nossas condições economicas, financeiras e sociais se vão degradando e se vai alargando o fosso que nos separa dos outros Estados da UE.
3. Certos "preambulos", certas "medidas fracturantes" ( com pequenissimo valor estatistico) , certos pacotes de medidas avulsas não disfarçam a realidade quotidiana.
4. Apesar do ambiente geral, ainda acredito que se possa negociar uma solução que permita atingir os 500 euros mensais no 2° Semestre de 2010.
Os Trabalhadores têm de ter um minimo de Direitos , de Dignidade e de ESperança num Futuro com mais Coesão Social e até mais Fraternidade.

publicado por ooraculo às 18:08
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Sexta-feira, 10 de Dezembro de 2010

O grande desafio

Quando o orçamento para 2011 foi aprovado na generalidade, abrindo as portas a um entendimento entre o PS e o PSD, escrevi nesta coluna que ele envolvia três grandes riscos: o risco de uma entrada em recessão, que só o Governo não queria ver; o risco de incumprimento do défice, associado a este recuo da economia; e o risco de colapso do Serviço Nacional de Saúde, devido aos cortes impiedosos a que fora sujeito. A perspectiva mantém-se.

Foi pois sem surpresa que li o último relatório da Comissão Europeia sobre Portugal. O Governo acredita que o PIB vai crescer 0,2%, a Comissão acha que vai decrescer 1%. E enquanto o nosso deflator é de 1,7%, o dela é de apenas 1,3%. A diferença está num duplo agravamento do défice: em termos absolutos, porque a receita é menor; e em termos relativos, porque compara com um PIB mais baixo. Estou solidário com os números da Comissão.

Acresce que também os juros implícitos deverão ser corrigidos. Nos últimos tempos, as obrigações do Tesouro a 10 anos foram emitidas a uma taxa próxima dos 4%, que compara com os 7% recentemente exigidos. Dependendo dos mercados e da maturidade das dívidas, creio ser prudente interiorizar que a média vai subir. E com isso gerar uma espécie de círculo vicioso: sobem os juros, que acrescem às dívidas, que fazem subir os juros ainda mais.

É à luz deste quadro que a Comissão Europeia diz o óbvio: para cumprir o défice de 4,6% do PIB em 2011 o Governo vai ter de recorrer a medidas adicionais. E o pânico instalou-se. Que medidas? Aumentamos ainda mais os impostos? Reduzimos ainda mais os salários e as pensões? Seria apostar na ruptura, porque ninguém em Portugal compreenderia. O Governo vai ter de pegar na despesa e fixar um objectivo único: cortar, cortar, cortar.

Tudo isto acontece numa fase particularmente difícil. Há ministros que já não falam com os secretários de Estado. Ministros que falam e são desmentidos logo a seguir. E ministros que perderam por completo o controlo da situação. Resta-nos o guardião do templo, um ministro excelente, que chegou a parecer esgotado e hoje volta a dar mostras de estar politicamente renascido: Teixeira dos Santos. Não sei se chega. O risco de incumprimento é enorme.

Estamos preparados?

 

DESEQUILÍBRIOS

Défices excessivos...

(Saldo orçamental, % do PIB)

 ...dívidas crescentes

(Dívida pública, % do PIB)

   

 

Os desequilíbrios orçamentais não são um problema exclusivamente português, e muito menos europeu. São um problema das economias ditas avançadas, com destaque para os Estados Unidos e o Japão. Mas isso não deve servir-nos de desculpa à inércia. Os limites definidos aquando da entrada no euro - 3% para o défice e 60% para a dívida - deveriam ser respeitados e não estão a sê-lo. Estamos todos a pagar por isso.

Fonte: Comissão Europeia.
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Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt


Comentários

LOPES CARLOS , Bruxelas | 10/12/10 13:51
1. O desafio luso tem de ser visto no contexto duma zona euro com alguns casos de finanças publicas em situações menos positivas e revelando desiquilibrios entre as economias.
2. O proprio BCE aponta fragilidades no sector bancario da zona do euro, dadas as necessidades de refinanciamento. Fazer previsões mesmo a 2 semanas vai ser dificil, segundo alguns.

