Sexta-feira, 28 de Janeiro de 2011

O passo seguinte

Admitamos que Portugal vai seguir o modelo irlandês. Sócrates continuará a dizer que está tudo bem, não precisamos de ajuda, o FMI pode esperar. E um dia destes, pela tardinha, as agências noticiosas dirão o óbvio: a ajuda já foi pedida. Se for coerente, o primeiro-ministro demite-se; se insistir na teimosia, será primeiro vexado e a seguir demitido. Em qualquer dos cenários, o FMI terá aterrado na Portela. Pergunta que todos fazem: e depois?

Se dispuséssemos de moeda própria, seria tudo muito simples. Faríamos desvalorizações sucessivas, e o efeito conjugado da ilusão monetária com o encarecimento das importações levaria ao ajustamento pretendido. Mas a nossa moeda é o euro. E o ajustamento terá de realizar-se de outra forma. Alvos principais: a dívida pública, interna e externa; e a dívida externa, pública e privada. Ambas vão ser cilindradas até ao limite.

A dívida pública ronda os €140 mil milhões, 83% do PIB, dos quais cerca de dois terços vieram do estrangeiro. E só há duas maneiras de a controlar: aumentando as receitas ou diminuindo as despesas. A obsessão vai ser tudo o que seja supérfluo. Mas isto não chega, dado o peso que têm no orçamento os salários e outras prestações sociais. Preparem-se para o pior: mais aumentos de impostos e cortes acrescidos nos salários e nas pensões.

A dívida externa atinge os €190 mil milhões, dividida pelos sectores público e privado em partes sensivelmente iguais. E a sua redução passa por uma aposta forte nas exportações, que dependem dos custos de fabrico. Formas de os reduzir: reorganizações internas, que cheiram a música celestial; benefícios fiscais, que colidem com o orçamento; e cortes nos salários, que toda a gente rejeita. Na hora da verdade, vamos sacrificar os salários.

Enquanto isto, que perspectivas para a economia global? O cenário descrito aponta para dois movimentos de sinal contrário: um, recessivo, ligado à contracção da procura interna; o outro, expansionista, ligado ao dinamismo das exportações. O saldo final deverá ser positivo - com o nível de vida no fundo do poço. Moral da história: o FMI nem precisa de vir, porque já cá está. Veio no dia em que o Governo e o PSD aprovaram o Orçamento-2011.

E veio para ficar.

 

DÍVIDAS SIAMESAS

A primeira mata...

(Dívida pública, % do PIB)

 ...a segunda esfola

(Dívida externa, % do PIB)


A dívida pública é hoje da ordem dos €140 mil milhões, 83% do PIB, dos quais mais de dois terços são dívida externa. E a dívida externa total, da ordem dos 113% do PIB, andará próxima dos €190 mil milhões, desdobrada em partes sensivelmente iguais entre pública e privada. São valores incomportáveis, que precisam de ser corrigidos, e a sua correcção vai implicar enormíssimos sacrifícios sociais. O FMI dá uma ajuda...

Fonte: Banco de Portugal.
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Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt


Comentários

Para Tristão Vaz , | 28/01/11 16:54
O Sr. começa o seu comentário por dizer que não é de boa ética comentar um comentário, mas depois permite-se a aleivosia de comentar um comentário de outra pessoa. Julga-se um Ser Superior? Ainda por cima faz um comentário de uma pobreza intelectual insuperável, além de extremamente preconceituoso.
Meu caro, os analfabetos jamais poderiam comentar neste site porque não sabem ler nem escrever, mas há aí muito doutorado em Economia a comentar com menos inteligência e cultura que muitos analfabetos deste país.

Tristão Vaz , Cotovia - Sesimbra | 28/01/11 14:45
Aqui, o comentador Viriato, diz: ..."eu ão escreveria melhor, porque me faltam os termos..." Não é de boa ética comentar um comentário. Todavia, já será de boa ética aperfeiçoar ou contribuir para aperfeiçoar ou rectificar as diletâncias. Pois bem, o amigo Viriato é economista? Se sim, já não está quem falou. Se não, então, com o seu discurso, não se faça nivelar (desde um ponto de vista técnico, de conhecimentos, de experiência,de habilitação literária, em suma: de competência), com o Economista Daniel Amaral. Em matéria especializada, só deveriam comentar pessoas com título bastante, ou seja, que fossem também minimamente especializadas. O que acontece, é que, no nosso país, todos são engenheiros, médicos, advogados, arquitectos, enfermeiros, professores. técnicos de contas, etc...mesmo que só tenham a quarta classe, ou até, sendo analfabetos.

