Sexta-feira, 13 de Agosto de 2010

A gestão do emprego

 

Números do Eurostat, Junho de 2010: por cada 100 indivíduos da população activa, havia 10 desempregados na zona euro, 20 em Espanha e 11 em Portugal; mas apenas sete na Alemanha. Fui à procura de explicações: a Alemanha exporta mais do que importa, não tem problemas graves de finanças públicas e, em termos gerais, o seu desempenho económico tem sido melhor do que o dos outros. Será esse o segredo?

Consideremos o exercício de 2009, no auge da crise. O PIB alemão caiu cerca de 5% e o PIB americano apenas metade disso. Mas, analisado o mercado laboral, o emprego estabilizou na Alemanha, ao mesmo tempo que caía 3,8% nos Estados Unidos. A explicação foi outra: as empresas alemãs reduziram os horários de trabalho e mantiveram as remunerações, sendo para o efeito subsidiadas pelo governo. O emprego foi sustentado pela comunidade.

Mas há outras soluções. Imaginemo-nos em Portugal, gerindo uma empresa com 100 pessoas, um horário de trabalho de 40 horas semanais e 2.000 euros de remuneração média por mês. A ocorrer uma crise que levasse a um corte de 10% na produção, despedíamos 10% das pessoas? Não necessariamente: poderíamos reajustar o horário para 36 horas e o salário para 1.800 euros. O emprego manter-se-ia, apoiado pela solidariedade dos trabalhadores.

Este exemplo conduz-nos uma experiência francesa, que correu mal. Em 1998, para salvar o emprego, Lionel Jospin reduziu os horários de trabalho para 35 horas semanais. Mas, dez anos passados, para evitar uma "catástrofe económica", Nicolas Sarkozy voltou à primeira forma. Moral da história: o modelo talvez funcione temporariamente, mas só isso. O emprego é um problema do mundo, que só terá solução se os países o encararem como tal.

Sem saber como, dei comigo a reflectir sobre um país que dispõe de um PIB fabuloso, com exportações fabulosas e reservas colossais - e salários de miséria: a China. Os americanos queixam-se de um yuan artificialmente baixo. Mas um simples aumento de 20% no consumo chinês levaria a um acréscimo de $25 mil milhões nas exportações americanas, que por sua vez criariam nos EUA mais de 200 mil novos empregos. E os reflexos na Europa seriam também positivos. ‘Voilà'!

A solução do emprego está na solidariedade universal.

 

d.amaral@netcabo.pt

 


Comentários

Rui Mendes , Lisboa | 13/08/10 14:46
Meu Caro Dr. Daniel Amaral, a isto se chama Globalização, os chineses trabalham muito por pouco(desvalorização do Yuan), mas é assim que eles são e que o mundo os vê.Cada por cada chines fora da china o governp chines paga-lhes por 5 anos um subsidio xpto.
A isto chama-se IDH? não chama-se indice de desenvolvimento da probreza.O nosso mal provem de vários factores, a adesão á globalização que os chineses adoraram, o competir com preços baratos e mão de obra barata, com produtos de má qualidade face á qualidade.
Meus caros, o mal de uns é a benesse de outros, ou regredimos na globalização e voltamos as tarifas aduaneiras, ou impomos quotas de importação, ou taxamos as importações para elevar a produção interna e exportações ou trabalhamos como os chineses, muito por tão pouco.
Em relação aos EUA, é pais que paga a divida com a sua propria moeda que se dão ao luxo de controlar as reservas colossais da china porque a valorização do Yuan diminuia os preços de vendas dos produtos chineses.Em relação aos alemaes, a desculpa da reunificação das duas alemanhas fez com que o Ocidente congelasse o preço do trabalho para dar ao Leste e assim se montou o Turbo do Mercedes(alemanha).
È facil assim!? Será que é licito pedir a um portugues que abdique de um estilo de vida que viu-se obrigado a pagar-lo?
Cps, Sr. Dr Daniela Amaral.

Domador da Fera Morta , PORTO | 13/08/10 12:50
Caro Daniel Amaral,
Você é economista! E há certas frases que ficam "engasgadas" a meio...."...um simples aumento de 20% do consumo chinês, levaria a um aumento de 25 mil milhões das exportações americanas..." - SIMPLES? Um aumento de 20% do consumo, é um aumento BRUTAL meu amigo!!!!!!
E entre uma série de consequencias, há uma que pode "baralhar" o jogo totalmente; o aumento brutal da procura sobre as matérias-primas, veja-se, petróleo, metais, madeiras, inertes, etc. Perante esta situação nova, qual seria as consequencias para a economia mundial? Provávelmente irá acontecer, mais dia, menos dia, mas o que quero dizer, é que não é uma análize tão simplista como essa que está o segredo da "coisa".
E "VOILÀ"!

LOPES CARLOS , Bélgica | 13/08/10 11:57
1. Portugal na ultima década ( 2000/2009) teve um crescimento anual médio de 0,7 °/° ( dados comprovados) e na proxima década ( 2010/2019) terá um crescimento anual médio de 0,7 °/° ( previsões internacionais) .
2. Portugal com este crescimento médio anual anémico não criará EMPREGO.
Assim se explica a emigração da nossa Juventude, a quebra da natalidade , o abandono das nossas terras e aldeias ( solos degradados, incêndios impunes,etc ).
3. É preciso MESMO outro paradigma , outra ambição , outros desafios, baseados nas realidades nacionais e internacionais. O actual modelo está completamente ultrapassado.

