Sexta-feira, 25 de Fevereiro de 2011

Ilusionismo

As exportações estão na moda. Sempre que se fala de crise, e da melhor forma de a combater, lá vem o antídoto que todos utilizam como refrão: exportar, exportar, exportar. Longe de mim pôr em causa esta atitude voluntarista, que tem todo o mérito e deve ser prosseguida. Seria um desmancha-prazeres. Mas não contem comigo para branquear os comportamentos de todos quantos, a pretexto de tudo o que é meritório, se entretêm a vender ilusões.

Consideremos a nossa estrutura produtiva, vista do lado da procura. A um PIB igual a 100, correspondem 88 de consumo e 19 de investimento, o que soma 107; os 7 a mais são dívida externa e reflectem a diferença entre importações (35) e exportações (28). Foi o acumular destes desequilíbrios externos, ao longo de muitos anos, que levou ao endividamento louco que hoje quase nos asfixia. E precisamos desta imagem para perceber as seguintes.

Os números do INE sobre o comércio externo de 2010 não estão completos. Eles só mostram os bens, não os serviços. Mas admitamos que a evolução dos dois foi análoga: as exportações aumentaram 15,7% e as importações apenas 10,5%. Um resultado excelente? Não. Apenas sofrível. Como as importações pesam mais, o saldo continuou negativo e ainda maior do que no ano anterior. A tese do "excelente" ignora uma das variáveis da equação.

Também o comportamento dos mercados não ajudou grande coisa. Um dos nossos objectivos era a diversificação. E de facto conseguimo-la, mas em escala reduzida: as exportações para o mercado extracomunitário subiram apenas três pontos para os 27%. Claro que há mérito, mas sabe a pouco. Em contrapartida, o preço do petróleo voltou a subir feito doido; e para isto não há antídoto nenhum. Em suma: marcamos golos de um lado, sofremos golos do outro.

Nota final. A melhor via para analisar a dependência externa não é balança comercial, mas a balança corrente, que inclui os rendimentos e as transferências. O nosso historial da balança corrente aponta para défices anuais da ordem dos 10% do PIB; e no último ano não deve ter andado muito longe disso. É o défice mais alto da Zona euro, sabiam? Eis a mensagem que prevalece: no final de 2010, estávamos ainda mais pobres do que um ano antes.

Não vendam ilusões.

 

UM MAR DE DÍVIDAS

 Do défice externo...

(% do PIB)

 ...à balança corrente

(% do PIB)

A nossa balança comercial tem sido cronicamente deficitária, com as importações a excederem em muito as exportações. E, de cada vez que se faz um esforço em busca do equilíbrio, fica a ideia de que nos esquecemos de uma das variáveis da equação: o que conta é o saldo, não apenas o que exportamos. Quando a tudo isto se juntam os rendimentos pagos ao exterior, ficamos com o quadro completo: um mar de dívidas...

Fonte: INE, Banco de Portugal

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Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt


Comentários

O problema , | 25/02/11 16:54
O problema é que para se conseguir produzir alguma coisa cá, tem de se importar!
Quase não há produção. É tudo transportes e serviços.
Sebastião , | 25/02/11 14:17
O défice comercial externo de Portugal foi de 20 mil milhões de € em 2010: 4,4 mil mihões de € (22%) gerados no comércio com países extra-comunitários e 15,6 mil milhões de € (78%) gerados no comércio com os restantes países da união europeia.
O defice extra-comunitário entenede-se já que é da exclusiva responsabilidade das importações de petróleo pois ainda se não descobriu petróleo no país,
Já as razões para o défice com os restantes países da união europeia não foram ainda explicadas pelos economistas, que se limitam a repetir até à náusea a ladaínha da falta de produtividade/competitividade/reformas estruturais. O que, evidentemente, nada explica.
Seria útil que que essas razões fossem claramente explicadas. E não são difíceis de encontrar.
Silva , | 25/02/11 11:48
Sempre que esta questão se levanta os comentários caem sempre no mesmo: "Não comprem nada para diminuirmos as importações!"... Não seria mais sensato dizer: "Não comprem mais do que aquilo que podem comprar; comprem made in Portugal; é preciso produzir mais coisas em Portugal!"...???
É que nós não vivemos no séc. XV, precisamos de coisas, e a Economia precisa de girar. Não podemos é pô-la a funcionar a toque de empréstimos. É simples.
Ze da Silva , | 25/02/11 10:41
Na verdade a balanca de pagamentos do Pais isto e;,a diferenca entre aquilo que entra no Pais sejam ele os lucros repatriados de empresas nacionais , transferencias de emigrantes portugueses no estrangeiro ou o valor das exportacoes e aquele outro valor do que daqui sai isto e; aquilo que transferimos para o estrangeiro, seja ele causado pelas ferias no Brasil,os alhos da china,os meloes de espanha, o BM da Alemanha,as transferencias dos imagrantes que aqui trabalham ,os produtos energeticos ou os juros que pagamos plos emprestimos que fazemos e o que verdadeiramente determina a nossa riquesa (ou a nossa pobresa!).Muito mais do que um Orcamento do Estado desiquilibrado (ate certo ponto).
No entanto e apesar do comportamento destas duas realidades economicas serem influenciado maioritariamente por variaveis muito diferentes ha no entanto, entre elas uma relacao dinamica.Se o equilibrio do OdE esta principalmente dependente das despesas do e da forma como o Estado gasta o dinheiro que recebe ja a balanca de pagamentos no nosso caso, esta dependente mais do que tudo do valor daquilo que importamos isto e; daquilo que colectivamente consumimos .Se o nosso aparelho produtivo nao responder a procura em qualidade ou preco e porque somos uma economia aberta e vivemos na EU, vamos comprar noutro lado (agravamos a nossa balanca de pagamentos/divida ao exterior).A unica maneira de compensar isto e vendermos um valor equivalente para o exterior ,ou se nao conseguirmos, temos de pedir esse valor emprestado.Simples. E e isto que temos andado a fazer a pedir emprestado para financiar grande parte daquilo que consumimos!.
O Orcamento do Estado desiquilibrado pode ser sempre reduzido apertando cinto ,aumentando impostos e ou o Estado gastar menos.Ou entao uma mistura de tudo isto e procurar aumentar as receitas atravez da dinamisacao das exportacoes.Com uma politica adequada e concertada em diversas areas e uma procura agressiva de mercados e possivel alcancar resultados positivos. Ja reduzir as importacoes nao e assim tao facil dado pertfil destas e num Pais como Portugal e pertencendo a EU e com atitude algo vaidosa e frivula dos Portugueses!
Ja o ilusionismo e aquilo que praticam aqueles que em face desta realidade pensam que o Pais pode sai da situacao em que nos encontramos se por um lado nao atacarmos a despesa publica (a despesa do Estado) e ao mesmo tempo melhorando o aparelho produtivo ( ah a formacao e o conhecimento tecnico!) para que possamos tanto quanto possivel responder internamente (dificil dado a nossa atitude de valorisar o estrangeiro) e ao mesmo tempo procurar vender,vender de tudo e para todo o sitio em que nos queiram comprar produtos.Isto claro se entretanto conseguirmos evitar cair na armadilha de do chamado "resgate"(?) financeiro.Essa
Xxx , | 25/02/11 10:30
Portugal tem que aumentar muito os juros para acabar com o endividamento galopante e diminuir as importações.
 
Sócrates é um "bluff" mediático, um "estadista" da treta , | 25/02/11 09:57
Com a conivência da imprensa e o absoluto silêncio da pseudo-oposição do PSD, o "engenhero" Sócrates vende ilusões aos carneirinhos "tuguinhas" que nós somos.
Somos uns palhacitos sem brio e aceitamos, em nome da "estabilidade", que um gangster incompetente vá permanecendo no poleiro onde só fez porcaria nos últimos seis anos completos.
 
Realista , Porto | 25/02/11 09:26
Eu tambem considero que o pior indicador da nossa situação actual não é o defice orçamental nem a dívida. É o defice nas contas externas. A revista The Economist traz sempre nas suas ultimas páginas estatisticas sobre as 30 ou 40 economias mais importantes. Nenhuma delas tem um defice nas contas externas como o nosso. Estou de acordo com o comentario <Tuga imbecil>. Não basta aumentar as exportações.Temos tambem que conter as importações. Na agricultura e nas pescas desde logo, até por razões de dignidade. Mas tambem as importações de produtos energeticos, com barragens, eólicas, mais ferrovia, etc. Sabiam que somos o país da zona euro mais dependente do petroleo? Concordo e discordo de <Lopes Carlos>. Deus o ouça quando diz que a UE vai criar até fins de Março um quadro de ajuda mais flexivel de que possamos beneficiar. Olhe que os irlandeses não estão satisfeitos com o bail-out de ha 2 ou 3 meses atrás, com uma taxa de juro de 5,8% e nas próximas eleições vão votar pela sua renegociação. Era essa ajuda que queria para Portugal? Por outro lado volto a insistir que a saída portuguesa (porque uma saída tem que haver) não vai passar pela diminuição da dívida pública dos actuais 140.000 milhoes. Vai passar é pelo crescimento do PIB, que fará com que a relação dívida/PIB (e é esta relação que interessa, não o valor absoluto) volte aos 60%.
publicado por ooraculo às 18:51
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Sexta-feira, 18 de Fevereiro de 2011