700 000 desempregados e 700 000 Portugueses forçados a emigrar só nos últimos anos , | 28/01/11 14:40
Mas entretanto o ruinoso TGV espanholito e sucateiro "de las castañuelas" vai para a frente clandestinamente, sem visto do Tribunal de Contas e à revelia da vontade dos Portugueses.
Sócrates fede.

jose , fx | 28/01/11 12:19
Ao suspender o mandato, António Capucho manterá algumas das regalias de que dispunha enquanto presidente da autarquia.O Jose Manuel Coelho vai dar cabo dos gatunos e ladrões deste país! Varas, Penedos, Dias Loureiro, Oliveira e Costa, Alberto João, Almeida Santos, Angelo Correia, Marques Mendes, Passos Coelho, Lellos, Vieira da Silva, Luis Amado, Jorge Coelho , Carrilhos, Portas, Ferreira do Amaral etc etc

Francfer , | 28/01/11 11:58
Ò América #, se a estupidez pagasse imposto eras as <falecidas Torres gemeas...

Realista , Porto | 28/01/11 11:20
Desta vez não gosto do artigo. Repete ideias antigas - chover no molhado - sem apontar saídas ou ideias novas. Por exemplo. 1- Claro que Portugal vai precisar de ajuda. Mas não nos moldes dos bail-outs à Grecia e à Irlanda. Hoje já é quase consensual na UE que essa não é a solução. Nem a Grecia e a Irlanda melhoraram nem o contagio na zona euro terminou. Começam a fazer caminho a ideia dos euro-bonds e do aumento e flexibilização do FEEF. Portugal tem que aguentar mais uns meses e esperar por novas oportunidades. 2- Claro que os PEC e o OE 2011 visam atacar apenas o aspecto financeiro. E nós precisamos (sobretudo) de resolver o problema económico, do crescimento e do defice comercial. E é aqui que eu gostava de ver o autor opinar. Eis alguns exemplos. 21- Toda a gente fala no aumento das exportações. E a substituição (redução) das importações? 2/3 do peixe que consumimos é importado. Com a costa que temos. Isto não é uma vergonha? Temos que olhar de novo para a agricultura. Antigamente dava-se como desculpa o terreno e o parcelamentio da propriedade. Hoje isso não é obstaculo. Temos que recuperar a ferrovia, para evitar o petroleo, etc. 22- Toda a gente fala na produção de bens transaccionaveis e exportaveis. Eu penso que para crescer temos sobretudo que reduzir o imenso desemprego, ainda que seja com texteis e calçado ou com TGVs e aeroportos. 23Os neolibs passam a vida a proclamar que quem cria riqueza são as empresas. Isso é válido para os EUA, país com 320 milhoes de pessoas e uma forte tradição de empreendedorismo. Aqui o Estado tem que ir à frente. E não ha aqui qq incompatibilidade com o controle do defice. Recorram a parcerias ou aos privados, mas com contratos bem estudados. PRECISAMOS DE IDEIAS NOVAS.

LOPES CARLOS , Bélgica | 28/01/11 08:00
1. Artigo interessante e corajoso dum HOMEM LUCIDO E SÉRIO.
2. O caminho está traçado desde 2/2/2006. E TODOS sabiam , porque todos estiveram lá.
3. O custo diário dos juros vencidos e o valor médio semanal dos novos empréstimos ( em português técnico : novas vendas de divida) é cada vêz mais dificil de suportar num quadro nacional de fraco crescimento do PIB e de evidente diminuição dos rendimentos disponiveis.
4. Acresce que a profunda diferença de rendimentos per capita entre os mais ricos e os mais pobres não só é socialmente injusta como também é fonte de quebra do crescimento economico. O mesmo se passa noutros Estados, como a França. O novo paradigma também passará por aqui.
5. O muro aproxima-se . Quero ver as doutas explicações adiantadas dentro de algum tempo pelos "optimistas" , pelos "homens de sucesso" e pelos adeptos do "PORTUGALSEMPREEMFESTA".

Viriato , | 28/01/11 07:39
Este Daniel Amaral não há dúvidas que é um homem esclarecido e acima de tudo consegue explanar bem as ideias. Bem haja. Eu não diria melhor, pois por vezes faltam-me os termos e palavras certas.

"Ai, eu quero, eu quero, eu quero um TGV espanholito "de las castañuelas" a 5 biliões de euros" , ("engenheiro" da treta Sócrates) | 28/01/11 02:57
Mas entretanto, no contrato sucateiro do TGV espanholito ninguém toca.
Dessa "obra" que avança clandestinamente, ninguém fala.
Pu.lhas socráticos.
País acabado.

 
publicado por ooraculo às 18:28
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Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2011

A solução

O Governo embandeirou em arco com um suposto ganho de €800 milhões no OE-2010: o défice teria caído 0,5 pontos para os 6,8% do PIB. Mas esqueceu-se dos €2,8 mil milhões da PT: sem eles, o défice subiria para os 8,5%. Espanta-me que os analistas de Economia falem tão pouco sobre isto. Absorver um fundo de pensões significa receber hoje o que depois se paga com juros aos pensionistas: uma dívida como qualquer outra. Não estão preocupados?

