Sexta-feira, 25 de Junho de 2010

A revolução

  Números do INE, 2009: 529 mil desempregados, 9,5% da população activa. Nas camadas mais jovens, a taxa sobe para 20,1%. Ou para 24,4%, se considerarmos os jovens cuja escolaridade atingiu o ensino superior. Por regiões, as mais afectadas são o Alentejo e o Algarve, ambas acima dos 10%. Desempregados há um ano ou mais: 50,5% do total. É um quadro desolador. Que entretanto se agravou em 2010. Como é que se sai disto?

Esqueçamos 2009, um ano atípico. Nos últimos dez anos terminados em 2008, a população activa cresceu 10,4% e o emprego 7,3%; em consequência, o desemprego subiu 2,7 pontos para os 7,6%. Projectemos um comportamento idêntico para a década 2010-19: o desemprego salta para os 12%. Sucede que este número é intolerável, o que suscita a questão de saber como é que o corrigimos. Mascaramos as estatísticas? Proibimos os despedimentos? Voltamos à emigração?

Conheço a resposta dos optimistas: a solução está no crescimento económico. Muito bem. Na última década terminada em 2008, o PIB cresceu ao ritmo de 1,5% ao ano e o emprego cerca de metade disto. E se ao acréscimo do emprego juntarmos o do capital, o que resta para ganhos de eficiência é algo a dizer baixinho para não se rirem de nós. Crescemos como? Onde está a produtividade? Mais difícil ainda: como é que se articula a produtividade com o emprego?

A crise de 2008-09 é sintomática: o PIB ‘per capita' caiu 3%, o factor trabalho caiu 1,8% e o factor capital aumentou 0,5%; então a produtividade total dos factores foi negativa e da ordem dos 1,7%. Isto significa que o aparelho produtivo está sobredimensionado, porque o ajustamento do emprego ainda não se fez. Há capacidade produtiva, mas não há procura que a alimente. O desemprego só pode continuar a subir.

A ilação a tirar é que perdemos uma década a adoptar políticas erradas: na escolha dos investimentos, na organização das empresas, na legislação do trabalho, na distribuição dos rendimentos, na gestão da poupança, sei lá! E as chamadas reformas estruturais vão ter de recomeçar do zero. Mas isso ainda seria o menos. O pior é que, em simultâneo, o nível de vida vai sofrer uma queda abrupta para valores substancialmente mais baixos. Vem aí uma revolução. Como é que se explica isto às pessoas?

 

GANHOS E PERDAS

Da produção...(Variação (%)  Aos contributos (Variação (%)
   

Assumindo uma mesma produtividade, o acréscimo dos factores produtivos repercute-se com o mesmo peso no volume de produção. Se esta exceder aquele efeito, é porque houve ganhos de eficiência.

Agora observe-se o biénio 2008-09: o PIB ‘per capita' caíu 3%, e a conjugação dos dois factores apenas caíu 1,3%; então os 1,7% restantes traduzem ineficiência. É horrível.

Fonte: Banco de Portugal
____

Daniel Amaral, Economista
d.amaral@netcabo.pt


Comentários

 Centralismo de Lisboa mata a indústria do Norte!, | 25/06/10 16:29
«En el norte de Portugal, el rechazo del centralismo está a flor de piel. Basta mencionar el asunto para despertar los demonios. "Portugal es el país más centralista de la OCDE, más que Francia", "vivimos en un régimen colonial", "tenemos un presidente de la República que es el mayor centralista de Portugal y tenemos un Gobierno extremadamente centralista", son algunos de los comentarios recogidos en la región Norte. La realidad es que en Portugal están prohibidos los partidos regionales, y los diputados elegidos en Oporto, según la Constitución, no representan a los electores de Oporto, sino al electorado nacional.»

«El sentimiento de discriminación crece día a día en Oporto y Braga, los dos grandes núcleos del Norte, que no tragan que los grandes proyectos de obras públicas -el AVE, el segundo aeropuerto, la plataforma logística- estén todos previstos en Lisboa. La sensación de abandono es muy sensible no sólo en el Norte, sino a lo largo de la frontera con España.»

«La ausencia de políticas públicas de apoyo a las pymes, que constituyen el 99% del tejido industrial, ha sido la puntilla»

«El sector textil es uno de los que lleva la peor parte, con una caída de las exportaciones del 32% en los últimos nueve años. En 2009 quebraron más de 200 empresas, de las que 150 eran textiles. En el distrito de Braga, el desempleo supera el 15%. En Guimarães, otro polo industrial, el paro se disparó. El calzado, en cambio, se ha modernizado y ha sido capaz de mantener capacidad competitiva con sus rivales italiano y español. El sector ha perdido empleo y empresas, pero con la creación de marcas propias consigue exportar 1.200 millones de euros al año. Así es Portugal, un país que combina modernidad y arcaísmo.»