Contas a martelo

Pressionado por Bruxelas, o Governo assumiu o compromisso de, em 2010, reduzir o défice público para 7,3% do PIB, algo como €12.544 milhões. Nunca nos disse qual era o valor do PIB, e muito menos a forma como o calculou. Mas é óbvio que ele é dedutível a partir do défice: €171.836 milhões. O pior vem a seguir: este valor está sobreavaliado, ao admitir um crescimento nominal de 4,8% face a 2009 que hoje se sabe ser impossível. E agora?

Presumindo não ser capaz de respeitar o compromisso, o Governo foi bater à porta da PT, propondo-se absorver o seu fundo de pensões a troco da transferência para o Estado da responsabilidade de pagá-las. Números avançados: primeiro, o encaixe seria de €2.600 milhões; mais tarde, passou para €2.800 milhões; e uma avaliação actuarial da Towers Watson, na base de uma taxa de desconto de 4%, fixou o valor em €2.418 milhões. Assunto encerrado.

Foi entretanto publicada uma execução provisória do OE-2010. Elementos novos: as despesas foram acrescidas de €1.001 milhões, devido à compra de dois submarinos de que o Governo se "esquecera"; e as receitas incluem mais €1.882 milhões, oriundos de "parte" do fundo da PT. Admitindo que o défice de 7,3% se mantém, é óbvio que ele só foi possível graças a este diferencial positivo de €881 milhões. Mas... que é feito dos €536 milhões que restam?

Passemos ao OE-2011, que prevê um défice €8.097 milhões, 4,6% do PIB. De acordo com o Governo, o PIB em 2011 deverá crescer 0,2%. Mas os cálculos foram feitos no pressuposto de uma queda de 0,7%. E as projecções sugerem que ele caia pelo menos 1,3%. Não se riam, que a coisa é séria! Além de que o PIB implícito naquele défice continua sobreavaliado. Deixem-me adivinhar: é o remanescente do fundo da PT que vai tapar o buraco? E isso chega?

Mas há mais. Aquando daquela bravata do PSD, que "exigiu" cortar €550 milhões à despesa para viabilizar o orçamento, o Governo só aceitou porque não tinha alternativa. Mas não cortou nada, porque não tinha onde: apenas cativou umas verbas e depois se veria. Talvez se descobrisse uma concessão, uma privatização, um fundo qualquer... Pergunta mazinha, associada à PT: se já estoirámos com as pensões, como vamos pagar aos pensionistas?

Está tudo doido.

 

FINANÇAS PÚBLICAS

Cobrança normal...

(Receitas, % do PIB)

...gestão suicida

(Despesas, % do PIB)

   

Ao contrário do que se imagina, as nossas receitas orçamentais, no essencial oriundas de impostos, não são excessivas. Pelo contrário: elas são inferiores às alemães e bastante inferiores à média da Zona euro. E, excepção feita ao ano de 2010, em que o Governo "exagerou" para tentar combater a crise, também não têm subido face ao PIB. O nosso grande problema está nas depesas, que não conseguimos controlar.

Fonte: Eurostat.

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Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt


Comentários

mariaber , Lisboa | 18/02/11 17:51
Estou completamente de acordo com o seu comentário,só que quando pergunta aonde o estado vai descobrir mais algum fundinho para resolver o problema ,que é por demais evidente,alerto para os fundos de pensões dos bancos que vão ser as próximas vitimas

Sócrates é um vigarista ao serviço de interesses empresariais e políticos espanhóis , | 18/02/11 13:22
Estado diminui défice vendendo imóveis a si mesmo. A empresa pública Estamo foi a maior fonte de receitas do Estado em 2010, tendo comprado mais de metade dos imóveis que o País vendeu nesse ano, escreve hoje em manchete o "Jornal de Negócios". De acordo com o "Jornal de Negócios", a Estamo comprou imóveis ao Estado no valor de 290 milhões de euros, o que implicou uma redução do défice orçamental em cerca de 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB). O jornal acrescenta que a informação é proveniente do próprio Ministério das Finanças, num relatório entregue ontem no Parlamento, segundo o qual a empresa Estamo comprou 60% do total dos imóveis vendidos pelo Estado em 2010.

