Sexta-feira, 29 de Abril de 2011

A gestão da crise

Este é um momento triste. O Governo desculpa-se com a crise e acha que só não fez melhor porque as oposições o não deixaram. As oposições consideram a crise irrelevante e atribuem a culpa dos problemas à incompetência do Governo. E o país horrorizado continua a sua marcha a caminho do abismo. Propus-me este desafio muito simples: pegar no triénio 2008-10, os anos da crise, e ver como evoluíram o crescimento, o emprego e o endividamento.

Um simples olhar sobre os números leva a concluir que, no conjunto dos três anos, 13 das economias do euro regrediram e 4 limitaram-se a um crescimento modesto. Para um PIB igual a 100 em 2007, a média em 2010 foi de apenas 98. Mas Portugal chegou aos 98,7, reflectindo um desempenho bem melhor do que a concorrência. E, no ‘ranking' dos 17 países, ficámos em 7º, colados à Alemanha e à frente de países como a Espanha, a Itália e a França.

Como seria de esperar deste quadro recessivo, a taxa de desemprego disparou em todos os países da Zona euro, com a única excepção da Alemanha. A média desta subida foi de 2,5 pontos para os 10% da população activa. Portugal, que à partida tinha uma das taxas mais altas do grupo, limitou-se a seguir a tendência, estabilizando nos 11% e no 12º lugar do conjunto, ainda assim bem melhor do que países como a Espanha, a Grécia e a Irlanda.

A análise da dívida pública é mais complexa, por ausência de valores definitivos em vários países. Vamos ter de recorrer a estimativas. Elementos a destacar: no triénio 2008-10, a dívida subiu em todos os países da Zona euro e o acréscimo médio foi de 18,1 pontos para os 84,1% do PIB. Mas o acréscimo português foi de 29,7 pontos para os 92,4%, um valor só superado pela Grécia e pela Irlanda. Aqui é que a nossa gestão foi um desastre.

Um indicador favorável, outro neutro e um terceiro negativo sugerem a ideia de um empate técnico. Nem o Governo tem razões para embandeirar em arco nem as oposições são razoáveis quando lhe imputam todas as responsabilidades pelo que aconteceu. A má notícia é que as medidas anti-crise vão ser agora mais dolorosas. E não deixa de ser frustrante ler o último ‘outlook' do FMI: numa projecção para 2012, envolvendo 52 países, apenas um vai continuar em recessão - adivinham qual?

É o fundo do poço.

 

EUROPA DO EURO

 

 Menos produção...

(PIB, variação (%))

 ...mais desemprego

 (Desemprego (% pa))

 

Nos três anos que já levamos de crise económica, que correspondem ao período 2008-10, o PIB da Zona euro caíu 2%. Mas, em Portugal, caíu apenas 1,3%, reflectindo um desempenho bem melhor (menos mau) do que o dos nossos parceiros europeus. Já no domínio do desemprego as evoluções foram semelhantes: partimos de uma taxa um pouco acima da média e assim nos mantivemos até 2010. Do mal o menos...

Fonte: Eurostat.

d.amaral@netcabo.pt

 

 

publicado por ooraculo às 18:45
link do post | comentar | favorito
|
Sexta-feira, 15 de Abril de 2011

A hora da verdade

Aqueles que hoje criticam o Governo por ter aumentado em 1,3 pontos o défice orçamental de 2010, elevando-o para 8,6% do PIB, são no mínimo deselegantes. As regras foram alteradas a meio do jogo, e o Governo limitou-se a seguir as orientações de Bruxelas na análise de dois temas que se encontravam pendentes: os impactos do BPN e do BPP e a inclusão de três empresas de transportes. Sem isso o défice teria caído 0,5 pontos para os 6,8%.

Mas nada disto justifica o comportamento suicida que o primeiro-ministro veio a assumir. Ele conhecerá as motivações. Mas, vista do lado de cá, a leitura é hoje consensual: Sócrates sabia que a vinda do FMI era inevitável, mas também malquista; e ensaiou transferir para outros o ónus da sua intervenção. Um Dom Quixote lutando contra moinhos de vento. Caiu sem glória, às mãos dos banqueiros, depois de levar o sistema bancário à asfixia.

