Sexta-feira, 25 de Maio de 2012

A oportunidade

O cenário era previsível. No primeiro trimestre de 2012, a
taxa de desemprego em Portugal atingiu 14,9% da população activa, a que
correspondiam 819 mil desempregados, mais 130 mil do que no período homólogo do
ano anterior. Desde o segundo trimestre de 2008, quando a crise começou, já
foram destruídos cerca de 400 mil empregos, uma loucura. E a tendência é para
subir. Números do Eurostat alusivos a Março já referiam uma taxa de 15,3%.

 

Mas o último destaque do INE trazia elementos novos. A
população total baixou, amputada em 34 mil pessoas, o que só pode ser atribuído
à diferença entre mortes e nascimentos e aos fluxos migratórios. Mas a
população activa baixou ainda mais, ao registar um corte de 73 mil pessoas, e a
causa principal só pode ser a emigração. Quando os residentes de um país
precisam de emigrar para sobreviver, é porque algo vai mal no Governo desse
país.

 

Também a análise por classes, não sendo nova, arrepia só de
ver: 416 mil desempregados são de longa duração, o que lhes confere um carácter
estrutural; 247 mil têm mais de 45 anos, o que praticamente os exclui de
qualquer emprego futuro; e 116 mil têm um curso superior, o que significa
investir em activos qualificados que emigrarão logo a seguir. Confesso a minha
perplexidade: estes senhores que nos governam conseguem dormir descansados?

 

Um olhar sobre os 27 países da União Europeia diz-nos que
apenas dois têm um desemprego superior ao nosso: a Espanha e a Grécia. E tudo
indica que a situação vai piorar. O investimento cai a pique. O PIB efectivo é
muito inferior ao PIB potencial, o que sugere uma clara subutilização. E o
principal objectivo deste Governo é publicar legislação que facilite os
despedimentos. Falar de desemprego em Portugal é falar de um filme de terror.

 

Com isto chegamos a Passos Coelho e à sua famosa teoria das
oportunidades. Há aqui uma oportunidade fabulosa. Com estes 819 mil
desempregados podemos constituir uma empresa, gerar um PIB de 30 mil milhões de
euros por ano, afectar metade deste valor a salários e com eles aumentar a
receita de impostos e eliminar o défice orçamental. Deus é grande, aleluia! E
assim acabam os problemas do crescimento económico e da criação de emprego.

 

Obrigado senhor primeiro-ministro.

 

d.amaral@netcabo.pt

publicado por ooraculo às 16:13
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