Sexta-feira, 28 de Outubro de 2011

O colapso social

Tenho à minha frente os gráficos que o leitor pode ver em baixo. À esquerda, a variação do PIB: em dois anos, a queda deverá exceder os 5%, a maior recessão de que há memória no Portugal democrático. À direita, a evolução do desemprego: em dois anos, vamos perder mais 124 mil postos de trabalho, elevando aquele número para 727 mil, 13,4% da população activa: é uma situação arrepiante. O Governo pensou nisso quando propôs este orçamento?

Quando pedimos ajuda externa e nos submetemos aos humores da ‘troika', foi-nos sugerido que o corte no défice de 2012 se dividisse em três partes iguais: um terço seria acrescido às receitas; dois terços seriam reduzidos às despesas. E ficou implícito que por despesas se entenderia "gorduras" do Estado. Mas a opção foi muito mais simples: as "gorduras", afinal, eram salários, pensões e acções sociais. Isto não é brincar com as pessoas?

Com o investimento deprimido e este corte brutal no rendimento das famílias, era óbvio que a procura interna iria bater no fundo. E, para estimular o crescimento, só nos restava o aumento das exportações. Foi então que o Governo se lembrou de acrescer meia hora à prestação diária de trabalho. Azar dos Távoras: com a capacidade produtiva já subutilizada, esta medida só vai aumentar a subutilização. E nós continuamos a dar tiros nos pés.
A cereja no topo do bolo vai para todos aqueles que estão a caminho de perder o emprego, aproximando-se do limiar da pobreza. Já vimos que, na passagem de 2010 a 2012, o número de desempregados vai subir de 603 mil para 727 mil, mais 21%. Mas, no mesmo período, as dotações para subsídio de desemprego vão cair 8%. Chamem-lhe o que quiserem: ignorância, insensibilidade, má-fé. Este é um episódio de que o Governo deveria envergonhar-se.

Que me lembre, nunca um OE foi tão duramente criticado por tanta gente. E também não me recordo de alguma vez o Presidente da República o atacar em público, em vez de o fazer no recato do seu gabinete. Penso que o Governo deveria reflectir sobre isto, mesmo que confirme as suas opções, em nome de uma dignidade que só lhe fica bem. Já no que toca à economia, admito que não faça nada, simplesmente porque não é capaz. Fica o meu protesto: este orçamento vai levar-nos ao colapso social.
Tinha mesmo de ser assim?

 

Daniel Amaral
Economista

 

 

 Comentários:

 

CARLOSREB , | 28/10/11 17:35
Precisamente!!!
Mas o que é que estávamos á espera?
Tudo a viver á grande, ninguem produz nada...
Vamos empobrecer a olhos vistos...
Não há governo nenhum que governe algo ingovernável...
Todas estas medidas e as que virão, são apenas para evitar o "default"!
 
Ricardo Salgado , Praia da Comporta | 28/10/11 17:13
Caro Daniel Carvalho
Não há meios termos... temos que penar primeiro para depois crescer.
Vai ser duro, mas não há alternativa. Ou há?
 
Mas o que é que estávamos á espera? , | 28/10/11 15:38
Tudo a viver á grande, ninguem produz nada....
 
Jose , Lisboa | 28/10/11 13:59
A verdade da economia é que não há verdade nenhuma. Estamos a viver uma situação previsível, desde que o Eng. Sócrates ganhou as primeira eleições. Também a alternativa seria o lunático do Dr Santana Lopes, o homem que se julga um iluminado, mesmo quando defende as ideias mais disparatadas. Estávamos mal de escolhas. Depois, na segunda vitória do Eng Sócrates, já foi diferente, o povo teve medo da Dra Ferreira Leite, que ia tentar equilibrar o barco. O eleitorado preferiu a banha da cobra do PS, ao realismo do PSD. Havia a certeza que estávamos a ser mal governados, no entanto, preferiu-se adiar o momento de enfrentar a realidade. Agora, sem fuga possível, cá temos a fatura dos desmandos governativos: choques tecnológicos: PPP; formação para Europa ver e utilidades afins, que serviram para enriquecer alguns próximos do círculo do poder. O dinheiro fácil da Europa, o crédito facilitado pelo Euro, deu-nos a tentação de gastar sem ver em quê. É preciso é gas.
 
