Sexta-feira, 2 de Março de 2012

Ainda o desemprego

Voltemos ao tema do momento, que é também o mais grave que hoje em dia se coloca  à sociedade portuguesa: o desemprego. No último trimestre de 2011, a população residente era de 10,6 milhões de pessoas, das quais 5,5 constituíam a população activa e 5,1 a população inactiva. E, dentro da população activa, 771 mil estavam desempregadas, o equivalente a 14% do total. É a taxa mais alta de que há memória no país. E tem tendência a subir.

 

Sucede que estes números estão subavaliados. Desde logo, a população empregada, de 4,7 milhões de pessoas, incluía 633 mil com emprego a "tempo parcial". E a dúvida é legítima: parcial como? Metade do tempo? 30%? 70%? Se, por hipótese, admitirmos um emprego a meio tempo, isso significa que, na prática, 316,5 milhares estavam de facto desempregadas. Logo, a taxa de desemprego era da ordem dos 20% e incluía mais de um milhão de pessoas.

 

Mas há mais. Ao desdobrarmos os 5,1 milhões da população inactiva, vamos encontrar 203 mil "disponíveis" para trabalhar, mas que não conseguem arranjar emprego. E mais 83 mil "desencorajados", que nem sequer o procuram porque lhes falta motivação. Também aqui a dúvida é legítima: estes 286 mil indivíduos são "inactivos" ou "desempregados"? Se optarmos pela segunda hipótese, a taxa de desemprego sobe para 24% e envolve 1,4 milhões.

 

Observemos agora os diferentes grupos. Mesmo assumindo como boa a taxa de desemprego de 14% no quarto trimestre de 2011, há situações mais chocantes do que outras. Por exemplo: 53% dos desempregados estão nessa situação há mais de um ano; nos jovens de 15-24 anos, a taxa é de 35,4%; e 10,6% dos desempregados têm um curso superior. Sejamos frontais: as classes políticas que nos últimos anos nos governaram deveriam corar de vergonha.

 

O problema é que, entretanto, os centros de decisão saíram de Portugal e transferiram-se para os controladores do euro, em especial a Alemanha. São eles que ditam as leis. E a ‘troika' que nos impingiram adora a asfixia - com o apoio entusiástico do primeiro-ministro português. Se exceptuarmos o crónico problema espanhol, as situações mais graves de desemprego estão hoje nos países que eles "ajudaram" - a Grécia, a Irlanda e Portugal.

 

Até quando?

 

Gráfico:

 

SEMPRE A SUBIR

Jovens ou idosos...

(Desemprego)

...homens ou mulheres

(Desemprego)

 A taxa de desemprego média anual atingiu 12,7% em 2011, mais do triplo da que se registou dez anos antes. Já o desemprego jovem, numa escalada semelhante, chegou a 2011 com uma taxa superior a 30%. Numa análise por sexos, a taxa de desemprego nos homens foi multiplicada por quatro, bastante acima do múltiplo das mulheres, que, não obstante, têm uma taxa de desemprego mais alta. Parece um filme de terror.

Fontes: INE, Banco de Portugal

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Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt




publicado por ooraculo às 15:31
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