Sexta-feira, 29 de Julho de 2011

Portugal 2012

Antes de ligar o computador espalhei sobre a secretária as projecções dos organismos que mais me interessavam: Governo, Banco de Portugal, INE, Eurostat e Troika. A imagem que delas sobressai está ligada a cortes. Vamos cortar em tudo: no consumo, no investimento e no produto; no emprego, na educação e na saúde; nos salários, nos subsídios e nas pensões. Lembrei-me do Eça: se V.Exas. nos cortam tudo, que poderemos nós cortar a V.Exas?

O corte que mais me preocupa é o do investimento. Medido em percentagem do PIB, este indicador representava 27% em 2000 e era dos mais altos da Zona euro. Depois foi caindo, caindo, e em 2010 estava reduzido a 19%. A cumprirem-se as actuais projecções, o percurso mantém-se e chegará aos 16% em 2012, um número arrepiante. Como o investimento é o principal motor do crescimento económico, adivinha-se o abismo para que nos estão a empurrar.

Acresce que ao investimento está associado o emprego, um fenómeno muito sensível e que mexe com toda a gente. Nos últimos 10 anos terminados em 2010, a taxa de desemprego subiu seis pontos para os 10,8% da população activa. E para 2011-12 admite-se a destruição de mais 100 mil postos de trabalho, o que elevará aquela taxa para os 13,2%. Consultei registos até aos anos sessenta do século passado: não há memória de um pesadelo assim.

O problema dos salários é diferente. Ainda que muito baixos em termos absolutos, não se pode dizer o mesmo quando os comparamos com a produtividade, já que o seu peso no PIB tem andado pelos 50%, dos mais elevados da Europa. Mas a crise da dívida alterou tudo: as expectativas baixaram tanto que bem poderemos dar-nos por satisfeitos se mantivermos os salários nominais, o que só por si significa uma perda equivalente à taxa de inflação.

O cenário é desolador. E na sua origem está a necessidade imperiosa de travar as dívidas. O problema é que as dívidas mantêm uma trajectória de subida que parece não ter fim. Não se pense que isto é uma crítica ao Governo; ele não tinha alternativa. O que eu critico são as três entidades que se propuseram "ajudar-nos" e escolheram como instrumento a asfixia. Como economista, tenho extrema dificuldade em perceber como é que se pára uma recessão profunda promovendo uma recessão ainda maior.

Que modelo é este?

 

A VERTIGEM

 

 Cai a economia...

(Variação, 2006=100)

 ...disparam as dívidas

(Dívidas, % PIB)

 

 

O colapso do investimento, que em apenas seis anos caíu mais de 30%, arrastou consigo centenas de milhar de postos de trabalho e elevou a taxa de desemprego para níveis explosivos. Mas o investimento é também um dos principais motores da economia, o que levou a que o PIB entrasse igualmente em colapso. E as dívidas não servem de desculpa, já que ambas continuam a crescer. Estamos a regar o fogo com gasolina...

Fonte: Banco de Portugal

 

Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt

 

 

Comentários:

 
Carlos , | 29/07/11 16:35
Concordo que o investimento não deve caír, mas não à custa de mais dívida.
A solução passa por acomodar o valor do investimento na diminuição da despesa pública. Temos que racionalizar a enorme massa da função pública. Hoje em dia há serviços públicos que, podendo ser prestados online, prescindem de muita gente com melhoria na qualidade.

lucklucky , | 29/07/11 15:11
"as medidas de austeridade levam a mais recessão e não ao crescimento."
Isto é mesmo da obsessão Keynesiana e Esquerdista pelo dinheiro.
Não há nada para a Esquerda que não seja dinheiro. Tudo gira á volta de Dinheiro. Dinheiro dos outros obviamente.
O que leva ao crescimento é mais qualidade no trabalho e eventualemente mais trabalho. Ideias, Boas Ideias. Ideias únicas que mais ninguém tinha pensado. Novas formas de fazer coisas. E isso só nasce em Liberdade. Liberdade na Educação, Liberdade de pensar diferente. Liberdade de formar uma empresa.

fvenes , | 29/07/11 13:18
Queixa-se da troika pelos cortes cegos mas desculpabiliza os amiguinhos do governo. Esquece-se o Daniel Amaral que o Governo está a ir para além do plano de entendimento no que toca a cortes sociais. A citação do Eça cai aqui mto bem: se V.Exas. nos cortam tudo, que poderemos nós cortar a V.Exas? (Governo incluído, sff)
 
, | 29/07/11 10:36
Já não sei o que é melhor: continuarmos no euro numa morte lenta ou sair do euro para uma morte rápida.
 
jorge , | 29/07/11 09:13
Isto já o PCP avisou à muito!!!! Mas estes Srs. são todos anti...
Realista , Porto | 29/07/11 08:58
A economia política não é uma ciencia exacta. Os seus problemas permitem varias leituras e varias soluções: as teorias liberais, keynesianas, etc. Mas ha algumas situações onde não ha grande margem para discutir: as medidas de austeridade levam a mais recessão e não ao crescimento. O caso grego está à frente dos nossos olhos e é gritante. É impossivel não o termos em conta.
Enquanto a dívida dos paises do euro tem vindo a aumentar, aproximando-se de níveis perigosos (93% para Portugal mas tambem 83% para a Alemanha, 82% para a França), a dívida da Turquia tem vindo a diminuir (em percentagem do PIB claro). Era de 104% em 2001 e em 2009 apenas de 45%. Como é que a Turquia conseguiu? Com medidas de austeridade e aumentos de impostos? Não! A Turquia conseguiu esta proeza crescendo ao nivel de 6 e 7% ao ano.
É de crescimento que nós precisamos. E para isso precisamos de mais investimento. A austeridade e controle são necessarios. Mas não chegam.