Realista , Porto | 10/12/10 13:12
Artigo pacífico. Toda a gente de bom senso está de acordo. Mas qual é a saída afinal? As medidas de cortes cegos do FMI/FEEF tambem não levam a lado nenhum. Alguem acredita que é a flexibilidade da legislação laboral que vai resilver o problema? Na Grecia estas medidas não têm resultado. Na Hungria o governo resolveu prescindir do FMI. Embora com culpas proprias, nós estamos a ser vítimas da crise financeira mundial. Agora a Moody's está a preparar-se para fazer um down-grading dos bancos portugueses. Ora os bancos portugueses foram dos poucos que não alinharam no negocio de activos tóxicos nem em bolhas imobiliarias. Os bancos europeus estão inflaccionados (vejam o caso dos bancos irlandeses) e os portugueses não. O preço das casas na Irlanda, em Espanha, no UK, não tem sustentação. Então as famílias não têm a riqueza que pensam ter e os bancos que fizeram hipotecas não têm o equilibrio que os balanços querem demonstrar. Em Portugal têm. Porquê esta perseguição aos bancos portugueses? Eu vou dar a explicaçãp. PORQUE NESTA CORRENTE ESPECULATIVA AO EURO PORTUGAL È AGORA O ELO MAIS FRACO. Não o que estÁ PIOR MAS O QUE É MAIS FRAGIL.
LOPES CARLOS , Bruxelas | 10/12/10 12:21
Esta manhã enviei um curto comentário sobre este excelente artigo do Sr. Dr. Daniel Amaral, um dos melhores dos vossos Colaboradores.. Ele esteve on line algumas horas. Um amigo meu informou-me que ele tinha sido retirado. Porque motivo ??? O que se passa ???

Teixeira "Errata" dos Santos , o moço de fretes do "engenheiro" Sócrates | 10/12/10 12:10


"Um ministro excelente", diz Daniel Amaral...

Isto diz tudo sobre o polvo que a todos os níveis impede a democracia de funcionar em Portugal.





publicado por ooraculo às 18:26
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Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2010

Teste ao crescimento

É verdade que o OE-2011, de uma violência desconhecida, não abre a porta nem a uma pontinha de esperança. E, desse ponto de vista, é um orçamento mau. Mesmo que seja o possível. Mas já não há pachorra para a quantidade de sábios que vêm agora dizer que há muito vinham a apontar soluções e ninguém os ouviu. Eles avisaram! Eles disseram! E que poção milagrosa era essa? Adivinhem: o crescimento económico. Pois. E qual o caminho para lá chegar?

Falemos então de crescimento. De acordo com o FMI, a economia mundial deverá crescer este ano 4,8%, média ponderada das economias avançadas (2,7%) e das emergentes (7,1%). Mas a evolução das primeiras é desequilibrada: crescem razoavelmente os EUA (2,6%) e o Japão (2,8%); cresce muito pouco a Eurolândia (1,7%); e cresce ainda menos Portugal (1,2%). Resumindo: nós somos o mais pobre dos ricos. Antes fossemos o mais rico dos pobres...

Estes números são do domínio público. Mas, muito mais do que os números, é importante responder a esta pergunta: porquê? Porque investimos pouco e mal. E a produtividade sofre com isso. Imaginem um professor e um cábula fazendo contas, o primeiro sem apoio e o segundo munido de calculadora: o cábula vence o professor. Não é o trabalhador que não presta. Ele simplesmente não dispõe da melhor "calculadora"para trabalhar.

A julgar pela forma como o orçamento foi concebido, parece claro que a procura interna vai degradar-se, contribuindo negativamente para o crescimento do produto. Daí que a grande aposta esteja agora nas exportações. Não tenho nada contra, mas gostaria de fazer dois reparos: o bom andamento recente é ilusório, porque parte de uma base muito baixa; e, no valor líquido, que é o mais importante, não se notam melhorias significativas.