Somos um país muito estranho. Temos uma dívida soberana da ordem dos €140 mil milhões, dos quais 20-25% se vencem até Abril, mas ficamos todos contentes porque colocámos mais mil milhões. Há muita gente que ainda não percebeu. Nós não estamos a amortizar nada. Estamos a endividar-nos todos os dias; e estamos a substituir dívidas por outras dívidas com juros mais altos. À nossa frente está uma parede de granito onde vamos bater.

Se não quisermos enterrar a cabeça na areia, concluiremos sem esforço que os mercados da dívida se desdobraram em dois: os que nos ignoram, porque não querem chatices, e os que ainda admitem financiar-nos, mas a taxas de juro que são verdadeiras extorsões. E, a um prazo curto, não vai restar-nos alternativa que não seja bater à porta do único financiador disponível a taxas razoáveis: o fundo de estabilidade europeu. A factura vem a seguir.

Com o país a arder, é no mínimo surpreendente que sejam portugueses a atirar mais achas para a fogueira. Cavaco Silva, lá do alto do seu poder institucional, não se eximiu a lembrar aos mercados que, se houver derrapagens, é porque o Governo falhou. Lindo! E Passos Coelho foi logo a seguir confortá-lo: falhando o Governo, e a haver necessidade de ajuda, ele está ali para ajudar. Fantástico! Com amigos destes, quem precisa de inimigos?

O enquadramento futuro parece definido. Depois de amanhã, o actual PR vai ser reeleito. Como o Governo "falhou", o melhor é dissolver o Parlamento, antecipar eleições e substituí-lo por outro. E, para "ajudar", nada melhor do que um governo que não governa, de preferência apoiado pelo PSD e pelo CDS. O verdadeiro governo vem a seguir, pertence ao universo dos deuses e traz consigo a solução: chama-se Fundo Monetário Internacional.

É o fundo do poço.

 

NAS MÃOS DO FMI

Cai a economia...

PIB, variação (%)

...dispara a dívida

Dívida pública, (% PIB)

   

 

 

Portugal, Grécia e Irlanda revelam percursos semelhantes: quedas abruptas no produto no biénio 2008-09 e recuperações fraquíssimas nos anos seguintes, arrastando na onda dívidas públicas ingeríveis. Mas a inversa também é verdadeira: foi a gestão destas dívidas, com os seus duríssimos planos de austeridade, que ajudou a travar o crescimento. A Grécia e a Irlanda já recorreram ao FMI. Portugal vai a caminho disso.

 

Fonte: Eurostat.

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Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt


Comentários

FG , lisboa | 21/01/11 13:04
Espanta-me como o Dr. Amaral (normalmente muito rigoroso) comete um erro tão grosseiro ao apontar que a receita em 2010 proveniente do FP da PT foi de 2.8 MM euros .
Na verdade foi de menos de 1.9 MM euros (cf DGO).
Acresce que em 2011 e 2012 haverá mais receitas extraordinarias provenientes desse Fundo no valor de mais 500 MM por ano, o que obviamente fará diminuir o deficit nesses anos ( /- 0.3 do PIB).

talvez sim talvez não , Coimbra | 21/01/11 11:29
Pois é.. estamos a chegar ao fundo do poço.. O sistema político não é credível, a economia está esfarrapada devido ao exagero de imposto que se cobra neste país e que é cobrado para quê? para pagar obras megalómanas que se foram fazendo à custa do trabalho dos outros e enchendo os bolsos dos amigos.. Os governantes que têm passado em Portugal foram incompetentes, pois diga-se a verdade, quando é para gastar o dinheiro que é de todos nós não se tem cuidado nenhum.. se se fizer um mau negócio não faz mal porque o dinheiro não é deles.. para quando penas judiciais pesadas para que comete, o que na minha opinião é um crime? Quando se trata de hipotecar gerações futuras fala-se de sucesso? Caros Portugueses, revoltem-se e não deixem que aquilo que é vosso por direito seja roubado por esta gentalha que vem de fora explorar os nossos recursos e que ao minimo sinal se vão embora deixando milhares no desemprego quando lhes foi dadas vantagens que não são dadas às nossas empresas? Chega de propaganda política que não serve para nada se não para tapar os olhos aos Portugueses.. Ponham os olhos nos preços dos combustíveis, temos preço do gasoleo e gasolina em máximos históricos, mas o preço do petróleo nem perto anda de máximos atingidos em 2008.. Boicotem a Galp que já não é portuguesa.. já é uma empresa mais Angolana do Portuguesa.. defendem os direitos dos outros com os nossos recursos.. Vergonhoso!
Realista , Porto | 21/01/11 09:46
Concordo em que o governo deixou derrapar o controle orçamental no final de 2009 (eleições?) e em 2010. Não tem motivos para agora se vir regozijar com a descida do defice para baixo dos 7,3%. Mas deve fazê-lo, para qacalmar os mercados. Ou não? Por outro lado os 10 milhões de críticos do governo, porque deixou derrapar o defice, vêm agora protestar com providencias cautelares e outros estratagemas contra os cortes salariais. Afinal o que pretendem? Querem redução do defice ou não querem? Até os juizes, pelo cargo que ocupam e pelas elevadíssimas regalias que têm, vêm agora protestar sem razão. Eu não acredito que Cavaco dissolva o parlamento por dá cá aquela palha. Cavaco é uma pessoa fria e vingativa e não vai à missa com Portas e Passos Coelho. Ainda se percebeu isso recentemente numa das últimas arruadas. Quanto à solução do nosso problema com a dívida ela só pode passar pela UE, mas vamos ter que aguardar por Março, para que a alemã de leste tenha um bocadinho mais de benevolencia. Mas tambem as soluções encontradas para a Grecia e Irlanda (e os juros acordados) não são solução nenhuma. Até lá o governo tem que portar-se bem e ganhar tempo.

