Primeiro a França, depois a Espanha, a seguir a Itália: a
Alemanha imperial, líder incontestada e defensora de uma austeridade sem
regras, lá acabou por ceder um pouco. Vingou o peso das economias. O peso da
Alemanha, sozinha, era igual a cinco vezes o peso conjunto da Grécia, da
Irlanda e de Portugal. Mas a Espanha, a Itália e a França, desta vez unidas, valiam
quase tanto como duas Alemanhas. O euro pode ter iniciado uma nova era.
François Hollande, erguendo a bandeira do crescimento
económico e da criação de emprego, terá conseguido a injecção de 120 mil
milhões de euros no conjunto das economias da zona euro, sendo 60 mil milhões
de empréstimos do BEI às PME, 5 mil milhões do orçamento comunitário sob a
forma de ‘project bonds’ e 55 mil milhões através do redireccionamento de
fundos estruturais. Uma gota de água num oceano de carências? Sim, mas foi um
começo.
Mariano Rajoy, do lado de Espanha, terá obtido um acordo de
princípio no sentido de os fundos do euro intervirem directamente na
recapitalização dos bancos, evitando desse modo a intervenção dos Estados e,
por reflexo, o agravamento da dívida pública. Claro que esta recapitalização só
deverá ocorrer lá para o final do ano, quando de facto se consumar a união
bancária. Mas o essencial está feito e Portugal irá também beneficiar disso.
Mario Monti, em Itália, sem deixar de acompanhar de perto as
reivindicações dos seus homólogos europeus, centrou as suas principais exigências
naquilo a que chamou a “histeria” dos mercados, que acusou de responsáveis
pelas taxas de juro proibitivas que ameaçavam levar o país à falência. E acabou
por ser ele o elo mais forte na procura de uma flexibilização que, tudo o
indica, deverá culminar numa redução efectiva do preço do dinheiro.
Claro que nem tudo são rosas. Como seria de esperar, a
Holanda e a Finlândia, eternos aliados da Alemanha, logo se opuseram a que o
novo mecanismo de estabilidade do euro venha a intervir na compra de dívidas
europeias nos mercados secundários para baixar as taxas de juro. E a dúvida
instalou-se. Vamos ter de averiguar se aquela intervenção carece de unanimidade
ou tão-só de uma maioria qualificada. Eu inclino-me para a segunda hipótese.
Enfim, será desta?