FG , lisboa | 18/02/11 13:15
O Dr. Daniel Amaral deixou de ser respeitável intelectualmente por nos seus artigos optar pela apresentação de dados errados para extrair as conclusões políticas que lhe interessam.
No artigo anterior afirmava que a receita em 2010 vinda do FP da PT era 2.800MM (apontei esse erro num comentário meu) e agora vem dizer que na verdade foi 1.882MM.
UM ERROZITO DE 1.000MM DE EUROS !
Hoje repete e maximiza os erros, nomeadamente:
1. O PIB2010 previsto não é 171.836MM, mas sim 170.838.2MM;
Mais UM ERROZITO DE 1.000MM DE EUROS !
2. O Defice2010 previsto não é 12.544MM , mas sim 12.440.8MM;
Mais UM ERROZITO DE 100MM DE EUROS !
(CF a 2ª Notificação do Reporte do defice da
dívida das Administrações Públicas...INE 28 SET2010);
Depois há-de o Dr. espantar-se de o INE ir reportar 6.9% de defice e não os 7.3% que aqui assume !
E agora? , Coimbra | 18/02/11 11:34
Pois é.. Este desgoverno que existe já não tem cura! Estamos a entrar no efeito bola de neve.. Cada vez precisamos mais de nos endividar e a juros altíssimos.. Cada vez que é necessário receita vamos buscar sem ter certeza de pagar ou se vamos prejudicar o futuro daqueles que ainda não nasceram..
As ideias para cortar nos gastos já são poucas e o puxar pela receita está condenado pelo aperto.. A única viabilidade é virem os de fora injectar uns milhões.. O problema é quando estes vierem, se somos capazes de mudar de rumo para melhor, ou se acontece tudo outra vez..

ppp , | 18/02/11 11:29
Poruqe razão o endividamento de portugal a partir de 2005 é muito superior à soma dos défices a a partir do mesmo ano ?? Um doce para quem souber a resposta.

Realista , Porto | 18/02/11 09:55
Mas afinal o que pretende o autor com este artigo? Aqui e agora já não interessam para nada os calculos do PIB e do defice. O problema já não está nas nossas mãos (alguma vez esteve?) mas sim em Bruxelas. Claro que vamos precisar de ajuda. E das duas uma, ou "levamos" com aquela ajuda "burra" com que levaram os gregos e os irlandeses, ajuda que lhes foi metida pela garganta abaixo, ou beneficiamos de um tipo de ajuda mais flexivel que os alemães tardam em disponibilisar. Ha quem entende que temos que esperar pelas eleições alemãs de Março. Ha que entenda que os alemães estão à espera que Portugal peça ajuda, para depois definir o novo modelo de ajuda. Pelas movimentações recentes parece que esta última hipotese é a mais provavel.

LOPES CARLOS , Bélgica | 18/02/11 07:21
1. O Sr. Dr. Daniel Amaral mais uma vêz coloca os pontos nos is. E sempre de forma fundamentada.
2. Transparencia, rigor e redução nitida das despesas são alguns dos parametros dum caminho estreito que temos de prosseguir durante muito tempo.
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publicado por ooraculo às 17:59
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Sexta-feira, 11 de Fevereiro de 2011

O peso dos salários

Leitor, sorria. Parece que o FMI já não vem e foi substituído pelo eixo Berlim-Paris, liderado pela senhora Merkel. Creio que ficámos a perder. Alvos no horizonte: a idade de reforma passa para os 67 anos; os défices e as dívidas terão limites constitucionais; e os salários deixam de estar indexados à inflação. Não sei se, depois disto, ainda somos um país independente. Mas hoje só vou falar de salários, cujo conceito parece que ainda ninguém percebeu.

Consideremos um país com o emprego estabilizado, onde a um PIB de 100 correspondem 50 de encargos salariais. Se, no ano seguinte, a produtividade aumentar 3% e os preços 2%, o PIB sobe para 105. E, a haver equilíbrio nas contas, o normal é que os salários aumentem também 5%, passando a 52,5 e assegurando o mesmo peso relativo. Em suma: a correcção dos salários não se faz apenas com a inflação, mas com a

inflação e a produtividade.

Sucede que as contas equilibradas são um fenómeno raro. Como regra, os países poupam de menos, consomem de mais e passam a vida a endividar-se. A contrapartida está no pequeno grupo de outros países que se especializam em excedentes. Na Europa do euro há dois extremos: de um lado, a Alemanha, que acumula reservas; do outro, Portugal, que acumula dívidas. Como este cenário é insustentável, teremos de gerir os salários de outra maneira.

Acresce que o peso dos salários no PIB atinge em Portugal uma dimensão inusitada, acima dos 50%, excedendo os equivalentes da Alemanha e da Zona euro e sendo superado apenas pelos da França e da Dinamarca. Reparem que eu não digo que os salários são altos em termos absolutos. Seria uma ignomínia. Digo que eles são altos face ao produto, porque temos uma produtividade paupérrima. E sem o antídoto salarial não podemos competir.

