Sexta-feira, 25 de Março de 2011

Todos contra o país

Cenas dos últimos capítulos. Bruxelas fixou os objectivos orçamentais portugueses até 2013. A seguir enviou uma missão a Lisboa para escolher as medidas mais adequadas ao fim em vista. O Governo assumiu este pacote e levou-o a Bruxelas como se fosse seu. Os ‘opinion makers' desdobraram-se em elogios. E o conselho europeu deveria aprovar hoje o seu plano de ajuda a Portugal. Depois do que se passou, será que ainda há espaço para essa ajuda?

Pontos prévios. Na consolidação que nos foi imposta, o défice do período 2010-13 tem de cair 7,3 pontos para os 2% do PIB, o que é de uma enorme violência. E é estranho que só à força tenhamos agora assumido que o quadro macroeconómico de 2011 era irrealista e teria de ser corrigido. Incrível! Dito isto, nada tenho a opor às medidas para compensar os desvios: mais concessões, alienação de património, cortes diversos em acções sociais.

Daqueles 7,3 pontos a cortar no défice uma boa parte pertence ao biénio 2012-13, quando o crescimento económico deverá ser nulo ou próximo disso. Como, ao que parece, já não haverá concessões para atribuir nem património para alienar, as escolhas são fáceis: vamos ter de aumentar impostos e de cortar nos salários e nas pensões. Ainda assim, deixo um apelo a que melhorem a distribuição: há situações de pobreza verdadeiramente arrepiantes.

Neste PEC revisto e adaptado à imagem de Bruxelas não há uma palavra sobre a dívida. Nem tinha de haver. Mas é importante que não nos esqueçamos dela: a dívida vai continuar a subir até 2012, estabilizando nos 87% do PIB, um valor ingerível. Sempre alimentei a esperança de que o conselho europeu que hoje termina nos deixasse algumas pistas sobre a reestruturação. Mas, face à loucura política dos últimos dias, até essa esperança desapareceu.

Não vou falar de culpados, para não alimentar a polémica. Limito-me aos factos: as oposições em bloco pronunciaram-se contra o programa, abrindo espaço a eleições antecipadas e a uma crise de consequências imprevisíveis. O que emerge desta crise é uma aliança absurda entre o Governo e as oposições numa luta contra o país. O país perdeu. E, como nem sequer sobrevive sem estas medidas, alguém vai ter de as aplicar por nós - adivinham quem?

Bom dia FMI!

 

CONTAS PÚBLICAS

Dos défices anuais...

(Défices, % do PIB)

...à dívida acumulada

(Dívida, % do PIB)

   

* Previsões.

Entre 2010 e 2013, o défice orçamental terá de cair 7,3 pontos para os 2% do PIB, o que pressupõe medidas de austeridade de uma enorme violência. Mas o problema não acaba aqui. Depois disso, ainda vamos ter de gerir uma dívida pública da ordem dos 87% do PIB, para que não se vislumbra solução. Ou melhor: a solução que nós queremos não é a mesma que os nossos credores estão disponíveis para nos dar...

Fontes: Governo, Banco de Portugal.

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Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt

 

Comentários:

 

Lhekas , AOA | 25/03/11 17:43
É sim senhor um bom artigo! Não vale a pena querer identificar culpados, nem tão pouco quantificar a verdadeira dívida. Numa zona em crise este exercício é sempre complexo – nunca se sabe o que está, e o que vai, acontecer ao vizinho do lado. A única certeza que existe é que vai haver mais “PEC’S”, mas agora, em vez de apertar-se o cinto de buraco a buraco vai ser de dois em dois buracos.