O volte-face deixou todos boquiabertos. Mas depois percebeu-se: foi o BCE que, farto das birras de Sócrates, deu instruções aos bancos para não comprarem mais dívida. E o edifício ruiu como um baralho de cartas. Perdida entre os escombros ficou a imagem de uma tragédia: mais de €160 mil milhões de dívida, que ninguém sabe como pagar. Perdoem-me o desabafo: esta foi uma das opções mais estúpidas que alguma vez se tomaram em Portugal.

Como esta dívida é ingerível, vamos ter de reestruturá-la. E as hipóteses disponíveis são três: aumento dos prazos, diminuição dos juros ou, no limite, a adopção do famoso ‘hair-cut', que se traduz na renúncia à amortização de uma parte. Mas atenção! Muitos destes milhões estão sediados na banca portuguesa, e uma decisão deste tipo pode levá-la ela própria ao colapso. Seria bom que estivéssemos atentos ao que se está a passar na Irlanda.

Esta é a hora da verdade. Ao que parece, vão emprestar-nos cerca de metade da nossa dívida actual, a troco de um plano de austeridade que ultrapassa em muito o PEC IV que foi chumbado no Parlamento. É uma espécie de xarope que vamos ter de engolir. A obsessão pelo défice público já não chega; vamos juntar-lhe a obsessão pelo défice externo. Alvos no horizonte: alienação de património, flexibilização dos despedimentos, aumento de impostos, cortes nos salários e nas pensões.

Chegou a hora do FMI.

 

OS BOMBOS DA FESTA

 

Depois da recessão...

(PIB, variação (%))

 ...o endividamento

(Dívida pública/PIB (%))

   

 

A União Europeia tem 27 membros, dos quais 17 integram a Zona euro, e, dentro destes, 3 são os bombos da festa: a Grécia, a Irlanda e Portugal. As razões foram diferentes, mas o resultado final foi o mesmo: afogados em dívidas, todos pediram ajuda à "Europa". E com a ajuda veio o gestor de falências: é o dono do bombo, que na primeira oportunidade nos explica que a festa acabou. Bom dia FMI! Bem vindo ao reino dos aflitos...
Fontes: INE, Eurostat.

 

Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt


 

Comentários (12):

 