Vide «Portugal no quiere ser Grecia»,[c/ citações de Rui Moreira e Carlos Lage], EL PAÍS 06/06/2010.

carlo, lx | 25/06/10 12:51
Perguntas:

Existem pelo menos 700.000 desempregados em portugal.

Ainda que toda a gente fosse altamente formada e com experiencia...

Fazendo um calculo simples 700.000 / 100 ( empresas Com 100 empregados)
== 7000 Empresas

Ou seja para Criar emprego para todos os desempregados seriam necessarias criar 7000 empresas com 100 funcionarios cada.

Cada uma custaria milhoes de euros... alem de mercados... produtos clientes....

Quem vai criar estas empresas? Empresarios? O estado poderia ajudar a financiar? Quanto tempo demoraria a criar tudo isto?

Entao estas pessoas depois de ficarem sem qualquer fonte de receita como vao viver? O estado o que faz???

Grande parte destas pessoas nunca mais terao emprego em Portugal......

E agoraa????????????????????????????????????????????????????????????????

Soluçoes.

JOÃO SEIXAL, seixal | 25/06/10 10:40
Os "analiticos" e os "sábios" andam muito engraçados ou distraídos nas analises, onde estavam hà 2O anos? a construir Auto-Estradas com dinheiro da CEE, Onde está a "massa" critica e onde andam os "empresários" nos TACHOS? A Brisa não é culpada? a JAE não é culpada, onde anda o dinheiro que ganharam? Nas "reformas churudas? na Suiça? nas CAIMÃO? Ajudem!!!! Isso é que é de valor!!!!!!

hlisboa, Lisboa | 25/06/10 10:34
Faço uma sugestão!Olhem para o pacote Ingles e vejam bem quem são os alvos para o aumento dos impostos e para A REDUÇÃO!!!!
Para quem perceber o MINIMO de economia, CRESCIMENTO E CRIAÇÃO DE EMPREGO..... está tudo lá!

Realista, Porto | 25/06/10 09:25
Concordo com o artigo. Mas deixem-me baralhar um pouco as coisas. 1- O conceito de desemprego não é tão exacto como parece pelas estatísticas. Por exemplo, eu não acredito que o desemprego em Espanha (ou em qq outro país) seja de 20% e não haja nenhuma revolução social. O que deve haver é muito emprego submergido. Aqui em Portugal, pelo contrario, acredito que haja muito desemprego "fe facto" que não conste das estatísticas. O autor diz (e eu acredito) que nos últimos 10 anos os empregos cresceram 7,3%. Como a população total practicamente estagnou, a tx de desemprego devia ter diminuido. Não diminuiu porque ha cada vez mais pessoas (mulheres?) que não trabalhavam agora procuram emprego. Assim nunca mais reduzimos a taxa. Bem diz o Eng Sócrates que "criou" 150 ou 130.000 empregos. 2- O autor trata as questões económicas como se fossem ciencia exacta. E não são! como vamos sair disto? Eu não sei! Mas sei que ha 3 anos atrás a Irlanda (o tal tigre celta) crescia enormemente e a vizinha Espanha tambem. E de repente estão na fossa como nós. Tambem sei que o euro chegou a valer quase 1,5 dolares e de repente só vale 1,2 e possivelmente vai valer só 1. E isso tem um impacto mkuito grande nas exportações europeias. O FUTURO? SÓ DEUS SABE| ACABEM LÀ DE UMA VEZ POR TODAS COM A MANIA DE QUE SÃO AS POLÍTICAS ECONÓMICAS QUE OS GOVERNOS TOMARAM OU VÃO TOMAR QUE SÃO DETERMINANTES. NÃO SÃO| A NOSSA ECONOMIA É UMA CASQUINHA DE NOZ NO MEIO DE UM MAR REVOLTO.

xis, | 25/06/10 08:58
Políticas erradíssimas. Em vez ~de se apoiarem as empresas construiram-se estradas em excesso para as quais não há dinheiro para manter.
Cada vez que havia eleições havia novas estradas.
Num casio que conheço para ir para a cidade mais próxima (menos de 5 Kms)há cerca de uma dezena de estradas diferentes, inúmeras rotundas mas a indústria tradicional definha e não há novas indústrias
Agora é necessário (?) construir uma nova ponte porque a Vasco da Gama para pouco mais serviu do que dar emprego posterior ao Ministro de então
publicado por ooraculo às 17:36
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