O tema dos salários é muito sensível, porque mexe com a vida das pessoas. E eu já me habituei às inúmeras mensagens daqueles leitores que, tomando como exemplo o seu próprio salário, me perguntam indignados: com que então ‘x' euros é muito? Claro que não. Mas a pergunta está mal posta. Estes leitores tendem a confundir o salário de que precisam com aquele que a economia lhes pode dar. E uma discussão a este nível não leva a lado nenhum.

Preparem-se para o pior.

 

O MAL PORTUGUÊS

 

Gastos excessivos...

(Salários/PIB (%))

...endividamento louco

(Balança corrente, % do PIB)

   

Embora os nossos salários sejam baixos, o seu peso no PIB excede a média da Zona euro e é mesmo superior ao da Alemanha. Justificação óbvia: temos uma produtividade paupérrima. Esta não será a única razão, mas é principalmente por isso que chegámos a este desequilíbrio louco: estamos a endividar-nos ao ritmo de 10% do PIB em cada ano. Só há duas saídas: ou melhoramos a produtividade ou baixamos os salários...

Fonte: Eurostat.

 

Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt

 

 

 

Comentários

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PéGelado , VNGaia | 11/02/11 17:40
"Só há duas saídas: ou melhoramos a produtividade ou baixamos os salários..."

A.Ferreira , Aveiro | 11/02/11 15:52
Sr.Dr. Daniel, permita a pergunta de um ignorante. Importa-se de explicar porque é que a produtividade dos portugueses(em Portugal,claro) é baixa?! São os trabalhadores que são madraços ou será que é ao patronato que este "status quo" se mantenha?
Trilema , | 11/02/11 14:04
Embora longe da realidade, admitamos que , com excepção dos marajás e da pobreza marginal, os restantes portugueses tem uma vida condigna com a salário que ganham e sem necessidade de se endividarem. Poderíamos então dizer: os salários são os adequados às necessidades e ao custo de vida, pelo que o desequilibrio global da economia deriva do baixo valor do produto final que esses salários produzem.
E de que depende o valor do produto final produzido?
Depende do tipo de investimento que é realizado. Parece evidente que os investimentos em betão, em call-centers, em centros comerciais, em supermercados,etc., bem como os investimentos realizados no estrangeiro sem quaisquer sinergias com a produção nacional, não acrescentam grande valor aos produtos que produzimos.E se simultâneamente deixámos destruir as actividades com algum valor acrescentado a troco de subsídios, pior ficámos.
Por isso a alternativa, no actual enquadramento económico, é entre conseguir que alguém realize uma dúzia de grandes investimentos produtivos no país, capazes de vender o suficiente para tapar o buraco do défice comercial externo (20 mil milhões em 2010) ou acietar empobrecer continuadamente.
ESta última alternativa tem uma dificuldade: a distribuição do mal aos bocadinhos nunca dura demasiado tempo.

É Cego... , | 11/02/11 11:42
O seu artigo mostra bom tacto... mas é cego!
Não considera a grave questão de que sem uma melhor REDISTRIBUIÇÃO DE RENDIMENTOS não há JUSTIÇA SOCIAL.
Sempre atento , Coimbra | 11/02/11 11:24
Caros leitores e comentadores, na minha opinião não é só o facto de os salários serem baixos, mas sim o aumento do custo de vida em Portugal desde a entrada do Euro. O que é certo é que o custo de vida aumentou mais do que a média dos salários pagos, daí que as pessoas não têm visto as suas finanças a melhorarem. Com uma crise internacional as coisas agravaram-se. Em relação à produtividade remeto à actual situação do nosso código do trabalho que está no cerne da nossa falta de produtividade. Ao termos um emprego para a vida isto tende a criar vícios no trabalho e acabamos por não dar lugar a pessoas mais produtivas para aquele trabalho. Ao contrário do que a maioria das pessoas pensam uma alteração no código do trabalho pode contribuir para a rotatividade dos trabalhadores. O emprego para a vida acabou e quem não se ajustar a esta nova situação não se consegue vencer nem ajudar o país a sair desta situação.

Paulo Silva , | 11/02/11 10:59
O problema está mal colocada, se a produtividade é baixa é porque os salários dos Portugueses também o são. Alguém está motivado para trabalhar com salários de miséria? Com € 500,00 por mês os Portugueses preocumpam-se não com o modo como poderiam produzir mais, mas sim como é que vão conseguir alimentar os filhos. Gostaria de ver a produtividade deste senhor se tivesse pois um salário de € 500,00.