Realista , Porto | 28/10/11 12:58
Estou de acordo com o autor. Este OE além de brutalmente injusto, é perigoso e vai levar à deterioração do estado.
1- Um professor ou um polícia que têm que trabalhar muito longe da sua residencia para ganhar 1000 euros vão ter uma quebra no seu rendimento de mais de 20%. Um quadro medio de uma empresa privada, para já não falar dos gestores que ganham centenas de milhares de euros, ficam na maior. É JUSTO?
2- O corte dos subs dos fp e pensionistas vai provocar uma divisão grosseira na sociedade. Atenção aos propestos de rua. Na Grecia os manifestantes revoltam-se sobretudo contra os políticos, devido á sua incompetencia e injustiça. ACHAM QUE NÃO? PENSEM NISSO!"
3- Mas o corte brutal nos fp vai levar sobretudo à degradação do sector estado. Vão aumentar as saídas de medicos do público para o privado, agravando ainda mais o SNS. Vai haver fugas de quadros do público para o privado. NÓS DEVIAMOS APONTAR PARA UM SECTOR PÚBLICO MENOR MAS BEM QUALIFICADO. 
Couceiro , Coimbra. | 28/10/11 12:51
A dureza das palavras é sem dúvida paralela á realidade que nos espera.Entretanto vão-nos dividindo e nós vamos disparando em todos os sentidos, cavando uma maior distancia entre nós, pessoas,cidadãos deste País..E pensando que não podemos fugir, que é este o nosso fado.Mas será? Por uma vez mais não seremos capazes de esquecer as diferenças e enaltecer o que nos une? Agigantar-mo-nos e colocar estes políticos e esta politica á mercê do país em vez de contribuirmos para o status quo e continuidade deste degradar permanete e roubo da esperança?
 
justino , | 28/10/11 12:51
Ainda há pessoas lúcidas neste país e que olham para o conjunto da sociedade e para os reflexos sociais de medidas desastrosas.
Quando for altura de lhes dar razão, vai ser tarde...
alberto , lisb | 28/10/11 12:41
O Portugal democrático é responsável pelo salto qualitativo do país, com especial relevância na saúde e educação ( apesar de tudo ), mas é também responsável por ter gerado o ambiente que, combinado com a ignorância e irresponsabilidade política, pôs o país de joelhos e mão estendida perante a comunidade internacional. O nível de despesa do país-público e privado- tem mesmo de ser ajustado, e graças à negação socratina agora só pode ser à bruta, o resto é wishful thinking.
Rosendo Jose , Lisboa | 28/10/11 12:23
Ok, aceitem-se as críticas todas, têm lógica mas alguém que nos explique quais as alternativas. Já agora, com a mesma ênfase e detalhe das críticas feitas.
Orçamento expansionista? Privilegiando o investimento que leve à recuperação da economia e aumento do consumo? Lindo, mas com que dinheiro?
Casa onde não há pão...
LOPES CARLOS , Bélgica | 28/10/11 12:14
1. Não estou a ver gráficos nenhuns.
2. Desde 2/2/2006 TODOS OS DECISORES sabiam que a " saída" seria o DESEMPREGO LD para resolver o reajustamento.
3. E fosse qual fosse a "cor" do Governo que recebesse o Poder , haveria SEMPRE recurso a uma MIX POLICY ( aumento da carga fiscal, redução dos beneficios sociais, aumento geral das tarifas e preços) !
3. Fingir agora que se ignorava isto , releva da pura hipocrisia !!!
4. Estaremos durante anos a tentar mudar o paradigma. Os custos para as Novas Gerações serão muito pesados. TODOS O SABIAM !!!!!!!
5. Se Portugal abandonasse o Euro , então seria o regresso directo ao nivel de vida de 1950 .
José Moura , Pampilhosa | 28/10/11 12:05
Aqui está uma análise em que devemos meditar,mesmo para os apaniguados deste governo.
publicado por ooraculo às 18:02
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Sexta-feira, 21 de Outubro de 2011