José Moiura , Pampilhosa | 15/04/11 17:31
Poderia ter acrescentado que foi uma leviandade ter sido chumbado no parlamento o PEC IV,dando origem à chamada do FMI,pois sem esse chumbo, a UE e o BCE tinham acordado com a doutrina desse PEC IV,a ajuda financeira estava garantida.
vasco abreu , fx | 15/04/11 14:39
Este também ajudou a iludir o povo....
VAMPIROS, há por toda a perte , | 15/04/11 14:25
O problema de Portugal atravessa épocas, regimes... e perpassa até a intervenção do FMI. Como diria Zeca Afonso... «eles comem tudo, eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada!» E pensavem eles que de tanto «sugar o sangue fresco da manada»... o sangue não se esgotaria!
E anseiam agora o retorno do FMI... porque «a toda a parte chegam os Vampiros, poisam nos prédios, poisam nas calçadas, trazem no ventre despojos antigos, mas nada os prende às vidas acabadas. São os mordomos, do universo todo, senhores à força, mandadores sem lei, enchem as tulhas com vinho novo, dançam a ronda no pinhal do rei... eles comem tudo, eles comem tudo, eles comem tudo e mão deixam nada!»...
Leiteiro , | 15/04/11 14:18
Era importante aqui referir que aquilo que nos vão emprestar é da inteira responsabilidade do cidadão socrates, a divida publica de Portugal quando ele começou a governar o País , em 2005 era de 92000 milhões de euros, as coisas na aconteceram nos últimos 15 dias, como muitos querem agora demonstrar.
lucklucky , | 15/04/11 12:31
Não houve mudanças nenhumas de regras de jogo por isso deixe de dizer falsidades.
Acha que o Governo ao colocar o nosso dinheiro no BPN e BPP em vez de os deixar falir como devia não deve contabilizar a despesa?!
As empresas publicas de transportes atingiram um patamar de insustentabilidade que as regras de contabilidade Europeias indicam que têm de ser incluídas nas contas.
Que tal o sr.Daniel Amaral pedir para incluir nas contas tudo o que está escondido à vista de todos? Parque Escolar, Águas, Municipios..
E as receitas falsas extraordinárias como "vender" património dentro do estado para mascarar o défice?
Sobre isso não fala.
FMI em Portugal? Comigo no Governo? Jamé ! , ("engenheiro" Pinóquio Sócrates) | 15/04/11 11:58
Daniel Amaral chama estúppido ao Sócrates. E muito bem. Espero assim que Daniel Amaral não venha a votar no Partido Sucateiro liderado por Sócrates que nos levou a uma bancarrota gravíssima.
hlx , LISBOA | 15/04/11 11:18
"depois de levar a banca à asfixia" ??????
PERDOE-ME O REPARO MAS ESQUEÇEU UM PEQUENO PORMENOS.
LEVOU O PAÍS Á RUINA! TODO!
joão , | 15/04/11 10:11
não quero viver mais em portugal, muito obrigado, mas tenho 25 anos e não estou para pagar a constante burri.ce e falta de ética gritante dos nossos governantes. não entendo porque é que cedemos a pedir ajuda externa sem sequer considerar uma reestruturação da dívida, beneficiar desta forma os credores em prejuízo dos cidadãos não é correcto
Norberto de Serpa , | 15/04/11 09:34
Vou-me focar apenas no primeiro parágrafo. Se assim fosse, as alterações das regras do jogo, a meio, ou como diz o Realista, no fim, como é que o governo mantem os 4,6% de défice para 2011? A solução encontrada para 2011, se não tivessem distraídos..., teria servido também para 2010, era só estarem atentos ao trabalho de casa dos nossos parceiros europeus.
Realista , Porto | 15/04/11 09:05
Concordo e discordo. Este não é um dos artigos mais claros do autor. Mas vamos ao que interessa.
1- O aumento do defice (e da dívida) de 6,8 para 8,6% foi injusto para com Teixeira dos Santos e correspondeu de facto a uma alteração das regras depois de findo o jogo. Fica-me uma dúvida que espero que alguem esclareça. Se em 2011 as receitas das 3 empresas de transporte superarem os 50% então o defice e a dívida pública voltam a reduzir? Sim ou não? Se sim então o salto que temos que dar em termos de defice é de 6,8 para 4,6% do PIB.
2- O autor vem, à semelhança de outros economistas, com a historia da reestruturação da dívida e dos (agora tão famosos) cortes de cabelo. Mas vamos lá ver com calma. Se nós reestruturamos então e a Belgica (do Sr Lopes Carlos) onde a dívida (sem BPN e sem transportes) supera já os 100% e a Italia, onde atinge já 120% do PIB? ENTÃO É DA ZONA EURO QUE ESTAMOS A FALAR E JÁ NÃO SÓ DE PORTUGAL:
LOPES CARLOS , Bruxelas | 15/04/11 08:15
1. Dá sempre gosto ler um texto sério, informado e realista.
2. A restruturação da nossa divida ( com largo perdão parcial da mesma, alongamento dos prazos e revisão dos juros ) é essencial para se ter uma hipótese de crescimento e de emprego de qualidade. Ela só vai ocorrer depois doutras restruturações, mas é inevitável.
3. Claro, há outra alternativa e então muitos por cento de juros de NADA é NADA. Com o subsequente banimento da nossa economia.
4. A festa acabou e eles não querem acordar !
LOPES CARLOS , Bruxelas | 15/04/11 08:14
A restruturação da nossa divida externa é inevitável. As consequências sobre certas instituições e sobre certos fundos serão muito significativas.
publicado por ooraculo às 18:00
link do post | comentar | favorito
|
Sexta-feira, 8 de Abril de 2011

Beco sem saída

Boletim da Primavera, Março de 2011. Os pressupostos do Banco de Portugal para o biénio 2011-12 são conservadores: o preço do petróleo vai estabilizar; a paridade do euro face ao dólar vai manter-se; as taxas de juro deverão subir; e o único impulsionador do crescimento económico está nas exportações. Já a procura interna, reflexo da evolução do consumo e do investimento, revela um plano inclinado a caminho do abismo. Como sair disto?

Peguemos no exercício de 2010, visto do lado da procura. Para um PIB igual a 100, o consumo foi de 88 e o investimento de 20: os 8 a mais são dívida externa e correspondem à diferença entre importações e exportações. Como a soma acumulada destes défices já excede o próprio produto, e os nossos credores vão ser implacáveis na fixação de um prazo para equilibrar as contas, o melhor é prepararmo-nos para o pior. Vêm aí poupanças forçadas.

