Terça-feira, 27 de Novembro de 2012

O Estado "social"

Um dos maiores problemas com que hoje nos defrontamos é o da dívida pública, interna ou externa. No final de 2012 esta dívida deverá atingir €200.000 milhões, 120% do PIB, o dobro do valor máximo permitido. Mas, a par deste, há o problema da dívida externa, pública ou privada. Números do Banco de Portugal referentes a Junho último apontavam para um valor de €183.000 milhões, 110% do PIB. São duas dívidas paralelas, espécie de irmãs siamesas, que ameaçam estoirar connosco. Como é que se gerem estas situações?

 

A responsabilidade pela dívida pública cabe aos vários governos que, sobretudo em períodos eleitorais, gastaram o que tinham e o que não tinham como se não houvesse amanhã. Já no caso da dívida externa a responsabilidade é de todos. A partir do momento em que aderimos ao euro, habituámo-nos à ideia de que, se produzíssemos 100, poderíamos gastar 110: os 10 a mais correspondiam à diferença entre importações e exportações. Mas atenção! O euro não teve culpa: fomos nós que não soubemos lidar com ele.

 

Peguemos então na dívida pública. Com a dimensão que ela já atingiu, e com esta austeridade sem regras que todos os dias lhe acrescenta uns pozinhos mais, é óbvio que a dívida não tem solução. É impossível. Não consigo imaginar um único economista a defender a tese contrária. Logo, teremos de reestruturá-la, em prazos e taxas de juro, à luz de um modelo a definir e que seja minimamente exequível. Sucede que o actual Governo é teimoso para burros: não, não e não! Como é que se lida com uma estupidez assim?

 

A dívida externa é mais complexa, porque engloba toda a gente: o Estado, as famílias e as empresas. Já vimos como ela foi crescendo, porque gastávamos mais do que produzíamos. Agora precisamos de fazer o inverso e não sabemos como. Primeiro, porque os saldos externos continuam negativos, embora mais baixos. Depois, porque as nossas exportações são importações do outro lado, onde se vivem dramas semelhantes. E, por último, porque vivemos numa espécie de clausura onde o que conta é a austeridade e a recessão.

 

Resumidamente, foi assim. Foi este o nosso percurso até ao pântano em que nos encontramos hoje. E não é mais possível substituir dívidas por outras dívidas a que ainda acrescentamos os juros. Não tenho especial simpatia pelo actual Governo, imaturo e desleixado, que até hoje não cumpriu nada do que prometeu. Mas também não tenho ilusões. Os governos que lhe sucederem, quaisquer que eles sejam, vão ter de gerir uma situação de empobrecimento generalizado, de uma violência extrema, que vai prolongar-se por muitos anos.

  

Este modelo faliu.

 

d.amaral@netcabo.pt

publicado por ooraculo às 14:11
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Dezembro 2012

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
12
13
14
15

16
17
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30
31


.posts recentes

. Regresso ao futuro

. Passos perdidos

. 2013: A vertigem

. O Estado "social"

. O declínio da Europa

. Chover no molhado

. O Estado vampiro

. A escapatória

. OE/2013: a ruptura

. Um país destroçado

.arquivos

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

blogs SAPO

.subscrever feeds