J. Maia Alves , | 21/01/11 09:17
Perguntaram na TV a Cavaco se, no caso de vir o FMI, o governo tinha falhado. Salvo erro, Cavaco respondeu com "decerto modo". Não foi assim? Um pouco diferente do que diz Daniel Amaral.
LOPES CARLOS , Bélgica | 21/01/11 07:47
1. Artigo lucido e corajoso dum grande Economista.
2. Há alguns anos atrás , um Governante belga foi à televisão dizer que o Governo Belga tinha um " tirelire" ( "mealheiro") , apesar da pesada divida externa belga. Passados meses , o Governo caiu .
3. Na actual situação , com este Governo ou com outro Governo qualquer , da mesma "cor" ou de "cor" "diferente" , a solução já só pode ser resolvida a partir do exterior. TODOS sabem isso.
4. Agora, há uma grande diferença entre resolver o nosso gráve problema no nosso Espaço Natural ( a EUROPA) ou fora desse Espaço.
5. Resta esperar que em finais de Março próximo, a EUROPA flexibilize o seu apoio em troca de um maior rigor orçamental , como pedem os Estados "AAA" da Zona do Euro. Seria melhor para nós e seria melhor para a Europa a médio/longo prazo. Fora da Zona do Euro, a unica ajuda interessante é a da RP CHINA que compreende perfeitamente a importancia no EURO, enquando uma das MOEDAS GLOBAIS no actual equilibrio financeiro mundial.
6. PORTUGAL tem de sobreviver ! Não temos outros País !

Ricardo , Porto | 21/01/11 04:16
Faltou referir a trafulhice da venda quase clandestina pelo Estado de 7% do capital da Galp à Parpública (uma empresa 100% estatal..) em Setembro passado por 700 e tal milhões de euros, numa manobra destinada a disfarçar as derrapagens do sr. Sócrates...

Sócrates = palhaço incompetente ao serviço de interesses políticos e empresariais espanhóis , | 21/01/11 03:54
A Comissão Europeia admite a possibilidade de reafectar a outros projectos os fundos disponíveis para o TGV. Na sequência de uma pergunta formulada pelo eurodeputado Nuno Melo (CDS-PP) em Novembro, o Comissário europeu responsável pela Política Regional indicou agora que, "até à data, a Comissão não recebeu qualquer pedido oficial das autoridades portuguesas de reafectação dos fundos previstos para o TGV ou o novo aeroporto de Lisboa a outros projectos", mas analisará a questão se esta for levantada. "Se as autoridades portuguesas decidirem reafectar esses fundos, a Comissão estará disposta a examinar qualquer pedido de reprogramação das prioridades do Fundo de Coesão, tendo em consideração a justificação apresentada", indicou o Comissário.

Começa bem, para logo a seguir derrapar, o dr. Daniel Amaral , em qualquer democracia digna desse nome, Sócrates teria já sido escorraçado do poleiro | 21/01/11 03:40
Para o dr. Daniel Amaral, democracia é o incompetente do Sócrates e o seu acólito Teixeira dos Santos continuarem no poleiro onde já estão há seis anos (6), a lançarem factos consumados como ainda ontem fizeram com o TGV espanholito (obras em plena Lisboa já, e contrato aldrabado no Tribunal de Contas já e a título de urgência)...
Bizarro.

publicado por ooraculo às 18:01
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Sexta-feira, 14 de Janeiro de 2011

Choques em cadeia

O Governo partiu de um crescimento de 0,2% e um deflator de 1,7% para calcular o défice de 2011: €8.097 milhões, 4,6% do PIB. Mas este cenário não é realista e deverá ser corrigido. Aceitemos o deflator e admitamos que o produto vai cair 1,3%. O resultado é um duplo efeito negativo em que um produto menor compara com um défice mais alto. Novos números: €9.216 milhões e 5,3% do PIB. O orçamento estoira e ninguém mais acredita em nós.