LOPES CARLOS , Bélgica | 29/07/11 06:50
1. Com a devida vénia, o problema não é só a "quantidade" do INVESTIMENTO, é sobretudo a "qualidade" do INVESTIMENTO feito e seu "efectivo" e escasso RETORNO.
2. Como o Sr. Dr. Daniel Amaral muito bem explicou em tantos artigos no DE , Portugal gastou mais do que produzia DURANTE DECADAS , sempre com um discurso politico muito distante da realidade. Agora, vai ser feito um DOLOROSO REAJUSTAMENTO, à custa das Classes Médias,dado que os Pobres não têm para poder pagar e os verdadeiramente RICOS ( não me refiro aos "riquinhos" lusos) estão dispensados dos sacrificios. As Classes Médias vão ficar EXAUSTAS e EXAURIDAS . Quais serão as reais consequencias para o aís deste facto. QUEM representará os Grupos que se consideram Classes Médias e que vão atravessar a pior fase das suas Vidas ???
3. Comparem as REALIDADES de 2009 , 2010 e 2011 e as PERSPECTIVAS de 2012, 2013 e 2014 com o TEOR GERAL DAS MENSAGENS de certos programas televisivos.
lucklucky , | 29/07/11 03:21
Não é como economista Daniel Amaral, É como Keynesiano que pode dizer uma coisa dessas.
Já agora onde está o brilhante crescimento económico dos últimos dez anos? Segundo a sua bitola Keynesiana devíamos ter crescido a mais de 10% uma vez ao ano, uma que a Dívida cresceu a mais de 10% ao ano. Não é?
publicado por ooraculo às 17:41
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Sexta-feira, 22 de Julho de 2011

O inimigo europeu

A recente notação da Moody’s, ao classificar-nos como lixo, provocou reacções em cadeia. Começou por ser uma ofensa ao país, que nos deixou irritadíssimos. Passou a jogo de ‘snooker', com a bola a tabelar em nós para atingir a Alemanha. E acabou em guerra entre colossos: aquilo era um ataque dos EUA ao coração da Zona euro. Não sou adepto de teorias da conspiração. Mas vale a pena analisar como é que estes colossos se comparam entre si.

Os EUA e a Zona euro são os agrupamentos que mais pesam no bolo da economia mundial. Para um PIB global igual a 100, o primeiro vale 20 e o segundo 15. Mas os desequilíbrios das contas públicas são mais gravosos na América do que na Europa, o que não joga com os níveis de ‘rating' que as agências lhes atribuem. A diferença está no modelo: os EUA são um conjunto homogéneo; a Zona euro é um amontoado de 17 países que nada têm em comum.

Acresce que a diferença não está apenas no PIB global. Também no rendimento ‘per capita' o valor americano excede em 38% o seu equivalente europeu. Sobressaem neste caso as diferentes posturas individuais: se atribuirmos à produtividade por hora de um trabalhador europeu o valor de 100, o americano responde com 118; mas o americano trabalha mais horas do que o europeu, donde a diferença da produtividade por pessoa sobe de 100 para 134.

Também a forma como os dois blocos estão a encarar esta crise não é a mesma. Os EUA apostam no orçamento, recorrem à política monetária e desvalorizam a moeda para estimular a economia. A Zona euro restringe o orçamento, estrangula a economia e sobe as taxas de juro para travar a inflação. Como seria de esperar, os números respondem em conformidade: o PIB americano cresce à taxa 2,5% ao ano; o equivalente europeu não passa de 1,9%.

Enfim, a notícia segundo a qual por detrás da Moody's está um inimigo europeu é um pouco exagerada. E o simples facto de a agência ter "sob observação" a dívida americana, à espera de saber se Barack Obama consegue ou não vencer a batalha dos 14,3 triliões, é disso exemplo significativo. Claro que a paridade entre o dólar e euro não é indiferente. Mas o que verdadeiramente interessa é que os EUA e a Zona euro sejam economias fortes, de modo a que cada uma delas ajude a puxar pela outra.

O inimigo da Europa é ela própria.

 

EUROPA VS. AMÉRICA

 

Dos défices anuais...

(Saldo orçamental, % PIB)

... à dívida acumulada

(Dívida pública, % PIB)

   

 Os défices orçamentais são historicamente mais elevados nos Estados Unidos do que na Europa do euro e assim se deverão manter em 2011. E a dívida acumulada, que era mais baixa do lado americano, ultrapassou também a equivalente europeia a partir de 2008. Mas as situações não são comparáveis: os EUA são um bloco homogéneo e solidário; a Zona euro é uma manta de retalhos onde ninguém se entende.

Fontes: FMI, Eurostat.

 

d.amaral@netcabo.pt

 

 

publicado por ooraculo às 16:54
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Sexta-feira, 15 de Julho de 2011

A Grécia e nós

O tema é incontornável. A Grécia está com uma dívida pública da ordem dos 160% do PIB, mais de €350 mil milhões, com tendência a subir. A Grécia enfrenta uma recessão económica gravíssima, com o PIB a cair 4,5% do PIB em 2010 e talvez outro tanto em 2011. E a Grécia pertence ao Grupo dos 27 da União Europeia, com entrada no Grupo mais restrito dos 17 da Zona euro. Uma tragédia. Como pensa a Europa do euro resolver o problema da Grécia?

A primeira hipótese é prosseguir com o modelo tradicional. Os parceiros fingem que estão muito preocupados e vão concedendo uns empréstimos para financiar outros empréstimos, na expectativa de que surja uma bênção do Céu. Sucede que, às dívidas assim diferidas, juntam-se os défices anuais. E aqui entram as agências de ‘rating': como não acreditam em milagres, vingam-se em taxas de extorsão. E pronto. Daqui ao ‘default' é um saltinho.

