Sexta-feira, 13 de Abril de 2012

O novo tratado

Ponto da situação. Dos 27 países que integram a UE apenas 25
subscreveram o novo pacto orçamental, prometendo ratifica-lo internamente. Mas
a Irlanda já disse que vai realizar um referendo, que deverá ocorrer no próximo
dia 31 de Maio. E François Hollande, candidato á presidência da França, também
nunca escondeu que pretende renegociar o tratado para nele incluir o tema
“crescimento”. Duas areias na engrenagem? Vamos admitir que não.

    

Este tratado veio baralhar alguns cálculos, ao introduzir os
conceitos de “PIB potencial” e de “défice estrutural” e limitando a 0,5% a
relação entre este défice e aquele produto. Como já expliquei em artigo
recente, PIB potencial é o produto que se registaria se houvesse uma plena
utilização de todos os factores produtivos. Como não há, ele é em regra
superior ao PIB efectivo. Nada a opor, não fosse a extrema dificuldade em o
calcular.

 

Se bem se recordam, aquando das negociações para a entrada
no euro exigiu-se a todos os países que limitassem o défice a 3% e a dívida a
60%, ambos face ao PIB. O que tinha implícito um crescimento nominal do PIB não
inferior a 3% ao ano. Mas quase todos incumpriram. Hoje admito que sejam mais
rigorosos: o défice não poderá exceder 0,5% do PIB; e a parte da dívida que
exceder os 60% do PIB terá de ser eliminada a um prazo de 20 anos.

 

Estava à espera de uma discussão acalorada sobre estas
exigências, mas ninguém ligou. O que se tem discutido é apenas se elas devem ou
não ser inscritas na Constituição. Eu entendo que não. Os limites ao défice e à
dívida têm implícitos tratamentos diferentes: a dívida é uma tendência; o
défice pode ser maior ou menor, desde que a tendência se mantenha. E as sanções
pelo incumprimento são de tal modo gravosas que o melhor é evitá-las.

  

Projectemos então os números, admitindo à partida um PIB de
100 e uma dívida de 110. Se o PIB crescer à taxa de 2% ao ano em volume e outro
tanto em preço, o PIB nominal ao fim de 20 anos será de 220. E se o défice for
de 0,5% ao ano, todos os anos, a dívida acumulada será de 125. Então a dívida
face ao PIB cairá para 57%. Aqui têm: a solução está no crescimento económico,
até hoje tão vilipendiado. E a própria inflação pode ajudar.

 

Que diz a isto o Governo?

 

d.amaral@netcabo.pt

 

 

         

 

 

 

 

 

 

 

publicado por ooraculo às 14:37
link do post | comentar | favorito
|
1 comentário:
De Luís Marçal a 7 de Maio de 2012 às 14:41
Por exemplo pode dizer isto:
"O gabinete do ex-primeiro-ministro José Sócrates gastou durante os seis anos de Governo mais de 460 mil euros em almoços e jantares no País e no estrangeiro. E em três anos sucessivos gastou mesmo mais do que a verba orçamentada: em 2007, 2008 e 2009, a rubrica Representação dos Serviços recebeu uma dotação total de 225 656 euros, mas a despesa total, segundo a Secretaria-Geral da Presidência do Conselho de Ministros (PCM), atingiu 260 174 euros, um aumento de 15,3%." in CM


Comentar post

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Dezembro 2012

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
12
13
14
15

16
17
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30
31


.posts recentes

. Regresso ao futuro

. Passos perdidos

. 2013: A vertigem

. O Estado "social"

. O declínio da Europa

. Chover no molhado

. O Estado vampiro

. A escapatória

. OE/2013: a ruptura

. Um país destroçado

.arquivos

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

blogs SAPO

.subscrever feeds