A vítima seguinte é o emprego. Estatísticas recentes apontam para 600 mil desempregados, 11% da população activa. É um quadro dramático, que só pode piorar. Daí a histeria colectiva que se apoderou da classe política, quando se soube que o INE vai alterar a sua metodologia de análise. Falou-se de "ocultação", de "manipulação", de chamar ao Parlamento o ministro da tutela! Afinal, o método é banalíssimo e existe em Espanha desde 2005.

Mas os cortes salariais não poderiam ficar para trás. Sindicatos afectos ao sector público decidiram inundar os tribunais com múltiplas acções, acompanhadas de providências cautelares, visando impedir aqueles cortes, por suposta inconstitucionalidade da medida. Presumo que o não consigam, nem que para isso se invoque o interesse público. Mas, se o conseguirem... Aqui não restam dúvidas: o rombo no orçamento será fatal. A troco de quê?

Se a inconstitucionalidade falhar, ainda temos o recurso à greve, que os nossos sindicatos não são de desistir facilmente. E a primeira imagem que me ocorre vem da Grécia: greves, paralisações, tumultos, o caos social. No último ano, o PIB grego caiu 4% e o desemprego atingiu 13%; e o défice e a dívida face ao PIB foram de 10% e 140%, respectivamente. A Grécia é hoje um plano inclinado a caminho do abismo. É esta a fonte de inspiração?

Enquanto isto, as famílias têm menos recursos para adquirir produtos mais caros; a dívida continua a subir e ninguém sabe como financiá-la; e as habituais sumidades desdobram-se em maledicência: o Governo não presta, as medidas estão erradas e os credores são uns imbecis. A receita do costume. Ninguém explica a estas cabecinhas tontas que a realidade é muito mais prosaica e se resume ao facto incontornável de não termos dinheiro?

Estamos a brincar com o fogo.

 

O DECLÍNIO EUROPEU

Défices orçamentais... (Défice, % do PIB)

 ..arrastam desemprego

 (Desemprego, % p. activa)

   


O percurso português é em tudo análogo ao da zona euro. Défices excessivos alimentaram dívidas, que provocaram juros, que desviaram recursos do que era essencial: investimento produtivo e crescimento económico. O resultado foi uma taxa de desemprego que hoje já excede os 10% da população activa, uma situação explosiva. Acima da média e piores do que nós estão a Espanha, a Grécia e a Irlanda.

 

Fonte: Eurostat

 

Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt


Comentários

Henrique Neto , | 14/01/11 18:42
Sócrates, com a sua falta de sentido de Estado, a sua ignorância, o seu voluntarismo pacóvio, a sua teimosia irresponsável e, porventura mais importante, a sua falta de patriotismo e de convicção sobre o interesse geral, iludiu durante seis longos anos todos os reais problemas da economia através de um optimismo bacoco e inconsciente. Não o fez apenas por ignorância, mas para servir os interesses da oligarquia do regime, através da especulação fundiária e imobiliária, das parcerias público-privadas, dos concursos públicos a feitio, das revisões de preços e de uma miríade de empresas, institutos, fundos e serviços autónomos, além das empresas municipais. Regabofe pago com recurso ao crédito e sem nenhum respeito pelas gerações futuras.

Christine Lagarde e J-C Trichet , | 14/01/11 18:00


Crise não é da Zona Euro mas sim de alguns países europeus (irresponsáveis e sucateiros).

Daniel Bessa, Daniel Amaral , | 14/01/11 17:56
... é tudo igual. Gente que deixa o país mais pobre e mais frágil. Por razões "ideológicas", e muito "de esquerda". Palhaços.

Meu caro Dr. Daniel Bessa , | 14/01/11 17:53
Caro Daniel Bessa,
Se um método estatístico existe na Espanha não quer necessariamente dizer que seja bom... E nos restantes países desenvolvidos, como é?
O que é facto (e Daniel Bessa não aborda este "pequeno" pormenor) é que o novo método estatístico de medição do desemprego NÃO vai permitir comparações com as estatísticas relativas ao ano de 2010 e aos anos anteriores. É isto que o "engenheiro" (?) Sócrates parece pretender, aparentemente.
Curiosamente, já em 2008, a um ano das eleições, o Governo (?) Sócrates tinha alterado o método de contabilização dos desempregados, o que resultara, já na altura, na muito oportuna redução da taxa oficial de desemprego em um ponto percentual... Mas como em Portugal não há Oposição...