A segunda hipótese é evitar os paninhos quentes e ir directos ao assunto: se a Grécia tem dívidas que não consegue pagar, então que assuma a insolvência. Já outros o fizeram antes dela e o mundo não acabou. Mas há o diabo dos mercados. Ao que parece, o contágio seria imediato: Portugal, Irlanda, Espanha, Itália... E o fantasma do Lehman Brothers aparece no horizonte. É o modelo argentino? É o fim do euro? É uma recessão à escala mundial?

Existe ainda uma terceira via, suportada por dois pilares. Primeiro: a dívida sofre um ‘haircut' significativo; os prazos são generosamente aumentados; e as taxas de juro terão como limite a taxa de crescimento do PIB. Segundo: a dívida só irá para o mercado quando titulada por ‘eurobonds'. Claro que compreendo o desencanto dos investidores. Mas a alternativa é pior: a Grécia não paga nada, assume a falência e leva meio mundo atrás.

É aqui que entra o caso português. É óbvio que o acordo com a ‘troika' tem de ser respeitado e ninguém está seguro de que venha a sê-lo. Também é óbvio que a aplicação das medidas vai ser muito dolorosa, podendo levar à fúria descontrolada de muita gente. Mas o que dói mesmo é que podemos cumprir tudo, respeitar tudo, ir mesmo além de tudo o que nos foi exigido - e esse tudo não chegar. O colapso da Grécia pode ser o colapso português.

 

PS - No último artigo, por lapso, chamei "Balanço" ao documento que compara Custos com Proveitos. O nome correcto é "Demonstração de Resultados". As minhas desculpas.

 

 

OS INTERVENCIONADOS

 

Afundam os défices...  ...disparam as dívidas
Saldo orçamental, % PIB  Dívida pública, % PIB
*Previsões.
De acordo com projecções recentes, o défice e a dívida portugueses são inferiores aos equivalentes da Grécia e da Irlanda. Mas, ainda assim, a nossa dívida é da ordem dos 100% do PIB, o que sigifica "elevada vulnerabilidade ao risco de ‘default'" - o tal lixo. Mas o ‘timing' é estranho. Se a Moody's não o fez antes, porquê agora que temos um Governo novo, estável e predisposto a fazer tudo o que a ‘troika' nos exigir?

Fonte: ‘Troika', Eurostat.

 

Daniel Amaral, Economista

 

 

Comentários:

 

 

César Palmieri Martins Barbosa , Rio de Janeiro | 17/07/11 02:55
Prezado Jorge - Matosinhos , | 16/07/11 23:23 - Portugal visto do Brasil continua o mesmo dos anos 90 que tão bem descreveste. Trabalho e credibilidade são a marca do carater português. A atual crise mundial, que não é apenas do euro, e muito menos de Portugal, e da qual nenhum de nós pode escapar por seu livre arbítrio, não deve abalar o orgulho e a auto-estima o povo português, como está a acontecer. Força, coragem e calma, que a superação do momento difícil não tardará tanto como agora nos parece. Felicidades.

Rantanplan , Évora | 17/07/11 00:21
Factos: Sócrates endividou o país num valor igual aos anteriores 30 anos de democracia. Se a culpa não é dele é de quem? Do Pai-Natal ? É uma pena não haver leis que obrigassem só os socialistas a pagar a crise.

Jorge - Matosinhos , | 16/07/11 23:23
Portugal visto do exterior, ninguém quer ser comparado a Portugal. Obama se desmarcou da situação portuguesa, outros já o fizeram.
Na década de 90 era um orgulho viajar e ouvir o que os estrangeiros falavam de Portugal. Bom aluno europeu, numa palavra: credibilidade. Não há dinheiro que compre o que Portugal tinha nos anos 90.Para além de seu desemvolvimento tinha credibilidade.
Em 2011 tem falta de credibilidade. Está cheio de divida ainda por cima. Quem viaja pelo estrangeiro, pode ouvir frases: não estou para trabalhar para ti, vocês não trabalham, são malandros...
Depois de o país bater no fundo acredito que pode dar a volta por cima.
César Palmieri Martins Barbosa , Rio de Janeiro | 16/07/11 20:46
Prezado Lhekas , AOA | 16/07/11 09:03 - Permita-me discordar que estejamos a discordar. Eu concordo com o seu pensamento. Creio que o ponto a ser esclarecido é o significado de "Os Estados Unidos e nós ...": Do meu ponto de vista, do Brasil, sendo brasileiro, com 50 anos de idade, alheio à vida política portuguesa e acompanhando o noticiário para aplicar os conhecimentos na realidade brasileira, esse "nós" inclui todos nós, e não apenas os portugueses, e esse aspecto , de fato, não ficou claro no meu comentário, e foi a premissa do seu, com toda a razão. Logo, não houve discordância, mas apenas o mesmo objeto retratado por meio de enfoques diferentes, que podem, e devem, ser reduzidos a uma mesma perspectiva. Da mais alta estima.
Para a Rita Paes , Que tal o Barroso? | 16/07/11 13:45
O seu filme e coerente mas preferia o Dr Barroso, esse visionario que agora se diz Pro Europeu pra chular dinheiro a alemanha mas que nao sebimportou de fazer uma reuniao nas Lages com o bush mesmo sabendo que os Franceses e Alemaes estavam contra!
Tem razao se vendesse as Lajes ao menos o Barroso nao fazia por la as vergonhas que fez e os neoliberais nao o tinham posto onde esta para destruir e corromper a UE (Alias as suas unicas qualidades sao corrupccao e oportunismo e tenho vergonha de parrilhar a minha nacionalidade com esse bo.rrabota)
 