O caso mais dramático deste plano inclinado está no investimento. Todos temos a percepção da importância deste indicador na economia de um país. E é claro para toda a gente que sem ele não há crescimento nem bem-estar social. Então tomem nota: nos últimos dez anos, o nosso investimento caiu sete pontos para os 20% do PIB! Mais: apesar dessa queda, continua a haver indícios de que o PIB efectivo está abaixo do PIB potencial. É horrível.

Claro que esta política suicida teve reflexos imediatos no mercado de trabalho. Só no biénio 2009-10 foram destruídos cerca de 250 mil empregos. E para o biénio 2011-12 prevê-se a destruição de mais 60 mil. Se estes números se confirmarem, e no pressuposto de uma população activa estacionária, o desemprego atingirá então 12,2%, uma taxa de cortar a respiração. Um país de desempregados é um país sem esperança e onde não dá gosto viver.

Como já se percebeu, estamos num beco sem saída. Culpa nossa? Claro que sim, mas não só. A culpa é sobretudo de quem nos impôs estas medidas draconianas, a coberto de uma obsessão doentia pelo controlo dos défices e num ‘timing' que não lembraria a ninguém. Não estão em causa as medidas de austeridade. Dou até de barato que haja poupanças forçadas. O que eu digo é que esse plano tem de ser compatível com um mínimo de desenvolvimento económico e de criação de emprego.

Sem isso não vamos lá.

 

MERCADO DO TRABALHO

 

Recessão económica... (Variação (%))  Arrasa emprego (Variação, 2006=100)
   

 

Ter duas recessões em três anos, a que poderão juntar-se ainda mais, não é um fenómeno normal. Após o 25 de Abril, aconteceu apenas uma vez, em 1983-84, quando o país foi intervencionado pelo FMI. É um mau prenúncio... Na sua origem está o colapso da procura interna, em especial o investimento, que caíu a pique. E o seu reflexo pode ser a destruição de mais de 300 mil empregos. É uma situação explosiva.

Fonte: Banco de Portugal.

____

Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt

 


Comentários:

 

