Sexta-feira, 16 de Setembro de 2011

A crise dos ricos

A última capa de The Economist, com fundo negro, juntava a Europa à América e falava de gerações perdidas. Já no interior, os dois blocos eram depois analisados em separado. No que toca à Europa, vemo-nos a caminhar estrada fora, em fila indiana, até que surge uma bifurcação e a pergunta implícita: viramos à esquerda ou à direita? Vamos em frente - sem ideias nem horizonte, perdidos no nada, em terras de ninguém. É isto o que nos espera?

Situemo-nos em 2009, quando o mundo entrou em recessão. Se tomarmos como referência as principais economias avançadas e as projectarmos até 2012, o panorama é desolador. Os EUA não atam nem desatam, a Europa do euro cai a pique e o Japão chega a entrar no vermelho - aqui por outras razões: o terramoto, o tsunami, a tragédia nuclear. Uma nova recessão em perspectiva? Talvez não. Mas só porque as economias emergentes continuam pujantes.

Que aquelas projecções não asseguram um mínimo de estabilidade social provam-no as altíssimas taxas de desemprego que se vão registando por aí. Os EUA aproximam-se dos 10%, duplicando os valores anteriores à crise. E a média da Zona euro é semelhante, se bem que associada a um pico explosivo em Espanha (21%) e a valores bem acima da média nos três países intervencionados: a Grécia, a Irlanda e Portugal. Só o Japão continua abaixo dos 5%.

Mas a função dos políticos é corrigir estas tendências e para isso se lhes exige que tomem as medidas certas. E que vemos nós? O Japão já está a reconstruir o que a Natureza lhe levou. E a América sempre disse que privilegiava o crescimento económico, tendo como instrumentos as políticas financeiras e orçamentais. Só a Europa parou no tempo: Angela Merkel e Nicolas Sarkozy continuam a discutir o sexo dos anjos enquanto o barco se afunda.

É aqui que entra Portugal, também ele um país "rico". Fruto de uma política suicida que se prolongou por uma década, e não tendo mais ninguém para nos emprestar dinheiro, saiu-nos em rifa uma ‘troika' que não cede um milímetro à sua própria obsessão: cortar, cortar, cortar - até à asfixia.

Exactamente o oposto do que deveria ser feito! Preparem-se então para o pior: recessão profunda, desemprego explosivo e, no final de 2012, uma produção inferior àquela que já atingíramos 10 anos antes.

Como é que se sai disto?

 

OS FANTASMAS

 

Treme o crescimento...

(PIB real, 2006=100)

 ...sobe o desemprego

 (Desemprego, % pa)

   

 A recessão económica, que teve o seu ponto mais alto em 2009, foi mais intensa na Europa do que nos EUA. E, depois disso, os americanos também reagiram melhor do que os europeus. Já a situação portuguesa é de colapso total: o PIB projectado para 2012 vai ser inferior ao de 2002. Os reflexos desta crise no mercado de trabalho vão ser terríveis, e em Portugal ainda mais do que em todos os outros. Pior era impossível...

Fontes: FMI, The Economist.

 

Daniel Amaral, Economista.

d.amaral@netcabo.pt

publicado por ooraculo às 16:32
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