Lhekas , AOA | 16/07/11 09:03
Quando os artigos são elucidativos, os acréscimos são sempre piores do que o soneto. César, em minha opinião não haverá “O ESTADOS UNIDOS E NÓS” pela simples razão de que os americanos nunca tiveram sentimentos de serem perseguidos ou de ameaçados por alguém, basta ver a surpresa e estupefacção que mostraram ao mundo no início, e mesmo depois, dos acontecimentos de “ 11 de Setembro”. Republicanos e democratas já nos habituaram a este tipo de discussões até ao limite marginal do espaço e do tempo de crises. Na última hora haverá sempre uma decisão em defesa da América porque eles, quando algo está mal no seu próprio país as causa não vêem de terceiros, reconhecem sempre que são eles próprios que estão a trabalhar mal.
RESUMINDO... , | 16/07/11 03:43
A União Europeia, a Zona Euro e o Euro é tudo uma fraude ! Só os cegos é que não Vêem.
César Palmieri Martins Barbosa , Rio de Janeiro | 16/07/11 01:13
OS ESTADOS UNIDOS E NÓS ... - O quê significa essa insegurança jurídica, econômica e política envolvendo a falta de autorização legislativa para aumentar o limite de endividamento dos Estados Unidos? A quem interessa esse caos? É proposital? É incompetência? O que se passa


Manuel Fernandes , Setubal | 15/07/11 21:23
Cara Rita Paes, quando Sócrates chegou ao poder em 2005 já a nossa divida pública era uma das mais altas da Europa. Acontece que para além da divida Portugal não crescia e também não tinha traçado nenhum caminho para o desenvolvimento. Ou seja, estava tudo por fazer e ainda por cima com o chamado "aparelho produtivo" agricultura e pescas destruidas. Não estava desenvolvido tecnologicamente porque nos Governos anteriores se apostou no betão e em autoestradas. Com Sócrates desenvolveu-se a balança comercial tecnológica( pela primeira vez passou a positiva), controlou-se o defice em 2007, e qualificou-se o país. Veio a crise internacional e a Europa deu ordem de alavancagem económica através do investimento público a consequencia foi disparar os défices e as dividas soberanas em todos os estados membros. Por isso Portugal não está sozinho e por isso culpar Sócrates é dar tiros nos pés e não fazer o diagnóstico correcto.


César Palmieri Martins Barbosa , Rio de Janeiro | 15/07/11 15:58
Prezado Realista , Porto | 15/07/11 09:37- O aceno da emissão dos chamados eurobonus, ou seja, títulos do Banco Central Europeu para financiar a crise européia, mostra-se um paliativo ao problema estrutural da falta de uma verdadeira federação européia, com um Tesouro Europeu feorte que lastreie a sua posítica monetária e garanta a política fiscal dos estados membros de um Estado Federativo Europeu, com o fim dos atuais estados soberanos que compõem a qtual União Européia. Sem resolver esse dilema esquizofrênico, que gera uma verdadeira crise de identidade e um absurdo evidente que, por si só, já basta para causar o colapso da zona do euro ou qualquer moeda compartilhada sem um governo central. Antes da Itália e da Espanha entrarem em crise ainda se podia cogitar em superar a crise com base na gerência das expectativas dos mercados financeiros, mas agora a realidade ultrapassou os limites que mesmo todos os tesouros dos países da zona do euro podem suportar, e o efeito dominó não deve poupar nenhum rsgastista, pois essa crise, se atingir o euro, será mundial

 

E agora pá? , | 15/07/11 14:12
Para tentar resolver um problema tem que se conhecer as suas causas.
1º) A integração económica portuguesa destruiu, por várias formas, a economia produtiva do país, trocando-a por betão, alcatrão e dívidas;
2º) Os portugueses desempregados das actividades produtivas e os que iam chegando de novo ao mercado de trabalho ou emigravam ou, na falta de actividades produtivassuficientes, iam, progressivamente, albergando-se, de forma directa ou indirecta. no orçamento de Estado. mais funcionalismo público e para-público, subsídios indiscriminados, reformas antecipadas, obras públicas e compras públicas de bens e serviços supérfluos mas que iam animando a economia, etc. Tudo financiado com mais impostos e com crescente recurso ao crédito externo. Foi por desempenhar esse papel de almofada social da desactivação da economia produtiva que o Estado engordou (deixem por favor de acusar o sr A ou o sr. B),
3º) A Banca, aproveitando o crédito barato pós-euro, desatou a financiar o imobiliário ( que albergou temporáriamente muitos activos portugueses e imigrantes) e as importações daquilo que deixámos de produzir e daquilo que passámos a importar para consumir;
4º) Epílogo inevitável: ficámos endividados, sem crédito e sem economia.
E agora pá?

Realista , Porto | 15/07/11 11:31
Para <Rita Paes>,
Minha Senhora, vamos lá a ver. As senhoras por vezes baseiam-se mais em feelings do que em factos. Mas os factos são factos, não se podem sacudir.
A dívida pública portuguesa é de 93% (é o que consta no Eurostat, mas o MF ontem indicou 91%) do PIB.
A da Grecia é de 142%. Culpa do Socrates? A da Irlanda é de 96%. Culpa do Sócrates?. A da Italia é de 119%. Culpa do Sócrates? A da Belgica é de 97%. Culpa do Sócrates? A dos EUA é de 98%. Culpa do Sócrates? A da propriac Alemanha é de 83%. Tambem culpa do Sócrates? DESÇA À TERRA, POR FAVOR.
P.S. No meu primeiro comentario escrevi "bail-out" da Grecia quando queria dizer "Default". I'm sorry!

fran , | 15/07/11 10:08
A vender que se venda a Madeira que só dá despesa e não tem valor geoestratégico . Além do mais passavam a chamar-nos portugueses em vez de cubanos.
 
