Sexta-feira, 1 de Junho de 2012

Ode às 'eurobonds'

Eu sei que a Alemanha não quer. E a Alemanha pode muito. Mas
as pressões são tantas, e de tantos lados, que não é possível evitar a
discussão sobre a emissão de ‘eurobonds’, que envolvem a dívida soberana dos 17
membros da Eurolândia, qualquer coisa como oito biliões de euros. O objectivo é
baixar as taxas de juro, mas há quem ganhe e quem perca, o que dificulta o
debate. Vou procurar reflectir sobre o que se tem discutido até agora.

 

Os cenários constam de uma edição recente de ‘The Economist’
e continuam actualizados. A primeira ideia era limitar a emissão de ‘eurobonds’
a países que de facto necessitassem dela e para aplicar em investimentos
seleccionados e por um curto período de tempo. Que países seriam esses, e de
que investimentos se tratava, confesso que não entendi muito bem. Mas uma coisa
parecia óbvia: entre fazer isto ou nada a diferença não era grande.

 

A segunda hipótese remetia para o Tratado de Maastricht, que
esteve na génese do euro. As dívidas soberanas seriam divididas em dois blocos:
até 60% do PIB pertenceriam a uma “zona azul” e, enquanto tal, beneficiariam da
emissão de ‘eurobonds’ e seriam objecto de uma garantia conjunta; acima de 60%
do PIB pertenceriam a uma “zona vermelha” e seriam geridas pelos respectivos países.
Não sendo perfeito, este cenário já fazia sentido.

 

O terceiro modelo também assentava no princípio das cores, mas com a sua aplicação invertida: haveria emissão de ‘eurobonds’ apenas para as dívidas acima dos 60% do PIB. O que nos remetia para uma espécie de quadratura do círculo. De facto, 12 dos 17 países da zona euro têm dívidas superiores a 60% do PIB; e os cinco restantes, o grupo dos resgatados mais a Bélgica e a Itália, excedem mesmo os 100%. Como é que se gerem situações destas?

 

A posição de Angela Merkel face às ‘eurobonds’ sempre foi
muito clara: não, não e não! O que, em certa medida, se compreende. Se a
Alemanha pode endividar-se a uma taxa de juro na vizinhança de zero, parece não
fazer sentido optar por uma outra taxa que reflicta o risco médio da zona. É
verdade. Mas o problema também pode ser visto por outro ângulo: se a Europa
entrar em colapso, para onde vai a Alemanha canalizar as suas exportações?

 

A palavra ao bom senso.

 

d.amaral@netcabo.pt

 

 

 

 

 

publicado por ooraculo às 16:46
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