OE-2012: a vertigem

Aí está o OE-2012, de uma brutalidade inaudita, o mais violento que alguma vez se publicou em Portugal. Percebe-se que não vai ficar pedra sobre pedra: aumento generalizado dos impostos, cortes nos salários e nas pensões, ataques impiedosos aos direitos dos trabalhadores, amputações terríveis em todo o Estado Social. É um autêntico dilúvio a desabar sobre o país. Com a bonança a seguir? Olho à distância para 2013 e não acredito nisso.

Comecemos com 2011, em que o défice não poderá exceder €10.020 milhões, 5,9% do PIB. Um objectivo pacífico? Quando a ‘troika' fez as contas, parecia que sim. Mas sobrevieram três desgraças numa só: a execução ficou aquém da estimativa, a recessão foi ainda pior do que o previsto e o senhor da Madeira fez o resto. Desorientado e sem ideias, o Governo foi à banca e absorveu o fundo de pensões. E a sua credibilidade foi ao fundo do poço.

Para 2012 sabíamos que o défice estaria limitado a €7.557 milhões, 4,5% do PIB. Como? O PSD deu a resposta em plena campanha eleitoral: cortando nas "gorduras" do Estado. Eles até já tinham uma lista de cortes pronta a entrar em acção. Sabe-se agora que era mentira: primeiro, aumentaram todos os impostos; e, depois, só cortaram nos rendimentos e nas acções sociais. Exactamente o inverso do prometido. Passos Coelho consegue dormir bem?

É óbvio que, com este orçamento, a recessão vai agudizar-se. E nem sequer imagino quando é que a economia poderá recuperar. Veja-se o caso do investimento: em 2000, investíamos 27% do PIB; em 2010, descemos para 19%; e, em 2012, vamos ficar-nos pelos 16%. É um cenário dramático. E, em situações como esta, mandaria o bom senso que fosse o Estado a fazer a compensação. Esqueçam: o investimento público vai situar-se na vizinhança de zero.

Poderia ser de outro modo? Quando pedimos ajuda, não: era a ‘troika' ou o caos. Mas, quando se tornou consensual que o modelo era asfixiante, deveríamos ter ensaiado uma renegociação que nos permitisse respirar um pouco. O Governo optou pelo inverso, e decidiu ir muito além do que a própria ‘troika' exigia. Deixou-nos atados de pés e mãos. Se nada de novo acontecer até lá, no final de 2012 vamos ter um país sem crescimento, sem emprego, sem dinheiro e sem horizonte - à beira do abismo.

Quem pára a vertigem?

 

A ARTE DE INCUMPRIR

 

Incumpre-se o défice...

(Défice, % PIB)

 ...incumpre-se a dívida

 (Dívida, % PIB)

   

As regras eram muito claras: para entrar no euro, o défice orçamental e a dívida pública não poderiam exceder 3% e 60% do PIB, respectivamente. Mas, pelos vistos, as regras não eram para cumprir. Hoje, dos 17 países que integram o euro, apenas 6 cumprem o critério do défice e 5 o da dívida. E, a cumprirem ambos, apenas 3: a Finlândia, a Estónia e o Luxemburgo. Portugal não cumpre nenhum. Como foi possível chegar a isto?

Fontes: OE-2012, Eurostat, Banco de Portugal.
____

Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt

 


Comentários:

MR , | 21/10/11 14:31
Nestes próximos orçamentos o que vai faltar é fazer um ajuste de contas com o PS, mais própriamente com o Sr.Sócrates.
Governar não é apenas deixar o País em roda livre e dizer que está tudo bem e quew até (pasme-se!) esávamos a sair da crise....
 