Rita Paes , Coimbra | 15/07/11 09:53
Realista, esta crise não tem nada a ver com o Sócrates? Quer dizer que quando ele nos endividou em 88 mil milhões de euros em seis anos, estava até no bom caminho, porque a Grécia e a Irlanda estavam piores e a Espanha e a Itália também não estavam grande coisa8? Este seu princípio foi o que seguiram alguns portugueses, que sem capacidade financeira suficiente compraram casas, carros e até barcos de recreio, porque os vizinhos ou os colegas também o fizeram. Ora, os membros do governo de Sócrates deviam saber que se estavam a endividar para além da capacidade de pagamento do país. Meu caro Realista, mesmo que Portugal pagasse juros à taxa zero, não conseguiríamos ver-nos livre desta dívida colossal em menos de tês ou quatro décadas, como muito bem referiu o Finantial Times. Não foi, por isso, o aumento da taxa de juros ou as agências de rating que puseram Portugal no fundo. Foi a incompetência e a insensatez de Sócrates que, ao aumentar para mais do dobro a nossa dívida pública, nos afundou. Não tenha nenhuma dúvida: a crise, a única crise que temos, é a dívida que temos e da qual não vamos ser capazes de sair, apesar de todos os sacrifícios. E, os principais responsáveis por esta dívida foram os governantes socialistas, especialmente José Sócrates.
 
Realista , Porto | 15/07/11 09:37
Artigo claro, simples e concreto. Apetece-me fazer a comparação com o discurso (porque foi um discurso) de ontem do MF.
Mas vamos ao que interessa. Diz o autor (e diz muita gente) que se a Grecia entrar em bail-out Portugal é arrastado. Porquê? Até 2013 nós estamos protegidos pelo guardachuva da troika, não precisamos dos tais "mercados" para nada. Em 2013 teremos que enfrentar os mercados. Mas se fizermos bem os trabalhos de casa em 2013 nós estaremos a par de outros paises europeus qur hoje ainda se consideram seguros. E uma solução conjunta tem que ser encontrada. Entretanto ha 2 outros paises que virão juntar-se ao cortejo : os EUA e o UK. Os chineses vão sair desta como os vencedores. Mas vencedores de quê? As imensas reservas deles estão em dolares e em euros e eles não vão querer sair chamuscados. Logo terão tambem que colaborar. AINDA HA QUEM DUVIDE QUE ESTA CRISE É EUROPEIA E GLOBAL E NÃO TEM NADA A VER COM SOCRATES? HA UMA PALAVRA QUE RESOLVE 80% DOS PROBLEMAS ACTUAIS. ESSA PALAVRA É : EUROBONDS.
 
Rita Paes , Coimbra | 15/07/11 08:53
O melhor era vendermos os Açores aos Estados Unidos por 200 mil milhões de euros. Ganhavam os americanos que passavam a ter uma base naval no meio do Atlântico; ganhavam os açoreanos que passavam a ter um nível de vida melhor; e ganhavam os portugueses que pagavam integralmente a sua dívida e ainda sobravam 30 mil milhões de euros. A seguir a esta operação deviam realizar-se eleições legislativas antecipadas, dando-se uma nova oportunidade a Sócrates, o homem que emocionou os portugueses no momento da sua despedida. Os socialistas chegaram mesmo a deitar baba e ranho, onde, nomeadamente, vimos a estridente e revolucionária Ana Gomes emocionada e de punho erguido, a chorar a partida do querido Sócrates. Portanto, elegendo os portugueses de novo Sócrates, logo todos beneficiariamos de grandes festas onde se gastariam os 30 mil milhões dados pelos americanos. E, depois, toda a gente receberia subsídios, os boys do PS voltariam às empresas públicas, os empreiteiros e os membros do governo encheriam os bolsos novamente, o processo de endividamento socialista recomeçaria e o povo viveria alegre e contente para todo o sempre. Amen.
 
LOPES CARLOS , Bélgica | 15/07/11 06:36
1. Como sempre um Artigo claro e com alternativas claras.
2. Na vida real , o cenário "grego" com mais hipóteses é a redução dos juros, com alargamento do prazo e com um significativo corte de cabelo ( hair cut). Mas, vários Estados Europeus ( não é só a Alemanha) querem que a banca privada e os investidores AJUDEM os Contribuintes a pagar a "festa". Por enquanto, não vejo um entusiasmo generalizado pelas "eurobonds", por parte daqueles Estados que teriam de pagar juros mais elevados, devido aos erros dos outros Estados.
3. Portugal tem de cumprir o Acordo durante algum tempo ( até Março 2012 ? ) , fazendo algumas REFORMAS essenciais. Depois, quando tiver "trabalho de casa" para mostrar na Europa então deve pedir para reformatar algumas condições ( juros, prazos, e mais algumas coisinhas ). Não utilizemos os outros como desculpa. Façamos o que tem mesmo de ser feito . Serenamente. Somos um Povo com muitos séculos de História e já vencemos muitas e graves crises !
 
César Palmieri Martins Barbosa , Rio de Janeiro | 15/07/11 03:05
II- Em seu artigo "A Grécia e nós", Daniel Amaral compara as situações de Portugal e Grégia diante da crise da zona do euro. Todavia existe uma grande diferença entre Portugal e a Grécia e a maior parte dos outros dezesseis países da zona do euro: Portugal foi o criador e colonizador do Mundo Português. O que chamamos de Portugal é a Matriz deste Mundo. É o Portugal Continental, ou Portugal Europeu; mas há ainda o Portugal Americano (Brasil), o Portugal Africano (Cabo Verde, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique), O Portugal Atlântico ( Açores e Madeira) e o Portugal Asiático (Timor Leste), para ficarmos apenas nas regiões que permanecem soberanas. Em caso da crise da zona do euro terminar em colapso total do euro, Portugal pode seguir seu destino só, com as suas atuais regiões autônomas, ou se unir federativamente com um ou mais países do Mundo Português, que, se acaso conseguirem manter suas moedas existindo após à grave crise econômica mundial diante de uma eventual bancarrota do euro, permitiria a Portugal substituir o euro por uma outra moeda, como por exemplo o real, do Brasil, de forma imediata, na velocidade da informática para os meios eletrônicos, e em horas para o papel moeda, contando com a estrutura do Banco Central do Brasil e do Tesouro Nacional do Brasil para honrar os compromissos de folha de pagamento e demais encargos em dia, o que para a Grécia é um sonho irrealizável. Como se nota, não há comparação entre a Grécia e Portugal. Todavia, o futuro imaginado de hoje é uma especulação de diversos cenários tão distintos que, creio, não é possível prever o que é mais provável vir a ocorrer.