00Portugal , Lx | 25/03/11 15:02
Caro Daniel Amaral, mais um excelente artigo e perfeitamente entendível para toda a gente.
Parabêns
LOPES CARLOS , Bruxelas | 25/03/11 13:38
1. Excelente artigo, como é timbre deste Ilustre Autor.
2. Neste momento concreto não será talvêz a altura adequada para falar de "culpados".
3. Mas, é o tempo correcto de Alguém, que os Portugueses ainda respeitem , declarar clara e publicamente qual é o nosso verdadeiro défice e qual é o montante real da nossa divida externa bruta.
4. Também seria util, que a partir de agora ninguém lance mais "sinais" errados que causam grande prejuizo aos Investidores e às Partes Interessadas nos diferentes Sectores Economicos. Aliás, do Exterior vão surgir elementos que vão ajudar a clarificar a situação em diversos Sectores fundamentais.
Francisco , | 25/03/11 12:59
Tendo em conta que a dívida das empresas públicas também terá de entrar no perímetro, a "coisa" no final de 2012 deverá andar próximo dos 100%.
O que nós agora queriamos era uma reestruturação AKA perdão de dívida. Isso é que era!
JTS , | 25/03/11 12:20
Todos contra o país e o país contra todos...os políticos,já...
jtpacheco , | 25/03/11 11:59
E se o PM fosse outro?
O principal obstáculo a um acordo multipartidário foi, inegávelmente, o PM, pela falta de confiança que transmite e pela falta de respeito que tem demonstrado pelos restantes parceiros.
Mas e se o PR convidasse outra personalidade da área socialista (Jaime Gama ou Luis Amado, por exemplo) para formar um governo de unidade nacional com o PSD e mesmo com o CDS, com, também por exemplo, Catroga como Ministro das Finanças? Evitavam-se novas eleições e o país poderia apresentar uma imagem de unidade que só traria vantagens, interna e externamente.
sila , cascais | 25/03/11 11:31
A situação a que chegámos não é inédita no nosso País.Mas, infelizmente, nem desta vez, a conhecemos bem. Todos os dias aparecem contas mal feitas. Juntando toda a informação disponível, julgo lícito concluir que a situação é pior do que nos querem fazer querer. Por isso, o salvador tem estado escondido, mas atento. Em breve, sairá do armário. E vai-nos tratar em modo " português suave".
Rui Lorvão , | 25/03/11 11:05
Mais uns quantos buraquitos no pacotão do Sócrates foram identificados ontem.
"Não vou falar de culpados, para não alimentar a polémica" , | 25/03/11 11:04
Atitude muito portuguesa (quando convém), essa de dizer que não se vai falar de culpas.
Conviria pelo contrário afirmar, proclamar que o grande culpado, o grande ilusionista e manipulador, o grande mentiroso e incompetente, grande irresponsável que optou por destruir o país para vencer (mal e porcamente) umas eleições objectivamente aldrabadas, tem nome.
Bom dia, "engenheiro" José Sócrates.
Incrível, a impunidade de Sócrates e Teixeira dos Santos , isso é de facto incrível | 25/03/11 11:01
O "engenheiro" sucateiro Sócrates não tinha jurado há uma semana que não iria ao Conselho Europeu se o PEC IV chumbasse no Parlamento?... Então o que está ele a fazer em Bruxelas?... Ahhhh!... Já percebi: o nosso "engenheiro" Pinóquio fax de conta, que tão bem nos governa há seis anos e um mês, está em Bruxelas com carinha de virgem ofendida a fazer campanha eleitoral à custa do contribuinte português.
A propósito, o "engenheiro" Freeport Sócrates já terá dispensado algum dos treze novos motoristas contratados para o seu Gabinete em Maio passado? (Diário da República, 2.ª série — N.º 96 — 18 de Maio de 2010)
O Troca tintas , | 25/03/11 10:29
Verry Welli (inglês técnico)
L. , | 25/03/11 10:03
Viva Dominique Strauss Kahn! Primeiro Ministro de Portugal!
Realista , Porto | 25/03/11 09:37
Concordo inteiramente com o artigo que acho muito equilibrado e bem escrito. Então a parte final é de se lhe tirar o chapeu. Bonjour....FMI. Eu só acrescentaria mais uma pequenina coisa: o autor mete no mesmo saco, e bem, todos os partidos, mas....e o "presidente de todos os portugueses" fica de fora?
 
publicado por ooraculo às 18:09
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Sexta-feira, 18 de Março de 2011

As taxas de juro

O presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, acordou preocupado com as pressões inflacionistas e admitiu subir as taxas de juro. Os analistas destas coisas logo desataram a dar palpites sobre o quando e o quanto desta subida. E os mercados da dívida aproveitaram a deixa e subiram mesmo. Entretanto, nos EUA, com uma inflação semelhante à nossa e uma taxa de referência mais alta, o FED não tugiu nem mugiu. Há aqui qualquer coisa que me escapa.

