Sexta-feira, 11 de Maio de 2012

A crise e a ética

As projecções são do FMI. A economia no mundo vai crescer
3,5% em 2012, média ponderada dos crescimentos das economias avançadas (1,4%) e
das economias emergentes (5,7%). Dito de outro modo: o contributo das economias
emergentes será de 80%, contra apenas 20% das economias avançadas. Só a China
contribui com cerca de 35% do total. No lado oposto está a Zona euro, com um
contributo negativo, enquanto Portugal se afunda cada vez mais.

 

O papel dos países ricos merece reflexão. Os EUA e o Japão
ainda deverão crescer cerca de 2%. Mas a Eurolândia cai a pique: crescimento
inferior a 1% na França e na Alemanha, recessão em Espanha e em Itália, o fundo
do poço na Grécia e em Portugal. E mesmo quando o FMI arrisca projecções até
2017 nada disto melhora: a Europa do euro parece definitivamente condenada a
ficar para trás. A política do híbrido ‘Merkozy’ redundou em tragédia.

 

Num outro plano, a inflação aproxima-se dos 2% e as taxas de
juro continuam baixas – um cenário que deveria promover o crescimento. Não é o
caso. Já o défice da balança corrente está a baixar pelos piores motivos: a
queda da procura externa e o consequente afundamento das importações. Mas o
problema mais grave está no desemprego, na casa dos 15%, mais de 800 mil
pessoas. Não me surpreenderia se até final do ano se atingisse um milhão.

 

Com isto chegamos ao famoso Pacto Fiscal, que o Governo já
ratificou e obviamente não vai cumprir. É só esperar pelos próximos capítulos.
A Grécia é uma tragédia… grega. A Irlanda espera pelo resultado do referendo de
31 de Maio. E François Hollande sempre disse que o seu objectivo era
“renegociar” o tratado. Era! Mas esbarrou numa parede chamada Angela Merkel: o
tratado “não é renegociável”. Não, não e não! Como é que se sai disto?

 

Foi com este pano de fundo que analisei o Documento de
Estratégia Orçamental para 2012-16. O quadro é idílico: variação do PIB superior
a 2% a partir de 2014, balança corrente e de capital positiva logo a seguir,
défice orçamental na vizinhança de zero, etc. Desculpem, isto não é uma análise
económico-financeira; é um atentado à ética e à moral. O documento não é
credível. E o Governo, desgraçadamente, continua a enganar os Portugueses.

 

Até quando?

     

d.amaral@netcabo.pt

 

 

 

 

 

publicado por ooraculo às 16:29
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