Sexta-feira, 15 de Junho de 2012

Depois da Grécia

O primeiro grande teste foi nas eleições de 6 de Maio: a
Grécia falhou e não conseguiu formar governo. O próximo teste será a 17 deste
mês e o mais provável que venha a suceder o mesmo: teremos então a insolvência,
a desolação, o caos social. Antecipando o cenário, já há quem fale da saída
“controlada” do euro, seja lá o que isso for. Eu sinto o mesmo, embora prefira
não revelar pormenores. Vou apenas suscitar esta pergunta: e depois?

 

O que a lógica sugere é que a próxima vítima seja Portugal.
Daí que todos os olhares passem a incidir sobre nós: uma recessão profunda, um
desemprego galopante, uma dívida pública ingerível e uma dívida externa para
que não se vê solução. Nada de grave, se atendermos a que há uma ‘troika’ que
nos controla mas também nos financia. Sucede que essa mama vai acabar em
Setembro de 2013: como é que, depois disso, irão reagir os mercados?

 

Há duas hipóteses a considerar. A primeira é a ‘troika’
deixar-nos entregues a nós próprios: os mercados dizem não ou, em alternativa,
propõem-nos uma taxa de juro proibitiva. A segunda é a ‘troika’, antecipando a desgraça,
decidir apoiar-nos por mais algum tempo: aqui já não há uma solução mas apenas um
adiamento. Quer dizer, o nosso problema não é sair ou não sair do euro; é sair
logo ou um pouco mais tarde. A diferença é irrelevante.

 

O regresso ao escudo será acompanhado de uma desvalorização
externa porventura não inferior a 50%, o que provocará uma queda brutal do
nível de vida. E aqui as famílias serão divididas entre as que têm e as que não
têm dívidas: as não endividadas talvez sobrevivam; as outras estão feitas,
porque as dívidas continuarão em euros. Os pensionistas, na melhor das
hipóteses, manterão a pensão nominal em vigor – cerca de metade do valor
real.

         

 Agora a boa notícia.
A desvalorização do escudo vai levar a um acréscimo das exportações e a um
decréscimo das importações, o que se traduzirá por uma dupla melhoria da nossa
balança comercial. E, com o tempo, a sermos bem-sucedidos, os actuais défices
serão transformados em excedentes até ao equilíbrio total. Mas não se pense que
tudo isto é para amanhã. Um ajustamento deste tipo nunca será exequível a um
período inferior a dez anos.

 

Apertem os cintos.  

 

d.amaral@netcabo.pt

 

 

 

 

 

publicado por ooraculo às 14:55
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