 
O César Palmieri Martins Barbosa , Rio de Janeiro | 15/07/11 01:50
Em seu artigo "A Grécia e nós", Daniel Amaral compara as situações de Portugal e Grégia diante da crise da zona do euro, concluindo que o colapso da Grécia pode determinar o mesmo destino para Portugal, independentemente do que façam os portugueses. A questão é a consciência que o todos, mesmo a Alemanha, estão sujeitos às mesmas vulnerabilidades que asolam a zona do euro e a existência do euro encontra-se em questionamento. Afalta de decisão é a pior das decisões. Peca-se por ação ou por omissão, como Pilatos, que lavou as mãos. O destino da zona do euro e do euro já se encontra decidido pela falta de decisão, e a Alemanha decidiu não decidir, ou seja, a reunião dos lideres europeus para eventualmente decidir ou não decidir o caso da Grécia, e por consequência de todo o euro, só será, ou não será, na próxima semana, mas não nesta. Coincidência demais deixa de ser coincidência, e a reincidência na omissão torna-se uma ação afirmativa no sentido do destino estabelecido. É momento de pensar o que fazer após o fim do euro, pois não é possível que os alemães já não tenham tomado uma decisão antes de não tomar essa decisão de nada decidir nesta semana tão decisiva com as crises da Itália e da Espanha a tudo ameaçar acabar.

blabla , | 15/07/11 01:32
Sr. Viriato esqueça tal coisa.
Nós o ESTE vamos ser literalmente engolidos pela China e pelo seu comunismo capitalista por incrível que nos pareça.
Aliás foi um plano estrategicamente solido e repare na invasão pacifica e subtil do mercado Chinês por todo os quatro cantos do mundo e a vinda do seu povo a reboque
Alias para a China o que interessa é escoar o seu produto barato e quanto mais necessitados houver ou remediados melhor.
O capital verdadeiro desse nome está apenas em 5% da população mundial, entre eles estam os chineses,
E por incrível que nos pareça o resto está tudo ao mesmo nível e se tiver que cair cairá.
um conselho tente mudar se conseguir alguns conceitos economizas e politicos.

 
Viriato , | 15/07/11 01:19
Ainda não compreenderam? Com a globalização o mercado comum é cada vez menor, portanto é necessário empurrar alguns países dessa esfera de protecção de mercado, reservando para os maiores possibilidades de crescimento e concorrência a partir da absorção (deglutir) de outros países de menor dimensão. Assim a Europa ficará um pouco mais forte face à concorrência asiática. Este processo designa-se em economia por concentração.
 
blabla , | 15/07/11 01:00
Nós a Grécia e o resto do mundo neste momento não temos poder para fazer frente ao país do sol nascente que não tardará muito tem o seu yuan na ribalta
Esperaram anos mas parece me que estam a conseguir o que provavelmente e de forma subtil planearam décadas
Todos desvalorizaram o conhecimento adquirido durante séculos e séculos de história e uma prostração do seu povo em relação aos seus chefes.
 
Anónimo , | 15/07/11 00:31
Get a haircut and get a real job!
 
 « IMPERADOR , GUARDA | 15/07/11 00:27
Como é que não heide estar com insónias acabei de ler o artigo em cima "A Grécia e nós"?.
 
José M R Alves , Ermesinde | 15/07/11 00:14
Habituei-me a ler os seus textos não só no DE como em tempos noutros jornais.
Os meus parabéns por todos os seus trabalhos elucidativos.
publicado por ooraculo às 15:53
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Sexta-feira, 8 de Julho de 2011

A golpada

Contrariando tudo o que dissera durante a campanha eleitoral, a primeira medida tomada por Passos Coelho foi aumentar o IRS, através do corte de cerca de 50% no subsídio de Natal. Argumento invocado: o anterior Governo, que declarara um excedente de €432 milhões no orçamento do primeiro trimestre, foi agora desmentido pelo INE, que encontrou um défice de €3.177 milhões. Eis um episódio triste, de que o actual PM deveria envergonhar-se.

O episódio é triste por dois motivos. Em primeiro lugar, não se percebe como é que um défice de €3.177 milhões no primeiro trimestre pode impedir o défice de €10.068 milhões no final do ano, quando as medidas aprovadas visaram exactamente este valor. Em segundo lugar, releva de uma profunda ignorância confundir a contabilidade pública com a contabilidade nacional, onde a semelhança é idêntica à que existe entre um pepino e um girassol.

Façamos a analogia com o mundo empresarial. Nas empresas, a prestação de contas faz-se igualmente de duas maneiras: de um lado temos o balanço, que compara os proveitos com os custos, e por diferença obtêm-se os resultados; do outro lado temos o caixa, que compara as receitas com as despesas, de cuja diferença resulta o saldo. Dando de barato que os critérios de cálculo estejam correctíssimos, a discrepância de números pode ser abissal.

Imaginemos a aquisição de um equipamento por 100, pago integralmente no acto da compra e contabilisticamente amortizável em 5 anos. Na óptica do caixa, o valor registado é de 100; na óptica do balanço, o valor registado é de 20, porque os outros 80 transitam para os exercícios seguintes. Num lado há o valor que se gastou; no outro aquele que se imputou ao exercício. E podíamos escolher um só deles? Podíamos, mas não era a mesma coisa.