Realista , Porto | 11/02/11 09:13
O artigo não traz nada de novo, a não ser a afirmação de que a solução FMI seria melhor que a ajuda Berlim-Paris. Admira-me que o autor diga uma coisa destas. Olhe, pergunte aos gregos e aos irlandeses se estão satisfeitos. NÓS PRECISAMOS DE AJUDA MAIS FLEXIVEL E MAIS PONTUAL. A questão da indexação ou não de aumentos salariais à inflação é um pormenor, im fait-diver.

LOPES CARLOS , Bélgica | 11/02/11 08:21
1. Infelizmente para os Portugueses há uma terceira "saída" ( desemprego estrutural em larga escala).
2. Infelizmente vem aí a inflação que "ajudará " a retirar poder de compra aos Cidadãos Comuns.
3. Como eliminar ( tardiamente e sem o favor dos ventos) os nós górdios que estrangulam o nosso Desenvolvimento Economicop e Social ?
4. Os "ruidos" surgem de muitos lados, mas nada de consistente se vislumbra.

Viriato , | 11/02/11 07:36
Grande Daniel!!! força, aguardamos já o próximo artigo.
mais um , Lisboa | 11/02/11 00:41
De facto podemos falar de baixa produtividade pois nada produzimos. Transformá-mos o tecido produtivo em serviços sem retorno a curto e médio prazo face aos investimentos realizados, porém temos de pagá-los. Os consumidores do Mundo moderno querem bens de consumo como é transmitido e comunicado pelo status quo politico a consequência está à vista e andamos sempre a inventar para jsutificar tais desvios. Agora é a produtividade! Não será antes o excesso de impostos directos e indirectos? Mandatos de administrações 3 a 5 anos? Crescimentos acima de 2 digitos nos resultados da banca e grandes empresas públicas monopolistas? Excesso de empregados políticos nas privadas? Haja paciência... a perda de valores nos últimos 35 anos tem sido isso sim a grande responsável

 

 

 

 

publicado por ooraculo às 18:11
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Sexta-feira, 4 de Fevereiro de 2011

Mundo louco

FMI, projecções para 2011. A economia mundial vai crescer 4,4%, média ponderada das economias emergentes (6,5%) e das economias avançadas (2,5%) e sintoma nítido de que a recessão de 2009 já se ultrapassou. No primeiro grupo, destaque para dois colossos asiáticos: a China e a Índia. No segundo grupo, o insólito: os Estados Unidos, mesmo com défices e desemprego, vão crescer o dobro da Eurolândia. O mundo virou de pernas para o ar.

Peguemos no caso da China, com taxas de crescimento da ordem dos 10% ao ano. Com esta ‘performance', salários de miséria e uma taxa de poupança que não tem paralelo em todo o mundo, o país vai acumulando reservas colossais que necessitam de aplicação. E os sinais vão aparecendo: o poder económico está a deslocar-se para Leste; e os fundos de Leste preparam-se para "comprar" a Europa. Não sei se os europeus já se aperceberam disso.

Num outro plano, os preços do petróleo e dos produtos alimentares voltaram a disparar, sugerindo o regresso da inflação. Não a inflação tradicional, associada ao sobreaquecimento económico, que os países corrigiam subindo as taxas de juro. É uma inflação específica, que reflecte o excesso da procura sobre a oferta daqueles produtos, em particular na China. Ainda não se sabe como lidar com isto. Mas sabe-se que as últimas recessões começaram assim.

Enquanto isto, os EUA e a Europa não se entendem sobre a melhor forma de ultrapassar a crise. A Europa aposta no rigor orçamental e no controlo da dívida; os EUA preferem aumentar o défice para relançar a economia - mesmo que a dívida pública já atinja a soma astronómica de 14 triliões de dólares, próxima do PIB. O facto é que a História parece dar razão ao Tio Sam: o PIB ‘per capita' excede em 34% o equivalente europeu e continua a distanciar-se.

Pertencendo nós ao grupo das economias avançadas, é com estes dois blocos que devemos comparar-nos. E a comparação não poderia ser mais frustrante. Peguemos num trabalhador americano médio e façamos a sua produtividade por hora igual a 100: o indicador homónimo da Zona euro é de 85 e o português de apenas 48. Eis a imagem de Portugal ao espelho: uma produtividade paupérrima e confrangedora. A mais baixa da Europa.

Como é que vamos sair disto?

 

CHOQUE DE CULTURAS

 Países emergentes...

