A Grécia aderiu ao euro no início de 2001, tendo sido o 12º
país a fazê-lo. E, como os outros, assumiu o compromisso de não exceder 3% do
défice orçamental nem 60% da dívida pública, ambos em percentagem do PIB. Nunca
o conseguiu. Mais: no final de 2011, o défice estava em 9% e a dívida em 165%,
praticamente o triplo dos limites máximos a que se comprometera. Percebe-se a
crítica que hoje lhe fazem: melhor fora que não tivesse aderido.
A Grécia foi objecto de um primeiro resgate em Maio de 2010,
beneficiando de um crédito de €110 mil milhões para resolver os seus problemas.
O que sucedeu foi que todos os problemas se agravaram. Indicadores do final de
2011: o PIB caiu 7%; a taxa de desemprego pulou para os 18% da população
activa; e o défice da balança comercial afundou-se em 13% do PIB. Em paralelo
eram também resgatados a Irlanda e Portugal. A ajuda só desajudou.
A Grécia obteve um segundo resgate em Julho de 2011, no
valor de €210 mil milhões, ao mesmo tempo que beneficiava de um perdão
voluntário (?) de 50% das dívidas a entidades privadas, no valor de €103 mil
milhões. Como contrapartida aceitou introduzir o seguinte plano de austeridade:
congelamento dos salários, extinção dos subsídios de férias e de Natal e
eliminação de 150 mil empregos do Estado até 2015. O resgate dava lugar à
asfixia.
A Grécia assinou de cruz o chamado pacto fiscal, aprovado
por 25 países da UE em Março de 2012 e que está a ser objecto de ratificação.
Este documento, que entrará em vigor no início de 2013, envolve os seguintes
compromissos: o défice não poderá exceder 0,5% do PIB e a dívida que for além
de 60% do PIB terá de ser eliminada em 20 anos, através de prestações anuais e
iguais. Mas nenhum deles vai ser respeitado e a Europa sabe disso.
A Grécia submeteu-se a eleições em 6 de Maio, mas não
conseguiu formar governo. E não me surpreenderia se viesse a suceder o mesmo a
17 deste mês. O que nos leva a duas conclusões, ambas más. A primeira é que os
gregos se estão nas tintas para os compromissos assumidos. A segunda é que os
senhores do euro são suficientemente hipócritas para imporem o que não é
exequível, para depois lavarem daí as mãos. Um golpe perfeito – e execrável.
A Grécia do euro termina aqui.