Sexta-feira, 26 de Março de 2010

Portugal 2013

 

Admitamos que o actual Governo, que está numa fase difícil, vai chegar ao fim da legislatura. Admitamos que as agências de ‘rating', que são umas queridas e gostam muito de nós, não vão agravar-nos a notação. E admitamos que este PEC maravilha, malgrado os habituais bota-abaixo, vai ser religiosamente cumprido. Como será este país no final de 2013?

Reza o documento que o PIB vai crescer 4,7% em quatro anos, pouco mais de 1% em média por ano. E não será muito arriscado presumir que este deverá ser o crescimento mais baixo da zona euro. Sucede que o nosso rendimento per capita, já corrigido da paridade de poder de compra, que nos é favorável porque temos preços mais baixos, não vai além de 70% da média daquela zona. É triste, mas é assim: vamos continuar a andar para trás.

Com um crescimento tão pobre e uma estrutura produtiva que ainda não se ajustou à recessão, é óbvio que não há espaço para a criação de empregos. E o PEC assume este fracasso sem rodeios: o crescimento vai ser de apenas 0,6%, ou seja, o equivalente a 30 mil empregos ao longo da legislatura. Se pensarmos nos 563 mil desempregados actuais, convenhamos que isto é um murro no estômago. Preparemo-nos então para o pior: taxas de desemprego superiores a 10% são para manter.

Do lado dos rendimentos as coisas não estão melhores. Os salários da função pública vão ser congelados, sejam quais forem a inflação e a produtividade. As prestações sociais vão ser amputadas, para não agravar mais os impostos. E as pensões de reforma vão continuar a baixar, porque a tanto obriga um modelo cujas reservas não dão para mais. Enfim e por junto: o nível médio de vida vai sofrer um dos maiores rombos de que há memória em Portugal.

Mas isso não invalida que, por cada 100 euros criados, o país continue a consumir 110 e não dê mostras de alterar o ritmo. E a dívida externa, que hoje já excede toda a riqueza produzida num ano, prepara-se para atingir 133% desta riqueza no final da legislatura. Será a ‘débâcle' total.Provavelmente as agências de ‘rating' vão reagir à bruta. Provavelmente as taxas de juro vão disparar. Provavelmente o PEC não será cumprido. Eis o cenário que eu temia: e se não for?

O euro em Portugal está em risco.

 

A DERROCADA*

 Economia fraca...
(Variação, 2007=100)
 ...endividamento louco
                                       (Dívida externa, % PIB)

* Inclui proposta do PEC 2010-13.

 

A produção e o emprego estão pela hora da morte e assim deverão prosseguir até ao fim da legislatura. Mas continuamos a gastar acima das nossas posses e a dívida externa não descola: no final de 2013 deverá atingir 133% da riqueza produzida no ano - uma situação explosiva e provavelmente insustentável. Ou tomamos conta desda dívida ou ela toma conta de nós...

 

Fontes: INE, PEC 2010-13.

publicado por ooraculo às 16:18
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