jtpacheco , | 08/04/11 15:13
Mais do que um problema de quantidade de investimento, temos um problema de qualidade de investimento.
Esse problema já se punha no período de vacas "supostamente" gordas dos primeiros anos do consulado Sócrates, mas assumirá importância ainda maior nos próximos anos.
Quando mais escasso fôr um recurso maior tem que ser a certeza de que a sua alocação irá ser feita numa óptica de maximização do seu impacto na economia.
Investimento sem retorno expectável em cenários realistas é consumo, não é investimento.
Programas de injecção indiscriminada de fundos e pouco criteriosa, mega projectos de fraca incorporação nacional ou elefantes brancos com défices de exploração previsíveis no futuro, só irão agravar o nosso envidamento e o nosso défice externo.
As prioridades têm que ser dadas aos projectos de elevada incorporação nacional, com impacto positivo na nossa balança de pagamentos e com rentabilidade expectável claramente positiva.
Mudar o sistema eleitoral , Almada | 08/04/11 13:44
A principal causa da corrupção e péssima governação é o sistema eleitoral. Os portugueses não podem votar em pessoas, apenas em listas pré-ordenadas pelas chefias partidárias. É impossível votar no segundo da lista sem o primeiro ser eleito antes. O sistema não permite aos eleitores reordenar as listas pelo voto, o que origina vencedores antecipados, que se eternizam na actividade política e não podem ser desalojados pelo voto. Além de gerar corrupção, trava o acesso dos mais competentes e experimentados à governação, e traz para o sistema boys incompetentes e sem princípios. É este sistema partidocrático que importa mudar.
Maria do Porto , PORTO | 08/04/11 09:41
É evidente que as medidas de austeridade têm por objectivo garantir apenas aos nossos Credores que não ficarão sem o seu dinheiro... independentemente de isso provocar o descalabro da "economia real".
Se houvesse honestidade na comunicação social, o povo não estaria convencido de que em Portugal só temos dois caminhos: a desgraçada política que nos trouxe até aqui, de inteira responsabilidade Socialista - ou a sede de poder desmesurada do PSD, que seguirá a cartilha do FEEF e do FMI, porque não nenhuma outra proposta ou alternativa...
Se houvesse honestidade jornalística, o Povo teria acesso ás propostas económicas do CDS/PP, que passo a transcrever, sucintamente:
1. Re-Industrializar o país, em áreas de produção pouco passíveis de deslocalização: a Industria é criadora de emprego de cariz muito mais duradouro e estável do que no sector terciário;
2.Criar um Mecanismo REAL de apoio e financiamento a Novos Projectos, que analise os méritos do projecto e do seu Promotor, e os financie e acompanhe a 100%, evitando a sangria de novos empreendedores (que têm ido para o estrangeiro implementar as suas ideias por falta de apoio REAL na sua terra)
3. Corrigir Assimetrias do Território, pela dotação do eixo interior Vila Real de Sto António/Bragança com estruturas de Comunicação rodoviária e ferroviária, com ligação às vias transversais já construídas (resultado: maior mobilidade às população e aos empresários nas suas ligações ao litoral e aos mercados internacionais)
4. Exploração do Mar Territorial e o Mar Económico Exclusivo (juntos, são 3 Milhões de km2). Para isso: rearmar as Marinhas de Pesca, de Transporte de Mercadorias e a de Guerra! (Defender os nossos recursos económicos da exploração indevida de estranhos, e defender o território de várias ameaças, como a imigração ilegal, o tráfico de pessoas, de droga, e de armamento para destinos árabes,...)
5. Recuperar e Especializar os Portos Nacionais, nomeadamente: Viana do Castelo, Leixões, Lisboa, Setúbal e Sines, dotando-os dos sofisticados meios de movimentação de bens e manipulação de cargas (reduziria os custos de exploração, tornando-os mais atractivos para os operadores internacionais - podemos ser a maior plataforma logística e de transporte da Europa!)
6.Reorientar o Turismo para um "Turismo de Pessoas com Dinheiro" com as inerentes poupanças em desgastes, e os evidentes benefícios em receitas....
7. Imposição legal de fixar os Spreads máximos da Banca a 1,5 pontos percentuais, para investimentos ou apoio de tesouraria das empresas e empresários. Lançamento maciço de Dívida Pública Interna, que substitua a Dívida Publica Externa através de Dois mecanismos:
- Portugal paga actualmente, e com tendência para agravamento, taxas d
Maria do Porto , PORTO | 08/04/11 09:41
Continuação do meu Post anterior...

7. Imposição legal de fixar os Spreads máximos da Banca a 1,5 pontos percentuais, para investimentos ou apoio de tesouraria das empresas e empresários. Lançamento maciço de Dívida Pública Interna, que substitua a Dívida Publica Externa através de Dois mecanismos:
- Portugal paga actualmente, e com tendência para agravamento, taxas de juro da Dívida Publica insuportáveis
- os Certificados de Aforro deveriam a ser remunerados a 4% brutos; dever-se-ia lançar Obrigações do Tesouro à mesma Taxa, impedindo a Banca de lhes aceder.
Estes dois mecanismos podem ser lançados pela Junta de Crédito Público e FICAR FORA DA ESPECULAÇÂO FINANCEIRA! Efeitos breves: maior poupança das famílias, maior liquidez do Estado, menores importações financeiras. (Isto é, o Estado português passa a ser devedor dos Portugueses – e não de financiamento estrangeiro. Os Portugueses vêem as suas poupanças rentabilizadas.)
Isto são propostas concretas. Opções viáveis; Caminhos que podem salvar o país, e que podem ser todos tomados memos em contexto de Grande Austeridade. Já viram alguam coisa semelhante na Comunicação Social? Não! Porque à Comunicação Social Lacaia do regime, só interessa fazer crer ao povo que só existem para governar Portugal ou o PS ou o PSD. E o Povo tem o cérebro "lavado" - e demonializa a Direita!...
ATREVAM-SE, Portugueses! Mantenham a Esperança - e votem CDS/PP!!
Realista , Porto | 08/04/11 09:23
O autor tem manifestamente razão: a austeridade por si só não chega, é tambem preciso algum crescimento, logo investimento . Até alguns neolibs (não todos) concordam com isso. O problema é que a UE não vai por aí. Vendo bem, quem vai ser ajudado não é Portugal mas os bancos estrangeiros que nos emprestaram dinheiro. O risco desse credito reduz-se e nos proximos stress tests os bancos não serão tão penalizados. Quanto a Portugal....que se lixe. NÃO HAVERÁ POSSIBILIDADE DE, NAS NEGOCIAÇÕES QUE SE VÃO SEGUIR, PREVER TAMBEM ALGUMA AJUDA PARA INVESTIMENTO?
publicado por ooraculo às 18:53
link do post | comentar | favorito
|
Sexta-feira, 1 de Abril de 2011