Sem que isso envolva qualquer rigor científico, tem-se como boa uma inflação que tende para os 2% ao ano sem exceder este valor. E há muitos anos que ela vem a satisfazer esta regra, com excepção do início de 2011. Ainda assim, o FMI é taxativo: a inflação deste ano deverá ser de 1,6% nas economias avançadas e de 6,3% nas economias emergentes. Países como a China, a Índia ou Brasil poderão estar preocupados. Mas, aqui na Europa, qual é o problema?

Exemplo típico de pressões inflacionistas é aquele que ocorre nas economias sobreaquecidas, quando os salários sobem de forma descontrolada e levam tudo à frente. O antídoto para isso está nas taxas de juro. Mas as últimas projecções do Eurostat sugerem que, em 2011, toda a Zona euro estará com um PIB efectivo abaixo do PIB potencial; e o crescimento médio previsto é de apenas 1,5%, com valores negativos na Grécia, na Irlanda e em Portugal.

O reflexo mais notório deste subaproveitamento de recursos está no desemprego. Números recentes apontavam para taxas da ordem dos 10% da população activa no conjunto da Zona euro, e muito acima disso em países como a Espanha (20%), a Grécia (15%), a Irlanda (14%) ou Portugal (11%). São valores que excedem em muito a chamada taxa de desemprego natural, o mesmo é dizer que a tendência dos preços será para descer e nunca para subir.

Uma subida das taxas de juro quando é imperioso realizar investimentos que criem mais postos de trabalho seria trágico para a generalidade das economias da Zona euro. Mas esta regra tem uma excepção, que se chama Alemanha: o seu crescimento está a ser muito forte e ameaça pressionar o emprego. A dúvida é legítima: será que anda aqui uma mãozinha marota e que a Alemanha confunde os interesses do euro com os seus próprios interesses?

Só nos faltava esta.

 

APOIO FINANCEIRO*

 

 

Dos bancos nacionais...

(Portugal (%))

...ao banco europeu

 (BCE (%))

   

A tendência recente em Portugal é para a descida das taxas de juro, tanto para as empresas como para os particulares. O que faz todo o sentido, à luz das baixas taxas de inflação e da crise económica gravíssima que tem assolado o país. E o BCE tem adoptado política idêntica, tanto para o refinanciamento como para a cedência de liquidez. Não parece que haja razões para alterar esta política, antes pelo contrário.

Fonte: Banco de Portugal.
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Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt

 


Comentários

Credibilidade dos analistas? , | 18/03/11 15:10
Que credibilidade tem as empresas de rating americanas para influenciar a actual Economia de Casino Mundial?
Que nota davam aos Fundos do Madoff, ao Lehman Brothers etc,etc...
É preciso que a Europa crie urgentemente uma agencia de rating credivel para avaliar a solvabilidade da divida gigantesca dos EU da América !
Norberto de Serpa , | 18/03/11 10:49
A libor a três meses nos EUA subiu de 0,29 para 0,31num espaço de 6 meses, mantendo uma consistência mensal, por cá a euribor a três meses ou qualquer outro período anda aos saltos diários que só cria incertezas. O que é preciso é estabilidade!
Realista , Porto | 18/03/11 08:55
Estou de acordo e a observação final do autor é pertinente. Tambem aqui a Alemanha está em contraciclo com o resto da Europa e que políticas tomar: as que convêm à Alemanha ou as que convêm à Europa? O autor tambem salienta a oposição entre o actual pensamento económico nos EUA e na Europa. Nos EUA (a patria do neoliberalismo) dá-se prioridade ao crescimento económico e ao desemprego. Aqui na Europa, graças à Alemanha, dá-se prioridade ao equilibrio financeiro. Quando o desemprego europeu ronda os 10% não devia ser assim. Mas lá está....o desemprego alemão anda pelos (normais) 4%.
 
publicado por ooraculo às 18:19
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Sexta-feira, 11 de Março de 2011

O risco de asfixia

A opinião que hoje tenho sobre o défice de 4,6% do PIB em 2011 é a mesma que tinha quando o orçamento foi aprovado: ele só será exequível com o recurso a medidas extraordinárias. É fácil explicar porquê: o quadro macroeconómico é irrealista e o Governo não sabe lidar com a despesa. A demagogia oportunista do PSD, que exigiu correcções aos impostos para viabilizar o documento, apenas ajudou à festa. Agora vamos ter de recuperar tudo com juros.

