Terça-feira, 18 de Setembro de 2012

O buraco das contas externas

No trimestre terminado em Julho, as exportações subiram 8,3% para os €11.986 milhões e as importações desceram 6,5% para os €13.983 milhões, atingindo uma cobertura de 86%. É uma boa notícia. Mas estes números valem pouco: primeiro, porque apenas contemplam os bens, ignorando os serviços; depois, porque passam por cima dos rendimentos e das transferências, de que se alimenta a balança corrente. A nossa dependência externa joga-se aqui.

 

Em 2011, a variação real do comércio externo foi de 7,4% para as exportações e de -5,5% para as importações, o que deixa implícita uma clara melhoria das quotas de mercado. A estes números não deverão ser estranhos o colapso da procura interna e a queda abrupta dos custos unitários do trabalho. E a balança corrente pôde respirar um pouco: o saldo, ainda que negativo (-5,2% do PIB), ficou reduzido a metade da média dos anos anteriores.

 

O principal fluxo das exportações portuguesas vai para a União Europeia, que abarca 75% do total, com destaque para a Espanha, a França, a Alemanha e o Reino Unido. E o mesmo bloco é responsável por 76% das importações que entram em Portugal. Percentualmente estamos quites, mas é óbvio que em termos absolutos a vantagem vai para as importações. Precisamos de melhorar este indicador, o que só se consegue com uma competitividade acrescida.

 

Voltando à balança corrente, o equilíbrio na zona euro é quase total: prevê-se um excedente de 0,4% do PIB em 2012, contra um défice de 3,2% do PIB nos EUA. Mas, quando se desce ao pormenor, é como se entrássemos num filme de terror: os países do norte (Alemanha, Bélgica, Holanda, Áustria) esmagam completamente os do sul (Portugal, Espanha, Itália, Grécia). Já repararam como, a haver um mínimo de solidariedade, seríamos todos felizes?

 

Discute-se muito a dívida pública e com razão. Mas a dívida externa, bem mais importante, é praticamente ignorada. No final de 2011, em Portugal, ela atingia €177 mil milhões, um valor que na zona euro só era excedido pela Espanha, pela França e pela Itália; já em percentagem do PIB (104%) éramos o país mais endividado de todos. A mensagem é clara: nós não precisamos apenas de exportar mais; precisamos de uma balança corrente positiva.

 

O Governo tem consciência disso?

 

 

d.amaral@netcabo.pt

 

publicado por ooraculo às 16:56
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