Fernando , | 21/10/11 13:17
Esta crise e' mundial. Ne realidade representa o fim do regime Estadista que cresceu descumensuradamente na Europa e nos EUA durante a segunda metade do Sec. XX: O estado "controla", o estado, "protege os pobrezinhos", o esta "redistribui a riqueza", o estado "subsidia" desde o nascimento ate a morte. Ahh, o estado (e os afilhados bancos) tem de ter o monopolio da criacao de um dinheiro-papel que todos temos de aceitar como de valor e o estado e' que deve dirigir a economia. E' este modelo que comeca a desmoronar e que vai acabar, dentro de pouco tempo. E o Bing-bang vao vai deixar ninguem de fora...
 
LOPES CARLOS , Bélgica | 21/10/11 10:35
1. Senhor Realista , esta crise tem raizes globais , europeias e nacionais ( muito nossas !!!). Por isso, as respostas terão de ser globais E europeias E nacionais.
2. Este OE 2012 ( qualquer que seja a sua versão final , para acomodar o PS) é muito duro. Mas, as Pessoas Sérias sabem que os OE 2013 e 2014 ( independemente dos campos de apoio ) serão MAIS DUROS, porque a divida externa aumentará e os tais desvios colossais aumentarão ( por "fases").
3. Portugal está em REGIME DE TORNEIRA UNICA ( BCE), por isso está como a Blanche do ELECTRICO CHAMADO DESEJO ( versão de TEODORAKIS).

Realista , Porto | 21/10/11 09:23
Concordo com o artigo. Eu não me canso de repetir que esta crise é europeia, não é só nossa. E a nossa solução está mais nas mãos da UE que nas nossas. Por isso devemos agir com cuidado e, sobretudo, ir ganhando tempo. Sem dúvida que o proximo OE terá que ser duro. Mas não sejamos mais "troikos" que a propria troika. E sobretudo: SEJAMOS JUSTOS NOS SACRIFICIOS E NÃO ESQUEÇAMOS A NECESSIDADE DE CRESCIMENTO. Ora este OE não faz nada disto. Com a ideia de dividir os portugueses entre públicos e privados este OE é mesmo um aborto. 

disto. Com a ideia de dividir os portugueses entre públicos e privados este OE é mesmo um aborto.

publicado por ooraculo às 17:56
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Sexta-feira, 14 de Outubro de 2011

Grécia: um 'case study'

O processo de lançamento do euro teve início em 1999, com a entrada de 11 países, entre os quais Portugal. Critérios de convergência que foi necessário cumprir: o défice orçamental e a dívida pública não poderiam exceder 3% e 60% do PIB, respectivamente. A Grécia viria a entrar apenas em 2001, nas mesmíssimas condições. O problema é que, à entrada, a sua dívida pública face ao PIB já excedia os 100%. Quem permitiu que isto acontecesse?

Ainda que nunca assumido expressamente, os critérios definidos tinham implícito um crescimento nominal do PIB da ordem dos 5% ao ano, 3% em volume e 2% em preço. De facto, com aquele défice e aquela taxa de crescimento, os limites da dívida nunca seriam ultrapassados. Mas, se o objectivo da inflação foi cumprido, o crescimento real do PIB ficou-se por um terço: os estrategas do euro falharam rotundamente. E disso a Grécia não teve culpa.

Hoje a Grécia vive numa recessão profunda, o desemprego excede os 16% da população activa, os défices programados vão ser incumpridos e a dívida pública deverá atingir 173% do PIB em 2012. E, com um cenário destes, que propõe a ‘troika' deles? A receita do costume: austeridade, desinvestimento, bloqueio, asfixia. Um filme de terror. Não é preciso um grande esforço para perceber que a Grécia está na antecâmara de um estoiro monumental.