As medidas extraordinárias podem ser encontradas dentro ou fora do orçamento. Mas, nesta fase, creio que seria suicida penalizar ainda mais as famílias. Ninguém entenderia. E tenho uma proposta menos má: recorrer à venda de activos, ao remanescente do fundo da PT e, se tudo isto não chegar, a outros fundos de pensões. Faço-o, porém, a contragosto: alienar activos é uma dor de alma; e a absorção destes fundos é um insulto aos pensionistas.

Acresce que a consolidação orçamental assumida vai até 2013. E, seja o que for que aconteça daqui para a frente, nos próximos dois anos já não deverá haver activos para alienar nem fundos de pensões para absorver. Como os saldos orçamentais vão continuar negativos, e o crescimento económico deverá ser nulo ou próximo disso, as soluções que nos restam mexem com o nível de vida: vamos ter de aumentar impostos e/ou diminuir rendimentos.

Projectando a dívida pública a três anos, conclui-se que ela vai continuar a subir, estabilizando à volta dos 86% do PIB exactamente em 2013. Deixemo-nos de paninhos quentes: esta dívida é ingerível e tem de ser reestruturada. Só vejo uma solução: congelar a parte que exceder os 60% do PIB - algo como €40 mil milhões - e parqueá-la num organismo para o efeito escolhido, seja o BCE ou outro qualquer. Quem diz congelar diz esquecer...

Perante este quadro, é óbvio que vamos precisar de ajuda externa. E só no-la dão se quiserem. Mas, dito isto, considero que é uma estupidez pretender que a nossa consolidação orçamental pode fazer-se num espaço tão curto. A mordaça é de tal ordem que elimina qualquer hipótese de investimento e de criação de emprego. O que é o mesmo que condenar o país à morte por asfixia. Se é esse o desejo dos chefões da Europa, o melhor é assumi-lo já.

O tempo escasseia.

 

FINANÇAS PÚBLICAS

Gestão falhada...

(2007=100)

 ...dívida ingerível

 (% do PIB)

   

Projectando a situação até 2013, à luz das perspectivas recentes, conclui-se que, em sete anos, o PIB nominal cresce 10% e a dívida pública cerca de 50%: é a negação completa do que deve ser uma gestão orçamental. Daí que, de uns razoáveis 63,6% do PIB no início, esta dívida dispare para os 86,6% do PIB no final, um valor praticamente ingerível. Esta dívida tem de ser reestruturada - seja o que for que isso signifique...

Fontes: Governo, Banco de Portugal
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Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt

 


Comentários

 
 