P-S: caro Daniel Bessa, contrariamente ao que ainda hoje disseram Sócrates e Teixeira dos Santos, a crise não é sistémica, não é "comum a toda a Europa". A nossa crise é uma crise portuguesa. Por isso mesmo, mais do que nunca, deixe que lhe diga o seguinte: este Governo (?) não presta mesmo. E já está há tempo demais no poleiro. Seis anos de coisa nenhuma... Lamento.

Caro Dr. Daniel Amaral , | 14/01/11 15:27


O senhor acha que o Governo Sócrates presta?!

Ao fim destes seis anos de porkaria?

Com 700 000 desempregados?

Com 700 000 jovens Portugueses forçados a emigrar nos últimos anos?

Com toda esta bagunça, ko.rrupção, desigualdade e pouca vergonha?

Com toda esta "engenharia" financeira chinesa, árabe, russa, venezuelana, bruxelense, frankfurtense, para disfarçar a burrice, a desonestidade e a incompetência do sr. Sócrates?

O senhor apoia a manipulação (nomeadamente eleitoral) de que o país foi vítima por parte deste "estadista"? Deste grande "pulhítico"?

Ora, ora, senhor Daniel Amaral.

Já não há mais desculpas esfarrapadas para o "eng." da treta Sócrates teimar no TGV espanholito e sucateiro , | 14/01/11 15:22


A Comissão Europeia admite a possibilidade de reafectar a outros projectos os fundos disponíveis para o TGV. Na sequência de uma pergunta formulada pelo eurodeputado Nuno Melo (CDS-PP) em Novembro, o Comissário europeu responsável pela Política Regional indicou agora que, "até à data, a Comissão não recebeu qualquer pedido oficial das autoridades portuguesas de reafectação dos fundos previstos para o TGV ou o novo aeroporto de Lisboa a outros projectos", mas analisará a questão se esta for levantada. "Se as autoridades portuguesas decidirem reafectar esses fundos, a Comissão estará disposta a examinar qualquer pedido de reprogramação das prioridades do Fundo de Coesão, tendo em consideração a justificação apresentada", indicou o Comissário.

abel d , lx | 14/01/11 14:40
Porque insistem estes tecnicos em ignora as causas : estados a substituir as instituições financeiras - porque nunca falam nisso - a fatura já somos n´s quea estamos a pagar

lucklucky , | 14/01/11 10:00
O Governo não presta e as medidas estão erradas. Não é preciso ser uma sumidade para perceber isto. É a receita desde sempre: défice > dívida aumento de impostos > défice > dívida > aumento de impostos ad eternum . A receita do PSD ao PS com o apoio das sumidades entre as quais o autor deste artigo

O IVA começou a 15% já vai em 23%
Ou seja a receita é sempre a mesma - aumentar impostos para pagar o Estado crescente, cada vez maior - ao Sr,Daniel Amaral não apoquenta o Estado cada vez maior. E depois escreve estes textos desesperados
como se não soubesse onde está o elefante.
Ou seja mudar algo na configuração do Estado népias, deve ficar tudo na mesma.
A lógica é fazer o mesmo que se tem feito sempre esperando ter resultados diferentes. A mim parece-me que quem pensa assim o seu lugar é no manicómio a partir de um determinado número de tentativas.

Xxx , | 14/01/11 09:17
Não temos dinheiro, mas só para algumas coisas.

Já agora... , | 14/01/11 09:04

Mais uma medida:

- Harmonização do IRC da Banca com as restantes empresas.Porquê taxas diferentes para a Banca e para as empresas?
publicado por ooraculo às 18:50
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Sexta-feira, 7 de Janeiro de 2011

Os credores e nós

Quando Portugal aderiu ao euro assumiu o compromisso de manter um défice e uma dívida face ao PIB não superiores a 3% e 60%, respectivamente. O que pressupunha um crescimento nominal do produto da ordem dos 5% ao ano. De facto, com um PIB inicial de 100 e uma dívida de 60, os valores seguintes seriam de 105 e 63, o que mantinha o peso relativo nos 60%. Mas o compromisso falhou e o que hoje temos é um país afogado em dívidas. Que fazer?

Números redondos, o PIB de 2010 terá atingido €168 mil milhões, a que terão correspondido 140 mil milhões de euros de dívida pública, 83% do produto. Sendo óbvio que esta dívida é incomportável, e que terá de ser corrigida, a questão que se nos coloca é a de saber como. Para efeitos de raciocínio, vou desdobrá-la em duas: uma dívida normal - 100 mil milhões de euros e 60% do PIB; e uma dívida excepcional, ou intrusa - 40 mil milhões de euros e 23% do PIB.