JOÃO SEIXAL , seixal | 13/08/10 11:28
O Exmº Sr; Dr; Engº, comentarista e ao que parece bem instalado na vida, devia acabar com estas análises porque , ainda, mete tudo contra ele e quando o PSD for governo ; dizem-lhe logo... PORQUE NÃO TE CALAS?

vg , | 13/08/10 11:04
Já ouviu falar em capitalismo global.Mas, já ouviu "sindicalismo global"?Não há Marx que aguente...

Realista , Porto | 13/08/10 11:03
Esta é a segunda tentativa que faço para comentar este artigo. Discordo absolutamente de <Joana Dias>. O desemprego não é de modo nenhum um problema português. Basta olhar para Espanha, para a Europa, para os EUA. Esta crise tem acentuado o fosso entre empregados (que em alguns casos até viram a sua situação melhorada) e desempregados e entre pessoas de meia idade (em geral com emprego) e jóvens. Penso que sindicatos, partidos, a socierdade em geral têm que rever a situação. E a solução do autor - mais pessoas a trabalhar com menos horas de trabalho - parece-me ser a solução

Joana Dias , Lisboa | 13/08/10 10:29

Dizer que o desemprego é "um problema do mundo" é muito conveniente para alijar responsabilidades do actual governo português... É que entretanto, em Portugal, a taxa de desemprego jovem subiu 5,6 pontos percentuais entre o primeiro trimestre de 2008 e igual período de 2010. Ah! bem sei: é tudo "culpa da crise que nos vem lá de fora". Certo, dr. Daniel Amaral?

Cláudia , Lisboa | 13/08/10 09:55
Dizer que o desemprego é um problema do mundo é dizer a verdade. Infelizmente, mas é assim. O mesmo se podendo dizer do desemprego jovem. Os 7% de taxa de desemprego na Alemanha, parecem-nos pouco a nós mas não deixa de ser um nível elevado para a Alemanha.
Para resolver esta situação dramática há que ver a realidade, ponderar todos os factores e não achar que Portugal vive isolado do mundo e não é afectado por este. Só analisando todos os factores será possível fazer o diagnóstico certo e identificar soluções.

Norberto de Serpa , | 13/08/10 09:53
Já olhou para a balança comercial USA - China?
NapoLeão , | 13/08/10 09:38
O desemprego jovem atinge aqueles que não têm papás e madrinhas na esfera da governação ! Daí que o desprezo vá aumentando e os mais jovens e capazes vão emigrando ! E querem reduzir o desemprego com o Valter Lemos como secretário de Estado ?

Frei Tomás , | 13/08/10 09:24
Porque será que o mundo parece ser tão 'universal solidário' com os Alemães - onde caso não se tenha notado, o desemprego não só não aumenta, mas dá alguns sinais de (ainda ligeira) recuperação? Pode mencionar-se as "exportações", mas tal parece implicar estas como "causa" e não como "consequência" - consequência de rigor, boas contas e limitada demagogia, especialmente de alardes 'estatalistas' com borlas e benesses (prometidas por malta frequentemente improvável mas sempre pronta a apresenta-se 'apta' para 'governar' dinheiro que não é deles) e que se habituou a resolver problemas encharcando-os de dinheiro e, ao mesmo tempo, negligenciando ou mesmo abdicando de exigência e inteligência que é, simplesmente, o melhor modo de ser solidário - a melhor "paz social" que conheço é a das boas contas assentes em bom e sério trabalho, não o do circo que se alimenta das 'loas' encomendadas e trombeteadas pela propaganda e de faltas de 'universais solidariedades'.

Joana Dias , Lisboa | 13/08/10 03:52

Dizer que o desemprego é "um problema do mundo" é muito conveniente para alijar responsabilidades do actual governo português... É que entretanto, em Portugal, a taxa de desemprego jovem subiu 5,6 pontos percentuais entre o primeiro trimestre de 2008 e igual período de 2010. Ah! bem sei: é tudo "culpa da crise que nos vem lá de fora". Certo, dr. Daniel Amaral?...

João , Porto | 13/08/10 03:49

Daniel Amaral está a perder qualidades. Um artigo videirinho e incompreensível, este. É o que dá quando se hesita em criticar o partido do coração - que por acaso é o partido do "engenheiro" que tão bem nos governa vai para seis anos...

Granito , Lisboa | 13/08/10 01:00
Desemprego atinge muitos,mas é preciso afirmar que em Portugal existe algum desemprego porque a sua origem é fraudulenta.Veja-se o caso da Unimed do GpSaude,SLN;BPN.Uma vergonha.
publicado por ooraculo às 15:36
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Dezembro 2012

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
12
13
14
15

16
17
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30
31


.posts recentes

. Regresso ao futuro

. Passos perdidos

. 2013: A vertigem

. O Estado "social"

. O declínio da Europa

. Chover no molhado

. O Estado vampiro

. A escapatória

. OE/2013: a ruptura

. Um país destroçado

.arquivos

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

blogs SAPO

.subscrever feeds