Francisco de Almeida , Lisboa | 13/03/11 15:49
Aquando das ultimas eleições legislativas em que o PS perdeu a maioria absoluta, a situação económica/financeira interna e externa já era muito má, logo e considerando o nosso sistema politico, Cavaco Silva nunca deveria ter aceite que se formasse um governo minoritário.
Fê -lo por tacticismo, tal como o PSD não apoiou a moção de censura do BE ou não apresenta uma da sua autoria bem como o PS não apresenta uma moção de confiança.
Estas três entidades jogam o mesmo jogo, mas ao contrario de um jogo normal, onde à partida, não se sabe qual é o perdedor e o vencedor, neste sabemos que Portugal (o povo português) é sempre o perdedor e "eles" nunca perdem.
A manipulação socrática continua , | 12/03/11 17:25
"Fundo Europeu pode comprar dívida portuguesa", anuncia hoje triunfantemente o socrático desGoverno.
E como sempre, os incompetentes (ou acomodados e acobardados) jornalistas "tuguinhas" lá vão engolindo os sound-bites do brilhante "engenheiro" sucateiro Sócrates de forma totalmente acrítica.
Infelizmente não pensam e não lêem. Não leram por exemplo as conclusões da "cimeira" de ontem.
Ora, o que lá se diz é que:
- se um Estado membro europeu pedir ajuda (mas recordo que o Sócrates diz que este Portugal sucateiro NÃO precisa de ajuda),
- se aceitar um plano absolutamente rígido de"ajustamento" económico e orçamental (estamos a falar de um “plano” totalmente novo, integralmente elaborado sob a égide de terceiras entidades, entre as quais o FMI, uma coisa a sério; e não estamos pois a falar dos fabulosos PEC I, PEC II, PEC III, PEC IV ou do mais recente e tão progressista PEC V que já nos foram impingidos pelo inefável “engenheiro desleixado” Sócrates e por esse verdadeiro “mago das finanças” que é o Teixeira “Errata e Discrepância” dos Santos),
- se houver participação do FMI (repito, do FMI) na análise conduzida também pela Comissão e pelo BCE,
- se houver decisão unânime dos restantes Estados membros,
- se em certos casos de insolvência houver uma negociação com os credores privados tendo em vista a "reestruturação" (ou seja, o não reembolso) de parte da dívida,
- se o FMI (repito, o FMI) for sempre a primeira entidade a ser reembolsada,
poderá então ser ponderada a concessão de assistência (isto é, de ajuda) financeira sob a forma de empréstimos directos ao Estado pedinte.
E apenas a título excepcional poderá ser encarada uma intervenção dos Fundos europeus de ajuda de emergência no mercado primário da dívida, no contexto de um programa de ajuda (repito, de ajuda) ao Estado pedinte, subordinado a uma estrita condicionalidade.
Mas eu pergunto novamente: o nosso brilhante "engenheiro" sucateiro Sócrates não tem dito que Portugal NÃO precisa de ajuda?... Ele continua a fazer de nós parvos, é? E os brilhantes cérebros da nossa imprensa económica "de referência" não se revoltam? E a Oposição não denuncia mais esta manipulação?
O menino de ouro Sócrates fez mesmo de nós um povo de carneirinhos sabujos de terceira categoria... Por isso mesmo, 700 000 Portugueses foram já obrigados a emigrar nos últimos anos (e já não votam). E outros 700 000 estão no desemprego.
Mas a procissão sucateira socrática rumo à miséria e à perca total e irreversível da independência nacional ainda vai no adro...
C. Vieira , Boston, USA | 11/03/11 14:32
Bom artigo. No meio de todo o barulho mediatico alguem que coloca as situacoes em perspectiva e com uma claridade que pode ser digerida e util.
alberto , lisboa | 11/03/11 12:20
Não se pode concordar mais com o articulista, a dívida é já hoje ingerível e em 2013 então... De facto, só um "perdão de dívida" pode permitir a Portugal continuar a andar em condições mínimas, e os credores sabem isso mesmo , as taxas actuais da dívida pública já estão corrigidas dessa possiblidade. Mas o que custa mais é saber-se que com este governo os sacrifícios serão em vão, não há qualquer estratégia ( ver os ingleses e os espanhóis p ex ) e a incapacidade de reduzir a despesa sem ser à custa da redução do poder dos salários é aflictiva. Este governo deveria ser levado ao banco dos réus pelo desgraça que trouxe ao país com as suas políticas desastradas, pacóvias e pseudo-modernistas, à imagem de um PM que começa a parecer inimputável. É visível que a Europa aposta hoje no resgate de Portugal para fazer baixar as tensões com o euro, e basta saber o que pensa a maioria dos alemães para perceber que a Alemanha, o grande financiador desta m.... toda, não irá viabilizar as pretensões do tolo do PM. Parabéns pelo artigo, é muito útil para esclarecer os iludidos e os ignorantes.
E o TGV espanholito "de las castañuelas"? Intocável?... , Henrique Neto | 11/03/11 11:28
Sócrates, com a sua falta de sentido de Estado, a sua ignorância, o seu voluntarismo pacóvio, a sua teimosia irresponsável e, porventura mais importante, a sua falta de patriotismo e de convicção sobre o interesse geral, iludiu durante seis longos anos todos os reais problemas da economia através de um optimismo bacoco e inconsciente. Não o fez apenas por ignorância, mas para servir os interesses da oligarquia do regime, através da especulação fundiária e imobiliária, das parcerias público-privadas, dos concursos públicos a feitio, das revisões de preços e de uma miríade de empresas, institutos, fundos e serviços autónomos, além das empresas municipais. Regabofe pago com recurso ao crédito e sem nenhum respeito pelas gerações futuras.
 