Comecemos com a dívida normal. Para que a regra dos 60% face ao PIB seja cumprida, a taxa de crescimento desta dívida não poderá exceder a taxa de crescimento do produto. Nunca! Nem que para isso tenhamos de responsabilizar pessoalmente o ministro das Finanças. Se, por hipótese, o crescimento nominal do PIB em 2011 for de 3%, o défice face ao PIB não poderá exceder 60%x3%=1,8% - algo como três mil milhões de euros, muito menos do que o previsto.

A dívida intrusa, por definição, está a mais e merece um tratamento diferente. Admitamos a amortização em 20 anos, através de 20 prestações anuais e iguais de capital e juros e uma taxa de 5% ao ano. O dispêndio anual seria da ordem dos 3,2 mil milhões de euros. E, ao juntarmos as duas, precisamos de excedentes orçamentais ao longo de 20 anos. Claro que podemos melhorar o cenário, com um prazo maior ou uma taxa mais baixa. Mas alguém acredita nisso?

Agora respirem fundo. Acham que o modelo de gestão atrás preconizado seria exequível em condições normais? Não. Ele provocaria uma contracção de tal ordem na procura interna que levaria ao colapso do crescimento económico e do emprego. Seria um desastre total. A senhora Merkel, tão atacada por toda a gente, afinal tinha razão: em casos como o nosso, se não quiserem arriscar tudo, os credores terão mesmo de prescindir de uma parte...

E se não o fizerem?

 

O FALHANÇO EUROPEU

 Défices excessivos...

(Défice, % do PIB)

...dívidas incomportáveis

 (Dívida, % do PIB)

 

   

 

*Estimativa.

 

A União Europeia impôs aos aderentes ao euro duas regras preciosas: o défice e a dívida não poderiam exceder 3% e 60% do PIB, respectivamente. Mas a maioria dos países ignorou-as logo a seguir. E o descalabro nunca mais parou. No final de 2010, apenas 4 dos 16 países do euro tinham uma dívida inferior a 60% do PIB. Portugal foi na onda. Mas ainda hoje o nosso défice e a nossa dívida não se afastam dos valores médios europeus.

 

Fonte: Eurostat.

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Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt


Comentários

Alberto Original , | 07/01/11 16:53
Sr. Realista (Porto) - estou de acordo com o seu comentário, mas há uma diferença muito grande no que respeita a Portugal. Na ultima década, não houve crescimento económico e o que houve foi com base em procura interna, com exportação maciça de divisas para o estrangeiro (ó problema não é só a divida publica, pois a divida externa total já vai em 300% do PIB). Esta sangria não pode continuar, então o crescimento só com base em exportações nunca vai conseguir compensar a falta de procura interna. Ou seja acredibilidade de Portugal pagar a divida é ZERO. O mesmo não se passa com os outros países que referiu, França Alemanaha Itália . Já a Espanha, estou de acordo consigo, foi contagiada!

700 000 desempregados e 700 000 Portugueses forçados a emigrar nos últimos anos , | 07/01/11 15:45

Alegre é um desertor, um bufo e um traidor à Pátria. Um pateta abaixo de cão.

Cavaco é um inútil bacoco, um pacóvio desacreditado, que todos os dias se enterra mais e mais.

Cavaco tem sido nestes últimos seis anos de desgraça, e continua a ser, o melhor seguro de vida do repug.nante "engenheiro" sucateiro Sócrates, o menino de ouro e Pinocchio ko.rrupto incompetente que deu cabo de Portugal e que continua a manipular gente como certos editorialistas do Diário Económico.

LOPES CARLOS , Bélgica | 07/01/11 10:11
1. Estimado Senhor Realista ( Porto), eu resido e trabalho há mais de 22 anos na Bélgica. Mas, por favor, não escreva " a Bélgica do Sr. Lopes Carlos. Respeito muito a Belgica , mas eu nasci e vou ser enterrado em Portugal, a minha Patria.
2. As criticas que faço ao desempenho economico, financeiro e social de Portugal não significam menos amor pela minha Patria. Apenas queria um pouco mais de justiça social , menos desigualdade social e um pouco mais de qualidade de vida. Merecemos mais enquanto Povo. Temos de mudar de paradigma.Para sobreviver num Mundo Global.
3. Acresce, estimado Senhor Realista ( Porto), que concordo com a linha geral do seu artigo. As respostas paras a crise(s) não são apenas nacionais. São também europeias e até globais.