Cenário de loucos

Cavaco Silva, enquanto PR reeleito, proferiu um discurso deselegante para com o primeiro-ministro e o Governo do PS. Sócrates devolveu o insulto e foi a Bruxelas apresentar um ambicioso plano anti-crise sem dar cavaco a ninguém. E as oposições em bloco reagiram com um chumbo ao plano, abrindo espaço a uma das situações mais graves de que há memória no país. Se andavam à procura de culpados, aqui os têm: foram todos. Era difícil fazer pior.

Com o Governo em gestão corrente, e entre juros e amortizações, vamos ter de pagar 12 mil milhões de euros até Junho e é óbvio que não temos dinheiro. As hipóteses teóricas que se nos apresentam são três: assumir a falência, aceitar uma taxa de juro ruinosa ou recorrer ao fundo de resgate europeu nos exactos termos em que já o fizeram a Grécia e a Irlanda. Sejamos pragmáticos: se o ‘bail-out' é inevitável, por que não assumi-lo desde já?

O processo de consolidação orçamental veio pôr a nu a fragilidade da nossa classe política. Veja-se o caso de Passos Coelho: começou por liderar o chumbo ao PEC IV; depois foi a Bruxelas garantir que, enquanto primeiro-ministro, o cumpriria integralmente; e, como cereja no bolo, no regresso a Portugal, até se disponibilizou para aumentar o IVA. Imagino as risotas de personalidades como Durão Barroso, Jean-Claude Trichet, Angela Merkel...

Com o défice público mais ou menos controlado, subsiste o problema do défice externo, mais grave do que o anterior e para o qual o FMI admite um tratamento de choque. A ideia é proceder a poupanças forçadas, ao embaratecimento das exportações e, no limite, a um défice de valor zero a poucos anos de vista. Alvos no horizonte: cortes nos salários, aumentos de impostos, substituição por Títulos do Tesouro dos subsídios de férias e de Natal.

Como este é um cenário de loucos, só nos resta gerir a loucura. Já se percebeu que os objectivos de política económica vão ser definidos pelo FMI, o que remete o futuro Governo para funções meramente executivas. O verdadeiro poder vai estar sediado no Parlamento, com a a provação das medidas correspondentes. Com o PCP e o Bloco à esquerda, e o CDS em oposição à direita, o país fica refém de uma aliança espúria entre o PS e o PSD. Lindo!

E não se pode emigrar?

 

IRMÃOS SIAMESES

 Das contas do Estado...

(% do PIB)

 ...às contas do País

 (% do PIB)

   

Fontes: Governo, Banco de Portugal.

O défice público, que a partir de 2010 iniciou uma trajectória a tender para zero, parece bem encaminhado e não deverá necessitar de medidas adicionais. Já o défice externo - aqui calculado a partir da Balança Corrente - ainda não foi objecto de qualquer tratamento específico. Vamos ter de o fazer. O chamado "Pacto para o euro" vai ser implacável em matérias como a poupança, os salários e a legislação laboral.

____

Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt

 

 

Comentários:
 
gs , | 01/04/11 16:24
Cavaco é o grande responsável pela actual situação do país. Incendiou o país no seu discurso de tomada de posse, atirou com o país para a fogueira quando induziu o PSD a chumbar o PEC, mas, agora, cínicamente, quer que o governo salva o país, isto é, aquilo que ele, enquanto magistrtado supremo da nação e único orgão de soberania actualmente com legitimidade democrática, não quer fazer.

Noutra linguagem, pôs as catanhas a assar e agora quer que o Sócrates suje e queime as mãos para as tirar e, depois, as dar a comer aos seus delfins do PSD.

Sócrates, que de parvo não tem nada, diz-lhe, quem as lá pôs que as tire, eu nem gosto de castanhas.

É o presidente que temos. Adjectivos para quê?
 