A conclusão a extrair de tudo isto é que Passos Coelho vive obcecado com a ‘troika', que a todo o custo quer ultrapassar pela direita. E esta diferença nos orçamentos caiu como sopa no mel: o Governo anterior foi chamado de irresponsável, os ‘troikistas' sorriram de orelha a orelha e o Estado ainda se prepara para encaixar uns milhões. Mas o expediente não resultou. E o novato que se supunha diferente revelou-se igual a tantos outros: um político que não olha a meios para atingir os fins.
Não foi um gesto bonito.

 

CONTAS PÚBLICAS  
Dos défices anuais... ...à dívida acumulada

*Previsões.

 

Quando a ‘troika' e o anterior Governo subscreveram o memorando de entendimento, já conheciam os números que o INE agora publicou. E foi com base nesses números que planearam o défice de €10.068 milhões, 5,9%
do PIB, para o final de 2011. Mas Passos Coelho quis passar a mensagem de que foram elementos novos, e muito mais "gravosos", que o obrigaram a este imposto brutal. Não é verdade, e o gesto não caiu bem.

 

Fontes: Governo, Eurostat

 

Comentários:

 

Jose Moura , | 08/07/11 17:36
Os meus agradecimentos pela clareza de análise sobre o défice e o desmascaramento da golpada.Para começo,não há dúvida,prometem...

olho vivo , porto | 08/07/11 16:55
Haverá sempre e por enquanto, 78 mil milhões de argumentos para tomar medidas ........ ESSA É QUE É A VERDADEIRA E DEFINITIVA GOOOOOOLPADA
 
Alberto Original , | 08/07/11 15:58
Por isso é que o Daniel Amaral é um bom contabilista, mas não passa disso. Para avaliar o impacto de que algumas medidas preventivas impopulares é certo, têm na credibilidade do País, é necessário ser Político. Não vá o sapateiro além do chinelo. Veja-se o coro europeu de indignação à Moody´s. Acham que seria possível se este Governo não tivesse já uma credibilidade externa infinitamente superior à do anterior, infinito sim, porque a do anterior era zero. Estou de acordo com o Carvalho, ou Daniel Amaral é apenas contabilista e então não passe mais comentários e faça o que sabe, ou se pretende ir mais além, então que se cale, porque como ele há muitos.

 
Napo£eao , | 08/07/11 14:55
Passos de Coelho fez bem em cortar 50% do subsdio de Natal à rapaziada ! Agora e´aguardar pelas eleicoes autarquicas para receber a prendinha !

ANTÓNIO MANUEL MARTINS MIGUE , Lisboa/portugal | 08/07/11 14:29
Ora aí está um contributo excelente do Daniel Amaral, sempre o admirei ( há 25 anos !) pela sua frontalidade.
Bem-hajas Daniel e que assim continues !
"Que as mãos não te doam" e a inteligência não te falte, assim como a tua seriedade que faltam a tantos políticos de trazer-por-casa .

 
JM , Lisboa | 08/07/11 14:26
Vá lá , reconheçam lá que Daniel Amaral tem razão!
Contra factos... só há argumentos bacocos!
Sócrates e Passos só não são iguais porque um é o lado A e o outro o lado B (da mesma moeda claro!)

blabla , | 08/07/11 13:25
TÁ SE MESMO A VER O VERITAS:
Cá para mim existem por aí uns tantos iludidos
Afinal os PSD também embarcam em cantigas
Realmente é a tristeza nacional o povo português premeia a CHARLATICE
Uma informação de última hora, é só para informar k estive a trabalhar enquanto o V fazia ó ó

 
Veritas , Lisboa | 08/07/11 12:48
Como diria o artista português: "vão trabalhar ..." e deixem-se de comentários que nao produzem quaisquer efeitos. Deixem o nosso primeiro Ministro trabalhar, pois, como se vê, esta no bom caminho.
 
João Pedro , LX | 08/07/11 10:49
Claro que uma coisa é a Contabilidade Publica e outra a Nacional, mas na actual situação é irrelevante, déficie significa acumular da divida e esta é elevada. As medidas anunciadas são uma antecipação no sentido de melhorar as avaliações externas da nossa dívida. Tendo em conta o montante da dívida, prevejo que a breve prazo se tenha de aumentar a taxa máxima do iva pra 25% e pior, o governo tenha de recorrer aos empréstimos internos com as empresas e o estado a pagarem o subsidio de férias e de natal em certificados de aforro, em alternativa uma percentagem de 14 avos do vencimento mensal.
Adicionalmente o estado tem de se restruturar, reinventar de forma a que possa gastar menos, é o que se chama reengenharia em gestão.
O estado gastou mais do que ganhava, o crescimento não era o suficiente para cobrir a dívida anterior, mas continuou a gastar até que agora chegou ao limite. Os portugueses vão ter de pagar mas o governo vai ter de reinventar o funcionamento, a organização e até o papel do estado para poder gastar menos.
 
publicado por ooraculo às 18:23
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Sexta-feira, 1 de Julho de 2011

Anos de brasa

Ainda o Governo saboreava a posse e já ministros, deputados, analistas e meros apoiantes da coligação sugeriam a ideia de que, finalmente, vamos “pôr a economia a crescer”. Compreendo o voluntarismo de quem está farto de esperar. Mas a mensagem é perigosa, por irrealista. E a força dos números poderá vir a cobrar-lhes mais tarde. Seria preferível que, em vez do voluntarismo, tentássemos responder a esta pergunta: como é que se cresce?

Vou pegar numa imagem a que já recorri noutras ocasiões. Se atribuirmos ao PIB o valor de 100, o consumo vale 88 e o investimento 19; os 7 a mais são dívida externa e correspondem à diferença entre importações (37) e exportações (30). A acumulação desta dívida levou depois à loucura que se conhece. Pois bem, se quisermos ter uma ideia de como vai evoluir o PIB, só temos de projectar aquelas rubricas para o horizonte que nos interessar.