Seja como for, e pelo menos nos tempos mais próximos, não vejo saída para o crescimento económico que não passe pela procura externa. E, para isso, temos de procurar as medidas mais adequadas para o conseguir. Selecciono três: a desvalorização da moeda, que pressupõe a saída do euro; a redução do custo fiscal aos exportadores, que agrava o défice orçamental; e o já tradicional corte nos salários, que transfere o odioso para os trabalhadores.

Querem fazer o favor de escolher?

 

ECONOMIA SOFRE

Produzir de menos...

(PIB, 2004=100)

 ...endividar de mais

(Comércio externo, % do PIB)

   

Os EUA crescem menos do que a média mundial, a Europa menos do que os EUA e Portugal menos do que a Europa: somos os mais pobres dos ricos e ninguém percebe porquê. Num outro plano, exportamos um terço do que produzimos, importamos dois quintos desse produto e vivemos alegremente acumulando défices: somos uns viciados em endividamento. Agora dizem-nos que está tudo errado. Economia sofre...

Fontes: FMI, Banco de Portugal.

____

Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt


Comentários

Realista , Porto | 03/12/10 13:22
Acho o último parágrafo muito.... teatral e muito....trágico. Apetece-me acrescentar mais uma alternativa às 3 que o autor apresenta: deitar ao mar os neoliberais portugueses. Mas, vendo bem, esta tambem não é uma alternativa muito válida: o país ficava practicamente deserto, já que "eles" estão em maioria. Num país pequeno e sem grande cultura de empreendedorismo, o desenvolvimento económico tem sempre que passar pelo estado. E não tem que ser forçosamente incompatível com a redução do defice: recorram às ppp ou a concessões directas. Eu tambem costumo ler com atenção os comentários de <Lopes Carlos>, até porque vêm de Bruxelas e, nos tempos que correm, tudo que vem de Bruxelas é sagrado. Diz ele (mais uma vez) que temos que fazer as "reformas necessarias". Eu já ouvi isto mil vezes. Por favor esclareça-me uma coisa: que reformas? A privatização da saúde e do ensino? E isso leva ao crescimento? Mesmo que passe a ficar mais dinheiro na mão dos privados isso leva ao crescimento? São os privados que vão fazer o aeroporto? E, por amos de Deus, o aeroporto é necessario, já devia ter sido construido ha muitos anos. O mesmo para o TGV. Toda a Europa tem TGV. Querem perder o apoio a fundo perdido da UE (varias centenas de milhºoes)? Querem perder o financiamento em condições vantajosas do BEI? Meu Deua dai luz a quem a não tem!

Como fazer: FMI combinado com Bruxelas, ou, um Ditador à moda de Roma Antiga! , | 03/12/10 12:31
- Caro D. Amaral, e, como fazer isso que propõe?
Na Roma Antiga, em tempos de emergência (derrotas militares, revoltas, fome, calamidades) o Consul indicava o «ditador» que após a aprovação do Senado, era então investido de poderes absolutos, por um período de tempo limitado (o tempo necessário para se por em marcha as medidas estruturais que todos reclamam, mas, por impopulares, ninguém deseja assumir e menos cumprir!)
No actual quadro político não se vislumbram soluções. Por uma razão obvia, a actual democracia é a reprodução tardia de um modelo político "novecentista" - o Parlamento é representado por partido, os partidos opõem ideologias, as ideologias confrontam classes, o confronto de classes é útil em tempos de prosperidade e de redistribuição de riqueza - corrói o Estado em tempos de calamidade, empobrecimento e desunião! A forma de democracia mais perfeita seria aquela a que à face da ameaça (défice, endividamento, desemprego, empobrecimento, falência, perda de soberania) se opõe o rosto de quem governa - e o corpo coeso de quem é governado! É hora de avançarmos da actual farsa políticopartidária para a eleição «face-a-face», de quem é do comum-cidadão representativo e por esta mole responde aos seus anseios e debilidades.
«Face-aface», no médio/longo-prazo significa: 1. Criação de «circulos eleitorais regionais e uninominais» (qq cidadão, c/ escolaridade mínima, s/ cadatro criminal e xxxx assinaturas, c/ ou s/ apoio de associações políticas, poder ser candidato e eleito). 2. O debate sobre as «Regiões» - e os problemas reais das populações - ser efectivamente debatido no parlamento. 3. O Chefe de Governo (e a equipa ministerial) ser eleito por voto directo e universal (à semelhança do PR). 4. Programa eleitoral conter metas e objectivos devidamente definidos - e o não cumprimento significar a impossibilidade de recandidatura, segundo veto PR e ratificação Judicial (Tribunais de Contas e Constitucional). 5. Abertura de 2ª câmara - c/poderes consultivos, por forma a melhor serem auscultados os movimentos e associações políticas e civis). 6. PR com tutoria sobre forças armadas, políciais e serviços autónomos de informação e estatística do Estado; 7. Trinvirato: combinação dos poderes do PR (veto, dissolutivo); Governo (executivo, iniciativa legislativa); Senado/Parlamento (voto, proposta legislativa).
No palno imediato, o próximo PR eleito deve: A) propor um Governo de «Unidade Nacional». B) Frustado A. Reunir-se com as Forças Armadas e Policiais. Dissolver a Assembeleia da República. Nomear um «Ditador», não eleito», por um período limitado. Reunir um grupo de Constitucionalistas e avançar para a "idealização" de um modelo de democracia «face-a-face», como acima