Napo£eao , | 01/04/11 15:40
Cavaco, PR eleito, enxovalhou Socrates na AR ! Nao gosto de Socrates mas nao gostei do enxovalho publico ! Agora, Cavaco...tem o "menino" nos bracos !
 

Joseph People , LX | 01/04/11 15:18
A culpa é de todos, por isso defendo a redução de cargos políticos no país para reduzir o peso dos partidos (não é do estado) na economia.

Os custos da corrupção em Portugal são de tal forma elevados que já ninguém os quer pagar, por isso estão todos a desinvestir. Daí que os chulécos que se têm enchido estão todos em brasa....

NOVIDADE DE ÚLTIMA HORA: Acabou a festa!

Milagre , | 01/04/11 14:08
Aceitaram-se e promoveram-se políticas económicas que destruiram a economia produtiva do país, sem estar garantida a sua substituição, a troco de uma efémera prosperidade financeira alimentada por subsídios e dívidas. O que se poderia esperar?Um milagre?

 
Só mesmo um militante xuxialista para dizer que "a culpa é de todos" , | 01/04/11 13:35


Daniel Amaral está a ser desonesto...
 

ricardo rocha , Lisboa | 01/04/11 12:19
Caro Daniel Amaral,
O nosso dignissimo e excelentissimo Primeiro Ministro e a sua corja estão a afiar a seguinte arma:
"Durante o nosso mandato, NUNCA chamamos o FMI!"
É por isso que neste momento ainda nao estamos no FMI, por politiquices internas e pelo "sacudir a água do capote" da responsabilidade do país e ter uma violenta arma de arremesso quando o PS estiver na oposição.
Isto porque a política há muito que se tornou na díficil decisão do povo escolher quem menos o vai "encavar" na próxima legislatura.
Isto já não vai lá da maneira tradicional. A nossa democracia tem de levar um choque tão grande que este tipo de pensamento nem sequer entre na cabeça dos dirigentes.Esse abanão só pode ser provocado por certos tipos de acontecimentos:
* Precedentes judiciais de enormidade - que vão ser esbarrados na corrupção, no supremo português ou inclusivamente no Europeu;
* Revolução Pacífica - liderada pelas pessoas mais inteligentes e mais interessadas no bem estar do país, o que não me parece que aconteça;
* Mudança Total de Regime - e voltamos à ditadura, viramos a face para o comunismo ou embarcamos numa monarquia totalitária - o que nos pode virar costas ao euro e as condições da economia é que ficam mesmo irrecuperáveis;

Quaisquer dos cenários é mau, mas estamos todos sobre uma pressão, que não tendo fuga possível para a maioria, vai acabar por comprimir e explodir.

Os que escapam, sem dúvida vão emigrar.

Cumprimentos
Ricardo
P.S: Chegamos ao ponto que iremos demorar 1 década ou mais para pagar o que devemos, isto se o FMI entrar ou tivermos juízinho. 10 anos sem aumentos, com inflações recordes e com taxas de juros enormes. Benvidos ao Portugal do futuro!
Victor C , | 01/04/11 11:32
Não adianta estar com "paninhos quentes" sobre o assunto. O que aqui está escrito é de facto verdade. A classe política não tem personalidade alguma nem sentido de Estado. São verdadeiras fogueiras de vaidade que nos custam muito caro. A culpa é de todos, incluindo o cidadão comum.

afa , | 01/04/11 10:57
O Sr. dr. Daniel Amaral escreve sobre economia com competencia e clareza a que muito poucos chegam. Mas neste artigo, ao dizer que "culpados sao todos" revela que, como cidadao, nao tem a decencia tipica de povos desenvolvidos e com futuro; nao tem a decencia civica ao nivil minimo necessario para que possamos aspirar a sermos um pais desenvolvido, caso a sua decencia seja a representativa da decencia da elite Portuguesa. E isto porque, quem acha que o comportamento do actual primeiro Ministro nos ultimos acontecimentos "aceitavel", como parece ser o caso do Dr. Daniel Amaral, significa que despreza aspectos essenciais de democracia desenvolvida num pais que se quer moderno. A decencia de um povo e condicao necessaria para a existencia de um pais desenvolvido.

Podemos em meia duzia de anos resolver o problema da divida e do defice, mas se nao resolvermos o problema da falta de principios e decencia da nossa elite, a que pertence o Dr. Daniel Amaral, nunca seremos um pais desenvolvido, pois cairemos novamente em ma gestao e na eleicao de dirigentes politicos cada vez mais indecentes e sem principios.