lucklucky , | 11/03/11 11:12
O keynesianismo requentado continua. Sempre à procura de um rico UE, Alemanha etc a quem prestar vassalagem depois de destruir um País.
E o seu primeiro parágrafo é risível. Que o PSD é keynesiano como o PS já todos sabemos. Agora que ponha em paralelo 50 milhões com os vários mil milhões só me diz que é uma parágrafo mensageiro, a dizer para o PS: vejam ainda estou do vosso lado. Aqui está a prova.
 
Xxx , | 11/03/11 10:01
Concordo com o autor em que a nossa dívida vai ter necessariamente que ser reestruturada. Só não concordo que não haja alguma coisa no estado que se possa cortar. Há muito instituto, gabinete, comissão, acessor, consultor para cortar. Muito mesmo.
Realista , Porto | 11/03/11 09:49
A situação actual de Portugal por vezes faz-me lembrar, para aqueles que acompanham o futebol, a situação do Sporting. O Sporting é dos 3 grandes o que mais aposta nos jovens e tem criado grandes jogadores, que depois não aproveita, deixando-os partir por tuta e meia para outros clubes. O problema do Sporting é que nos últimos anos tem-se concentrado quase exclusivamente na gestão da dívida, sem se aperceber que entrou num ciclo vicioso de díficil saída: devido à dívida não pode comprar bons jogadores, sem bons jogadores não ganha títulos nem faz receita, como não faz receita a dívida aumenta etc. etc. O Benfica já andou perto desta situação mas soube arriscar e sair do ciclo vicioso. Peço desculpa aos sportinguistas por usar o seu clube como exemplo. Eu sou do FCP. Mas voltando a Portugal. A mim não me passa pela cabeça pagar os 140.000 milhões de dívida pública que hoje devem representar cerca de 83% do PIB. Dívida elevada hoje quase todos os países ocidentais têm (Italia, Belgica, EUA até têm muito mais). A mim o que me passa pela cabeça são 2 coisas. 1-fazer um esforço para conter a dívida. Não é paga-la. É apenas contê-la. 2- aumentar o PIB, de modo que aquela relação dívida/PIB se va gradualmente reduzindo até atingir os almejados 60%. Claro que actualmente os juros que nos estão a pedir são demasiado elevados. Mas este é um problema que está mais nas mãos da UE que nas nossas resolver. Por que não vamos para as eurobonds? O que teriam os alemães a perder com isso? As eurobonds poderiam exustir ao lado de obrigações nacionais como as "bunds". É NA UE QUE O PROBLEMA TEM QUE SER RESOLVIDO. SE É QUE QUEREM MESMO SALVAR O EURO. PEDIR AJUDA NAS CONDIÇÕES DOS GREGOS (5,3%) OU DOS IRLANDESES (5.8%) NÃQO É SOLUÇÃO.
 
publicado por ooraculo às 17:17
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Sexta-feira, 4 de Março de 2011

Atenção ao emprego

Primeiro os conceitos. Chama-se “PIB potencial” ao valor que uma economia conseguiria produzir num determinado período de tempo se todos os seus recursos fossem utilizados de forma plena e eficiente. Mas esta é uma situação extrema. Daí que se lhe junte o conceito de "hiato do produto", que é igual à diferença entre o PIB efectivo e o PIB potencial, medido em percentagem deste último. São dois fenómenos complexos, mas muito interessantes.

Agora os números. Uma economia saudável é aquela que sabe escolher os seus recursos de modo a optimizar o crescimento económico e a criação de emprego. Infelizmente, não foi isso que sucedeu à economia portuguesa nos últimos 10 anos: o investimento caiu oito pontos para os 19% do PIB; o desemprego subiu sete pontos para os 11% da população activa; e o rendimento ‘per capita' cristalizou nos 73% da média da Zona euro, a cauda do pelotão.