Realista , Porto | 07/01/11 09:43
Concordo com o artigo e de uma maneira geral com todos os comentarios já on-line, incluindo o do "homonimo" Realista. Mas eu queria salientar um aspecto do problema que é muitas vezes esquecido e que está traduzido na última frase do artigo, já em letra miuda - "Mas ainda hoje o nosso défice e a nossa dívida não se afastam dos valores médios europeus". Pois é meus amigos: o nosso (terrivel) problema faz parte de um problema mais amplo, de toda a Europa e do mundo ocidental. E a solução, e eu não sei qual vai ser, terá que ser uma solução europeia ou mesmo mundial. Eu não nego o problema, já disse que concordo com o artigo, mas lembro que a dívida da França é quase igual à nossa a da Alemanha pouco menor é,, a da Italia e da Belgica (a Belgica do Sr Lopes Carlos), a do Japão, a dos EUA, por exemplo, muito maiores que a nossa. Excepcional neste panorama é a dívida de Espanha, que nem sequer chega aos 60% do PIB. E contudo a Espanha é incluida dos PIGS e nos "paises periféricos" e tambem está a ser atacada pelos tais "mercados". Porquê? EM RESUMO: NÃO DEVEMOS IGNORAR A GRAVIDADE DA SITUAÇÃO PORTUGUESA, MAS TAMBEM NÃO DEVEMOS PERDER DE VISTA QUE OS NOSSOS PROBLEMAS SÃO PROBLEMAS DE TODA A EUROPA E DE TODO O OCIDENTE!

LOPES CARLOS , Bélgica | 07/01/11 07:53
1. Desde 2000 Portugal tem crescido, mas a um ritmo muito fraco. Até 2017, Portugal continuará a crescer, mas sempre a um ritmo anémico. O fosso entre Portugal e a média do resto da UE-27 vai alargar-se.
2. Curiosamente, muitos Portugueses não "acreditam" na crise : basta comparar os levantamentos bancários da semana antes do Natal e da semana após o Natal de 2009 e 2010. É o PORTUGALSEMPREEMFESTA ( EXPO, EURO 2004, SUBMARINOS,CONSUMO PRIVADO,etc,etc).
3. O nosso endividamento externo bruto é demasiado pesado. A nossa poupança doméstica tem de aumentar.
4. Seria necessario uma mudança do discurso politico para justificar as medidas que terão de ser tomadas nos próximos meses.
5. Mesmo que Portugal fizesse tudo o que devia mesmo fazer ( o que traria evidentes problemas politicos internos) , o recurso ao apoio fraterno da EUROPA , de que somos parte integrante e activa, afigura-se necessário e não é nenhuma desonra nacional.
6. Se Portugal não fizer o que é imperioso fazer e não pedir ajuda no quadro natural , o quadro europeu onde nos inserimos legitimamente, então funcionará o modo de ajustamento estrutural previsto por O. BLANCHARD em 2/2/2006 : DESEMPREGO DE LARGA ESCALA.
7. Escolham !

Bravo , Lisboa | 07/01/11 01:03

Os governantes têm tranquilizado muitos portugueses, com discursos que visam encobrir o futuro: o nosso défice e a nossa dívida não se afastam dos valores médios europeus.

Não há nenhum problema em um Estado europeu endividar-se. O verdadeiro problema está na capacidade de um Estado, que viveu durante anos a fio viveu muito acima das possibilidades, assegurar o cumprimento de elevados montantes de capitais que outrora pediu emprestado. Ora, como Portugal praticamente não cresceu ao nível económico nos últimos 10 anos e como não se antevê boas perspectivas para os próximos 5 e 10 anos, torna difícil garantir o pagamento aos credores. Nem há mais margem de manobra para voltar a aumentar impostos ou taxas. Estamos numa tremenda embrulhada.

A concessão de grandes volumes de crédito a um baixo preço (juro) e a entrada no euro, estão agora a repercutir-se na vida dos contribuintes. O pior está certamente para vir.
Realista , | 07/01/11 00:36
Porque é que neste País temos que aceitar tudo como se não tivesse solução ? ou se fosse impossível de executar ? Estou inteiramente de acordo com a solução preconizada pelo autor deste artigo, pois o único caminho é a redução da despesa que nos possa conduzir a superavits orçamentais (em vez de deficits) de forma a reembolsar a dívida em excesso. No entanto eu acrescentaria aos tais 20 anos pelo menos mais 3 ou 4 que nos permitam eliminar completamente o deficit, face à situação actual suposta de mais de 7%.
Para terminar ... promovam a aprovação de medidas a sério de combate ao despesismo (exº assinem e divulguem a petição de combate à currupção, que julgo estar no site do Correio da Manhã) será mais uma forma de responsabilização dos políticos e vão ver que não precisaremos de tanto tempo para tratar do doente !!!!!!!!!! Este País só lá vai se remarmos todos para o mesmo lado, coisa que sem justiça é impensável.

anarca , | 07/01/11 00:13
Isso é areia a mais para a camioneta politica. Eles não vão além do "avie-se quem puder".
publicado por ooraculo às 17:52
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