Quando forem votar os Portugueses nao se podem esquecer que, nesta crise e actuais problemas do pais, so existe um culpado: Jose Socrates, Governo e PS.
Apelo a decenca do povo Portugues. Se houver decencia, o PS tera a maior derrota da sua historia, e os novos dirigentes do PS aprenderam com esta crise e com os problemas que causaram. Se o PS ganhar ou perder por pouco, os nossos jovens e os novos dirigentes do PS nao aprenderao nada, e, justificadamente, farao o mesmo no futuro. Ou melhor, aprenderao que vale a pena a chico-espertice. E teremos um pais com provas dadas de que a elite nao tem decencia (isto e, vergonha na cara). Depois nao se queixem da qualidade dos politicos. Eu nunca me meteria em tal ambiente pois para render em ambiente de chicos-espertos, e preciso ser chico-esperto (como Eng. Jose Socretes) e eu nao quero ser chico-esperto. Nem quero que os meus filhos sejam chicos-espertos.

O Dr. Daniel Amaral precisa de um "abanao" para colocar os pes na terra. E a elite Portuguesa tambem.
Xxx , | 01/04/11 10:37
O eurostat já desmentiu esta semana tudo o que vem escrito neste artigo.
PKL , | 01/04/11 09:55
O artigo está bom. Esta queda precipitada do Governo foi um erro histórico que vamos pagar durante muitos e maus anos.
 

Realista , Porto | 01/04/11 09:24
O autor tem razão quando diz que a culpa foi de todos, incluindo o PR. Claro que o governo agiu mal quando foi a Bruxelas anunciar o PECIV sem dar cavaco a Cavaco, ao parlamento e aos parceiros sociais. Mas o furibundo e vingativo discurso de posse de Cavaco foi o detonador de toda esta trapalhada. E o desejo de poder da oposição à direita fez o resto. Agora temos que olhar para o futuro.
A mim choca-me que um governo de gestão possa requerer o bail-out, que vai ter impacto por varios anos.
Por essa razão e tambem porque a UE ainda não fechou totalmente a porta a mais flexibilização, a decidir em Junho, penso que o governo deve tentar aguentar até lá.
Acresce que a Finlandia vai tambem para eleições e a aprovação pela Finlandia do bail-out a Portugal não se poderá obter até Junho.
LOPES CARLOS , Bélgica | 01/04/11 07:05
1. Tenho um grande respeito pelo Sr. Dr. Daniel Amaral , desde os tempos do saudoso "O JORNAL". Todavia, hoje, não posso aceitar diversas partes deste artigo.
2. Na verdade, importa salientar :
a) É inaceitável um governo minoritário anunciar em Março em Bruxelas um PEC , que só tinha que apresentar em Abril, SEM ouvir PREVIAMENTE os outros Partidos Politicos com assento parlamentar, sem ouvir os PARCEIROS SOCIAIS e sem informar o Senhor Presidente da Republica;
b) É inaceitavel estar a negociar um texto com os Parceiros Sociais para apresentar em Bruxelas e simultaneamente estar a anunciar na TV um PEC IV desconhecido pelos Parceiros Sociais;
c) É inaceitavel falar de défice publico " mais ou menos controlado" nas actuais circunstancias;
d) A nossa pesada divida externa bruta actual , mais os compromissos já assumidos com as PPPs, mais algumas outras situações fora do perimetro orçamental criam ao Pais uma situação muito dificil que se vai arrastar por um periodo muito longo, com pesados sacrificios para os Portugueses mais vulneraveis e para as chamadas classes médias baixas.
3. Portugal acabará por pedir uma restruturação da sua divida. Quanto mais tarde for , pior será. Temos de mudar de vida. Se queremos sobreviver. Agora, é disso que se trata .
 
publicado por ooraculo às 18:40
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Dezembro 2012

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
12
13
14
15

16
17
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30
31


.posts recentes

. Regresso ao futuro

. Passos perdidos

. 2013: A vertigem

. O Estado "social"

. O declínio da Europa

. Chover no molhado

. O Estado vampiro

. A escapatória

. OE/2013: a ruptura

. Um país destroçado

.arquivos

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

blogs SAPO

.subscrever feeds