Estes números sugerem o óbvio: ou o nosso crescimento potencial é fraco ou somos nós que não sabemos aproveitá-lo. Na verdade, há de tudo um pouco. O crescimento do PIB potencial vem a decrescer há pelo menos duas décadas; e o hiato do produto entrou no vermelho em 2009, altura em que o PIB efectivo passou a ser inferior ao PIB potencial. Para os amantes de estatísticas, aqui têm: este é o momento em que de facto entrámos em recessão.

Que a economia não é famosa já todos sabíamos. Mas precisamos de saber porquê, para que possamos melhorá-la. Em minha opinião, as razões são quatro: pouco e mau investimento, organização empresarial inadequada, deficiente formação de base e, como corolário de tudo isto, uma produtividade paupérrima. Não, não é por falta de mão-de-obra que as coisas não funcionam. Os mais de 600 mil desempregados aí estão para o demonstrar.

A uma semana da cimeira europeia de líderes que vai retomar a discussão sobre os PIGS, o nosso grande desafio é corrigir a péssima impressão que alguns parceiros têm de nós. Ou seremos cilindrados. Não é a austeridade que está em causa. É o seu grau de exigência. Não podemos validar "soluções" que obstem a um investimento mínimo que assegure um mínimo de criação de emprego. E não basta travar a doença: precisamos de não morrer da cura.

É agora ou nunca.

 

ECONOMIA SOFRE

Investimento fraco...

(Investimento, % do PIB)

...PIB abaixo do potencial

(Hiato do PIB**)

   

 

*Estimativas. ** [PIB efectivo/PIB potencial - 1]x100.

 

Em dez anos, o investimento caíu oito pontos para os 19% do PIB, afectando o crescimento potencial. Apesar disso, ele ficou nivelado com o dos outros países da Zona euro, sintoma de que as escolhas têm sido mal feitas. Para agravar a situação, o hiato do produto passou a negativo em 2009, com o PIB efectivo a situar-se abaixo do PIB potencial. Era o início da recessão, ninguém sabe até quando. Tudo acontece a este país...

Fonte: Eurostat.

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Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt

 

 

Comentários:

 

 Realista , Porto | 04/03/11 18:08
Para <Homo economicus>. Concordo com o seu comentario, embora eu não seja um adepto da "teoria" dos bens transaccionáveis e não transaccionáveis. Mas, no fundo, o problema está mesmo na última frase do seu comentario: quem vai fazer o investimento. É aqui que a porca tprce o rabo. É aqui que está o estrangulamento. Os neolibs dizem que só as empresas e em especial as (tão famosas) PME é que criam riqueza e vai daí.....Os Keynesianos (não gosto do termo mas não encontro outro) exigem a participação do Estado. Eu pertenço a este último grupo. A Espanha, eu sei que a Espanha não é exemplo, exemplo são os states e o UK, a Espanha, dizia eu, acaba de perfurar um túnel de 7 Km por baixo de Madrid, para ligar os AVE (TGV) que vêm do Norte aos do Sul. E não houve contestação. Toda a gente bateu palmas. Aqui andamos ha décadas, sim ha décadas, a discutir o aeroporto de Lisboa e a primeira linha de TGV.