(PIB, variação (%)

 

 ..assaltam o poder

(PIB, variação (%)

   

 

*Estimativas. **Projecções

 

Com a recessão de 2009 até a economia mundial bateu no fundo, o que nunca acontecera neste século. Mas as economias emergentes apenas abrandaram o passo, retomando a marcha logo a seguir. O caso da Europa é ‘sui generis': caíu muito mais do que os EUA e, na hora da retoma, fá-lo a um ritmo que é apenas metade do dos americanos. Já Portugal parece um caso perdido: vamos passar vários anos a marcar passo...

 

Fontes: FMI, Banco de Portugal.

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Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt


Comentários

JTPacheco , | 04/02/11 14:52
A Europa Ocidental e a América do Norte têm um problema de crescimento global que só se irá agravar se não for atacado e que resulta da transferência progressiva da produção de bens transaccionáveis para os países emergentes.
Durante anos temo-nos agarrado à ideia de que isso se passa apenas com as industrias de baixa tecnologia e de mão de obra intensiva e que iríamos conseguir manter o domínio nos sectores tecnologicamente mais avançados e nos serviços.
A realidade mostra no entanto que, com o aumento dos níveis de educação e o crescimento dos mercados internos dos países emergentes, estamos também a perder as vantagens competitivas nesses sectores.
Nesta altura, a grande diferença que ainda existe entre as economias ocidentais e os países emergentes reside no elevado poder de compra (relativo) que ainda mantemos e que nos permite manter um mercado com um potencial desproporcionadamente maior do que a nossa população mas, se não fizermos nada para proteger esta última linha de defesa, vamos assistir impotentes à erosão inexorável desse poder de compra, suportando subsídios cada vez mais reduzidos para um desemprego em crescimento exponencial, enquanto as empresas se vêm forçadas a deslocalizar para sobreviver.
Esperamos (e bem) remunerações, níveis de protecção, direitos, etc., superiores ao que esses países agora disponibilizam mas, ao fazê-lo, estamos a fazer com que as nossas empresas concorram com armas desiguais e enfrentem o dilema: deslocalizar ou fechar.
Aceitamos a lógica de mercado e não podemos (nem devemos) barrar a entrada a bens de países terceiros. Mas podemos (e devemos) impor regras de concorrência que obriguem esses países a elevar a respectiva fasquia.
Impor uma certificação que ateste que são cumpridos determinados patamares de remuneração, horários de trabalho, direitos laborais, protecção à família, etc., ajudaria a aproximar as regras, com a vantagem de estarmos a nivelar por cima, ou seja: Ajudamos a impor condições socialmente mais justas nos países emergentes e defendemos o nosso emprego, o nosso nível de vida e a protecção social que consideramos essencial.
Se não reagirmos rapidamente, o efeito bola de neve que iremos sentir com a combinação de redução de receitas ficais, pela perda de rendimento e aumento de despesas social pelo aumento do desemprego será avassalador e muito mais rápido do que poderíamos esperar.

Elementar , | 04/02/11 14:34
Porque é a produtividade paupérrima e confrangedora em Portugal:
1º) Porque o país se especializou durnate décadas em produções de de baixo valor acrescentado de que resultava um baixo valor acrescentado/habitante ( um operário que produz alpargatas e t-shirts não cria o mesmo valor que um operário que constroi reactores nucleares ou produtos químicos sofisticados);
2º) Mesmo essas produções de baixo valor acrescentado, quando entrámos para a CEE, foram em parte dizimadas: as que se destinavam ao mercado interno pela concorrênciae das importações provindas da europa a partir de empresas com maior escala, e as que se destinavam tradicionalmente à exportação para a europa pela abertura desta às importações concorrentes dos países do 3º mundo;
3º) Empurrados para o desemprego os portugueses activos que não emigraram procuraram sobreviver à sombra do Estado( função pública, reformas antecipadas), subsídios vários), em pequenos negócios próprios e no sector de bens não transaccionáveis.Tudo soluções individuais que fizeram baixar ainda mais o nosso nível global de produtividade;
4º) Quanto à produtividade do capital investido, porque a rentabilidade dos sectores de bens transaccionáveis se tornou muito baixa e mesmo negativa, pelo efeito das importações a baixos preços no mercado interno e pela concorrência de países terceiros nos nossos mercados tradicionais de exportação pela liberalização do comércio, os investimentos, públicos e privados, foram canalizados para o sector de bens não transaccionáveis (obras públicas, habitação, centros comerciais, supermercado, etc). Tudo sectores com baixo nível de valor acrescentado, o que afundou ainda mais a nossa produtividade global.
Em que é que isto tudo resultou? Em enormes défices comerciais externos todos os anos e numa gigantesca dívida externa. Como não poderia deixar de ser.
Uniter Colors of Benetton e o apoio à subversão política na China , | 04/02/11 12:00
Com o objectivo de proteger o emprego na Europa. Com o imperativo social e humano de reclamar mais direitos de cidadania e melhores condições de trabalho na China... eis duas prpostas de subversivas:
1.incentivar os governos da Europa a se unirem no patrocínio velado a grupos e partidos defensores dos direitos humanos e de formas democráticas de governo que estejam - ou se queiram envolver - em actividades subversivas ao regime comunista chinês.
2. promover campanhas - ao estilo da United Colors of Benetton - que, por via do choque da mensagem, descredibilizem o regime do Pequim e desincentivem a compra de produtos chineses