A senhora Merkel e o senhor Sarkozy têm de decidir, uma vez por todas, o que querem fazer da Grécia: ou mantê-la no euro ou correr com ela. Se optarem pela saída, os gregos declaram falência, renunciam aos pagamentos e seja o que Deus quiser. Mas, se a opção for mantê-la, como querem fazer crer, então que o assumam sem rodeios: a dívida terá de ser reestruturada e amputada em pelo menos 50% do total. Preferem perder tudo ou uma parte?

Entendamo-nos. Não estão em causa as reformas, as penalizações, os cortes impiedosos em tudo o que mexe. O que aqui está em causa é um mínimo de realismo e de bom senso: não é possível asfixiar um doente e pretender reanimá-lo logo a seguir. Estes desvarios autistas costumam desabar em tragédia. Do que a Grécia precisa é de quatro coisas: mais tempo para consolidar, mais crédito para financiar, mais apoios para corrigir, mais e melhores mercados para exportar. Alguém lhe dá uma ajuda?

Portugal vem a seguir.

 

BARCO AO FUNDO

 

Recessão temerária...

(PIB, 2006=100)

 ...dívida explosiva

 (Dívida pública, % PIB)

   

Enquanto a Zona euro entrou em recessão em 2008 e começou a inverter em 2010, a Grécia teve um começo idêntico e nunca mais recuperou. As recessões acumuladas deverão atingir 14% do PIB em 2012. E, com a economia a bater no fundo, emergiu a dívida pública, projectada para 173% do PIB. Pretender-se que a Grécia sobrevive sem reestruturação é um insulto à inteligência das pessoas. Os gregos não o merecem...

Fontes: FMI, Eurostat.

____

Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt

 

 

Comentários:

Fernando , | 14/10/11 16:12
Concordo com o Joe... Enquanto o povo se "revoltar" com as grandes multinacionais e o poder financeiro de Wall Street, estara o poder politico todo descansado... Sera que nao se percebe que o problema esta no DEMASIADO poder politico que existe no mundo? Quem censura as grandes multinacionais de querer influenciar os politicos? O problema esta no demasiado poder que os politicos tem... Claro que o pdoer financeiro quer que os governos passem a ideia que os bancos sao "demasiado grandes para falharem" porque uns (estados) sustentam-se com os outros (bancos) a custa das pessoas... Os que protestam em Wall Street contra o "demasiado poder das corporacoes" deveriam estar na Casa Branca a protestar contra o demasiado poder dos Governos.
 
JR , | 14/10/11 16:05
Amigo Realista.
Quem criou o monstro foi Guterres.Aliás foi Cavaco que chamou monstro ao 2ºorçamento de Guterres,o orçamento limiano senão estou em erro.Assim é que está correto,mas como dizia Lenine as mentiras ditas muitas vezes,tornam-se verdades,e a comunicação social nada faz para repor a verdade.
 
jOE CARRUSCA , USA | 14/10/11 15:45
A CEE foi formada como zona economica, mas transformou-se numa zona politica devido a alguns lunaticos que decediram fazer os Estados Unidos da Europa sem consultarem o povo.Agora esta o "caldo entornado" porque os eleitores dos paises mais ricos, nao compreedem porque eh que tem de pagar as dividas dos Pigs.Porque se analizarmos bem, paises como Portugal ,Grecia,Irlanda e etc. nunca podiam ser admitidos numa zona economica como a CEE mas foram, porque as decisoes de admiti-los foi politica e nao economica.