O consumo representa então 88% do PIB. E o seu destino já está traçado: os cortes nos salários e nas pensões, o aumento generalizado de impostos e o ataque impiedoso a tudo o que envolva despesas públicas não vão deixar-nos alternativa ao colapso do produto, pelo menos nos anos mais próximos. E o próprio investimento, com o seu peso de 19% no PIB, reflexo da queda a pique a que foi sujeito, ainda deverá cair um pouco mais. Nada a fazer.

A única saída que resta está nas exportações. E aí, sim, a aposta deve ser muito forte. Mas 80% destas exportações dirigem-se à Zona euro, que está em crise; e os 20% restantes têm de concorrer com uma multiplicidade de países muito mais agressivos que nós. Tudo ponderado, não tenho dúvidas de que será possível ganhar aqui alguma vantagem, mas nunca ao ponto de compensar as duas quedas anteriores. A recessão já existe e vai manter-se.

A actual legislatura é para quatro anos e os dois primeiros vão ser decisivos. O que de bom ou de mau ocorrer neste período vai marcar o futuro de uma geração. Sejamos então realistas: no final destes dois anos, o PIB vai ser mais baixo e o desemprego vai ser mais alto do que são hoje. E a dívida pública também terá aumentado. É bom que os governantes tenham consciência disso: nessa altura, uma multidão inflamada vai atirar-lhes à cara com todas as promessas que fizerem e não cumprirem.

Não aticem o fogo.

 

 

MARCOS DA RECESSÃO

 

Afunda a economia...

(Variação, 2006=100)

...dispara a dívida

( % do PIB)

   

 Se as projecções mais recentes se confirmarem, a produção continuará a afundar-se e o PIB de 2012 será inferior ao que se registou em 2005. E, para que não restem dúvidas sobre os marcos da recessão, a queda do emprego deverá ser ainda maior. É o colapso social. Perante este quadro, percebe-se que a dívida pública continue a subir, excedendo os 107% do PIB em 2012. Não há memória de um período assim...

Fonte: Comissão Europeia.
____

Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt

 

 

Comentários:

 

Timoneiro , Leeds | 01/07/11 13:25
Primeiro, um 'optimo artigo e com um carácter didático, como sempre.
Segundo, faço minhas as palavras do Realista. Gostariamos de saber quais os critérios para o seu cálculo. Melhor seria óptimo que alguém colocasse numa página web toda a informação relevante para o seu cálculo. Aprende-se lendo e fazendo, ouvir não basta e só se promoveria o conhecimento.
Realista , Porto | 01/07/11 09:23
Concordo com o artigo. Mas como este autor costuma dar aos seus artigos um caracter didactico, que eu aprecio, gostaria de lhe segerir que num próximo artigo aborde a questão do cálculo (criterios utilizados) para o calculo do defice. É que eu começo a ficar baralhado. Vejamos.
O problema da Irlanda foi basicamente o problema do seu sistema bancario. O governo teve que apoiar os seus bancos e o defice do seu orçamento saltou para uns incriveis 32,4% do PIB. A Espanha, como se sabe, tambem está a apoiar e reestruturar as suas cajas de ahorro. Lembro-me de ter lido algures que seriam necessarios 20.000 milhões. Mas não vejo o impacto deste apoio no defice espanhol. Na Grecia de cada vez que a UE publica dados sobre os defices ha sempre um aumento. As pessoas já se habituaram a dizer que os gregos são uns aldrabões e que não têm um sistema estatístico fiavel. Mas será só isso? Não haverá aqui tambem a maozinha de Bruxelas? Em Portugal o governo começou por anunciar para 2010 um defice de 6,8%. Mas Bruxelas (por interposto INE) veio dizer que não. Que o defice era afinal de 9,3%. Para alem dos submarinos havia que incluir dividas da Refer e dos metropolitanos de Lx e Porto, porque as suas receitas correntes não cubriam 50% dos custos de exploraçao.
Recentemente voltaram a surgir discrepancias entre afirmações do antigo secretatio de estado do orçamento e o INE sobre o defice do 1º primestre.
Como é? Em que ficamos? E se em 2011 as receitas correntes da Refer e dos 2 metropolitanos superarem os 50% o defice e a dívida vêm por aí abaixo? Onde está a fronteira entre Estado e empresas públicas? É legítimo incluir dívida de empresas públicas na dívida pública sem incluir tambem os activos?
SE A MEDIDA DO CUMPRIMENTO DO PLANO DA TROICA VAI SER O DEFICE ENTÃO CONVEM QUE TODOS SAIBAMOS DE ANTEMÃO QUAIS SÃO OS CRITERIOS PARA O SEU CÁLCULO.
LOPES CARLOS , Bélgica | 01/07/11 07:06
1. Excelente Artigo , como habitualmente.
2. Desde 2/2/2006, TODOS sabiam perfeitamente o que ai vinha.
3. Infelizmente, será o Desemprego estrutural a assegurar o reajustamento.
4. Qualquer Governo seria obrigado a sanear as finanças publicas, apoiar os
Cidadãos mais vulneraveis e relançar apenas projectos realistas e auto-
sustentados.
5. É o Parlamento que representa o nosso Povo , na sua diversidade. Minorias
activas e organizadas não podem usar a rua contra o Parlamento Eleito. Se,
há minorias que não se sentem representadas criem novos Partidos e vão a
Votos. Cadernos Eleitorais actualizados fariam diminuir uma abstenção ARTI-
FICIAL. O PS contribuirá certamente para ultrapassar um dos periodos mais di-
ficeis dos ultimos anos ( post 1974).
 
publicado por ooraculo às 17:51
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