joão , | 04/02/11 10:15
caro jose, fx, os serviços mínimos bancários garantem o acesso a uma conta bancária e cartão de débito por um custo máximo anual de 1% do SMN

jose , fx | 04/02/11 08:33
...batendo as asas pela noite calada... vêm em ban.dos,com pés de veludo...» OsVampi.ros do Século XXI:A Caixa Geral de Depósitos (CGD) está a enviar aos
seus clientes mais modestos uma circular que deveria fazer corar de vergonha os administradores - principescamente pagos - daquela instituição bancária.A carta da CGD começa, como mandam as boas regras de marketing, por reafirmar o empenho do Banco em oferecer aos seus clientes as melhores condições de preço. qualidade em toda a gama de prestação de serviços,
incluindo no que respeita a despesas de manutenção nas. contas à ordem.
As palavras de circunstância não chegam sequer a. suscitar qualquer tipo de ilusões, dado que após novo. parágrafo sobre racionalização e eficiência da gestão de. contas, o estimado/a cliente é confrontado com a. informação de que, para continuar a usufruir da isenção da. comissão de despesas de manutenção, terá de ter em cada. trimestre um saldo médio superior a EUR1000, ter créditode vencimento ou ter aplicações financeiras associadas à. respectiva conta. Ora sucede que muitas contas da CGD, designadamente de pensionistas e reformados, são abertas por imposição legal. É o caso de um reformado por invalidez e quase. septuagenário, que sobrevive com uma pensão deEUR243,45 - que para ter direito ao piedoso subsídio diário de EUR 7,57 (sete euros e cinquenta e sete cêntimos!) foi forçado a abrir conta na CGD por determinação expressa da Segurança Social para receber a reforma. Como se compreende, casos como este - e muitos são. os portugueses que vivem abaixo ou no limiar da pobreza -não podem, de todo, preencher os requisitos impostos pela CGD e tão pouco dar-se ao luxo de pagar despesas de manutenção de uma conta que foram constrangidos a abrir para acolher a sua miséria. O mais escandaloso é que seja justamente uma instituição bancária que ano após ano apresenta lucros fabulosos e que aposenta os seus administradores, mesmo quando efémeros, com «o.b.s.c.e.n.a.s» pensões (para citar Bagão Félix, Eduardo Catroga), a vir exigir a quem mal consegue sobreviver que contribua para engordar os seus lautos proventos. É sem dúvida uma situação ridícula e vergonhosa, como lhe chama o nosso leitor, mas as palavras sabem a pouco quando se trata de denunciar tamanha indignidade. Esta é a face brutal do capitalismo s.e.l.v.a.g.e.m que nos servem sob a capa da democracia, em que até a esmola paga taxa. Sem respeito pela dignidade humana e sem qualquer resquício de decência, com o único objectivo de acumular mais e mais lucros, eis os administradores de sucesso. Medita e divulga... Mas divulga mesmo por favor...

LOPES CARLOS , Bélgica | 04/02/11 07:12
1. É evidente para todos que a Ásia ( RP CHINA e India) é o motor da Economia Global. A primeira analise que li, antevendo isto, foi escrita pelo Prof. Adriano Moreira, há muitos anos atrás. Quando a RP CHINA ultrapassará os EUA ?
2. Em 17/3/2009, o Prof. Krugman disse a uma plateia de escassos 60/70 interessados que o mais grave da crise financeira global é que estava a " ocultar" uma série de crises larvares ( água, alimentos, energia, sociais,etc). Depois digam que eles não avisam. Infelizmente, poucos os querem ouvir. É muito mais cómodo nada ouvir, nada ver, nada dizer.
3. Salientem-se as profundas diferenças de produtividade entre a Alemanha, a França e a Bélgica , por exemplo, nos dominios do agro-alimentar ( abate e corte de porcos e vacas), que motivaram uma queixa em Bruxelas . Claro que é necessário mais convergencia economica , mas também é necessario repensar o chamado Mercado Interno ,no interesse concreto de todos os Europeus .

publicado por ooraculo às 17:59
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