LOPES CARLOS , Bélgica | 14/10/11 15:33
1. A Grécia e Portugal , tal como o Sul de Italia, já são estudados como casos de desenvolvimento mal formado.
2. A Grécia não preenchia os requisitos para entrar na Zona do Euro.
3. A Grécia fêz um conjunto de investimentos pouco prudentes ( Jogos Olimpicos, Novo Aeroporto de Atenas, renovação urbana de varios quarteirões de Atenas,metro) e não fêz as reformas estruturais essenciais.
4. Portugal até 2001 andou bem ( entrada na então CEE , fundos estruturais que permitiram à População aproximar-se do nivel de vida médio da Europa, adesão ao Euro,etc).
5. Alguns aspectos da EXPO foram o primeiro grande erro. Mas, o pior foi depois com os 10-ESTADIOS-10 e varios investimentos publicos sem retorno.
6. As SCUTs foram vendidas como um FACTOR de desenvolvimento regional e anos depois quiz-se isentar os Utentes a pretexto que continuavam pobres e não podiam pagar ( era o Povo todo a pagar...mesmo os Peões...).
7. A adesão ao Euro foi vista apenas como uma oportunidade.
Fernando , | 14/10/11 15:28
Eles nao querem admitir que esta crise que se esta a viver e' uma consequencia da "arquitectura" financeira adoptada ha 40 anos: o dinheiro-papel sem ligacao ao padrao-ouro. Os Governos, atraves dos seus economistas-burocratas, querem fazer crer ao povinho que sem o dinheiro-papel que eles produzem a partir do nada, nao haveria "crescimento". O que lhes interessa e' continuar a ter o poder nas suas maos e continuar a servir os seus mestres banqueiros. Muitos culpam o "Capitalismo desregulado" mas o que deveriam culpar seria sim o "Estadismo" em que vivemos, onde mais e mais paises ditos democraticos sao governados por governos com mais poder do que muitas monarquias totalitaristas do passado. O verdadeiro Capitalismo de Mercado Livre implica a existencia de dinheiro (meio de troca) solido e baseia-se na troca VOLUNTARIA de bens e servicos. Estamos longe disso com dinheiro papel que desvaloriza a olhos vistos (A libra-Estrelina perdeu 99% do seu valor quando era equivalente a 1 libra de prata) e estamos longe de ter trocas voluntarias com os Governos a imporem taxas e restriccoes economicas. So um verdadeiro mercado livre, voluntario, entre pessoas e empresas pode gerar riqueza. O que assistimos hoje em dia e' apenas a queda em espiral de um sistema financeiro que nao resulta. O fim esta proximo...

lucklucky , | 14/10/11 15:11
"O MAL ESTÁ AQUI!"
O Mal está na dívida que quiseste e agora não queres pagar.
 
Realista , Porto | 14/10/11 14:22
Agora está na moda dizer mal do passado. Aqui e na Europa. O Portugal de Cavaco não deveria ter gasto os fundos europeus em estradas. A Europa nunva deceria ter deixado entrar a Grecia. TENHAMOS JUIZO! Cavaco fez muito bem em investir em estradas. Lambram-se como era a rede viaria antes de Cavaco? Pois eu sou a favor das estradas, da Expo e até do campeonato europeu (embra concorde que 10 estádios foi demais). O mal de Cavaco e esse sim foi um mal terrivel foi ter criado o mostro. Quanto à UE acho muito bem terem permitido a entrada da grecia. A Grecia é o berço da democracia. O que eu acho mal, muito mal, é esta cambada de neolibs que tem governado o ocidente com Merkel e Sarkosy à cabeça mas tambem Obama. Obama prometeu uma coisa mas fez outra: voltou a dar força a Wall Street e a tolerar o mal que a desregulação do sistema financeiro tem causado. O MAL ESTÁ AQUI!
 
lucklucky , | 14/10/11 13:57
"Quem permitiu que isto acontecesse?"
A Política. A Utopia Europeia.
E as Utopias são sempre mentiras.
Precisam de ser um embrulho bonitos e o lixo debaixo do tapete.
Faz de conta.
"Pretender-se que a Grécia sobrevive sem reestruturação é um insulto à inteligência das pessoas. Os gregos não o merecem..."
É evidente que sobrevivem. O Daniel Amaral assim como os Gregos é que não querem voltar a viver com a riqueza de 1995.