José , Lisboa | 04/03/11 16:56
Já agora só para acrescentar: o PIB real pode crescer a um ritmo superior ao do PIB potencial. Se isso se mantiver, significa que o valor do PIB real se aproxima do valor do PIB Potencial. No LIMITE, os dois igualam-se, o que é a situação perfeita.
Eu não sou economista, mas não é preciso ser para perceber isto!
José , Lisboa. | 04/03/11 16:53
LOPES CARLOS,
Está a falar do CRESCIMENTO previsto do PIB POTENCIAL e do PIB REAL. Isso é uma coisa. Podem crescer a ritmos diferentes.
Outra, bem diferente é dizer que o VALOR do PIB Real é superior ao valor do PIB Potencial.
Impossível, ou então das duas umas: estamos no Paraíso ou a definição está mal feita.
LOPES CARLOS , Bélgica | 04/03/11 16:25
1. Segundo as "Perspectivas Economicas da OCDE " n°85 (2009) , no período 2011/2017, Portugal terá um crescimento médio anual POTENCIAL previsto de 0,7 ( ver Quadro 4.2 , pag 241).
2. Segundo a mesma publicação e para o mesmo periodo , Portugal terá um crescimento médio anual REAL previsto de 1,5 ( ver Quadro 4.3 , pag 243).
Homo economicus , | 04/03/11 14:21
De facto os investimentos realizados nos últimos anos foram innvestimentos não reprodutivos cujo efeito na criação de riqueza e no emprego se esgotavam largamente no momento da sua conclusão (obras públicas, habitação,etc). Mas não foram investimentos mal feitos.Foram apenas os possíveis de realizar para que se mantivesse o nível de emprego (a par com o emprego público) e o crescimento do PIB.
E porque não se realizaram investimentos suficientes nos sectores de bens transaccionáveis?
Porque a rentabilidade dos investimentos nesses sectores em que o país detinha know-how de capital e de mão-de-obra se tornou negativa:
- nos produtos exportados para os mercados europeus devido à concorrência de países terceiros a quem se abriram as fronteiras cometciais da europa;
- nos produtos para o mercado interno devido à concorrência dos produtos europeus importados a preços marginais de empreesas com maiores economias de escala.
Como quem investe não gosta de perder dinheiro, pura e simplesmente deixou-se de investir nos sectores de bens transaccionáveis. E parte do que existia foi fechando ou, na melhor das hipóteses, foi sendo vendida a investidores estrangeiros. Por outro lado, os novos investimentos em novos sectores de bens transaccionáveis foi muito insuficiente, ao nível do emprego e da balança comercial, (esta agravada pelo desvario de crédito barato pós-euro) para compensar a desactivação dos antigos sectores.
Menos óbvio parece ser saber quem vai realizar os investimentos necessários para inverter a situação a que chegámos.
Playboy Jardines , | 04/03/11 14:15
Caro Economista Daniel Amaral, mas o PIB efectivo não é sempre por definição menor do que o PIB potencial? Tinha curiosidade de saber que manuais de macroeconomia você andou a estudar.
 
Fitch corta 'rating' das acções preferenciais da Caixa Geral de Depósitos , | 04/03/11 14:08
Parabéns, "engenheiro" sucateiro Sócrates por transformar a nossa CGD (100% propriedade do Estado) em "junk".
Ou seja, lixo.
LIXO.
Com total impunidade política.
A economia falhou , | 04/03/11 11:48
O problema de todos os problemas é que todos os modelos económicos que se utilizam hoje em dia não se adequam à realidade. Nenhum deles consegue explicar o porquê de todos estes problemas. Andamos a discutir o que não tem interesse. Discutam projectos para o futuro e tenham em conta o que realmente interessa que são as pessoas e não os números. Os senhores dos números já falharam mais vezes que as previsões do tempo. Estamos a ser vitimas de uma tentativa de controlo mundial.. Abram os olhos antes que seja tarde demais!
José , Lisboa | 04/03/11 11:20
Não percebo...
O PIB potencial é SEMPRE superior ao PIB efectivo, uma vez que o PIB potencial, de acordo com a definição, é o valor que uma economia conseguiria produzir num determinado período de tempo se todos os seus recursos fossem utilizados de forma plena e eficiente. Logo, seria algo de perfeito e a perfeição não existe. Portanto, o PIB real é sempre inferior ao PIB potencial. Isto não acontece só na economia, mas também na Engenharia, Física, etc..
Daí que o texto do autor ou está mal explicado, ou o autor enganou-se, ou temos um problema sério nas nossas faculdades de economia.
Realista , Porto | 04/03/11 09:36
O essencial da nossa situação actual está nas duas últimas frases do artigo. Não interessa se o defice vai ser superior ou inferior a 4,6%. Não interessa o que a Sra Merkel pensa das nossas medidas de austeridade. O essencial é que, como diz o autor: "Não podemos validar "soluções" que obstem a um investimento mínimo que assegure um mínimo de criação de emprego. E não basta travar a doença: precisamos de não morrer da cura." É isso, não podemos esquecer o crescimento, que passa por um mínimo de investimento e pela ocupação de, pelo menos parte, dos desempregados actuais. IT'S THAT SIMPLE!
 
publicado por ooraculo às 18:24
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