Eduardo , Faro | 03/12/10 10:34
Bravo!!!!!!!

zedosbois , lx | 03/12/10 10:32
DEVEMOS é produzir bens mais complexos que se consigam vender mais caro, como fazem os alemães.
Hoje vendemos X a 100 com 80 de custo de produção, bx produtividade

Se amanha se conseguir vender XXX (bem muito mais complexo) por 400 e os custos subirem para 200 então aumentamos a produtividade certo... e podemos pagar salários mais elevados...

Como se faz? Falar com os clientes, observá-los... dar mais do que querem

Partidocracia , Porque não cresce? | 03/12/10 09:58
A economia cresce pouco por causa de 2 coisas: (1) excessivo peso do estado na economia; (2) péssima qualidade da governação, a todos os níveis. A solução, a longo prazo, passa por arranjar melhores governantes - que é o mesmo que dizer: mudar o sistema eleitoral de modo a que os deputados deixem de ser escolhidos pelas partidárias. Só com uma mudança qualitativa dessa natureza os melhores da nossa sociedade se sentirão atraídos para a governação sem serem anatemizados por passarem para o "outro lado".

LOPES CARLOS , Bruxelas | 03/12/10 07:44
1. Não vale a pena fazer chover no molhado.
2. Ou se fazem as reformas estruturais inadiaveis ou não se fazem.
3. Se nada se fizer, o REAJUSTAMENTO será feito via DESEMPREGO.
4. Os Portugueses devem ser convidados a DECIDIR que MODELO/VIA querem. Mas devem decidir após terem a informação veridica sobre a REAL situação economica e financeira do País.
5. Temos mesmo de mudar de vida ou de paradigma ou lá como lhe queiram chamar.

miguel , | 03/12/10 04:00
"Antes fossemos o mais rico dos pobres..." Esta afirmação não foi feliz. Se a ideia era dizer que gostaria de estar do lado dos países emergentes, com um crescimento superior a 7.1%, então a ideia não é, outra vez, feliz.

Tem perfeito conhecimento que é muito giro ter um crescimento robusto, mas isso não significa nada se a riqueza per capita for praticamente nula. Apesar de tudo, e por muito que argumentasse, é preferível crescer pouco, não crescer ou até decrescer (com todas as consequências negativas que daí advêm) a ter um PIB/per capita de um país desenvolvido (mesmo que seja um pobre país desenvolvido).

Se o austeridade não pode ser um fim a atingir, o crescimento económico, por si só também não. Se discordar desta afirmação, está implicitamente a concordar, que preferiría a riqueza per capita de um país como o brasil ou india ou até china.
publicado por ooraculo às 18:21
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