José Moura , Pampilhosa | 14/10/11 13:36
E Portugal vem a seguir...com medidas como as de ontem,é o que nos espera.

  César Palmieri Martins Barbosa , Rio de Janeiro | 14/10/11 02:43
A Alemanha parece já estar decidida a ela sair do euro e voltar ao marco alemão, preservando as suas riquezas, ao invés de sacrificá-las no resgate e financiamento da zona do euro e da União Européia. Nesse sentido é clara a decisão do representante do Deutsche Bank, Josef Ackermann, que ontem se declarou contrário à proposta do Presidente Barroso de resgate à banca européia.
Jakim dos Ossos , | 14/10/11 01:33
A Grécia precisa de mais uma pequena coisa, quase sem importância: POLÍTICOS SÉRIOS E COMPETENTES
publicado por ooraculo às 17:24
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Sexta-feira, 7 de Outubro de 2011

A ameaça chinesa

O crescimento médio do PIB nos últimos 10 anos foi de 1,7% nos EUA, de 1,1% na Zona euro e de 10,5% na China. E, no final de 2010, atribuindo ao conjunto o valor de 100, os EUA valiam 41, a Europa 31 e a China 28. Projectemos estes números até 2030, admitindo que americanos e europeus crescem à mesma taxa e os chineses apenas metade disso: no mesmo conjunto de 100, o peso é agora de 45 para China, 33 para os EUA e 22 para a Zona euro.

O raciocínio é especulativo e, no caso da China, admito que subavaliado. Mas dá uma ideia da ameaça a que estamos sujeitos, a um prazo não muito longo. Se olharmos para os modelos de desenvolvimento destes países, vemos que nada têm em comum: a Europa gasta mais ou menos o que produz; os Estados Unidos gastam mais e endividam-se; e a China, poupadinha, acumula reservas colossais. São estas reservas que no futuro vão fazer a diferença.

Vale a pena quantificar. De acordo com o FMI, as reservas chinesas atingem cerca de $3,5t - 3,5 triliões de dólares na escala americana e quase 25% do PIB dos EUA. Se aplicadas na aquisição de bens e serviços, estas reservas dariam para comprar toda a produção anual de petróleo; com apenas metade comprar-se-iam as dívidas soberanas de Espanha, de Portugal, da Irlanda e da Grécia; e menos de um décimo chegaria para comprar Manhattan.

Num mundo interdependente à escala global, em que cada país de per si beneficia tanto mais quanto mais forte for o conjunto, o normal seria que a China se disponibilizasse para comprar dívida soberana aos países da Zona euro. Mas nunca o fez. E, do meu ponto de vista, ainda bem: sentir-se-iam tranquilos se a Europa, um universo democrático, fosse "vendida" a um outro cujos líderes perseguem os opositores e violam os direitos humanos?

Falta a destrinça entre ser rico e ter muito dinheiro. Que a China tem muito dinheiro provam-no a taxa de crescimento e as reservas acumuladas. Mas também os 1.350 milhões de chineses que estão por detrás disso. O confronto com o Japão, que tem um PIB equivalente, é sintomático: com 1/10 das pessoas, ele tem um rendimento ‘per capita' 10 vezes superior. Ou seja, o Japão é um país rico e a China não. Mas não tenhamos ilusões: na hora da verdade é a força do dinheiro que vai prevalecer.

A ameaça está aqui.

 

CHINA IMPERIAL

 

Do crescimento fabuloso...

(PIB real, 2000=100)

 ...às reservas colossais

(Reservas, $triliões*)

   

Com taxas de crescimento modestíssimas, tanto na Zona euro (1,1%) como nos EUA (1,7%), os últimos 10 anos foram para ambos uma década perdida. Mas esta inoperância foi compensada pela China, com uma taxa de crescimento média superior a 10%, o que permitiu sustentar a economia mundial. Não satisfeita com isso, a China ainda se deu ao luxo de acumular reservas de $3,5t - quase 25% do actual PIB americano.

Fontes: FMI, Eurostat.

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Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt

 

Comentários:

 

RG , | 07/10/11 12:02
Mas será que ainda não entendemos que a China já faz o que quer. São os produtores do Mundo.
Em 2030 estamos todos entregues aos chineses. Os EUA e a Europa estão a entrar em recessões atrás de recessões.
É como o tipo que é Rico e gasta que nem um doido, ou um tipo que está a enriquecer e nada gasta. Quem será que fica bem no final.

Realista , Porto | 07/10/11 11:29
Cortaram-me o comentario. Vou fazer segunda tentativa. Concordo com o artigo e os 3 comentarios. Mas penso que o autor devia falar no desiquilibrio das paridades cambiais para explicar a situação. Ha meia duzia de anos tÍnhamos 1 Euro = 1 Dolar. Hoje temos 1 Euro = 1,4 Dolares. Como é possivel conseguir ganhos de productividade em 6 anos que compensem esta valorização do Euro?. Por outro lado o yuan tem estado sub valorizado. Toda a gente reconhece isso. Não é só o espírito de trabalho dos chineses que explica o seu crescimento. HA UM PROBLEMA CAMBIAL QUE TEM QUE SER RESOLVIDO.


LOPES CARLOS , Bélgica | 07/10/11 07:21
1. Artigo interessante e bem fundamentado , como sempre.
2. Saudo o comentário do Sr. Dr. João Santos Lucas, que escreveu muito e bem sobre a Asia e sobre RP CHINA.
3. Com as Grandes Transformações , o Senhor Presidente DENG abriu a RP CHINA a uma via de grande progresso economico e social. Os Presidentes seguintes executaram as fases seguintes e HOJE a RP CHINA é um dos Motores da Economia Global.
4. Mesmo publicações e Autores "politicamente correctos" ( ver Foreign Affairs e B-H Levy ) reconhecem o ascenso da RP CHINA e o seu real papel no Mundo ...e dentro dos EUA.
5. Como os Povos da Grécia e Portugal , o Povo Chinês é um Povo bom e barulhento , mas pacifico. Não foram os Chineses que desencadearam uma GUERRA SANGRENTA PARA IMPOR O OPIO . Não são os Chineses que estão NESTE MOMENTO PRECISO a envolver outra potência com uma carissima rede de bases militares. Não são os Chineses que fazem milhares de bombardeamentos em diversos Paises e depois vendem a "reconstrução".

Joao Santos Lucas , Singapura | 07/10/11 04:37
As elites portuguesas, incluindo os economistas, ignoraram nos ultimos cinco anos o crescimento da China. Nao terei sido o unico que em artigos quinzenais, durante cerca de tres anos, chamou a atencao para o fenomeno nas paginas do Diario Economico .
Vale a pena voltar a recordar que cerca de 50% dos produtos exportados pela China sao produzidos por empresas americanas e europeias na China.
O maniqueismo na analise economica e pernicioso. O Mundo precisa de mais integracao entre as economias asiaticas e as economias ocidentais. A paz mundial o requer.
Torna-se obvio que a esquerda portuguesa condena a China sem perceber o que se passa. Precocupa-se com condicoes de producao na China actual que foram comuns no periodo de desenvolvimento industrail da Europa e da America e subvalorizam o facto da pobreza estar a ser erradicada da China de forma consistente e irreversivel. Falta em Portugal um debate serio sobre a Asia. Preconceitos nao ajudam a tomada de decisoes racionais. 
A verdadeira ameaça , | 07/10/11 01:17
Vem dos EUA e não da China. Os chineses trabalham exaustivamente, os américas roubam exaustivamente, eis a enorme diferença. E mais, para além dos roubos e da produção de armamento de guerra, que mais eles sabem fazer com qualidade? Nada. Absolutamente nada.
publicado por ooraculo às 17:58
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